08/04/13

eleições já?


Bem sei: estamos já todos fartos deste governo. Uma gente que chegou lá a cavalo num ramalhete de mentiras, que governa arrogante e incompetentemente em pastas-chave, que nunca tem culpa de nada do que corre mal, que julga ter a missão de nos castigar por vivermos. Um governo que usa a crise como biombo da sua cartilha ideológica. Um governo que está a dar cabo das nossas vidas por anos e anos que nunca nos serão devolvidos - embora muitos não percebam isso enquanto a sorte dos outros não lhes bater à porta.

Quer isto dizer que temos de estar entusiasmados com a recente excitação do PS que aproveita o pequeno-almoço, o almoço, o lanche e o jantar para exigir eleições?

Eu não estou entusiasmado com essa exigência de eleições já. Eleições antecipadas valem a pena para sufragar uma alternativa que traga no bojo uma saída desejável para os impasses que amargamos. Para ser alternativa, uma outra política tem de ter conteúdo reconhecível, tem de ser exequível - e tem de estar escorada num bloco político e social capaz de suportar a sua execução. Só vale a pena ir para eleições antecipadas quando essa alternativa existe, é reconhecida pela generalidade das pessoas como tal e se torna urgente adequar a representação ao representado.

Infelizmente, se já todos percebemos o pântano em que estamos, ainda ninguém percebeu muito bem o que vai Seguro e o PS fazer de diferente. Não é o que tenciona fazer de diferente: é o que vai (poder) fazer de diferente. Nem com que forças conta para fazer o que quer que seja.

Nestas condições, o tempo para o PS seria de falar claro e concreto (berrar mais alto não explica alternativa nenhuma: na hora de falar a sério, fala-se mais baixo e mais pausadamente, não se grita mais nem mais depressa). O tempo para o PS seria de apresentar-se activo no debate sobre a reforma do Estado - não para aceitar a sua destruição, mas para lhe opor alternativas, em vez de se refugiar em desculpas procedimentais para não comparecer. O tempo para o PS seria de dar os passos ousados necessários para juntar forças de uma alternativa política e social viável.

Repetir a cada hora a reivindicação de eleições não faz prova suficiente de se ter feito o trabalho de casa - e arrisca ser interpretado como um jogo político com o sofrimento dos portugueses. Ou, então, mera ambição sem ponta de patriotismo - ou, vá lá, sem ponta de bom senso. De passagem, um governo Seguro que desiludisse o país nesta hora grave seria uma desgraça para os socialistas e uma festa para os maximalistas sem quartel de todos os quadrantes.

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