06/05/12

a Europa que aí vem.


Do que já se sabe das eleições em França e na Grécia (vitória de Hollande; uma soberana confusão a sul) fica claro que a Europa não vai poder continuar a ser governada a golpes de martelo. Até agora têm imposto a sua vontade aqueles usam a sua força para vergar os demais e que têm do jogo democrático dentro da UE uma concepção muito esquemática. Vai ser preciso aprender a negociar mais abertamente, tendo em conta os eleitorados e não tratando os governos nacionais como filiais de um comando europeu cuja legitimação democrática é percebida como fraca pela generalidade dos cidadãos. A democracia não se esgota nas eleições, uma verdade válida para qualquer comunidade política sofisticada; numa estrutura de governo muito indirecta, como a da UE, perceber isso é ainda mais importante. Pode ser que estes resultados obriguem, com mais ou menos dor, a perceber isso.

1 comentário:

Maquiavel disse...

Vitória de Pirro para a ND na Grécia. Menos mal. Mesmo com a sua lei eleitoral que dá 40 deputados à lista vencedora, näo chega para revalidar o governo troykista.

A questäo francesa é importantíssima para o desatar o nó górdio. Com Hollande a mandar sinais de que "a austeridade näo é inevitável" o PASOK pode começar a renegar o memorando que assinou, dando o aval a um governo esquerdista. O problema é que esse só poderia nascer daqui a 6 meses com novas eleiçöes, porque de momento teriam no máximo 138 deputados.

Será que os "Gregos Independentes" estariam afim de participar num governo anti-troyka com a Esquerda, ou pelo menos näo se opor a um governo de Esquerda?

Há sempre a hipótese de ND+PASOK chamarem os neonazis ao regaço, näo escamoteemos a sua sede de poder. Mas essa hipótese é täo ignóbil que espero ser carta fora do baralho.

Como dizia o cego, "veremos".