19/04/12

diplomacia fina.


Voto de Seguro dá argumentos a Sarkozy.
«Ratificação portuguesa do Pacto Orçamental, com os votos do PS, é usada por Nicolas Sarkozy para atacar François Hollande na campanha para as Presidenciais francesas.»

Era mais ou menos evidente que este argumento seria usado contra o candidato presidencial socialista francês. O PS português caiu numa armadilha: a troco de nada, deitou fora qualquer possibilidade de participar numa estratégia socialista a nível europeu para promover outra abordagem à crise. E, como bónus, deixou um amargo de boca em Hollande, que certamente passará a receber os socialistas franceses de braços abertos, no Eliseu ou fora dele.
Já mostrei que não tenho ilusões quanto à ratificação dos tratadinhos orçamentais merkelianos, mas o PS não pode desperdiçar a única frente onde tem algum espaço para mostrar o que vale nas actuais circunstâncias: a arena europeia.

3 comentários:

Jaime Santos disse...

Porfirio, nao entendo a sua posicao. O PS assinou a coisa porque nao quer ficar com o onus de lancar o Pais na bancarrota sem ter estrategia para sair dela. Que bem que saberiam a Direita umas eleicoes antecipadas depois disso... Nesse aspeto, a posicao da Esquerda da Esquerda e mais coerente: entramos em default, saimos do Euro e desvalorizamos a nossa moeda. Com que consequencias se o fizermos unilateralmente e que nao se sabe. Basicamente, o PS assinou com uma arma encostada a cabeca, e tudo. Qualquer coordenacao entre socialistas europeus tera que passar por estes recuperarem musculo eleitoral. Espero pois que Hollande ganhe (e o fato de Sarkozy recorrer ao exemplo de um Pais periferico que perdeu de fato a sua independencia so mostra o desespero deste, logo Portugal, a Segunda Potencia Iberica). Mas a coisa so podera mesmo mudar com uma reviravolta na Alemanha la para Setembro de 2013...

Porfirio Silva disse...

Jaime,
Se o PS já não tem sequer força política para fazer avançar umas poucas semanas uma ratificação (quando fomos os primeiros a fazer tal coisa), então estamos mal.
Será preciso explicar ao país que o PS, hoje como ontem, percebe que não podemos avançar sozinhos contra todos na UE - mas temos que alargar a margem de manobra dos aflitos.
O problema é que não se pode fazer isso ao mesmo tempo que se aceita que chegámos aqui por culpa (ou por culpa exclusiva) do anterior governo.
O Hollande e os seus apoiantes já começaram a dizer que até alguns governos de direita estão à espera que ele ganhe para obrigar a repensar tudo isto.
Em resumo: a escassa margem de manobra que temos (país e PS) tem de ser aproveitada, não oferecida de bandeja.

Jaime Santos disse...

Porfírio, o que eu digo é que o PS não tem neste momento qualquer margem de manobra. Qualquer iniciativa a nível europeu teria que partir do Governo e esses esfregam as mãos de contentes por obrigarem o PS a assinar de bandeja algo que habitualmente seria anátema para um Partido de Esquerda, a criminalização do Keynesianismo. Mais tarde, irão provavelmente arrepender-se. Agora, que os Socialistas passam o tempo a pedir desculpa por existirem, sem dúvida, mas isso neste caso não tem relevância alguma, a verdade é que os três partidos da troika são agora lacaios de Merkozy e os dois do Governo adoram isso... É triste admiti-lo, mas o PS, enquanto não quebrar com a troika (e não pode fazê-lo sozinho, tem que ser a nível europeu) está nas mãos da coligação PSD-CDS...