21.9.16

a vida é feita de pequenos nadas.

10:08

Os impostos sobre os ricos ou sobre os "ricos" (com aspas), consoante o ponto de vista, constituem, evidentemente, um tópico importante do debate acerca do que entendemos por uma sociedade decente - sendo que, numa sociedade decente, as desigualdades extremas devem ser combatidas.
O facto de Passos Coelho ter, em tempos, defendido algo muito parecido com as ideias expostas recentemente por Mariana Mortágua não torna ipso facto as propostas da dirigente bloquista de concretização desejável. Mas lembra duas coisas relevantes.
Primeiro, que a Direita continua hipócrita e dotada de duas faces, porque é capaz de falar em sovietização do país a propósito de ideias que ela própria defendeu quando lhe dava jeito. Aliás, numa coisa PPC tinha razão no que disse: concorde-se ou não com a proposta, trata-se de uma medida tipicamente social-democrata. Lembrar isso não resolve o problema da decisão, mas ajudaria a fazer um debate mais sereno, em vez da histeria que se instalou com a ajuda de um circo mediático que faz pensar que devem ter voltado os brasileiros ao comando da propaganda do PSD.
Segundo, que o BE, tendo facilitado a antecipação descoordenada do debate de uma medida que não devia vir à luz do dia antes de estar ponderada e enquadrada na estratégia geral do governo e da maioria, deu um tiro no seu próprio pé e um tiro no funcionamento da Geringonça. O PCP pode, agora, dizer "tenham juízo e entendam como é útil a discrição dos comunistas na gestão das negociações". O BE pode, com isto, experimentar outro facto: deixaram de poder contar com a simpatia automática da comunicação social, que tendia a tratar os principais dirigentes do BE com benevolência, até para irritar o PS e o PCP. O BE cresceu e os poderes comunicacionais assustaram-se e deixaram de o considerar inofensivo. Podem até vangloriar-se disso, mas entendam que o jogo mudou de plano. A "simpatia" do BE vai passar a ser retratada como "disfarce de radicais".
No meio disto tudo, o que se espera é que a maioria das esquerdas, com os mais recentes episódios, aprenda alguma coisa acerca do seu próprio funcionamento.
E digo isto sem qualquer acrimónia. Mas com o espírito crítico que os parceiros devem ter uns com os outros.

21 de Setembro de 2016



20.9.16

Abertura do Ano Escolar: Normalidade, Confiança e Determinação

18:20

Para assinalar a Abertura do Ano Escolar, membros da Comissão Permanente, Deputados da Comissão Parlamentar de Educação e Ciência e elementos da Juventude Socialista realizaram esta segunda-feira (ontem) uma série de visitas em diversos pontos do país.

Foram visitadas Unidades de Ensino Estruturado e multideficiência do Agrupamento de Escolas da Lousã, um concelho inclusivo e onde o trabalho pelas crianças com deficiência é beneficiado pelo empenhamento da autarquia local e pela contribuição do associativismo, no caso a ARCIL.

Esta delegação esteve também reunida com a Associação Nacional de Professores Contratados e com o Sindicato dos Professores da Grande Lisboa com o intuito de recolher a opinião e se fazer um balanço acerca da abertura deste Ano Escolar, mas pensando também nas melhorias a introduzir no próximo.



Esta iniciativa do PS tem uma tripla mensagem: Normalidade, Confiança e Determinação.

Normalidade no funcionamento da Escola, como se demonstrou nesta abertura do Ano Escolar fruto da competência dos Dirigentes Escolares, dos Professores e do Ministério da Educação;

Confiança nos profissionais de Educação, Confiança nas Famílias e Confiança nos Alunos para fazermos uma Escola onde se aprenda mais e onde se aprenda melhor.

Determinação para fazer da Escola Pública uma ferramenta essencial de promoção Igualdade, de combate às Desigualdades, Determinação em fazer da Escola Pública um instrumento de promoção de uma sociedade decente em Portugal.

Bom ano lectivo!




20 de Setembro de 2016

18.9.16

Mariana Mortágua quer salvar o capitalismo?

19:28



O burburinho em torno de uma afirmação de Mariana Mortágua evidencia a indigência de algum pseudo-debate politico.

"Só a esquerda radical pode salvar o capitalismo." Assim se pode resumir uma das teses apresentadas ontem por Mariana Mortágua, do BE, na Conferência Socialista 2016 (organizada pelo PS, em Coimbra).

Ora, esse burburinho só mostra uma coisa: ignorância. Os truques (fazer vídeos com a repetição até à náusea da MM a dizer "salvar o capitalismo", por exemplo) ou os "argumentos" que pretendem mostrar que "ah ah afinal os bloquistas querem salvar o capitalismo, finalmente confessam" , são pura demonstração de ignorância.

Ignorância de que essa forma de falar (salvar o capitalismo) se usa há muito tempo para representar o debate sobre a forma como as críticas ao capitalismo acabam por ser mais ou menos usadas pelo próprio capitalismo para se adaptar. É que, havendo diferentes formas de capitalismo, algumas são mais capazes de resistir às suas próprias dificuldades - e isso pode resultar de compreenderem melhor as críticas. Por isso, alguns economistas críticos, quando analisam certas formas de capitalismo, "arriscam-se a ajudar o capitalismo", porque este se pode adaptar. Este debate não é novo, nem foi inventado pela Mariana Mortágua. O que ela ontem disse, sobre este ponto, em substância, é que os economistas críticos, que levam Marx ou Keynes mais longe, compreendem melhor o capitalismo do que, por exemplo, os neoliberais - ou os social-democratas, já que ela também estava a criticar a família socialista (e com razão em pontos essenciais, por exemplo quando disse que nos deixámos levar na cantiga da liberalização do capital).

Podemos concordar ou discordar. Mas fazer disto uma campanha idiota pretendendo mostrar que a Mariana Mortágua (e o BE) afinal quer salvar o capitalismo - é apenas sinal de ignorância. Ou, não sendo ignorância, só pode ser desonestidade intelectual.

Defender o debate público - designadamente o debate à esquerda - passa por rejeitar liminarmente estas torpes deturpações das opiniões de outrém.

18 de Setembro de 2016