4.4.14

As sugestôes do João Miguel.



[o que é isto?]



Para conseguirmos faire marcher le devoir et l'amour. (Carmen, 2º acto)



A secção internacional da matriz de exposições está reforçadíssima. Depois de ter feito uma recolha induzida por umas pistas da ARTE, um amigo e parceiro desta comunidade das sugestôes fez-me chegar um filão fabuloso que a melhorou substancialmente! O meu agradecimento.
A RTP 2, emitiu no dia 1, às 21h01 (com repetição dia 2, às 15h32) o documentário: Goldman Sachs – o banco (o bando, estaria mais exacto …) que dirige o Mundo. Não o referi na passada edição porque não estava anunciado (“Programa a designar” …), mas sugiro que tente vê-lo.
  • Dias 4 e 5 de Abril, 3.ª edição do Belém Art Fest
  • De 4 a 6 de Abril, Festa do Jazz do São Luiz
  • Dias 5 e 6 de Abril, no Salão Nobre do Palácio Marquês de Pombal, Oeiras, X Encontro de História Local do concelho de Oeiras: O Quotidiano em Oeiras no Século XVIII (5€; tel. 214 404 851/91, dphm@cm-oeiras.pt - CM Oeiras / Divisão de Património Histórico e Museológico)
  • Até dia 7 de Abril, no El Corte Inglês (Ponto de Informação, Piso 0), inscrições (grátis) para o curso História da Arte (por José Carlos Pereira; 10 sessões, às 15h30 de segundas e quartas, com início a 21 de Abril) (www.elcorteingles.pt)
  • De 10 de Abril a 18 de Maio, ciclo de cinema: 8 ½ Festa do Cinema Italiano

Sexta-feira, dia 4


  • às 9h15, na ARTE, Fukushima, chronique d'un désastre (48’)
  • às 13h10, na Mezzo, John Lee Hooker (32’)
  • às 15h20, na ARTE, Rivalité maritime entre Angleterre et Pays-Bas (2/2) - religion et politique (57’)
  • às 18h00, no Palácio Foz, recital de música contemporânea, pelo Grupo de Música Contemporânea de Lisboa (0€)
  • às 18h30, na Casa Fernando Pessoa, leitura encenada de A Doença da Morte, de Marguerite Duras, por Diogo Dória
  • às 19h00, na Cinemateca, Perdido por Cem …, de A. P. Vasconcelos
  • às 21h30, no Convento dos Remédios, em Évora, Concerto de Páscoa (G. Fr. Handel, A. Vivaldi e J. S. Bach), com Sandra Medeiros (soprano), Orquestra de Câmara de Cascais e Oeiras e Nikolay Lalov (maestro)
  • às 22h00, na Cinemateca, Pedro Só, de A. Tropa

Sábado, dia 5

  • às 5h50, TV5, Pierre Bergé convidado do magazine Thé ou Café (62’)
  • às 10h00, na Gulbenkian, visita: O canto das aves (no Jardim Gulbenkian) (7,5€)
  • das 10h00 às 17h30, no Auditório 3 da Gulbenkian, FameLab 2014 (0€, levantar senha; interrompe das 13h00 às 14h30)
  • às 12h10, na TSF, Encontros com o Património: Luís Serrão Pimentel e a Ciência em Portugal no século XVII
  • às 12h30, na RTP2, A Verde e a Cores - episódio 11: Árvores (reposição; 27’)
  • às 16h00, na Igreja Paroquial S. Miguel de Queijas, Concerto de Páscoa (G. Fr. Händel, A. Vivaldi e J. S. Bach), com Sandra Medeiros (soprano), Orquestra de Câmara de Cascais e Oeiras e Nikolay Lalov (maestro)
  • às 17h00, no Centro Interpretativo Gonçalo Ribeiro Teles (Jardim da Gulbenkian), Conversas ao Entardecer: O jardim na Grécia Antiga, com Adriana Nogueira (5€)
  • às 17h00, no Centro Cultural e de Congressos de Caldas da Rainha, palestra: A Linguagem Musical, por Miguel Graça Moura
  • às 17h00, no Atelier Museu Júlio Pomar, Escritos de Artistas, debate entre Júlio Pomar e convidados (0€)
  • às 17h30, TV5, Thalassa: Lisboa (60’)
  • às 18h00, no Museu da Música, Ciclo de Concertos com Instrumentos Históricos do Museu da Música: Sonatas de Carlos Seixas, por José Carlos Araújo com o cravo Antunes (Tesouro Nacional) (0€, informações e reservas 217 710 99)
  • às 18h30, no Palácio Foz, concerto (deambulante, pelas salas do Palácio) de Páscoa: Aequinoctium et Pascha - O Equinócio da Primavera e a Páscoa, com Corelis- Coro da Relação de Lisboa (0€)
  • às 22h00, na Cinemateca, Moonlighting, de Jerzy Skolimowski
  • às 22h00, na RTP2, Um Eléctrico Chamado Desejo, de E. Kazan (122’)

Domingo, dia 6

  • às 10h30, no Museu do Azulejo, visita orientada ao Museu e Convento da Madre de Deus (0€)
  • às 10h30, na ARTE, Metropolis (43’)
  • às 11h45, na ARTE, Philosophie: Cosmopolitisme (29’)
  • às 12h00, no Átrio da Biblioteca do Museu Gulbenkian, Concerto de Domingo (Debussy, Ibert e Moreno-Buendia), com o Trio Moderno: Cristina Anchel (flauta), Pedro Saglimbeni Muñoz (viola) e Salomé Matos (harpa) (0€)
  • às 12h00, Domingos com Arte no CAM (Centro Arte Moderna da Gulbenkian), Olhos nos olhos: uma introdução ao trabalho de João Tabarra (2€)
  • às 12h30, na RTP2, A Verde e a Cores - episódio 12: Quintas da Laranja da Ilha Terceira (reposição; 27’)
  • às 16h00, na Igreja dos Salesianos do Estoril, Concerto de Páscoa (G. Fr. Handel, A. Vivaldi e J. S. Bach), com Sandra Medeiros (soprano), Orquestra de Câmara de Cascais e Oeiras e Nikolay Lalov (maestro) (0€)
  • às 16h00, na Igreja da Misericórdia, Torres Vedras, Concerto de Páscoa (J. Haydn), pelo Ensemble Darcos (0€)
  • às 16h00, na Basílica do Palácio Nacional de Mafra, concerto a seis órgãos (3 €, reservas: 261 817 550)
  • às 16h35, na ARTE, Le siècle de Duras (documentário; 53’)
  • às 17h40, TV5, Les Châteaux de la Loire (60’)
  • às 21h45, na RTP2, Agora (45’)
  • às 23h05, na ARTE, Marguerite Duras - écrire (44’)
  • às 23h50, na ARTE, Marguerite Duras - La mort du jeune aviateur anglais (37’)

Segunda-feira, dia 7

  • às 15h30, na Cinemateca, Ninotchka, de Ernst Lubitsch
  • às 18h00, no Palácio Foz, concerto coral, pelo Edinburgh University Renaissance Singers Choir (0€)
  • às 19h06, na TV5, Les Folies Bergères (documentário da série Salas de Espectáculos de Paris; 15‘)
  • às 21h30, na Casa da Achada, Brandos costumes (1975, 75 min.), de Alberto Seixas Santos (0€)
  • às 21h30, na Barraca (Largo de Santos, 2), Encontros Imaginários: Howard Hughes (A. Garcia Pereira,), Lenin (Luiz Gamito) e Madame Pompadour (Ana Filgueiras); 2ª parte: Evocação de Adriano Correia de Oliveira, com Manuel Teixeira e Vitor Sarmento (vozes e violas), Pedro Luis (harmónica e baixo), Gustavo Teixeira (piano) e Carlos Sanches (guitarra portuguesa) (10€)
  • às 21h55, na RTP2, Visita Guiada
  • às 22h00, nos Poetas do Povo, Rua Nova do Carvalho, 32-36, Segundas com Poesia: Poesia de Almada Negreiros, leituras por Marta Crawford, Leonor Alcácer, Inês de Lima, Manuel João Vieira e Tiago Bettencourt.

Terça-feira, dia 8

  • às 11h38, na TV5, Ministre ou Rien (documentário; 58‘)
  • às 14h00, no Auditório Municipal Maestro César Batalha, Galerias Alto da Barra, Oeiras, Masterclass da História do Cinema O Melhor do Cinema Inglês (1935-2000): As Aventuras de Oliver Twist, de D. Lean (senhas a partir das 13h30)
  • às 14h40, na ARTE, Ports d’Attache – Veneza (documentário, 46’)
  • às 15h30, na Cinemateca, A Semente do Ódio, de J. Renoir
  • às 17h00, no Auditório Municipal Maestro César Batalha, Galerias Alto da Barra, Oeiras, Masterclass da História do Cinema O Melhor do Cinema Inglês (1935-2000): As Aventuras de Oliver Twist, de D. Lean (senhas a partir das 16h00)
  • às 19h00, no Institut Français du Portugal, Café Philo: Devemos proibir alguns tipos de jogos às crianças?, com Omar Belhassain (0€)
  • às 21h55, na RTP2, Entre Imagens – 6/13 José Luís Neto (25’)
  • às 22h00, na Cinemateca, Os Carabineiros, de J-L Godard
  • às 22h57, TV5, Thalassa: Lisboa (60’)

Quarta-feira, dia 9

  • às 10h55, na ARTE, Escapade Gourmande – Lisboa (28’)
  • às 14h00, na Fábrica da Pólvora de Barcarena, visita: As Oficinas a Vapor e o Edifício das Galgas (0€; inscrição prévia: 210 977 422/3/4,  museudapolvoranegra@cm-oeiras.pt)
  • às 18h30, na Culturgest, ciclo Estética e Política entre as Artes, conferências: Considerações críticas sobre a noção de geo-estética, por José Bragança de Miranda; Pare, re-pare, repare melhor. O "reparar" enquanto tática e a "secalharidade" enquanto poética, por João Fiadeiro e Fernanda Eugénio (senhas a partir das 18h00, com transmissão em http://www.culturgest.pt/)
  • às 19h00, na Cinemateca, Scenes From The Class Struggle In Portugal, de Robert Kramer e Philip Spinelli

Quinta-feira, dia 10


  • às 9h45, na Mezzo, Wilhelm Kempff (Schumann e Beethoven) (51’)
  • às 10h35, na Mezzo, Wilhelm Kempff e Maurizio Pollini (Schubert, Schumann e Chopin) (56’)
  • às 13h25, na Casa-Museu Medeiros e Almeida, Pausa para a Arte: Condecorações (0€)
  • às 15h30, na Cinemateca, A Grande Esperança, de J. Ford
  • às 18h30, na Sociedade Portuguesa de Autores, Trios com Piano (Reinecke, Sibelius e Haydn), por Carlos Damas (violino), Jérôme Arnouf (trompa), Jian Hong (violoncelo) e Anna Tomasik (piano), Solistas da Metropolitana (0€)
  • às 18h30, no Palácio do Beau Séjour, conferências do ciclo Identidades e Entidades Religiosas em Lisboa: Testemunhas de Jeová, Mórmons e Adventistas do Sétimo Dia, Novas Formas de ser Cristão, por Paulo Mendes Pinto; Reorganização Católica numa Cidade em Mutação, por Fernando Catarino
  • às 19h00, no El Corte Inglés, ciclo de concertos do Âmbito Cultural: Haydn: As Sete Últimas Palavras, por Adrian Florescu (violino), Daniela Radu (violino), Andrei Ratnikov (viola), Peter Flanagan (violoncelo) e Vladimir Kouznetsov (contrabaixo), Solistas da Metropolitana (0€, inscrições: relacoespublicas@elcorteingles.pt)
  • às 19h00, na Cinemateca, Trás-os-Montes, de António Reis e Margarida Cordeiro
  • às 21h00, no Auditório do Centro Cultural de Cascais, Conversas da III República: 40 Anos de Democracia, com Carlos Avilez, Leonor Silveira e Carlos Carvalhas
  • às 21h30, no Convento dos Remédios, Évora, concerto coral, pelo Edinburgh University Renaissance Singers Choir (0€)

A seguir:

  • Dias 11, 12 e 13, possibilidade de visitar as Galerias Romanas da Rua da Prata (das 10h00 às 17h00, entrada junto ao Nº 77 da Rua da Conceição, fila de espera, vestuário para ambiente húmido e lamacento, lanterna)
  • Dia 11, das 9h00 às 18h00, no Institut Français du Portugal, projecto Résistance(s): La resistance juive pendant la IIeme guerre mondiale (0€)
  • Dia 11, às 11h00, na ARTE, Escapade Gourmande – Veneza (28’)
  • Dia 11, às 11h38, TV5, Les Châteaux de la Loire (60’)
  • Dia 11, às 13h00, na Câmara Municipal de Lisboa, Bach / Zelenka - Sonatas Barrocas, por Ana Pereira (violino), Sally Dean (oboé), Luis Auñón Pérez (oboé), Bertrand Raoulx (fagote), Ana Cláudia Serrão (violoncelo) e Marcos Magalhães (cravo), Solistas da Metropolitana (0€)
  • Dia 11, às 18h30, na Casa Fernando Pessoa, Trios para Clarinete, Violoncelo e Piano (Beethoven e Zemlinsky), por Jorge Camacho (clarinete), Mariana Ottosson (violoncelo) e Savka Konjikusic (piano), Solistas da Metropolitana (0€)
  • Dia 11, às 19h00, no El Corte Inglés (Restaurante, Piso 7), As Conferências D'O Eixo: Humor e Política no Século XXI, com Luís Pedro Nunes (0€, inscrição prévia em: Ponto de Informação, Piso 0, ou relacoespublicas@elcorteingles.pt)
  • Dia 11, às 19h00, no Auditório do ISEG (Concerto Aberto Antena 2), Homenagem a Hindemith (J. S. Bach, Hindemith e Böhme), por Rui Mirra (trompete), Sérgio Charrinho (trompete), Paulo Carmo (trompete), Nuno Vaz (trompa), Reinaldo Guerreiro (trombone) e Adélio Carneiro (tuba), Solistas da Metropolitana (0€)
  • Dia 12, das 10h00 às 18h00, no Institut Français du Portugal, projecto Résistance(s): O cinema e a resistência nos regimes ditactoriais (0€)
  • Dia 12,às 16h00, na Livraria Bulhosa (Entrecampos), leitura encenada O Som e a Fúria, de W. Faulkner
  • Dia 12, às 16h00, no Museu Nacional de Arte Antiga, Trios com Piano (Reinecke, Sibelius e Haydn), por Carlos Damas (violino), Jérôme Arnouf (trompa), Jian Hong (violoncelo) e Anna Tomasik (piano), Solistas da Metropolitana (0€)
  • Dia 12, às 16h00, no Museu do Oriente, Homenagem a Hindemith (J. S. Bach, Hindemith e Böhme), por Rui Mirra (trompete), Sérgio Charrinho (trompete), Paulo Carmo (trompete), Nuno Vaz (trompa), Reinaldo Guerreiro (trombone) e Adélio Carneiro (tuba), Solistas da Metropolitana (0€)
  • Dia 12, 18h00, no Museu do Ciclismo, Caldas da Rainha, conferência Beethoven: da Fantasia Coral à Nona Sinfonia, por Luís Trabucho de Campos (Professor Catedrático do Departamento de Matemática da UNL)
  • Dia 12, às 21h30, na Igreja Matriz de Nossa Senhora da Assunção, Grândola, 10ª edição do Festival Terras Sem Sombra, Liturgia da Esperança: Misterio de lo Cristo de los gascones, pelo Nao d’amores, dramaturgia e encenação de Ana Zamora (0€)
  • Dia 12, às 21h30, no Palácio Foz, Bach / Zelenka - Sonatas Barrocas, por Ana Pereira (violino), Sally Dean (oboé), Luis Auñón Pérez (oboé), Bertrand Raoulx (fagote), Ana Cláudia Serrão (violoncelo) e Marcos Magalhães (cravo), Solistas da Metropolitana (5€)
  • Dia 12, às 21h30, no Teatro Thalia, Haydn: As Sete Últimas Palavras, por Adrian Florescu (violino), Daniela Radu (violino), Andrei Ratnikov (viola), Peter Flanagan (violoncelo) e Vladimir Kouznetsov (contrabaixo), Solistas da Metropolitana (5€)
  • Dia 13, às 11h00, no Museu do Azulejo, visita guiada, pela comissária Drª Alexandra Curvelo, à exposição O Exótico nunca está em casa? (0€)
  • Dia 14, das 9h15 às 18h00, no Auditório 2 da Gulbenkian, conferência: O 25 de Abril 40 anos depois (transmissão em direto na SIC Notícias)
  • Dia 14, às 17h30, no Auditório 3 da Gulbenkian, conferência: A Paixão segundo São Mateus de J. S. Bach, por Manuela Toscano (0€)
  • Abertas inscrições para o curso Encontros com a Pintura Europeia (parte II), por Ana Paula Rebelo Correia (8 sessões; quartas, de 23 de Abril a 18 de Junho; duas turmas: Turma I das 10h30 às 12h30, Turma II das 18h30 às 20h30; na Casa de Santa Maria, Cascais (21 481 53 82/3); 85€, sessão avulsa 20€
  • Até dia 14, no El Corte Inglês (Ponto de Informação, Piso 0), inscrições (grátis) para o curso Escrita Criativa (por José Couto Nogueira; 10 sessões, às 19h00 de segundas e quartas, com início a 28 de Abril) (www.elcorteingles.pt)
  • Até dia 15, inscrições (grátis em ihc.40anos25deabril@gmail.com) para o Congresso 25 de Abril, no Teatro D. Maria II, dias 21 a 24
  • Até dia 24, inscrições (cursoslivresclepul@gmail.com) para o curso Eça de Queirós: A última década, por Isabel Rocheta, Cristina Sobral e Irene Fialho (6 sessões; quartas, de 30 de Abril a 4 de Junho; às 18h00; na Sala D. Pedro V, Faculdade de Letras da UL; 60€



Não deixe de consultar a matriz de exposições (clicando aqui pode descarregar ficheiro Excel).



3.4.14

a ignorância pode ser encomendada?



O Diário de Notícias (p. 11 da edição de hoje) escreve que Telmo Baltazar (português) é desde o princípio do mês chefe de gabinete da comissária europeia Viviane Reding (luxemburguesa). Quase tudo o que, no tocante aos factos, consta dessa notícia - é verdadeiro. Contudo, há uma "interpretação" que dá que pensar: "A decisão [de nomear TM após a saída do anterior chefe de gabinete para director de campanha de Juncker, pelo Partido Popular Europeu] tem sido lida como um sinal da crescente relevância dos portugueses (...) no Grão-Ducado (...)." Ora, na realidade, essa interpretação pareceria bastante mais ridícula se estivessem mencionados todos os factos relevantes. Telmo Baltazar foi nomeado chefe de gabinete porque, sendo o número 2 dessa equipa, o número 1 saiu para as funções eleitoras referidas. Fica a ocupar o lugar até este período eleitoral dizer o que vem a seguir. Apenas isso. Tanto que este "herói português" foi nomeado interinamente. É isso, apenas: excepto na cabeça do escritor de jornais que viu mais longe e mais alto.

Mas, que interessa isto? Apenas o facto de ser um indicador da "política de comunicação" dos "homens do presidente" (ou "mulheres do presidente") nestes tempos de Barroso em Bruxelas. Realmente, as pessoas que, nos gabinetes do presidente Barroso ou nas suas ramificações orgânicas ou partidárias, se ocupam de "tomar conta da imprensa", trabalham imenso. E com eficácia. Essa história será um dia contada, apesar de muitos jornalistas suportarem os fretes e não os denunciarem para não perderem os favores de quem manda - e para não perderem as "deixas" que a comunicação social tantas vezes usa como fonte promissora para o seu trabalho. (Sim, os factos como matéria-prima, isso já lá vai.) É isso que explica que, para vender de um "jovem turco" a imagem de um "herói português", à custa do Luxemburgo!, se esconda um pormenor e, entrando por aí, se componha uma magnífica interpretação - com o único defeito de ser uma interpretação fantasiosa.
Miudezas.

31.3.14

e a França aqui tão perto.

17:28

Nas autárquicas gaulesas a extrema-direita avançou, a direita ganhou e os socialistas perderam (na companhia de alguma da "outra esquerda", mas nem toda).

Não vale a pena olharmos para o lado. Este sinal só é novo para quem tem andado distraído. A França é, entre nós, mais visível do que outros países europeus, mas o desencanto com a chamada esquerda democrática não é de ontem. É que é fácil afirmar que quem tem a culpa da austeridade, da desigualdade, da precariedade, da injustiça - é a direita! Mas é extremamente perigoso, para a democracia, constatar que muitos partidos de esquerda não são capazes de fazer melhor, quando chegam ao poder. E as pessoas não votam na direita e na esquerda para obterem o mesmo tipo de governação: certas políticas, toleradas a governos de direita pelos seus eleitorados, tornam-se explosivas no caso de serem aplicadas por governos de esquerda. Não há que espantar por isso: quando se vota num governo de esquerda, espera-se que apareçam outras abordagens aos problemas, não a repetição do mesmo tipo de receitas. Quando Hollande derrotou Sarkozy, esperava-se (muitos não esperávamos nada de muito grande, mas, enfim, de algum modo, mesmo com muito cepticismo à mistura, por causa da pequenez do homem, esperava-se) algo de novo na gestão da Europa e da França. Nada disso aconteceu verdadeiramente, nem no plano nacional, nem no palco europeu. Parece que os socialistas estão esmagados pela crise, tristonhos com a situação social, mas incapazes de ousar qualquer coisa de diferente para mudar o destino. Ora, as desilusões tornam-se mais explosivas quando são acumuladas. E arriscam tornar-se desilusão com a própria democracia, tornando os povos tolerantes aos que vêm de fora do campo democrático.

Tudo isto deve fazer-nos pensar em Portugal. A eventualidade de uma mudança de maioria, com a entrada do PS no governo, que desse como resultado apenas "mais do mesmo", seria catastrófico. Não apenas para o PS, mas para o regime, já que poderia levar as pessoas a pensar "muda o disco e toca o mesmo". Ou o habitual "são todos iguais", mas levado a sério. E isso poderia pôr em causa a própria sustentação da democracia como forma de nos governarmos. É preciso estarmos bem conscientes de que, se em geral são os governos que perdem as eleições (e não as oposições que as ganham), seria trágico que, neste estado de profundo desconcerto social, a oposição chegasse ao governo apenas por desgaste dos ocupantes de turno e não em nome de uma linha política alternativa bem definida e bem reconhecida pelo eleitorado. Linha política alternativa essa que, aplicada, fosse realmente capaz de mobilizar o país e criar novas forças para fazer o que tem de ser feito.

Tudo isto que digo acima é bem sabido. Claro. O que talvez nem toda a gente tenha presente é algo que torna o tema muito preocupante: há socialistas ou aparentados em muitos governos da Europa e, em geral, é bem difícil notar que diferença lá fazem quando comparados com a direita. Porque hoje o ambiente internacional, os egoísmos nacionais, a globalização financeira, a fraqueza dos Estados, a incapacidade política das instituições da União Europeia, deixam pouca margem de manobra aos governos de cada país. Isso faz com que não seja fácil fazer a diferença. Mas, vencer e não ser capaz de fazer é a diferença é o descrédito: da esquerda e da própria democracia. É isso que está a acontecer em França. É isso que não queremos que aconteça em Portugal. E, francamente, não estou certo de que estejamos livres de que isso nos aconteça por cá. Preocupa-me, em particular, que se pense ser possível continuar com o mesmo tipo de representação política, que criou a ideia (muitas vezes verdadeira) de que os representantes se tornarem, eles próprios, uma classe, distinta dos representados e com os seus próprios interesses e a sua própria lógica. Se isso não mudar, não há esperança democrática possível. Tão simples (tão complicado) quanto isto.