7.3.14

não é que Belmiro seja mais burro que os outros; é só que certas mentiras são como árbitros comprados.

As sugestôes do João Miguel.



[o que é isto?]



Para conseguirmos faire marcher le devoir et l'amour. (Carmen, 2º acto)


Aguentei cerca de 90 minutos (do total de 300), do Einstein on the Beach, de Philip Glass, na Mezzo. Foi penoso, mas nada comparado com o sofrimento do indignado de Massamá.

  • Dias 7 (17h às 23h), 8 (10h às 23h) e 9 (10h às 19h), no Mercado Municipal de Oeiras, XV Promoção Gastronómica e Mostra de Artesanato do Concelho de Vinhais
  • De 7 a 9, na Sala Polivalente do CAM (Centro Arte Moderna da Gulbenkian), Harvard na Gulbenkian
  • De 7 a 27, Festa da Francofonia 2014
  • Até dia 9 de Março, Lisboa Restaurant Week: http://www.restaurantweek.pt/
  • Dias 13 e 14, no Palácio Fronteira, colóquio Lisboa e os Estrangeiros / Lisboa dos Estrangeiros depois do terramoto de 1755 (35€)


Sexta-feira, dia 7

  • às 9h30, na ARTE, Vues Sur la Plage: Copacabana (43’)
  • às 16h00, no Museu Municipal de Vila Franca de Xira, conferência: O farmacêutico Salgueiro Basso na génese do Museu da Farmácia, por João Neto (Diretor do Museu da Farmácia) (0€)
  • às 18h00, no Palácio Foz, recital de violino e piano (J. S. Bach, G. F. Händel, F. Mendelssohn-Bartholdy, A. Piazzolla, H. Wieniawsky e P. Sarasate), com Cristina Alexandra Dimitrova (violino) e Ivana Talijan (piano) (0€)
  • às 18h45, na Livraria Ferin (Rua Nova do Almada, 70), Ensaio Geral na Ferin: Maria João Costa entrevista o escritor Jacinto Lucas Pires e o pianista Mário Laginha
  • às 19h00, na Cinemateca, Os Verdes Anos, de P. Rocha
  • às 21h30, na Cinemateca, Belarmino, de F. Lopes
  • às 23h22, na RTP2, Hiroshima Meu Amor, de A. Resnais (88’)


Sábado, dia 8, dia da Mulher (atente na programação da ARTE)

  • às 10h00, na Sociedade de Geografia, jornada Memórias de Fragateiros.
  • às 10h30, na ARTE, Marie Curie, au-delà du mythe ( 53’)
  • às 11h25, na ARTE, Lise Meitner, mère de la bombe atomique ( 53’)
  • às 12h10, na TSF, Encontros com o Património: Fontes monumentais em Lisboa
  • às 15h30, no Mosteiro das Monjas Dominicanas do Lumiar (Quinta do Frade - à Praça Rainha D. Filipa), ciclo de Conferências do Mosteiro 2013/14: O pórtico da segunda virtude (de Charles Péguy), lido e comentado por Luís Miguel Cintra (0€)
  • às 16h00, na Casa da Achada, ciclo histórias da História: A morte de Estaline (5 de Março de 1953), com António Louçã. (0€)
  • às 16h00, no Centro Cultural e de Congressos de Caldas da Rainha, debate Pequenas Cidades, Grandes Ideias? A criatividade no quadro das pequenas e médias cidades, com João Bonifácio Serra e Telmo Faria
  • às 17h30, na Igreja de Marvila, Santarém, Sonatas de Carlos Seixas, por David Paccetti Correia (órgão)
  • às 18h00, no Auditório 3 da Gulbenkian, Encontro com Nuria Schoenberg Nono (0€)
  • às 18h00, no auditório do Museu do Oriente, Músicas do Mundo, por Adducantur (10€)
  • a partir das 18h30, na Casa Fernando Pessoa, O Dia Triunfal
  • às 18h30, na ARTE, Le Dessous des Cartes: Cartographie de la corruption ( 13’)
  • às 19h00, no Palácio Foz, concerto de abertura do Prémio Nacional de Interpretação (0€)
  • às 19h00, na ARTE, Rosa Amélia, la pasionaria des pêcheurs portugais (como não vejo muito os canais nacionais desconhecia este problema: au large de Figueira da Foz, les pêcheurs pratiquent l'arte xávega, qui consiste à lancer un filet en arc de cercle autour d'une embarcation lancée à plein régime. Mais cette technique artisanale est dans le collimateur des écologistes et des institutions européennes qui souhaitent protéger les jeunes poissons. Propriétaire d'un restaurant et poissonnière, Rosa Amélia utilise son immense popularité pour défendre les droits des pêcheurs auprès des autorités; 43’)
  • às 21h30, na Casa da Achada, ante-estreia de A Vista da Minha Janela e de Mannaminne (documentário sobre Anders Alberg), de Solveig Nordlund – que estará presente (0€)
  • às 22h22, na RTP2, Toda a Gente Diz que Te Amo, de W. Allen (101’)
  • às 24h50, na ARTE, ciclo Queens of Pop: Aretha Franklin (27’)
  • às 25h20, na ARTE, ciclo Queens of Pop: Lady Gaga (27’)
  • às 25h45, na ARTE, ciclo Queens of Pop: Madonna (27’)
  • às 26h15, na ARTE, ciclo Queens of Pop: Debbie Harry (27’)
  • às 26h40, na ARTE, ciclo Queens of Pop: Diana Ross (27’)
  • às 27h10, na ARTE, ciclo Queens of Pop: Beyoncé (27’)
  • às 27h31, na TV5, Défense de Sourire (documentário, 55’)


Domingo, dia 9

  • às 10h15, na ARTE, Metropolis (43’)
  • às 11h30, na ARTE, Philosophie: Diversité (29’)
  • às 12h00, Domingos com Arte no CAM (Centro Arte Moderna da Gulbenkian), Imagem nua, imagem ostensiva e imagem metamórfica (2€)
  • às 12h45, na ARTE, Rosa Amélia, la pasionaria des pêcheurs portugais (43’)
  • às 16h00, no Museu da Música Portuguesa - Casa Verdades de Faria, Monte Estoril, ciclo de concertos Movimento Patrimonial pela Música Portuguesa: recital de violoncelo e piano (F. Lopes-Graça, J. Braga Santos, J. Peixinho, A. Delgado e L. F. Branco), com Vânia Moreira (violoncelo) e a Inês Várzea (piano)
  • às 16h30, na Igreja de São Roque, visita do ciclo: O Calendário Litúrgico em São Roque: Calvário (0€; inscrição prévia pelo 213235233/824)
  • às 16h35, na ARTE, Joyce DiDonato – Drama Queens (52’)
  • às 19h45, na ARTE, Frida (118’)
  • às 21h45, na RTP2, Agora
  • às 22h40, na ARTE, Angela Davis - le combat continue (41’)
  • às 23h25, na ARTE, La Vie et l'Art de Kathleen Ferrier - Le chant de la terre (53’)
  • às 25h30, na ARTE, Un Amour d'Ami (50’)


Segunda-feira, dia 10

  • às 11h36, na TV5, Jean-Jacques Rousseau Musicien (documentário, 55’)
  • às 12h40, na ARTE, Frida (118’)
  • às 15h25, na ARTE, Marie Curie, au-delà du mythe ( 53’)
  • às 17h00, na Academia das Ciências, conferência do ciclo História da Cidade de Lisboa – das Origens à Reconquista Cristã: O Gharb Al-Andaluz, por Cláudio Torres (0€)
  • às 19h00, no auditório do Goethe Institut, ciclo Cinema no Feminino – Resistência: Rosa Luxemburgo, de Margarethe von Trotta (0€)
  • às 21h25, na RTP2, episódio de Visita Guiada (25’)
  • às 21h30, na Barraca (Largo de Santos, 2), Encontros Imaginários: Rasputin (Manuel João Vieira), Cervantes (Ramon Font) e Chaplin (Ribeiro Cardoso) (5€)
  • às 21h30, na Casa da Achada, Charlotte Gray (2001, 121 min.), de Gillian Armstrong. (0€)


Terça-feira, dia 11

  • às 14h00, no Auditório Municipal Maestro César Batalha, Galerias Alto da Barra, Oeiras, Masterclass da História do Cinema, O Melhor do Cinema Inglês (1935-2000): Henrique V, de L. Olivier (senhas a partir das 13h30) [segunda sessão às 17h00, senhas a partir das 16h00]
  • às 15h25, na ARTE, Louis II de Bavière (documentário; 53’)
  • às 17h00, na Academia das Ciências, conferência do ciclo História da Cidade de Lisboa – das Origens à Reconquista Cristã: A Conquista de Lisboa na estratégia de um poder que se consolida, por Maria João Branco (0€)
  • às 18h00, na Casa Fernando Pessoa e em directo na Antena 2, Lídia Jorge é entrevistada, por Ana Daniela Soares, a propósito do seu novo livro: Os Memoráveis (0€)
  • às 19h00, no auditório do Goethe Institut, ciclo Cinema no Feminino – Resistência: Sophie Scholl - Os Últimos Dias, de Marc Rothemund (0€)
  • às 21h30, na Cinemateca, Uma Abelha na Chuva, de F. Lopes


Quarta-feira, dia 12

  • às 16h00, na Mezzo, Manon Lescaut, de Giacomo Puccini (2008; MET; James Levine (maestro), Desmond Heeley (encenador), Karita Mattila (Manon Lescaut), Marcello Giordani (Le Chevalier des Grieux), Dwayne Croft (Lescaut), Dale Travis (Geronte), Edmondo Sean (Panikkar); 140’)
  • às 18h00, no Palácio Foz, recital de música de câmara (F. Schubert), por solistas da Orquestra Gulbenkian (0€)
  • às 19h00, no auditório do Goethe Institut, ciclo Cinema no Feminino – Resistência: Se Não Nós, Quem?, de Andres Veiel (0€)
  • às 19h00, no Museu da Música (estação de metro Alto dos Moinhos), Poesia no Museu: Edgar Alan Poe, por Pedro Madeira (0€)
  • às 19h50, na ARTE, Rosa Luxemburg (118’)
  • às 20h02, na TV5, Des Racines & Des Ailes - de la route « Jacques Coeur » à la Nationale 7 (104’)
  • às 21h45, na ARTE, Violette Leduc, la chasse à l'amour (57’)
  • às 24h15, na ARTE, Susan Sontag –une diva engagée (53’)


Quinta-feira, dia 13

  • às 11h36, na TV5, La Course à Pied (documentário, 55’)
  • às 13h25, na Casa-Museu Medeiros e Almeida, Pausa para a Arte: Caixas de jogos (0€)
  • às 18h30, no Auditório do Instituto Cervantes, conferência Unamuno y Portugal: La seducción de un viajero iberista, por Agustín Remesal (0€)
  • às 18h30, na Culturgest, conferência do ciclo O neoliberalismo não é um slogan – histórias de uma ideia poderosa: Um feixe de ideias em progresso: de Chicago a Friburgo, por João Rodrigues (senhas a partir das 18h00, com transmissão em http://www.culturgest.pt/)
  • às 18h30, na Casa Fernando Pessoa, ciclo 8 Olhares sobre Mensagem: Paulo Jesus (dança) (0€)
  • às 19h00, no auditório do Goethe Institut, ciclo Cinema no Feminino – Resistência: O Factor Subjectivo, de Helke Sander (0€)
  • às 21h40, na ARTE, Pour Djamila (telefilme histórico; 104’)
  • às 23h56, na TV5, Le Nouveau Grand Jeu (documentário, 54’)


A seguir:

  • Dia 14, às 19h00, no El Corte Inglés (Piso 7), As Conferências D'O Eixo: A Morte Lenta da Democracia, com Daniel Oliveira (0€, inscrição prévia em: Ponto de Informação, Piso 0, ou relacoespublicas@elcorteingles.pt)
  • Dia 14, às 19h00, no auditório do Goethe Institut, ciclo Cinema no Feminino – Resistência: Barbara, de Christian Petzold (0€)
  • Dia 14, às 22h00, no Café Saudade, Sintra, concerto de Caixa de Pandora
  • Dias 14 (18h às 23h), 15 (12h às 23h) e 16 (12h às 20h), na FIL, Feira Internacional de Turismo de Lisboa
  • Dia 15, às 13h30, no Palácio Foz, visita guiada (0€, inscrição prévia: 21 322 1240 ou visitas.guiadas@gmcs.pt)
  • Dia 15, às 15h30, no Museu Condes de Castro Guimarães, visita guiada O Mobiliário Europeu e Oriental do Museu, por José António Proença
  • Dia 15, às 19h00, no auditório do Goethe Institut, ciclo Cinema no Feminino – Resistência: A Noiva Turca, de Fatih Akin (0€)
  • Dia 20, às 19h00, no El Corte Inglés, ciclo de concertos do Âmbito Cultural: Duos de Mozart para Violino e Viola, por Solistas da Metropolitana (0€, inscrições: relacoespublicas@elcorteingles.pt)
  • Dia 22, Dia Mundial da Poesia, das 15h00 às 18h30, no Centro Cultural de Belém, Homenagem à poesia mexicana contemporânea
  • Até dia 20, na Livraria Municipal Verney, inscrições para o curso O Islão. Origens e desafios da actualidade (15€; 8 sessões, sábados 22 de Março a 31 de Maio, às 15h00)
  • Dia 27, às 18h30, no Museu Nacional de Arte Antiga, ciclo de palestras sobre obras-primas de pintura do acervo do Museu: A Conversação, de Pieter de Hooch, por António Mega Ferreira (0€)
  • Dia 28, às 19h00, no El Corte Inglés, sessão do ciclo de conferências e debates Pensar Portugal: Sobre a Morte e o Morrer, com o autor Walter Osswald (0€, inscrição prévia em: Ponto de Informação, Piso 0, ou relacoespublicas@elcorteingles.pt)
  • Até dia 28, no Museu Condes de Castro Guimarães, inscrições para o curso Mesa Aristocrática e Sociabilidade nos Séculos XVIII/XIX, por Ana Marques Pereira (20€; 2 sessões, sábados 5 e 12 de Abril, às 15h00)

Não deixe de consultar a matriz de exposições (clicando aqui pode descarregar ficheiro Excel).

6.3.14

Paulo Rangel indignado.


Paulo Rangel indignado: « Foi o anterior governo, do PS, que cortou os tweets, que eram de 300 e passaram para 140 caracteres com o PEC III. Aliás, o PEC IV previa baixar os tweets para uns meros 100 caracteres.»

[Paulo Rangel no lançamento do manifesto PSD/CDS às Europeias: «Este manifesto é já da geração das redes sociais, está organizado em 101 tweets, tantos como os dálmatas - 101 - todos e cada um deles com menos de 300 carateres.» O problema é que o twitter só aceita um máximo de 140 caracteres... e não 300.]

como fazer uma campanha de tweets sem estar no twitter?



5.3.14

Assunção Esteves e o "arco da perguntação".

18:40

Passos Coelho faz cara de ofendido e recusa responder a perguntas da deputada Catarina Martins, do Bloco de Esquerda. E Assunção Esteves acha que o primeiro-ministro está no seu direito.

É uma pena que a presidente do parlamento esteja mais virada para defender o governo do seu partido do que para fazer valer o dever do governo prestar contas ao parlamento. O que representa o povo é a pluralidade dos deputados, não os deputados que fazem perguntas de que o governo gosta. Depois de ter entrado nos hábitos políticos a (triste) ideia de que só três partidos podem governar (PSD, CDS e PS), aos quais chamam "arco da governação", será que vai entrar nos vícios políticos a ideia de que só podem fazer perguntas ao governos os deputados que sejam humildes e peçam respostas por favor? E chamarão, depois, a isso, o quê? "Arco da perguntação" ?!

um apontamento ucraniano.

11:50

Não gosto de Putin, daquilo que ele abriga, da sua concepção de democracia. Para ele, a democracia é um formalismo para inglês ver, compatível com todos os desmandos, com todos os truques que acabam por levar à prisão ou à morte os que (jornalistas, empresários, artistas, políticos) não ecoam as suas virtudes de czar, um jogo de espertezas exemplificadas com a troca de lugares entre governo e presidência com Medvedev. Putin trata de reciclar o sonho da grande Rússia, que dispensa delicadezas democráticas e se alimenta mais de qualquer tipo de grandeza que esteja disponível para compor imaginários: o czarismo ou a União Soviética, para ele vale o mesmo, desde que justifique o apelo da história (a história é sempre a imaginada, não aquilo que aconteceu, porque já ninguém vive no que aconteceu, todos vivemos naquilo que queremos crer que aconteceu).

Não gostava do anterior governo da Ucrânia, da forma como mantinha o poder pela rédea, à custa da manipulação do judiciário e do penitenciário para manter longe a oposição; não gostava da sua subserviência a Moscovo, da sua corrupção em segunda mão. E, naturalmente, não gostava do seu desdém pela Europa, mas isto são ciúmes de europeu, não interessa.

Não gosto do poder que resultou de mais uma “revolução” ucraniana, da “democracia directa” com “eleições na praça”, alimentada pela força e pelo medo imposto por grupos extremistas; não gosto do papel aí desempenhado por nacionalistas radicais e simpatizantes de alguma forma de fascismo; não gosto de um poder “novo” que, tudo parece indicar, está dependente de forças que serão tão ou mais opressoras do que os poderes anteriores.

Não gosto de perseguições “étnicas”, não gosto de invasões de países soberanos.

Em suma, não gosto de nada do que se passa para aqueles lados.

Nem sequer gosto da forma atabalhoada como “o Ocidente”, União Europeia e Estados Unidos, se meteram no assunto, incapazes de reconhecer (ou agir como se reconhecessem) a complexidade dos interesses em presença.

Contudo, infelizmente, as potências ocidentais tendem (cada vez mais, a cada crise que passa) a comportar-se como crianças irresponsáveis, guiadas pelo apetite do momento (neste caso, quer dizer “guiadas pelos clamores das opiniões publicadas” e pelo cálculo de interesses próprios mais ou menos imediatistas). De repente descobre-se que o regime X está podre. Quer dizer, o regime pode até ser o mesmo há décadas, mas, de repente, há uma revolta e, num ápice, os apetites democráticos aguçam-se e o ditador Y torna-se odioso da noite para o dia. Quem quer que esteja a atirar pedras na rua contra tamanha abominação – é bom, e revolucionário, e prometedor e carece do apoio imediato de todo o universo e arredores. Não interessa que as pedras contra o ditador sejam atiradas em nome de outra ditadura, de outro totalitarismo, de outros negócios escuros. De momento, chama-se-lhe revolução e gritamos pela sua vitória. Em regra, passados meses esquecemos o assunto e o povo em causa que aguente as consequências. Nos casos mais complicados, passados meses estamos a fazer contas de cabeça à evidência de que a situação do povo em causa não melhorou ou até se tornou mais complicada.

Podia esperar-se que os governos das potências e as organizações internacionais fossem menos ingénuas que a “voz do povo”. Podia esperar-se que houvesse, em cada crise, um esforço para atender aos diversos e contraditórios interesses em presença. Um esforço para perceber que as diferentes forças representam, em cada caso, pessoas reais e tragédias (presentes ou anunciadas) que não são menos tragédias por serem menos “populares” nos media ocidentais. Queríamos que as organizações internacionais tratassem mais do método para encontrar saídas organizadas (permitindo a mínima desgraça possível) do que do método para castigar o mais mediaticamente possível o “culpado” designado pelos gritos dos comentadores. Quer dizer: esperávamos que houvesse, ao nível internacional, alguma autonomia das instituições face ao clamor da rua. Mas não: o método do barulho, que já rege a política em muitos dos países “democráticos e ocidentais”, passou a reger também as relações internacionais. E tudo segue para tragédia, uma “revolução” a seguir a outra.

O povo da Ucrânia tem direito a uma melhor democracia e a uma vida melhor. Mas os russos que vivem na Ucrânia têm direito, também, a não serem discriminados (nem negativa, nem positivamente). E a Rússia tem interesses como potência que, até certo ponto, são legítimos e não podem ser tratados com desdém. Não porque gostemos dos bonitos olhos de Putin, mas porque a realidade é muito dura e não se faz só de palavras. Para perceber isso – para que as instituições com responsabilidade internacionais percebessem isso, e aqui penso especialmente na União Europeia, seria necessário que os líderes internacionais não tivessem sido exportados do refugo das políticas nacionais, onde se habituaram a trabalhar para a imagem imediata e não para a vida boa dos povos.

3.3.14

ensaios.




ILUSÃO verdadeira.


"ILUSÃO" é o espectáculo que o Teatro da Cornucópia apresenta até ao próximo domingo. O qual vos recomendo.

aqui expliquei o projecto.

aqui dei a minha leitura da peça.

E agora deixo algumas imagens (da autoria de Luís Santos), que, espero, vos aguçarão o apetite.

Façam as vossas reservas, que a sala tem estado à pinha e tudo (?) se "apaga" no próximo Domingo, 9 de Março.