30/01/19

Postal aberto ao Secretário-Geral da FENPROF




Exmo. Senhor Secretário-Geral da FENPROF,

O Grupo Parlamentar do PS recebeu ontem em audiência a FENPROF, a pedido desta, numa delegação chefiada pelo seu Secretário-Geral. Falámos de vários assuntos que interessam aos educadores e professores - e ao país - com a abertura habitual nestes encontros (pelo menos desde que eu me sento deste lado). Não vou apresentar publicamente o conteúdo da reunião, por ser essa a prática que sempre seguimos.

Contudo, há algo que não pode deixar de ser dito: contrastando o que se passou na reunião e as declarações do Secretário-Geral da FENPROF à saída, concluo que devemos ter estado em reuniões diferentes. Não interessa para o caso a descortesia de termos combinado à entrada que era uma reunião de trabalho e não haveria lugar a declarações à imprensa - e isso ter sido "esquecido" por uma das parte. O que mais importa é que devemos concluir que a reunião para si apenas teve um único interesse: poder, à saída, atacar, mais uma vez, o Partido Socialista.

Nós não queremos dar razão aos que propalam que o actual Secretário-Geral da FENPROF deixou de ter como primeira prioridade a defesa dos educadores e professores e ficou dominado pela ideia de estar numa guerra contra o PS. Nem queremos dar razão aos que entendem que o actual Secretário-Geral da FENPROF deixou de estar suficientemente atento aos interesses da escola pública como tal, essa enorme conquista da democracia, fazendo desaparecer do radar tudo o que não seja o seu tópico de luta presente. Não obstante, somos obrigados a constatar que optou pela desconsideração sistemática daqueles que, pelos vistos, considera os seus principais alvos: quem quer que apareça a defender as posições do PS.

Os deputados do PS têm insistido sempre na necessidade de negociar para tentar resolver os motivos de tensão laboral na escola pública. A nossa razão principal para termos essa posição consiste na consciência de que a escola pública - e o país - precisam dos professores, mobilizados e motivados. Temos apelado sempre a que sejam dados passos negociais por aqueles que ainda não o fizeram, porque ninguém pode querer que o resultado final de uma negociação seja a sua posição inicial. Sempre defendemos a importância dos sindicatos na nossa democracia - e sempre dissemos que isso não depende de estarmos em acordo ou em desacordo com as posições sindicais em cada momento. É por isso que não podemos tolerar que a FENPROF adopte uma linha de desconsideração e de agressividade sistemática a propósito de qualquer contacto com o Partido Socialista.

Concordamos com os representantes da FENPROF na necessidade de adoptar métodos responsáveis de lidar com as questões relativas à profissionalidade docente, evitando que se crie a ilusão de que a demagogia e o populismo oferecem melhores soluções do que o diálogo com as organizações representativas dos trabalhadores. Mas a retórica da confrontação sistemática, a retórica da desqualificação do interlocutor, que o Secretário-Geral da FENPROF mais uma vez assumiu, não é combater o populismo: é entrar na lógica do próprio populismo e, assim, conceder-lhe a vitória.

Quem não quer negociar, tenta anular os interlocutores. Nada de menos democrático, nada de mais improdutivo. Como improdutivo seria esquecer que nenhuma outra força política fez tanto pela escola pública em Portugal como o Partido Socialista.

Cumprimenta,
Porfírio Silva



Porfírio Silva, 30 de Janeiro de 2019

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4 comentários:

alphasil disse...

Deve ter uma lata tremenda, ganhe vergonha na cara quando até o próprio Presidente vos deu para trás por serem falsos. Cumpram a lei

Porfirio Silva disse...

O autor do comentário das 13:42:00 será professor?
Creio que não.
Não creio que um professor viesse aqui, ou a qualquer outro lugar, ser mal-educado.
E também não creio que um professor fosse tão mal informado como o autor do comentário das 13:42:00. Pprimeiro, porque o Presidente só "mandou para trás" o diploma da recuperação de tempo de serviço por razões formais: o governo começou a negociar antes da entrada em vigor do orçamento (nada a ver com as críticas de que o governo não quer negociar: pelos vistos retomou as negociações cedo demais). Segundo, porque não está nenhuma lei por cumprir.

Mário Nogueira disse...

e-mail de esclarecimento ao senhor deputado do PS responsável pela área da Educação

A FENPROF reuniu em 29/01 com o grupo parlamentar do PS. No final foi abordada por jornalistas que souberam da reunião pela agenda parlamentar dos partidos, logo, neste caso, do próprio Partido Socialista. O facto de não ter sido quem informou os jornalistas não impediu, como nunca impedirá a FENPROF de falar com eles. Neste caso concreto, não se comprometeu com ninguém a remeter-se ao silêncio e, como é evidente, jamais necessitará de autorização, seja de quem for, para falar com a comunicação social.
Ao que parece, terá caído mal ao deputado do PS responsável pela Educação que o Secretário-Geral da FENPROF tivesse acusado o governo de adiar uma negociação que já deveria ter começado e, ainda, de pôr em causa um direito de que os professores não abrirão mão: ver contabilizado todo o tempo de serviço que cumpriram. Aliás, como também o senhor deputado chegou a recomendar ao governo, votando favoravelmente uma resolução da Assembleia da República.
Reagiu da pior forma o senhor deputado, fazendo transparecer um crescente nervosismo que também se tem notado em membros do governo, desde logo o próprio Primeiro-Ministro. Optou pela estratégia de vitimização e do ataque pessoal, reação habitual naqueles que se desorientam, talvez por sentirem não ter a razão do seu lado.
No seu postal, o senhor deputado acusa o Secretário-Geral da FENPROF de ter a obsessão de atacar o PS. Engana-se. O Secretário-Geral da FENPROF não está obcecado com nada, mas, isso sim, muito determinado em defender os direitos dos professores, desde logo este, não só por ser uma questão de legalidade, mas por se tratar de matéria da mais elementar justiça para quem, como os professores, deram o seu melhor também naqueles 9 anos, 4 meses e 2 dias de congelamento. Obcecado parece o partido do senhor deputado em desvalorizar os professores com as posições assumidas pelo governo e que já aviva na memória os lamentáveis tempos de José Sócrates e Lurdes Rodrigues, quando a postura era a de ganhar a opinião pública, perdendo os professores.
A FENPROF e os seus dirigentes não têm nenhum problema em apoiar medidas dos governos ou em as combater, independentemente de quem os apoia ou lhes faz oposição. Para a FENPROF e os seus dirigentes o que conta são as medidas porque, acima de tudo, são elas que contam para os professores e para a Escola Pública. Tal como não se perturbou por ser acusada de desaparecimento, de apoiar o governo e de mandar no Ministério da Educação, quando eram dadas respostas aos problemas, a FENPROF não se incomoda que, agora, a censurem por combater o governo quando este desrespeita e desvaloriza os professores, como está a acontecer. Incomodados ficariam os dirigentes da FENPROF se fossem acusados, com razão, de trair os professores e de contemporizar com um governo que não os está a respeitar; e não é o senhor deputado que tem legitimidade para fazer tal acusação.
A FENPROF e os seus dirigentes defendem a Escola Pública, esse bem maior da Democracia, com a certeza de que não há Escola Pública Democrática sem professores valorizados, dignificados, respeitados e com as condições de trabalho adequadas. Esta é que, porventura, também deveria ser a preocupação do senhor deputado.

Mário Nogueira
Secretário-Geral da FENPROF

Porfirio Silva disse...

Agradeço ao Senhor Secretário-Geral da FENPROF ter vindo ao meu blogue responder ao meu postal. Mas, infelizmente, é mais um acto de arrogância: diz que vem esclarecer-me. Não esclarece nada, porque se alonga sem desmentir nenhum dos factos que eu aponto no meu postal. O senhor-secretário da FENPROF adora esquecer metade dos factos. Talvez seja por isso que nunca teve tanta garra na oposição a Nuno Crato. Quanto ao resto, falarei como deputado e como dirigente do PS nos locais próprios institucionais, que não aqui neste espaço. Cumprimentos.