08/10/10

estou farto de filósofos tunhas

8 comentários:

Eduardo Miguel Pereira disse...

Se há falta de debate ou não, eu não sei, agora que é notória a existência de falta de liberdade de expressão, lá isso é, e é por demais evidente.
Quem discorda do "chefe" e diz mal do "chefe", é afastado dos cargos que ocupa.
Os casos repetem-se, a provar isso mesmo.

Porfirio Silva disse...

Falta de liberdade de expressão? Onde? Acho que é preciso andar a viver em outro mundo para falar em falta de liberdade de expressão no PS. Eu não sou propriamente cronista da vida interna do PS, que não conheço. Mas vejo que continua a haver candidaturas plurais para órgãos políticos desse partido. Vejo que há militantes do PS com altas responsabilidades institucionais que criticam a política do governo publicamente. Vejo que o PS apoia um candidato presidencial que não faz outra coisa que não seja criticar o governo. Vejo os socialistas da UGT, e também os da CGTP, numa greve geral contra medidas do governo. Houve deputados do PS ao Parlamento Europeu que entraram na recente manifestação europeia em Bruxelas contra as políticas que estão a ser seguidas. Vejo militantes do PS a dizer cobras e lagartos do PS, do governo e de JS, nos jornais e na TV e na rádio. Isso é falta de liberdade de expressão?!
Agora, há outra coisa diferente. Há pessoas que querem estar de bem com uma coisa e o seu contrário ao mesmo tempo. Querem assumir lugares de responsabilidade política indicados por um governo e ao mesmo tempo criticarem aquilo que é suposto estarem a fazer. É o caso de Carrilho, que, como embaixador, fez a figura de estar contra uma posição dos Negócios Estrangeiros na organização internacional onde é embaixador. O que fez ele então? Demitiu-se, mostrando a sua coerência e apego às suas ideias? Não. Fez-se substituir por outra pessoa, que votou aquilo que ele não queria votar. Como se fizesse alguma diferença ao mundo que fosse um e não o outro a levantar o braço. E, passando por cima de tão magna divergência, manteve-se no lugar. E depois fez umas críticas, recentes, para poder dizer que foi afastado por causa disso. Há liberdade de expressão, como muitos casos mostram. O que falta é quem esteja disposto a assumir-se.
Eu estaria de acordo se dissesse que há falta de debate, estruturado e sistemático - pecha de todos os partidos. Mas isso vai da consciência e da mobilização dos que podiam fazer esse debate. Não vai de qualquer falta de liberdade.
Porque não diz que há falta de liberdade de expressão no PSD, onde PPC não é deputado porque a anterior direcção quis evitar promovê-lo com medo da sua apetência pela liderança?
Porque não diz que há falta de liberdade de expressão no BE, onde militantes foram sorrateiramente afastados de candidatos a deputados para não terem veleidades de aproximação a outras dinâmicas?
E no CDS, onde Portas tem feito toda a sua carreira a atropelar antigos aliados?

Eduardo Miguel Pereira disse...

Para quem se assume como não cronista da vida interna do PS, o seu conhecimento, detalhado, dessa mesma vida interna, e dos seus meandros, é efectivamente notável, felicito-o por isso.
Apontou uma série de casos de liberdade de expressão de gente afecta ao PS, mas não lhes deu personagens que os certifiquem, generalizou, mas não concretizou.
Quanto à possível falta de liberdade de expressão no PSD, no BE, ou no CDS, não sei se ela existe ou não, até porque não estando no Governo torna-se mais difícil que ela seja tão evidente. Nesse aspecto, acabam, essa forças políticas, por ter mais facilidade que o PS em camuflar essas faltas de liberdade de expressão, se é que elas existem.
Mas congratulei-me com o facto de ter deixado de fora dessas faltas de liberdade de expressão, uma das históricas forças políticas deste país, o que é sinal, claro e evidente, para quem tão bem informado está, como é o seu caso, de que por lá, por essa tal força política por si não mencionada, não se sofre dessa maleita da falta de liberdade de expressão.

Bom fds

Porfirio Silva disse...

Não dei nenhuma informação, nem detalhada nem vaga, sobre "os meandros" da vida interna do PS: só falei de coisas que sabemos pela comunicação social. Sugerir o contrário, como V/ faz, parece-me pouco correcto. Entretanto, no seu primeiro comentário falava como se soubesse muito bem do que se passa no PS, mas agora já não sabe nada, nem do PS nem dos outros partidos que eu menciono. Quando diz que eu não dou os nomes dos casos que cito, estamos na mesma: anda distraído? Leio isso nos jornais - e nem leio muitos jornais. Será que os factos que não cabem nas suas teorias não são anotados, é isso?
Gira, gira, é essa piada de que eu não citei um certo partido presumivelmente por ele ser um poço de virtudes em matéria de liberdade de expressão. Será quem? O PCP? Aí é simples: quem discorda sai, pelo que os que ficam têm toda a liberdade que querem - pois se só ficam os que querem concordar, qual é a dificuldade?

Bom fim de semana também para o Eduardo.

Eduardo Miguel Pereira disse...

Porfírio, podia aqui dar-lhe exemplos e explicar-lhe o quão errado está relativamente a essa ideia que tem da liberdade de expressão no PCP.
Mas mesmo assim, e fazendo fé no que diz, que no PCP quem não concorda, sai, só demonstra que por lá, pelo PCP, há uma virtude que no PS não conhecem, que é o facto de não estarem agarrados ao poder e ao tachismo do aparelho partidário, e preferirem seguir o seu rumo, fora do partido, mantendo-se assim fieis aos seus princípios, não se vergando ao carreirismo e ao "aconchego" que esses mesmos partidos lhes proporcionam.

Porfirio Silva disse...

A dialéctica é fenomenal: primeiro era a liberdade de expressão que interessava, agora o que já é virtude é que quem discorda sai.
Na verdade, até lhe dou razão num ponto: não faz sentido ficar num partido quando se discorda no fundamental com esse partido. Nem ficar num cargo quando esse cargo implica acatar orientações com que não se concorda. Só é pena que, em sua opinião, no caso do PCP seja uma virtude que "quem não está bem muda-se" e, diferentemente, no caso dos outros partidos, lhe pareça a si bem que "quem discorda é inamovível".
Note-se que distingo duas situações bem diferentes: o funcionário tem de cumprir com a sua função mas não tem de concordar politicamente, nem pode ser afastado politicamente; os dirigentes com nomeação política têm de concordar com a política e devem gerir a coisa sem subserviência carreirista.
Para terminar, e quanto à questão levantada no seu comentário inicial, faço-lhe notar, lamentando-o, que aos factos que lhe apontei, desmentindo a sua tese inicial, não respondeu nada de substantivo (pediu para eu o informar de coisas que vieram nos jornais). E mudou logo de agulha quando chegamos ao PCP: já não interessa a falta de liberdade de expressão, o que interessa é que cada um vai à sua vida quando as divergências acontecem.

Eduardo Miguel Pereira disse...

Apraz-me registar que concorda comigo na questão da não permanência num partido, quando as pessoas não se revêem nas directrizes emanadas superiormente.
Quanto ao demais, dialéticas e outras que tais, não vou insistir mais porque acabou por distorcer, acredito que inadvertidamente, quase tudo aquilo que escrevi, e diz-me a experiência que quando assim é resulta infrutífera a troca de ideias.

Porfirio Silva disse...

Não percebo essa conversa das "directrizes emanadas superiormente" quando se fala de partidos políticos. Mas o Eduardo é livre de ver assim as coisas.
Quanto ao resto, a conversa fica aí acima registada, as improváveis "testemunhas" não precisam que sejamos nós a dizer-lhes o que devem ler.