5.10.11

o enésimo Cavaco.

21:56


Cavaco Silva: "Acabaram os tempos de ilusões".


Cavaco teria sido mais honesto se tivesse reconhecido que ele foi o pai e a mãe do modelo de integração europeia que nos trouxe aqui. Depois de ter colocado em risco a assinatura do tratado de adesão, talvez querendo ser ele a assinar aquilo que Mário Soares tinha sonhado e concretizado, tornou-se o principal obreiro da estratégia de gastar as ajudas comunitárias a encanar a perna à rã. Enquanto os espanhóis reestruturavam profundamente a economia, com custos sociais (por exemplo, elevadíssimo desemprego, embora muito bem protegido) mas com ganhos enormes de efectiva modernização, nós ajudávamos os maus patrões a fazerem de conta que eram empresários, mantendo-os como um peso que nos puxa para baixo. Embora haja uma larga distribuição de responsabilidades a fazer, entre políticos de todos os quadrantes, empresas, bancos, famílias, cidadãos, o verdadeiro pai do monstro foi Cavaco, como algum seu correlegionário oportunamente lembrou. Por isso, melhor seria não ditar sermões aos outros sem assumir a sua parte da empresa. Ganharia mais autoridade - uma autoridade que, assim, não tem; uma autoridade que não ganhará a dizer umas coisas de vez em quando, e outras coisas diferentes de quando em vez. Ou já ninguém se lembra de Cavaco avisar que estávamos a atingir o limiar dos sacrifícios aceitáveis? Cabe perguntar: quantos Cavacos há? Que Cavaco foi este que discursou hoje?

TPC...


Do tempo em que havia TPC, claro.

(Eu forneci o material, a MM fotografou.)

sobreviverá a nação ao acordo ortográfico?


Deixo abaixo uma reprodução parcial da primeira página de texto do Compendio de Geographia, "por José Nicoulau Raposo Botelho, Ex-lente da escola do exercito e ex-professor do real collegio militar e do lyceu central e escola normal do Porto, Obra aprovada, por decreto de 26 de novembro de 1903, para uso das escolas normaes", dada à estampa pela Livraria Férin, de Lisboa, em 1904.

Como conseguimos sobreviver, naquele tempo, ao abandono de tão entranhada ortografia?

Sobreviverão, desta feita, a novo acordo ortográfico, a pátria, a nação, o povo, a cultura, a alma, sei lá? Sobreviverão?!


4.10.11

homenagem antes que.

perguntado o que penso sobre o acordo ortográfico...


... respondi "Vou habituar-me". Que foi o que fizeram todos os outros contemporâneos de mudanças ortográficas. Sem arroubos metafísicos.

Aproveitando a oportunidade, deixo uns cromos.
Houve um tempo em que algumas pessoas abominavam "o poder", faziam "jornalismo independente", chateavam os políticos que lhes eram aborrecidos... e editavam autocolantes para as lapelas das "juventudes irreverentes". (Ainda guardo os originais dos autocolantes abaixo reproduzidos, que foram dados à estampa em 1991, pelo hoje defunto Independente.)

(Querendo usar estes cromos para pisar no AO, não se esqueçam de mencionar a fonte "Independente", com o seu querido triângulo azul.)