27.10.09

modelos

18:56



Climate model projection used by the IPCC (intergovernemental panel on climate change)!
(Cartoon de Marc S.)

23.10.09

vídeos que Cavaco anda a ver

15:55

O antigo jogador de futebol jugoslavo Stojkovic, actual treinador da equipa japonesa Nagoya Grampus, teve uma saída que nos faz lembrar qualquer coisa. Durante um jogo do campeonato japonês, o guarda-redes da equipa adversária chutou a bola para fora, para que um colega pudesse ser assistido, e Stojkovic aproveitou o momento: "marcou um belo golo", espontâneo. Levou, por isso, com um cartão vermelho.
O jornal Público titula assim a notícia: «Treinador marca golo e acaba expulso».
A estas horas, já devem ter explicado este enredo todo a Cavaco.



temos tido muitas madrugadas destas

Galileu e Saramago

10:25


Sob este título, Galileu e Saramago, Carlos Fiolhais escreve hoje no Público um texto de opinião, do qual respigo:
«Saramago falou sobre a Bíblia de uma maneira que, seja-se ou não crente, não é intelectualmente séria. Não foi apenas chamar-lhe "manual de maus costumes" e "catálogo de crueldades". Foi também ter dito que o Génesis tinha "coisas idiotas", exemplificando: "Antes, na criação do Universo, Deus não fez nada. Depois, decidiu criar o Universo, não se sabe porquê, nem para quê. Fê-lo em seis dias, apenas seis dias. Descansou ao sétimo. Até hoje! Nunca mais fez nada! Isto tem algum sentido?". A pergunta é que não tem nenhum sentido! É o grau zero da crítica religiosa ou mesmo literária. O que não seria dito se alguém analisasse O Memorial do Convento desta maneira tão tosca? Tão errado é levar a Bíblia à letra, aceitando o que lá está, como levar a Bíblia à letra, recusando o que lá está. Francamente, não consigo distinguir entre a teologia básica dos que condenaram Galileu e esta antiteologia igualmente primitiva de um escritor contemporâneo
Certíssimo. O significado cultural (e até político) do que Saramago tem andado a fazer, que é reaccionário, e não progressista como alguns parecem pensar, vê-se melhor com a ajuda deste ponto avançado por Carlos Fiolhais.

(Nota 1.O negrito na citação é meu, não de Fiolhais.)
(Nota 2. Para governo dos leitores, a título de declaração de interesses: eu não sou crente.)

22.10.09

governo

19:29

Aí está o novo governo. Uma questão que se coloca ao país é se o esforço de reforma feito em algumas áreas da governação será sacrificado às novas realidades de uma maioria relativa. A substituição de figuras à frente de certos ministérios torna legítima a pergunta. O futuro dirá se se trata apenas de refrescar os titulares, para manter essencialmente o mesmo rumo; de mudar de política para poupar as baterias para futuras batalhas eleitorais; ou de manter as políticas mas sofisticar as abordagens, para melhorar as condições de aplicação. Nem o programa de governo, se mantiver a tradição PS de ser o mesmo programa apresentado ao eleitorado, vai desfazer esta dúvida. Talvez as primeiras intervenções de Sócrates no novo Parlamento o façam. Ou, eventualmente, só a governação em velocidade cruzeiro fará luz sobre esse ponto.

Uma nota específica, numa pasta que julgo crucial, por razões que já aqui apresentei: a nova Ministra do Trabalho, Helena André, vice-presidente da Confederação Europeia de Sindicatos, tem o saber, a experiência e a visão política que poderão fazer dela uma peça chave da governação. Ela sabe o que valem os sindicatos - ou, pelo menos, o que deveriam valer. E não partilha nenhum dos cinismos que, acerca disso, abundam entre nós. Sabe como os sindicatos são importantes para a democracia, sabendo que a democracia na empresa é indispensável a qualquer democracia decente. E sabe como maus sindicatos podem ser os piores inimigos dos trabalhadores. Como será, com o peso de vir da liderança sindical europeia, ver o mundo do lado do governo? Acredito que Helena André dará uma excelente resposta a esta pergunta.

Nota final. Escrevi aqui antes que ficaria a contar quantas ministras teria o próximo governo do PS. São (além do PM) 11 ministros e 5 ministras. Podia ser pior. Mas também podia ser melhor (para quem acredita no valor do simbólico, como é o meu caso).

[Produto A Regra do Jogo]