11.2.15

O presidente do PS vs. um presidente que era para ser de todos os portugueses.


Carlos César a tentar evitar que Passos embarque o PR no "conto de crianças".



conversa de blogues.



Chamaram-me a atenção para o facto de Maria João Marques, hoje no Observador, se referir a um post meu sobre as relações entre partidos de esquerda. Fui ver e não me espantei. Quando uma pessoa quer tresler o que outra pessoa escreve faz uma pseudo-citação e NÃO facilita a vida ao leitor para ir verificar. É o que faz Maria João Marques, que poderia ter dado o link do meu post... mas não deu. Percebe-se: estaria a facilitar ao leitor a constatação do grau de seriedade do texto que ela assina.

Nem dou muita importância ao facto de a articulista escrever que o meu texto é de 2014, quando ele na verdade é de 2012. Não mudo facilmente de opinião em questões essenciais, embora o indício revele o "cuidado" com o que se escreve.

Valeria a pena tentar explicar a Maria João Marques que, tendo eu escrito dezenas de textos sobre o tema das relações entre o PS e outras forças de esquerda, a escolha de uma frase tirada do contexto para "representar" o meu pensamento é um procedimento demasiado gasto?
Não; não vale a pena; não vale a pena pela simples razão de que, mesmo a frase que escolheu para me "incriminar" (!!!) não autoriza nada das suas elocubrações supostamente baseadas nas minhas palavras.

Enfim, como acredito na inteligência dos meus leitores, deixo os links para os textos em causa. O texto de Maria João Marques. O meu texto.

(Imagem: Cloud formations by Alex Antas.)

8.2.15

também na Europa, os políticos não são todos iguais.

12:06


Houve um tempo em que os governantes portugueses conheciam a necessidade de negociar na Europa para defender os interesses do país. E não faltarão diplomatas competentes para isso se tiverem mandato para tal.

Excerto da entrevista de Stuart Holland, hoje no Público:


Público: Depois, tornou-se num conselheiro externo de Guterres?

Stuart Holland: Sim. Eu só conheci Guterres quando ele foi eleito primeiro-ministro, mas a recomendação para que nos encontrássemos partiu de Jorge Sampaio, que eu conheço desde os anos 70. Os meus conselhos beneficiaram de trabalhar com o primeiro-ministro um assessor [diplomático] excepcional, o embaixador José Freitas Ferraz. Costumava ligar-me sempre, antes dos Conselhos Europeus, pedindo-me sugestões. Havia muitas, que Delors não conseguiu levar adiante. Aconselhei Guterres que devíamos clarificar o âmbito do BEI, que era vago, “o interesse geral da Europa”, para que investisse em projectos relacionados com Saúde, Educação, reconversão urbana, novas tecnologias e Ambiente. Tudo são áreas sociais, semelhantes às do New Deal de Roosevelt. Freitas Ferraz disse-me: “Stuart, renovação urbana… Nós vivemos em sociedades urbanas. Isso pode significar qualquer coisa, não é?” Era precisamente o que eu queria dizer [risos]. Exactamente, respondi. Nesta questão demorou três reuniões do Conselho para ganhar. Helmut Kohl [ex-chanceler alemão], opunha-se. Dizia que os contribuintes alemães já pagavam demais. Ou seja, não percebia que um título do BEI não seria pago pelos contribuintes alemães, e não precisa de transferências orçamentais da Alemanha. Freitas Ferraz sugeriu que devíamos escrever um memorando para Kohl. Eu sei algum alemão, mas não me atrevi. Escrevi em inglês e pedi para traduzirem. “Caro chanceler, aproxima-se o conselho de Amsterdão [Junho de 1997] e, sem dúvida, o primeiro-ministro português vai, mais uma vez, levantar a questão dos investimentos do BEI…” Kohl aceitou.