24/10/13

ma-so-quis-tas.



Encontrei o recorte acima no Facebook, onde se diz vir da revista brasileira Turismo & Negócios de Maceió. Mesmo que não seja, muitos exemplos se poderiam recensear nesta categoria.

Sim, porque o que importa é que este recorte mostra uma certa ignorância sobre o nosso país; uma ignorância de postal. Há, no entanto, outras entradas nessa questão da imagem distorcida de um país.

Hoje em dia o cenário é mais assim: estamos numa livraria de Bruxelas a folhear um livro onde um português conhecido discorre sobre a actual situação de Portugal e ouvimos um comentário de um co-visitante que demonstra a ignorância arrogante de quem pensa que temos costa com o Pacífico.

Outro exemplo da mesma ignorância: alguém nos conta que, numa conversa de amigos de várias nacionalidades europeias, uns alemães pensavam que a Alemanha tinha dado (não emprestado, mas dado) dinheiro à Grécia, a Portugal, ...

E é na base dessa ignorância que se fazem as "opiniões públicas" que nos querem ver crucificados. O que cabe perguntar é se, do lado de Portugal, segue algum esforço para explicar a nossa realidade ou se nos limitamos a repetir que gostamos muito das vergastadas.

2 comentários:

jose neves disse...

O Porfírio na defesa pura de valores absolutos é mais ingénuo do que parece, ou não, sei lá. Ou acha que proclamar "o trabalho dignifica" à porta de um campo de morte concentracionário é o mesmo, ou significa o mesmo, que ler "o trabalho dignifica" num livro de Hannah Arendt?
MS advogou que governantes actuais deveriam ser julgados por serem delinquentes,isto é, por delitos cometidos; catroga advoga que Sócrates deve ser julgado por má gestão, isto é por má política. Porfírio não encontra migalha de diferença de conteúdo pelo qual um e outro propõe o julgamento.
E igualmente não acha diferença alguma no passado político e intelectual de cada um deles para poder julgar da melhor bondade de um caso face ao outro.
E saber julgar ou ter o instinto de saber donde veem as ideias mais honestas e justas é o predicado essencial de quem quer ser político, estar na política ou perceber a política.
Acho eu, claro.
Está tudo dito, de vez.

Porfirio Silva disse...

José Neves,
Acho que o seu comentário está trocado.

À primeira vista, está trocado porque era para outro post e não para este.

Mas isso é o menos.

O que mais importa é que o seu comentário está trocado porque se engana no destinatário e no assunto.

Engana-se no destinatário, porque parece contar que eu me assuste com a voz grossa de quem me quer dar lições de democracia, de legalidade democrática, de memória, de política, de honestidade, de justiça e sei lá mais o quê. Agradeço a sua solicitude, mas essa pretensão de me dar lições (ou será mesmo a pretensão de me puxar as orelhas?) é apenas um deslize de arrogância. Quero imaginar que o José Neves não seja normalmente arrogante e que esta ocorrência seja apenas um deslize.

O seu comentário está errado no assunto, porque eu não discuto as aparências, discuto as substâncias. Como já disse um milhão de vezes, se alguém, um pobre mendigo ou um soberbo ministro, comete algum acto contrário à lei, deve ser levado a tribunal. Basta tipificar o crime, dizer qual é a alínea de qual artigo de qual código é que foi ofendido, e processar quem tenha prevaricado. Se alguém acha que foi esse o caso, avance para os tribunais. Isso é o que se faz num Estado de direito. Tudo o que seja "conceber" crimes à luz de uma interpretação política, já não é Estado de direito, mas sim lançar mão dos truques das ditaduras ou das proto-ditaduras.
Deve saber que um truque dos regimes autoritários que tentam manter as aparências, mais velho que a Sé de Braga, é perseguir os adversários políticos por "crimes comuns", para evitar reconhecer que se trata de perseguição política. É mais ou menos o que acontece actualmente na Ucrânia, mas não precisávamos ir tão longe.

Tenho tendência a ver com maus olhos as pessoas que fazem leituras muito rebuscadas da realidade para justificarem nos seus aquilo que abominam nos outros. Aos meus olhos, qualquer tomada de posição que engrossa a tendência para a criminalização da política, é um perigo para a democracia. Aparentemente, isso para si é ingenuidade e prova de falta de predicados para a política. Prefiro essa minha ingenuidade a outros pecados sérios que vejo por aí.

Quanto à despropositada (e até um tanto insultuosa) comparação com que abre o seu comentário, dir-lhe-ia apenas que lamento a leviandade dessa pérola de retórica. Quem não respeita os assuntos sérios nunca respeitará as pessoas sérias.

Agradeço a sua frase final, que tomo como uma promessa de que não voltará para repetir o que já disse antes.