12/10/10

um país pária, como Portugal, tem coisas inexplicáveis


Portugal eleito para o Conselho de Segurança da ONU.

Bom, quem não sabe o que isto representa (o que custa lá chegar, o que vale lá estar) nem vale a pena estar a aborrecer-se com miudezas.

O Público noticia assim: «Portugal conseguiu um lugar como membro não-permanente do Conselho de Segurança, a partir de Janeiro de 2011, depois de obter uma maioria de 150 votos dos outros países-membros das Nações Unidas. Mas só à terceira ronda, e depois de o Canadá retirar a sua candidatura. A Alemanha confirmou que partia como candidato favorito: foi eleita na primeira ronda, com 128 votos, deixando Portugal e o Canadá disputarem o lugar que restava.»

O Público faz tudo para menorizar a coisa. Primeiro, que Portugal só conseguiu depois de o Canadá ter retirado a sua candidatura. E por que terá o Canadá retirado a sua candidatura? Será que Sócrates ameaçou cortar o vencimento do Chefe de estado, que "por acaso" é a Rainha Isabel II? Ou terá o Canadá retirado a sua candidatura por estar a recolher muito menos votos do que Portugal e ser uma questão de tempo até isso produzir a eleição de Portugal? Foi só à terceira ronda! Pois foi: não foi contra Barbados, foi contra o Canadá, a quem nunca tinha passado pela cabeça ser fintado por uma província da Ibéria. Mas foram eles que tiveram de sair, não fomos nós. E estava a Alemanha em liça, Alemanha que muitos entendem que devia ter um lugar permanente, não apenas rotativo. Mas o Público não diz que a Alemanha foi eleita à tangente do número de votos necessários para o efeito, já que, claro, no caso da Alemanha isso não interessa nada.

Claro, muita gente acha que isto não interessa nem em Rabo de Peixe. Vivem cá dentro, ponto final, nada a dizer. Já alguns dos que sabem que isto é importante tentam disfarçar: é que não cola nada com a sua (deles) tese peregrina de que Portugal tem uma péssima imagem internacional. Também se pode fazer como o Presidente Cavaco: «Para o Presidente da República, "esta eleição reflete o reconhecimento por parte da comunidade internacional do firme compromisso do nosso país com os valores e objetivos das Nações Unidas"». Será que ao Canadá faltava esse "firme compromisso"? A alguns parece sempre difícil de engolir que Portugal tenha êxitos. Por isso arranjam sempre explicações que excluem o nosso mérito activo. E depois ainda dizem que a crise é (só) económica.

2 comentários:

Eduardo Miguel Pereira disse...

Não nego a importância desta conquista, mas, tendo em conta a situação actual do país (político), empolar esta conquista da forma que a vi hoje ser empolada, dá mesmo a imagem daquele desgraçado que, estando encurralado e sem saída possível, se põe, em desespero de causa a contar as balas !
Concentrem-se lá mas é em resolver a situação económica do país, e não se dispersem em acessórios que, nessa matéria não nos trazem dividendo algum.

Porfirio Silva disse...

Felizmente o país não deixa de fazer o que tem de fazer cada vez que alguém pensa que Sócrates foi o criador da crise internacional. Pelos vistos, "lá fora" (na ONU) não pensam que a crise internacional tenha sido criada por Sócrates... Mas, claro, estamos em tempos em que se pode dizer, como se fosse a sério, falando de um país como Portugal, que a alta cena política internacional é "acessório"... e sem desatar tudo a rir.