12/10/10

eu, tal como o Jesus Cristo de Fernando Pessoa, ...


... não percebo nada de finanças.
Por isso me permito perguntar: se o Estado português tem de pagar juros de mais de 6% nos mercados para se financiar, não poderia pedir emprestado aos portugueses e pagar-lhes, digamos, 5% de juro? Era mais do que os bancos dão aos clientes e menos do que o Estado tem de pagar aos bancos. Bom para (quase) todos, não era?
Vá, expliquem-me lá onde está o rabo de fora do gato escondido nesta pequena adivinha - e, do mesmo passo, explicarão aos inocentes o que é o mundo de hoje (lá fora e cá dentro, também.)

7 comentários:

Vega9000 disse...

isto ajuda?

http://www.igcp.pt/fotos/editor2/2010/Programa_Financiamento/Programam_Financiamento_2010_PT.pdf

25 mil milhões para 2010. Duvido que houvesse capacidade.

Mas lá está, eu também não percebo nada de finanças.

Porfirio Silva disse...

Esse é um ponto: não temos mesmo massa cá dentro que chegue para tanto. Mas isso levanta logo uma questão: não é o Estado, essa entidade mítica, que não tem dinheiro. É mesmo a malta que não tem! Então, se calhar temos de aprender a viver mais próximo das nossas possibilidades, ou não?
Outro ponto é: mas não seria possível mobilizar de forma mais justa as poupanças possíveis? Talvez para "poupar" passar a ser uma coisa estimada, por quem pode.

João Saldanha disse...

Porfírio,

O certificados do tesouro, lançados este ano, já remuneram a poupança da forma que sugeres. aliás, a taxa até está acima dos 5%. Mas, e como refere o primeiro comentador, mesmo que toda a poupança portuguesa fosse canalizada para aqui, não chegava.

Abraço,
João Galamba

Eduardo Miguel Pereira disse...

Tal como já aqui comentaram, o problema é que por mais que o "Português" quisesse não tem, mesmo que todos juntos, a verba necessária para tamanhas necessidades.
Não tivéssemos nós assimetrias sociais tão grandes, tivéssemos nós a riqueza melhor distribuida, e talvez já se pudesse chegar mais perto desse seu objectivo.
Assim ...

Porfirio Silva disse...

@ Eduardo

A (muito) desigual distribuição da riqueza é um problema, sem dúvida. (Não sou a favor de um igual distribuição da riqueza, que historicamente já se viu que dá uma igualdade por baixo.) Mas não vejo que essa seja a questão: 100 distribuído por 100 não é menos nem mais do que 100 distribuído por 2. E os "muito pequenos" nem sequer podem poupar para poder emprestar, seja o juro alto baixo.

Porfirio Silva disse...

@ João,

Os prazos e os juros são comparáveis nos dois casos?

Maquiavel disse...

Ora bem, quando dizes que "não é o Estado, essa entidade mítica, que não tem dinheiro. É mesmo a malta que não tem!" esqueces-te (como normalmente se faz) de que...

O ESTADO SOMOS NÓS!

Portanto, é normal... bem sei, dívida pública näo é o mesmo que dívida privada!

Mas a sério... 25.000/11 = 2.272,72€
Os 25.000 M€ säo mensais ou anuais? É que pelos vistos näo é grande soma, se dividida por todos. Se dividirmos só pelos adultos daria uns 4.545,45€ por português adulto.

É muito? Já estamos neste ponto? Eu e a minha Maria poderíamos emprestar ao Estado até mais que isso, e näo somos ricos. Imagino como isso andará. Credo!