As tartarugas electrónicas de Grey Walter

Por Porfírio Silva

O título deste blogue, Machina Speculatrix, aponta para um dos episódios mais interessantes da história das ciências do artificial no século XX: as tartarugas electrónicas do britânico Grey Walter. Encontra-se aí uma curiosa ligação entre a cibernética clássica, de implantação mais forte nos EUA do que em qualquer outra parte do mundo, e algumas das tendências mais interessantes da actual Nova Robótica. Clicando no título deste apontamento, o leitor será levado a uma pequena introdução a esse episódio.

Das Sociedades Humanas às Sociedades Artificiais

Por Porfírio Silva

Com a minha ida para o Instituto de Sistemas e Robótica (pólo do Instituto Superior Técnico) comecei a intensificar o trabalho interdisciplinar em torno das ciências do artificial. É nesse quadro que começo a organizar os ciclos de conferências "Das Sociedades Humanas às Sociedades Artificiais". A primeira edição foi em 2008, a segunda em 2009. Espera-se que a terceira seja em 2010. O texto deste apontamento é o rationale da primeira edição, permitindo compreender as questões de fundo desta investigação. O ponto de partida é o meu: a filosofia e a robótica.

Para uma Economia Política Institucionalista

Por Porfírio Silva

Neste blogue assume-se uma posição filosófica sobre a forma de pensar as sociedades humanas, a política e a economia. Essa "posição filosófica" estará sempre em construção. Contudo, as elaborações que dela vamos fazendo partem sempre de uma inspiração institucionalista, em nome da qual recusamos qualquer visão totalizante da sociedade (qualquer neo-teologia), do mesmo modo que nos demarcamos de qualquer hiper-racionalismo acerca da natureza dos agentes. Clicando no título desta nota, o leitor será remetido para um texto programático deste esforço.

Testar a hipótese da ordem social espontânea

Por Porfírio Silva

Se admitirmos a existência das instituições e que elas, e não apenas os indivíduos, desempenham um papel na ordem social, na vida dos colectivos – ainda podemos admitir que as instituições sejam, simplesmente, o produto emergente da interacção espontânea entre agentes individuais. Seguimos aqui, numa série de apontamentos, alguns passos de uma investigação desenvolvida no quadro da Economia com ferramentas da Inteligência Artificial: um conjunto de experiências com a hipótese da ordem social espontânea.

Fabulous races of humanoid monsters and robots

Por Porfírio Silva

Em Maio 2009 apresentei em Offenbach-am-Main, na conferência anual da Sociedade para a História da Tecnologia, uma comunicação intitulada "Fabulous races of humanoid monsters and robots". Tratava aí de extrair algum significado do paralelo entre, por um lado, os usos feitos das noções de raças monstruosas até aos Descobrimentos e, por outro, o papel que têm os robots humanóides no imaginário dos nossos dias. Uma das próximas séries de apontamentos aqui no blogue será para retomar essa questão.

ele há democratas assim

Publicado por Porfirio Silva On 27.11.09 0 a reagir


Infelizmente, alguns ainda não perceberam que só há democracia quando ela é para todos. E que devemos muito aos que, nas horas decisivas, pouparam ao país a tentação de fazer uma democracia onde só coubessem os amigos.


the fun theory

Publicado por Porfirio Silva On 27.11.09 0 a reagir

O conceito: «something as simple as fun is the easiest way to change people’s behaviour for the better.»
Eis um exemplo:




The Fun Theory site


eles não sabem nem sonham...

Publicado por Porfirio Silva On 27.11.09 0 a reagir

... que nem tudo os seus poderes podem confiscar.

Este título do Público
Irão: autoridades confiscaram prémio Nobel da Paz da activista Shirin Ebadi.

é enganador.

A mesma notícia é, noutro passo, mais compreensível:
«A activista iraniana dos direitos humanos Shirin Ebadi revelou que as autoridades de Teerão lhe confiscaram a medalha e o diploma recebidos quando foi premiada com o Nobel da Paz em 2003. Os objectos foram retirados de um cofre pessoal num banco em Teerão há cerca de três semanas, no que a Noruega – país sede do comité do Nobel da Paz – avaliou como um acto “chocante e inacreditável”.»

As autoridades iranianas podem roubar certos objectos, uma medalha e um diploma, e isso tem o efeito chocante de representar a falta de respeito dessas autoridades pelo símbolo e pelo simbolizado. Mas as autoridades iranianas não podem roubar o prémio, pelo facto de não serem elas quem tem o poder institucional de atribuir o Nobel. Nem sequer de o tirar. E os humanos, além de serem uma espécie simbólica, são também uma espécie institucional. E, para uma espécie institucional, nem tudo o que parece estar à mão - efectivamente o está. Tal como não retiro a proibição de circular de carro num certo sentido de uma rua por roubar o sinal de trânsito que lá estava a assinalar essa proibição. Vai ser preciso repor o sinal, por razões pragmáticas e por questões de implementação da proibição - mas o sinal e a proibição são coisas diferentes.

Será que as autoridades iranianas percebem isto?

«Código contributivo adiado, fim do PEC e mudança no IVA. A oposição parlamentar impôs hoje a aprovação, na generalidade, de 11 dos 13 diplomas com medidas “anti-crise” do PSD, CDS-PP e PCP, vencendo a maioria relativa do PS, que votou contra.» (Diário de Notícias online)

«O ministro das Finanças, Teixeira dos Santos afirmou hoje que as medidas aprovadas hoje pelos partidos da oposição em relação ao Pagamento Especial por Conta e ao Código contributivo "terão complicações muito lesivas", considerando mesmo que "não há condições para poder levar por diante correcções das contas públicas".» (Jornal de Negócios online)

«Governo acusa oposição de ameaçar gerar desequilíbrio de 2300 milhões de euros ao Estado.» (Público)

«Ou trata-se apenas de tentar criar a ideia de que acabou a diferença entre governo e parlamento, estando o país à beira de ser governado em regime de soviete?»

«Sócrates alerta para “Governo da Assembleia”.» (Económico online)

A procissão ainda vai no adro, já que estas votações ainda foram "na generalidade", mas há desde já uma pergunta a fazer: Cavaco Silva, um PR que no que vai de mandato não se tem coibido de vetar diplomas do Parlamento, tomará que atitude quando lhe chegarem às mãos os resultados deste governo de soviete? Se o Presidente se tornar cúmplice desta forma de "governo da Assembleia", isso não será por força do destino. Será por opção política. Cá estaremos para avaliar essas opções.


a verdade é mais forte que as algemas

Publicado por Porfirio Silva On 26.11.09 0 a reagir

Só agora, pela mão do Rogério da Costa Pereira, do jugular, cheguei aos cinco minutos que José Pacheco Pereira dedicou na televisão ao Câmara Corporativa. Basicamente, JPP está aborrecido por o Câmara Corporativa ser eficaz a divulgar informação favorável ao governo. Na enchurrada, JPP chama vários nomes ao Câmara Corporativa, por exemplo dizendo que é um blogue "bizarro". Pena é que, no seu exercício, JPP não tenha indicado um único exemplo - um único exemplo - de uma informação falsa veiculada pelo Câmara Corporativa. O que dói, numa blogosfera dominada pelo ódio primário a Sócrates, ao PS e ao governo, é que haja quem publique verdades como punhos que tantos tratam de tentar ocultar.
Obrigado, Câmara Corporativa, Miguel Abrantes incluído, por combaterem a desinformação. A isso chamo serviço público. Cidadania. Democracia a funcionar. Contra os que prefeririam que os factos fossem escamoteados, marchar! marchar!

há gente que sabe cada coisa

Publicado por Porfirio Silva On 26.11.09 0 a reagir

Associação Sindical dos Juízes repudia acusações de “espionagem política” no caso Face Oculta.

Porquê?

«Os dirigentes da ASJP consideram não ter havido “qualquer coincidência temporal entre os actos eleitorais de Setembro e as operações policiais de Outubro.» É suposto eles saberem essas coisas?

«Os subscritores deste comunicado salientam o “infundado da imputação da violação do segredo de justiça aos elementos da investigação ou às autoridades judiciárias da comarca de Aveiro”.» Como é que eles sabem? Só contaram p'ra eles? Ou será que sabem quem não foi por saberem quem foi?

«O comunicado lembra ainda que contrariamente ao que foi noticiado, “as escutas autorizadas pelo juiz de Instrução de Aveiro nunca tiveram por alvo o primeiro-ministro, mas sim os arguidos no inquérito”.» Contrariamente ao que foi noticiado? Onde é que eles andam a ler notícias? Tanta confusão será de propósito? Será?!



o que é realmente uma coisa terrível?

Publicado por Porfirio Silva On 26.11.09 0 a reagir


Gwenda Maree McDougall, Oh Baby, 2006

f,rol

Publicado por Porfirio Silva On 26.11.09 0 a reagir


O f-world, da Fátima, é provavelmente o blogue que mais prazer me dá ler. E ver. E ouvir. (É por isso, pelo ouvir, que é dos que normalmente não visito quando estou no gabinete, que é partilhado com um colega.) Por razões que nem vale muito a pena explicar, é um objecto diferente. (Eu não conheço a Fátima de lado nenhum, note-se - a não ser da bloga.) É ir lá, ler, ver e ouvir. Se não gosta, não vou tentar explicar-lhe nada. Se gosta, apareça para conversarmos: alguma coisa havemos de ter em comum.
A forma que o f-world toma faz com que não tenha um rol como os demais. Calha, agora, ter um. Tirando a vaidadezinha deste Machina lá constar, é lista que vale a pena verificar. É o que vou fazer para um ou outro caso que constitui para mim novidade absoluta.

o Estado como empregador de última instância

Publicado por Porfirio Silva On 26.11.09 0 a reagir


«O combate ao desemprego e às suas consequências tem de ser a prioridade orçamental. Nenhum desempregado pode estar sem rendimento, nem que para isto seja preciso puxar pela imaginação política e encontrar forma de fazer do Estado o empregador de última instância» - lê-se, propõe-se, aqui.

Como ilustração do conceito, João Rodrigues aponta para um artigo cuja versão integral não estou a conseguir descarregar, mas em cujo resumo se faz uma ligação directa entre a ideia do "Estado como empregador de última instância" e a ideia do "desemprego zero". A ligação entre essas duas ideias é dada, nesse resumo, pela possibilidade de o Estado garantir uma taxa de desemprego zero, definindo-se "desemprego zero" assim: todos os que estão prontos, dispostos e capazes de trabalhar pelo salário que se oferece terão um emprego; "apenas" aqueles que não querem (ou não podem) trabalhar com os salários oferecidos ficariam sem trabalho (e esses normalmente já não são contados como desempregados).

Além da confusão que me faz, como ideia de sociedade, pensar no Estado como empregador de última instância - mas, manifestamente, isso não faz confusão a toda a gente -, esta proposta deixa-me outra dúvida. Aquela noção de desemprego zero faz-me lembrar aquelas teses segundo as quais quem quer trabalhar apanha o que há, seja o que for. Segundo essas teses, só merece ser realmente considerado desempregado quem não se recusa a vender a sua força de trabalho nas condições que o mercado permite, sejam elas quais forem. Quem é esquisito e não vende a sua força de trabalho a qualquer preço, paga as favas: nomeadamente, não tendo direito a protecção no desemprego. Ao mesmo tempo, essas teses convivem mal com "distorções" na formação dos salários, por exemplo com salários mínimos.

Será que a proposta de João Rodrigues passa por aceitar esta noção de desemprego zero? Estranho, porque isso seria a absoluta mercantilização do humano trabalhador, esquecendo que na condição de trabalhador (empregado ou desempregado) não conta somente a possibilidade de ser "factor de produção". Nem tudo aquilo que é "economicamente" aceitável é aceitável, humanamente. Acredito piamente que JR pensa como eu neste ponto. Deve, então, haver qualquer coisa que não percebi - e sobre isso gostava de ser esclarecido. Ou talvez não: talvez até haja experiências históricas concretas do verdadeiro significado do "Estado como empregador em última instância". São as experiências históricas do "eles fingem que nos pagam, nos fingimos que trabalhamos". Safa! como dizia o outro.

[Um produto A Regra do Jogo]


por que não passamos à democracia electrónica?

Publicado por Porfirio Silva On 26.11.09 0 a reagir

Governo: entre recuos e o fantasma da coligação negativa.Segundo executivo de José Sócrates posto à prova quando completa um mês.

Tal como as coisas estão, ou nem estão nem deixam de estar, aproxima-se a hora de testar a democracia electrónica. À hora do jantar toda a gente se senta em frente ao botão e vota sim/não/abstenção ao cardápio de "decisões" que tenham sido postas à "consideração" nesse dia. Votando cada dia umas quatro ou cinco "magnas questões", é um ver se te avias. Toda a minha gente "participa", acaba-se com os "intermediários políticos" (essa bagunça dos partidos) e só é preciso o tipo que junta cada noite as perguntas a fazer e as anuncia na televisão. E tudo se torna muito mais célere.
Com este jogo do "não governo nem deixo governar", aproximamo-nos do conceito da "democracia" electrónica. É que ter rumo não é bem a mesma coisa que ter uma molhada de rumos à compita. Já para admitir que podemos chamar "rumos" a certas coisas.

o monstro precisa de amigos

Publicado por Porfirio Silva On 26.11.09 0 a reagir

corpo traço corpo / criação artística / encontro

Publicado por Porfirio Silva On 26.11.09 0 a reagir

coisas que realmente contam

Publicado por Porfirio Silva On 25.11.09 0 a reagir




[uma sugestão A Regra do Jogo]

Aos que ontem exultaram com o artigo de Pedro Lomba no Público, só posso recomendar a leitura desta chamada à memória.
A certas pessoas não dá jeito nenhum que haja memória.


a minha comemoração do 25 de Novembro

Publicado por Porfirio Silva On 25.11.09 0 a reagir


Clicar na imagem para mais informação.

filósofos com robots?!

RoboCup 2009 (Graz) no Ciência Hoje:
um, dois, três, quatro, cinco, seis, sete

Das Sociedades Humanas às Sociedades Artificiais
sítio da edição 2008
sítio da edição 2009

Arquivo