7.11.14

O testamento político de Barroso.

O grande Estaline

As obras teóricas do grande Estaline são contribuições valiosas. Por elas estudaram e estudam o marxismo-leninismo milhões de operários em todo o Mundo. Com elas o Partido Comunista da China e o Partido do Trabalho da Albânia educaram os seus quadros, com elas formaram milhares de bolcheviques na União Soviética. (...)
O camarada Estaline está demasiado vivo nos corações de todos os explorados e oprimidos do mundo inteiro para que oportunista algum o possa fazer esquecer. A vida, a obra, a actividade do grande Estaline pertencem aos Comunistas de todo o mundo e não apenas aos soviéticos, pertencem à classe operária e não apenas ao povo da URSS.
Na pátria do Socialismo, a União Soviética, o Socialismo vencerá, uma nova revolução surgirá tarde ou cedo. Os autênticos comunistas soviéticos já se organizaram e, juntamente com a classe operária e o povo da URSS, erguerão bem alto a bandeira vermelha de Estaline, instaurando de novo o poder proletário. Força alguma o poderá evitar.
QUE VIVA ESTALINE!

(Este artigo foi assinado pelo camarada Abel, no "Luta Popular" de Setembro de 1975. O camarada Abel era, à época, José Manuel Durão Barroso, militante do MRPP). 

6.11.14

Despacho de Bruxelas.

21:53

Hoje, em Les Journées de Bruxelles, sobre o estado da União Europeia,  fui surpreendido por um aparente menosprezo bastante espalhado pelo presidente Juncker. Espanta-me a rapidez.
O homem faltou à primeira sessão dos trabalhos e o responsável do Le Nouvel Observateur, pela organização, bateu-lhe forte e feio. No tom "parece que não quer dizer ao que vem". A sala acompanhava. O conde Etienne Davignon, um clássico da alta roda europeia, explicou que Delors não pudera ir por motivos de saúde e arrancou à sala uma ovação para o melhor presidente de sempre. E depois mencionou o outro faltoso com um "o outro de que já não me lembro do nome". E a sala ria.
E depois foram muitos os remoques à descoberta hoje dos acordos secretos com grandes empresas, para efeitos fiscais, que Juncker terá feito enquanto PM do Luxemburgo, configurando um esquema de fraude fiscal desleal para os restantes Estados membros. Juncker, num ambiente apinhado de europeístas, parece não ter tido cinco minutos de estado de graça.
Isto começa mal.

4.11.14

Retrato da Princesa Joana Santa.

18:00





uma história macabra na faculdade dos direitos.

11:56

http://www.publico.pt/politica/noticia/estudantes-indignados-por-a-faculdade-de-direito-de-coimbra-recusar-sala-para-debate-politico-1675059

Inaceitável que estejam a triturar o director da Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra por ele ter recusado acolher um debate político nas instalações da ilustre escola.

Afinal, ele apenas queria participar na troca de ideias.

Vejam bem. O debate tinha o tema "A esquerda, a direita, o agora: haverá espaço para as ideologias no mundo actual?” e ele deu a sua opinião: não, não há espaço para ideologias - pelo menos na minha faculdade.

Já os matemáticos, que percebem menos de direitos e de democracia, autorizaram a sessão. Só lhes fica mal: é do conhecimento de qualquer comentador medianamente de carreira (isto não é nenhuma piada a Medina Carreira) que ideologia e rigor numérico conflituam frequentemente.

Agora a sério, que o caso é sério: um director de uma faculdade acha que esse lugar não deve acolher debates políticos? Caramba, por que diabo andará tanta gente empenhada em fazer pedagogia anti-democrática? É pena que se critique com escândalo qualquer tosse de um político e, ao mesmo tempo, se deixe passar em branco um distinto professor que passa a mensagem da inconveniência do debate político civilizado entre os muros de uma faculdade dos direitos. Ou que passe sem consequências que se faça censura numa revista científica para não assustar as consciências dos poderosos do momento.

Será que as pessoas deixaram de ter a mais pequena consciência de como se desenvolveram processos históricos tão dolorosos que estão bem mais próximos de nós do que as calendas gregas?!

(clicar na imagem para ler a notícia)


3.11.14

olhó piropo lindo.

23:50


Quando alguém tenta enfrentar certos problemas que nascem de "tradições impensadas", há sempre um coro a dizer que não há problema nenhum. Ou, alternativamente, a investir toda a energia em ver os problemas de resolver o problema e a investir energia nenhuma em resolver o problema propriamente dito.
Vivemos num país onde, como em muitos outros países, a gravidade da violência exercida sobre as mulheres é elevadíssima. Aqui, como em muitos outros sítios - e agarrem-se agora às cadeiras, porque isto vai enfurecer-vos - há um elo fundamental a ligar os que batem e os que matam aos aparentemente meros parolos que se limitam a dizer alarvidades de cariz sexual às mulheres que passam na rua. O elo fundamental é tão apenas este: há quem ache que tem direitos sobre outras pessoas. Na esmagadora maioria dos casos, as vítimas dessa pretensão são mulheres. E a crença que muitos machos têm nesse direito que julgam seu, pode produzir um piropo ou produzir uma agressão. E, hoje que conhecemos o que se passa, não se pode desculpar que, quando se trata de perseguir o assédio de rua, alguém venha dizer "ai, agora querem impedir-nos de dizer coisas bonitas às senhoras".
Há quem esteja a investir esforço em produzir legislação inteligente sobre o assunto. Admiro aqueles que fazem esse esforço, mesmo que tenham ou pareçam ter posições divergentes quanto à técnica ou quanto à abordagem. Não me meto por esse caminho, porque não tenho a preparação jurídica necessária, e tenciono não me colocar na posição de julgar este ou aquela. Mas tenho um profundo desprezo pelas tentativas de desvalorização da questão e abomino os floreados retóricos destinados (ou condenados) a espalhar fumo de camuflagem sobre o problema real.
Tudo o que seja exercer um poder ilegítmo sobre outra pessoa é dominação. É opressão. Fere a dignidade humana. Por palavras ou actos. Todos sabemos "how to do things with words". O mal feito com palavras é da mesma massa que o mal feito com as mãos. Ou com a faca.

quem "chamou" a troika?

19:16

A direita parlamentar ainda recentemente se fez muito escandalizada por Ferro Rodrigues ter dito na Assembleia da República que José Sócrates tentou com todas as suas forças evitar o "resgate", enquanto essa direita - e outras direitas, como um certo sector "dos negócios" - se dizia pronta a governar com o FMI, dizia querer "ir além da troika" e se gabava de ter influenciado decisivamente o memorando de entendimento. Que agora diz que foi culpa do PS. Tudo isso é sabido e é público, mas há sempre gente a querer reescrever o que da história não lhe interessa.
Não haveria nada a acrescentar se não valesse a pena - mas vale - lembrar que esta não é uma leitura enviesada da esquerda. É, apenas, um relato do que se passou - e um relato partilhado por gente insuspeita de qualquer simpatia pela esquerda. Como se vê, por exemplo, pelo vídeo abaixo.
Já que não se fez antes, que se faça agora: a história da crise não pode ser substituída pelo conto de fadas do Dr. Passos e do Dr. Portas.