06/10/10

contingências


O blogue "O Germe", há algum tempo atrás, sugeriu o vídeo que vai abaixo desta prosa como forma de fazer pensar em realidades que têm a ver com entrevistas de emprego. E com algum folclore supostamente preparatório para as mesmas.
Assustador, mesmo, é que a realidade e a ficção, também neste campo, nem sempre se distinguem facilmente. Já está muito dito, mas continua a ser relevante, que uma das características de certos totalitarismos do século XX que mais desumanizavam as suas vítimas era a contingência, o acaso, o aleatório - da forma como a sorte pessoal podia ser traçada. Uma coisa é conhecer as regras e saber que, quando a consciência nos dita a desobediência, ela acarreta opressão e talvez morte. Outra coisa, muito pior, é não saber de todo como se pode uma pessoa proteger do mal. Mesmo que se queira obedecer, ou mesmo aderir, mesmo rastejar - tudo pode ser inútil. Basta calhar no sítio errado na hora errada. Isso é estar sempre à mercê.
É sempre à mercê que estão muitos potenciais "clientes" de entrevistas de emprego, hoje como ontem. Como quase sempre entre nós. Mais quando o desemprego fornece uma almofada (ainda) suplementar a quem pode, quer e manda. E isso não contribui nada para resolver as crises do país. Embora sirva para as campanhas políticas dos que acarinham a precariedade (dos outros).


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