18/10/10

é Da Literatura


Eduardo Pitta, no Da Literatura:
Em Portugal, o salário médio andará algures entre 700 e 800 euros. Para já, os cortes salariais incidem sobre funcionários públicos e trabalhadores do sector empresarial do Estado: CGD, CP, RTP, TAP, etc. Esses cortes não afectam rendimentos inferiores a 1550 euros mensais. As pensões ficam intocadas, excepto as de valor superior a 5000 euros mensais. Verdade que os funcionários públicos (todos) vão passar a descontar mais 1% para a CGA. Verdade que as pensões da CGA de valor superior a 1600 euros vão descontar para o IRS o mesmo que descontam as da Segurança Social. Num país em que tanta gente, parece que 35% da população activa, aufere o salário mínimo; num país em que professores do ensino básico e outros profissionais qualificados auferem salários inferiores a 700 euros mensais; em que centenas de milhares de pensionistas têm pensões inferiores a 400 euros, o plano de austeridade que aí vem afecta sobretudo as profissões liberais, gestores públicos, pilotos da TAP, magistrados e quadros superiores do Estado, chefias militares, diplomatas, professores universitários, docentes do ensino secundário dos escalões mais altos, apresentadores de televisão e pouco mais. A irritação da direita começa aí.
Na íntegra: Foi V. que pediu social-democracia?.

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