02/10/16

para o currículo de Kristalina David Georgieva



Segundo o dito por Mário David na TV na sexta-feira, há dois anos que Kristalina Georgieva o convidou para trabalhar com ela na candidatura a Secretária-Geral da ONU.
Olhando para os calendários, isto quer dizer que a senhora Georgieva aceitou entrar para a Comissão Europeia com a intenção de abandonar esse órgão passado pouco tempo. Terá ela dito isso nas audições prévias que, no Parlamento Europeu, precederam a votação que lhe permitiu tornar-se Comissária? Ou ocultou um dado essencial para compreender a sua vontade política no quadro europeu?
O que declarou esse português grande apoiante de Georgieva significa ainda outra coisa: o "atraso" na apresentação da candidatura (vamos chamar-lhe assim) não foi um acaso, nem uma falta de premeditação do interesse da própria no lugar. Terá sido um olímpico desprezo pelo processo de escrutínio público das candidaturas?
Neste sentido, ao desprezo pelo Parlamento Europeu junta-se o desprezo pelos procedimentos de transparência da ONU. Belo currículo.

2 de Outubro de 2016

1 comentário:

Jaime Santos disse...

Quase se diria, depois desta admissão de David, que ele é um 'submarino' de Guterres. Que melhor maneira de demonstrar o cinismo que envolve esta candidatura que admitir que ela na realidade vem de longe e que só se assume agora, presumivelmente porque Georgieva quis evitar o processo de seleção, e porque estava provavelmente à espera de aparecer como um 'Durão Barroso' da ONU, pronta a quebrar o impasse (não esquecer que David traz precisamente a experiência da candidatura de Durão de trás e que, dada a performance passada e presente do ex-Presidente da CE, é de esperar o pior de Georgieva). Sucede que, contrariamente às declarações de alguns eurodeputados alemães, não há impasse nenhum, Guterres é o favorito. Olhando para a tentativa descarada do PPE de se comportar como um elefante numa loja de porcelanas e impor quem bem entende ao mundo inteiro (estou para ver o que dirão todos os que votaram em Guterres antes, a começar pelos países em vias de desenvolvimento), está bem na altura do PSE partir a loiça e partir para outra, isto se não queremos ver o grupo parlamentar do PSE reduzido à representação socialista portuguesa nas próximas eleições europeias (mais eventualmente o Syriza, quem sabe?)...