27/10/16

financiamento dos partidos.



Temos de falar disto, porque o debate público sobre o financiamento dos partidos evidencia quão persistente é entre nós o pensamento salazarista.

O financiamento público dos partidos é o único caminho para livrar essas instituições das malhas do financiamento privado. Tal como foi uma reivindicação histórica da esquerda que os deputados fossem pagos pelo Estado, para evitar que só os ricos pudessem ser eleitos, também deve haver meios para que os partidos não fiquem dependentes da boa vontade de quem tem dinheiro.

Coisa diferente é o custo das campanhas eleitorais: deve baixar. Não só para poupar dinheiro público, mas também para fazer mais política de conteúdo e menos política de espectáculo.

Já agora: por muitas responsabilidades que tenham os partidos nas coisas que não correram bem, cabe sublinhar que não há nenhuma experiência histórica de democracia sem partidos. Os partidos prestam um serviço público. Como tal, deve ser sempre melhorado esse serviço e melhorados esses partidos. Mas não se percebe que aqueles que rejeitam (e bem) que o Estado pague escolas privadas em concorrência com a escola pública queiram, ao mesmo tempo, que os partidos fiquem dependentes do financiamento privado.

27 de Outubro de 2016

1 comentário:

Jaime Santos disse...

Para além das reivindicações cartistas a que penso que se refere o mural aqui retratado, não esqueçamos o pagamento pela participação nos júris dos tribunais populares em Atenas, de modo a que nenhum cidadão tivesse que temer pelo seu sustento por participar no governo da cidade. Seria bom lembrar a quem é conservador e a quem é progressista que na verdade estes problemas são tão antigos como a própria democracia. Parafraseando a famosa frase, se pensam que a democracia tem custos, experimentem o totalitarismo...