20/07/15

Hollande e Valls sobre o governo económico do Euro.


A proposta de Hollande sobre um governo económico da zona euro retoma a posição tradicional da França para instituições separadas (duplicadas) para a zona euro, incluindo uma Comissão para a Eurozona que seria um irmão gémeo da Comissão Europeia. Em geral, esta proposta não recolhe grandes apoios noutros países europeus. Convém lembrar que o Tratado Orçamental já prevê uma assembleia parlamentar da zona euro, coisa que o Parlamento Europeu abomina, porque enfraquece o único órgão eleito directamente pelos europeus.
Contudo, Schauble até poderia gostar da ideia de um núcleo duro do Euro, avançada por Valls (não pelo próprio Hollande), mas com uma composição diferente da proposta pelo francês: não com os 6 fundadores da CEE, como propôs Valls, mas com outro grupo, que poderia deixar de fora a Itália e incluir a Áustria e a Finlândia.
Parece-me evidente que não podemos aceitar esta ideia de excluir países do governo económico do Euro, que criaria um Euro 1 e um Euro 2 dentro da zona monetária, aumentando a confusão e agravando as assimetrias.
O problema destas propostas é que poluem a ideia de um governo económico do euro, que é necessário, mas que não é aceitável baseado num esquema de exclusões. As cooperações reforçadas são para deixar avançar quem quer avançar, mesmo que alguns queiram arrastar os pés. A proposta de Valls seria uma espécie de cooperação reforçada de pernas para o ar, impedindo de se juntar quem o quisesse fazer. Com os actuais tratados isso seria ilegal... embora às vezes pareça que já ninguém se preocupa muito com a legalidade.

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