6.5.09

aplauso


Rangel alerta para um "Estado a caminho do declínio" e defende que a solução passa pelo federalismo europeu.


Rangel, apesar das salvas de pólvora seca com que tem povoado a sua entrada em campanha, começa a arriscar fazer propostas e defender ideias. O que é bom, por imprecisões ou mesmo erros que lá venham dentro. Trazer o federalismo para cima da mesa, por exemplo, é de aplaudir. Se outras candidaturas continuarem, pelo seu lado, a ser rodeadas pelo discurso Maizena, ainda vamos ter surpresas. É que para ganhar eleições é preciso fazer por isso.

5.5.09

está tudo grosso?


Paulo Rangel tem de "comer muita papa Maizena", afirma Manuel Pinho.


Já não bastava Basílio Horta, enquanto presidente da AICEP, meter-se numa campanha eleitoral a criticar as propostas de um candidato da oposição - o que, a meu ver, está errado e merecia que alguém que mande alguma coisa em Basílio Horta o repreendesse. (Acharia o mesmo se ele atacasse um candidato do PS.) Para além disso - ou, mesmo, ao invés disso - temos um ministro a defender Basílio Horta e a atacar Paulo Rangel. E esse ministro a ser mal educado nesse ataque. Sim, Paulo Rangel também é frequentemente mal educado: mas ele é candidato e os eleitores é que devem julgar isso, não os ministros. Será que Paulo Rangel já conseguiu convencer toda a gente que o seu estilo kamikaze é que rende?


4.5.09

para não esquecer a unidade de esquerda, again


José Saramago escreve sobre as agressões a Vital Moreira, aqui no Diário de Notícias:

«A Vital Moreira chamaram-lhe "traidor", e isto, queira-se ou não se queira, é bastante claro para que o tomemos como o cordão umbilical que liga o desprezível episódio do desfile do 1º. de Maio à saída de Vital Moreira do Partido Comunista há vinte anos.»
« (...) por uma questão de higiene mental, gostaria eu de saber que relação orgânica existe (se existe) entre os agressores e o partido de que sou militante há quarenta anos. São militantes também eles? São meros simpatizantes? Se são apenas simpatizantes, o partido nada poderá contra eles, mas, se são militantes, sim, poderá. Por exemplo, expulsá-los. Que diz a esta ideia o secretário-geral? Serão provocadores alheios à política, desesperados por sofrerem esta crise e que pensam que o inimigo é o PS e o candidato independente às eleições europeias?»

Outros acham melhor considerar que Vital e o PS é que têm a culpa, por andarem por aí a usufruir da liberdade e a corresponder a convites que lhes são feitos.

[Vale a pena ler Vital sobre o "incidente". Para esclarecer alguns que andam empedernidamente a tentar confundir os perpetradores da violência com as suas vítimas.]

radicalismo provinciano


Ferreira Leite reafirma que não haverá coligação com o PS.


Sou a favor de governos de maioria absoluta de um só partido. Por ser, nessa circunstância, claro a quem atribuir responsabilidades. E por, nessa via, ser mais fácil garantir o rumo à governação numa democracia pouco madura como a nossa. Mas já estamos em idade de crescer: não há mal nenhum em discutir possibilidades. E os partidos têm obrigação de aprender a negociar programas, com a legitimidade dos votos que tiveram - e aceitando a legitimidade dos votos que tenham tido outros partidos. E, em consequência, de fazerem governos de coligação, com contratos claros à vista do eleitorado. Aceito que, por estratégia eleitoral, se não queira discutir tudo em certos momentos. Mas abrir demasiado a boca a fechar portas com estrondo, e ainda por cima elevando esse radicalismo provinciano ao estatuto de princípio moral, é ter gosto em complicar a vida ao país. Em má altura: ou será que MFL pensa mesmo que a crise foi inventada por este governo e ela se evapora mudando de PM?

os agredidos devem reflectir nas suas culpas...


... e talvez pedir desculpas aos agressores, sei lá.

PCP quer que o PS peça desculpa aos comunistas e aos trabalhadores.


É por estas e por outras - por certos partidos "de esquerda" não assumirem as suas responsabilidades na pedagogia democrática, e tudo justificarem em nome da "luta dos trabalhadores" - que pode repetir-se o que aconteceu em outros países: haver franjas importantes do eleitorado que passam directamente do apoio a forças de «esquerda bold» para o apoio a forças de extrema-direita. O que aconteceu, só para citar um dos casos mais recentes entre os mais estudados, em França, com o desmoronar do velho PCF. É que a ditadura do proletariado tanto pode parecer atraente ao proletariado de esquerda como ao de direita.

(No vídeo "explícito" da reportagem das agressões, que inseri em post anterior, vê-se como mesmo os "populares" são capazes de repetir a velha lengalenga, com o clássico da "destruição do aparelho produtivo nacional", à mistura com o mais populista "vais para o parlamento europeu por causa das vantagens". É essa mistura, que alguma "esquerda" pensar ser pagante em termos eleitorais, que encerra todos os perigos. E nenhuma solução.)