6.12.14

por que diabo "máquina especulativa"?


Muitos amigos (e outros leitores) julgam que o nome deste blogue (Machina Speculatrix) é uma espécie de auto-elogio do seu editor (que, assim, se descreveria como uma "máquina especulativa").

Não é. Machina Speculatrix tem a ver com os meus interesses de investigação filosófica e científica. É, aliás, sucessor do meu primeiro blogue (Turing Machine) - nesta sequência se espelhando a evolução dos meus interesses, vindo da Inteligência Artificial clássica para a Robótica Autónoma.

Deixo-vos os links para dois posts muito antigos que explicaram isto logo a seguir à abertura deste blogue, em Fevereiro de 2007: primeiro; segundo.


5.12.14

"Aproxima-se uma tempestade de silêncio".

12:12

O meu mais recente livro, de poesia, intitulado Monstros Antigos, abre com um poema (sem título) cujo primeiro verso é "Aproxima-se uma tempestade de silêncio". Esse poema, tal como o resto do livro, não sendo "político" no sentido corriqueiro da palavra (muito menos partidário: não meto os poemas em trincheiras), é - o poema e o livro - sobre o tempo presente.

Ora, precisamente, o tempo presente é um tempo de silêncios insuportáveis. Por vezes, esses silêncios até são cheios de palavras, mas palavras como ruídos, palavras como obstáculos a pensar, palavras para nos entreter e desviar o olhar. Vivemos um tempo em que o "pensamento único" deixa que todos falem, mas usa os mais variados truques para que as nossas palavras sejam enredadas nas malhas dos pré-juízos. E, por vezes, reage-se a isso caindo na armadilha, quer dizer, posicionando-nos "contra" mas aceitando as apropriações de significado que os ideólogos da situação tecem como labirintos.

É por isso que é necessário dar um combate ideológico: de ideias, de valores, de princípios. E aplicar no concreto essas ideias.

Isso passa, nomeadamente, por quebrar a captura que a direita fez de certos conceitos. Exemplo: "reformas estruturais".

Desse ponto de vista, há uma passagem muito interessante de um discurso que ouvi hoje. Vou citar:

O conceito de “reformas estruturais” está gasto e desvirtuado pelo abuso da direita, que o limitou às reformas de desregulamentação do mercado de trabalho e às privatizações. Mas são necessárias reformas que ataquem os reais bloqueios estruturais, que variam de país para país e que podem e devem ser identificados para, numa base até contratual, poderem ser atacados com apoio do financiamento comunitário.

No caso português, a melhoria da inserção nas redes globais das comunicações e da energia, o reforço da investigação científica, da inovação, da formação profissional, da educação, a simplificação administrativa e a celeridade da justiça, são as verdadeiras “reformas estruturais” que são necessárias.

É urgente disponibilizar uma maior componente do Orçamento Comunitário para o apoio às reformas que melhorem a competitividade estrutural permitindo retomar a convergência e a coesão. Portugal tem de poder contratualizar com a União Europeia os recursos comunitários disponíveis designadamente nesta área da Educação, Inovação e Ciência. Todos podemos reconhecer que após um pograma de ajustamento como aquele que vivemos em Portugal, e pelo qual estão a passar outros países da zona euro, o único caminho para um crescimento sustentável passa pelo reforço de medidas de convergência e de coesão e é nessa perspetiva que o investimento na educação e no emprego tem de ser analisado.

Isto parece-me importante: não podemos deixar que os nossos interesses sejam preteridos com recurso a uma apropriação ideológica, pela direita, do conceito de reformas estruturais. Não podemos aceitar as privatizações tresloucadas, nem o ataque sistemático aos direitos dos trabalhadores, só porque essas políticas vêm embrulhadas num discurso papagueado pelos próceres do pensamento único. Mas também não podemos deixar de ver que há reformas necessárias. Temos, então, de desentranhar as reformas estruturais dessa ideologia do mercado selvagem que não cura dos direitos dos cidadão.

Também por aqui encontraremos o nosso caminho para não sermos engolidos pela "tempestade de silêncio".

(Já agora: a longa citação acima é do discurso de António Costa, hoje, na abertura da conferência da Aliança Progressista, a decorrer em Lisboa com participantes de todos os continentes, sobre o tema Trabalho Decente e Educação: Investir na Igualdade de
Oportunidades para Tod@
.)

4.12.14

estado da nação.

21:32

Este governo PSD/CDS falhou - segundo os seus próprios critérios.
Vejam isto:

«Nesta Assembleia a maioria (ou a maioria da maioria) aprovou há poucos dias o Orçamento para 2015. E pretendeu transmitir ao país que desta vez é que é, a viragem está mesmo aí e 2015 será o ano da recompensa.

Mas olhemos um pouco mais de perto e relembremos o compromisso aqui assumido pelo governo PSD e CDS em Agosto de 2011 no Documento de Estratégia Orçamental então apresentado. Aí se estimava que a partir de 2013 a economia começaria a crescer e a recuperação seria uma realidade.

Pois bem, olhando hoje para a estimativa do PIB prevista no OE ela está 6,2% abaixo na previsão, deste governo em 2011. Assim é, menos 6% é a dimensão do falhanço e é nele que radica grande parte do retrocesso que vivemos.

Previa o Governo em 2011, e não falo da campanha eleitoral mas do governo já em pleno exercício, que as exportações seriam o motor da recuperação. Mas o que verificamos hoje é que as estimativas para 2015 do tal Orçamento em que ninguém acredita, colocam as exportações 7,1 % abaixo das previsões de 2011.

A mudança no modelo económico que então se prometia, não chegou.
E que dizer do colapso do investimento na economia? “Apenas” 21,1%, repito 21,1% abaixo do previsto em 2011.

Ou do emprego com menos 280 000 postos de trabalho relativamente à estimativa então elaborada.

Com todo este desvio entre o compromisso e a realidade (mesmo a realidade dourada dum orçamento de fantasia) como é possível não responsabilizar esta política pela degradação social que vivemos?»

O que deixo acima é um excerto da intervenção do Deputado Vieira da Silva na Interpelação ao Governo sobre “Combate à pobreza e promoção da igualdade de oportunidades” (3 de Dezembro de 2014).

Cada minuto desta intervenção de Vieira da Silva vale a pena, pela sua objectividade e clareza. Por isso a deixo na íntegra.





podemos matar um sinal de trânsito?

17:00


A 3 de Setembro de 1967, na Suécia deixou de se conduzir à esquerda e passou a conduzir-se pela direita. Não é caso único - mas revelam, esses vários casos de mudança da organização do trânsito, algumas das características peculiares das sociedades humanas com instituições sofisticadas. Esse é um dos casos cujo significado profundo estudei num dos meus livros mais divertidos: "Podemos Matar um Sinal de Trânsito? Um divertimento político-filosófico acerca da profundidade do quotidiano".

(Na imagem: aspecto da confusão gerada pela referida mudança.)





3.12.14

as políticas não são todas iguais.

23:25

Programa "Escolhas" premiado em Bruxelas.

O Secretário-Geral do PS fez hoje o seguinte comentário a esta notícia: "Bom exemplo dos valores humanistas dos governos do PS, que investiram na reinserção social, quando Paulo Portas exigia a prisão para as crianças delinquentes."

Realmente, digo eu agora, os políticos não são todos iguais.


Da notícia:
«O programa "Escolhas, que dá trabalho a jovens em risco, vais ser distinguido com um prémio da área dos direitos das crianças. A distinção é atribuída pelo Observatório Internacional de Justiça Juvenil e tem o patrocínio da UNESCO. O "Escolhas" foi criado há 14 anos.
O Programa Escolhas começou em 2001 depois de vários incidentes na zona de Lisboa. «Foi o chamado "verão quente", que envolveu jovens dos subúrbios da capital e que culminou com o incidente que envolveu a actriz Lídia Franco», lembra Pedro Calado.»


declaração de interesses.


Entre o último post e este aconteceu o seguinte ao editor deste blogue: passei a integrar o Secretariado Nacional do Partido Socialista, eleito pela Comissão Nacional sob proposta do Secretário-Geral, António Costa.
Claro que isso terá consequências sobre o que aqui se passa (o que aqui se escreve).
De qualquer modo, a "minha história como blogger" continua disponível neste endereço. E vou procurar que este espaço continue a ser tão plural em termos de interesses como era até aqui. E, sim, este blogue continua a ser pessoal.


30.11.14

fidelidade.


A fidelidade mais necessária (e mais difícil) é a fidelidade a si próprio.

(Esta é mensagem que hoje tenho para mim mesmo.)