26.9.14

"Manifesto por um país".

11:52

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Sempre defendi que os partidos são necessários à democracia. E sempre defendi que os partidos não chegam para ter uma boa democracia. Há muito mundo para lá dos partidos. E entre os partidos. E naqueles que não ficam cegos por causa das fronteiras partidárias - que também os há dentro dos partidos, esses não-cegos.

Precisamos estar atentos a quem, no nosso partido ou em outros partidos, fora dos partidos ou em proto-partidos, não desiste de se bater por nós: por nós todos, mas especialmente por quem tem menos voz para defender os seus direitos. Estar atentos a quem não desiste de lutar por uma Sociedade Decente e por uma comunidade de cidadãos.

Por isso chamo a vossa atenção para este "Manifesto por um país". Tão importante pelo que diz como pela lista de cidadãos subscritores. Sim, porque também conta quem diz as coisas: porque a verticalidade, a coerência, a coragem cívica, a honestidade intelectual e pratica de quem se junta por nós todos - também conta.

Destaco, assim de repente, os seguintes excertos:

Depois destes três anos angustiantes para a maioria dos portugueses, há que recuperar o país. Há que descartar as dissensões de Esquerda desnecessárias, de modo a ser viabilizada uma convergência quanto ao rumo de Portugal e ao seu lugar na União Europeia. Há que combater todo o conformismo e subserviência para, em vez disso, serem desenhadas alternativas concretizáveis que respondam aos múltiplos problemas do país, que são alarmantes.

Em Portugal, esta ruptura só poderá ser iniciada com um pólo do vontades que mostre uma alternativa concreta, um leque de governantes capazes de cumprir um compromisso para refundar a política em termos do bem comum, com uma governação plural na sua composição, partidária e também independente, com pessoas livres de interesses pessoais e de grupo, mas convergindo nesse compromisso.

Algo novo requer uma política nova. É exactamente isto que exigimos: uma refundação da política para responder aos problemas do país. Sem perdas de tempo, sem divisões, sem demagogia. Queremos soluções e contribuiremos activamente para o seu debate.

Tantos têm, tantas vezes, a tentação de olhar para estes textos e começar logo à procura de coisas com que não concordam. Não tenho essa atitude. Estou, e acho que precisamos de estar, noutra posição: vamos conversar com todos aqueles que, sentimos e sabemos, estão na mesma pulsão cívica que nós. É com base nas diferenças que podemos construir algo melhor.

Ler na íntegra: "Manifesto por um país"

a decisão marca a hora.


"A decisão de António Costa foi corajosa e foi patriótica", Maria do Céu Guerra, ontem na Aula Magna, em Lisboa.

25.9.14

testemunho.



Quem me conhece sabe que a política, esse assunto do viver em comum entre cidadãos, nunca deixou de me interessar. Quem me conhece sabe, também, que, há décadas, não tenho actividade política militante regular. As duas coisas significam uma só: a política é, para mim, actividade cidadã. Isso mesmo e só isso. Não vejo a política como profissão, nem como carreira.

E, mesmo assim, sou militante socialista há décadas, desde que completei 14 anos. Em todo esse tempo, nunca deixei de dizer aquilo que entendi dever ser dito; nunca alienei a minha liberdade. No PS, não corro a apoiar este ou aquele. Para não falar de coisas mais antigas: quando Sócrates se apresentou, não o apoiei (embora me tenha, depois, insurgido vivamente contra a campanha de ódio que lhe foi movida e tenha defendido muitos aspectos das suas políticas). Quando Seguro e Assis se apresentaram como alternativa, não apoiei nenhum deles. Talvez por conhecer ambos desde a  juventude. Sou um pouco cínico em relação à política que existe, embora tente ser cuidadoso para nunca criticar os outros da perspectiva de que eu faria melhor (porque abomino essa perspectiva, especulativa e presunçosa, que tantos treinadores de bancada adoptam). Prezo muito a minha liberdade de opinião e pratico essa liberdade (a ponto de, há algum tempo, ter tido de informar um amigo de que não sou independente, por ele me ter assim classificado publicamente) e isso é facilmente incompreendido, porque há sempre gente a julgar que eu devo solidariedade a isto ou àquilo e a julgar que “excessiva” liberdade de opinião é falta de solidariedade.

Sinto, como muitos outros portugueses tão comuns como eu, um pesado desencanto com a política. Porque acho que a política está muito dominada por dinâmicas não democráticas e opacas. Porque acho que há falta de mais gente genuína e faltam mais comportamentos livres na política. Porque sinto que há uma “classe política” que desenvolveu características de grupo virado para si próprio e com muitos dos seus elementos a perder aderência à realidade concreta das pessoas. E, ao mesmo tempo, acho de enorme injustiça que sejam desconsiderados tantos e tão bons políticos, homens e mulheres que trabalham com denodo pelo bem comum, enfrentando demasiadas vezes o desprezo até daqueles que mais beneficiados são pelo seu trabalho. E, confesso com uma certa vergonha, não tenho apetência nenhuma para ter de suportar a incompreensão grave de que são alvo os nossos políticos, alvo de tanto populismo e de tanta demagogia.

A quem, como eu, preza tanto o seu distanciamento pessoal em relação ao poder, e a consequente liberdade, pode perguntar-se, como efectivamente me perguntaram, a propósito do meu determinado apoio a António Costa: por que te meteste tão claramente nesta história das Primárias do PS? Até me perguntaram: voltaste à política? Eis, no que segue e para terminar o meu empenhamento nesta campanha que está a findar, a resposta.

Creio que a democraticidade genuína desta república corre o risco de desagregação, por descrédito do sistema junto do povo. Vejo que, face à terrível situação económica e social que vivemos, precisamos – mais do que nunca – de política a sério. Vejo poucas pessoas que, em diferentes campos, sejam capazes de compreender o mundo e sejam capazes de agir com sabedoria e determinação, com sentido do concreto, com sentido das instituições democráticas, com capacidade para se focarem nos problemas a resolver sem se deixarem atropelar por preconceitos, mas valendo-se de valores claros e firmes para navegar nas águas mais revoltas sem perder o rumo. Temi que, a continuar como estava, o PS fosse um factor acrescido dessa desagregação, por incapacidade para fazer a diferença necessária. Neste quadro, acolhi com esperança a disponibilidade de António Costa para meter mãos à obra de construir outro caminho com o PS a pensar em Portugal. Por isso quis estar presente nestas Primárias. Isto não foi um “regresso à política”: isto é mesmo como eu vivo sempre a política, como um cidadão militante.

Muitos dizem que apoiam este ou aquele por amizade ao candidato. Não sou assim. Não deixo de ser amigo de ninguém por banais divergências políticas, mas também não apoio ninguém em política por amizade. O mesmo, agora, com António Costa: tenho-lhe amizade, mas não é por amizade que o apoio. Aliás, tudo no ciclo longo dos nossos percursos de vida tenderia para o diagnóstico de que eu seria o mais improvável dos seus apoiantes. Aliás, quando, há semanas, o Expresso escreveu que eu era o mais antigo conselheiro de Costa, houve, entre os amigos e camaradas que nos conhecem bem, uma gargalhada que se terá ouvido em Marte, de tal modo essa afirmação era, efectivamente, risível, por demonstrar uma completa incompreensão da nossa arqueologia (dos nosso desencontros passados).

Dito isto, é simples a explicação para eu me ter empenhado como empenhei na campanha de António Costa: senti que o País precisa de uma nova energia, de uma nova atitude política menos conflitual e mais construtiva, senti que António Costa é necessário para fazer do PS o factor de mobilização que Portugal precisa, senti a responsabilidade do momento e, não querendo ficar mal com a minha consciência cívica, alinhei neste “Mobilizar Portugal”. E não o fiz por amiguismo, já que o amiguismo é coisa que não consigo compreender racionalmente na política. Creio que valeu a pena. Creio que, fruto da participação de milhares como eu, no dia 28 de Setembro teremos uma esperança renovada na democracia e na possibilidade de desenvolver Portugal.

Agora, falta votar. 


24.9.14

as vistas curtas da hipocrisia dos políticos "sérios".


Ana Gomes é deputada europeia eleita nas listas do PS.
Nas últimas eleições para o Parlamento Europeu, Ana Gomes não deu nenhum sinal entendível de estar agastada com as escolhas do secretário-geral, António José Seguro, relacionadas com essa candidatura e eleição.
Por escolha de Seguro, António Vitorino foi mandatário nacional da candidatura às europeias.
Repito: não vi Ana Gomes fugir horrorizada dessa candidatura, que tinha em Vitorino o seu principal representante legal.
Passado pouco tempo, Ana Gomes, em nome da campanha tresloucada de Seguro contra os bandidos socialistas, parece ter descoberto qualquer coisa em António Vitorino que ainda há poucos meses ela ignorava. Essa descoberta aconteceu logo após Vitorino declarar o seu apoio a Costa. Uma coincidência temporal dos diabos.
Será isso?
Ou será apenas hipocrisia política?
Alguém explica à senhora deputada que "isto" não é o velho MRPP?


a quem me pergunta se gostei do debate de ontem.



A quem me pergunta se gostei do debate de ontem, a resposta é: não, não gostei. Os socialistas e o país mereciam outro debate.

Aliás, o debate de ontem, se preciso fosse, justificou plenamente a falta de entusiasmo de António Costa por estes confrontos com António José Seguro. Costa sabia que a estratégia de Seguro era a estratégia da lama: se eu lançar lama sobre o outro, o outro tem de escolher entre sujar as mãos para limpar o casaco ou aceitar ficar sujo. Se Costa optasse por não responder, Seguro viria dizer que quem cala consente. Assim, o que Seguro conseguiu foi envolver Costa em algo muito próximo de uma peixeirada. Se um líder da direita, digamos Passos Coelho ou Portas, apresentasse num debate com um líder do PS o estilo apresentado ontem por Seguro, todos os socialistas (e nem só) achariam esse comportamento de uma inqualificácel baixeza política. Que seja o secretário-geral do PS a fazer isso a outro socialista, só torna as coisas piores.

Dito isto, temos de reconhecer que a estratégia de Seguro para o debate de ontem resultou: conseguiu, ajudado pela forma "escolar" como o jornalista começou o encontro (perguntinhas de escopo estreito, iguais para ambos os debatentes), dar a ideia de que não há diferenças políticas entre ambos e, a partir daí, lançar-se na sua estratégia da vitimização e do insulto. Costa resvalou várias vezes para essa vala. Eu percebo: quem não se sente não é filho de boa gente. Mas esse era o terreno de Seguro e Costa não conseguiu evitar o impulso para defender a sua própria honra. Percebe-se bem a estratégia de Seguro: aquele debate em que Seguro prescindiu do ataque pessoal soez (o segundo debate), foi o debate em que Seguro foi esmagado e onde mais se notou quão frouxa é a sua preparação e quão pesada é a sua inconsistência. Seguro, ontem, mostrou que pode descer mais baixo do que podíamos imaginar - mas deve estar muito contente por ter puxado Costa para o seu terreno de discussão. Como disseram vários comentadores, Seguro suicidou-se em directo - mas Seguro deve estar contente porque guardou uma bala para Costa. É sabido, e é outro ditado popular: quem se mete com crianças, borra-se. O que tudo isto dá que pensar é o seguinte: como chegam estas personagens ao topo da República portuguesa (sim, porque ser líder do PS é um trabalho de altíssima responsabilidade na República) ?

É isto que interessa nas Primárias do PS? Não, não é.
O que interessa é que António Costa tem provas dadas a pensar e a fazer, em lugares difíceis e relevantes, enquanto António José Seguro é há décadas um político de gabinete. Começaram ambos como ministros de António Guterres e, enquanto nos lembramos de vários serviços prestados ao país por António Costa, não temos ideia de nada que António Seguro tenha feito na vida pública que não tenha sido gerir os próprios mecanismos internos da política.
O que interessa é que António Costa enfrenta situações e resolve problemas, juntando as mais inimagináveis coligações de vontades para fazer o que há a fazer, enquanto António Seguro se revelou incapaz sequer de manter unido o seu próprio partido, quanto mais mobilizá-lo.
O que interessa é que, enquanto António Seguro tira "bombas" da cartola para animar uma campanha, sem qualquer noção da responsabilidade institucional (fazer um agendamento potestativo no parlamento para discutir um papelucho vago sobre reformas políticas do país, sem sequer saber se o seu próprio partido as apoia e sem consultar os órgãos do partido sobre isso), António Costa não cede à tentação do espectáculo e não inventa propostas: apresentou umas Grandes Opções de Governo (que a maioria dos comentadores, em vez de criticar responsavelmente, faz de conta que não existem, para poder dizer que não tem proposas concretas) e assumiu que maior concretização terá de sair do trabalho colectivo de socialistas e simpatizantes, sem invenções apressadas para servir de fogo de artifício.
O que interessa é que, embora António Costa sublinhe que é natural não haver profundas diferenças programáticas entre dois candidatos do PS, há diferenças na marcação de certas prioridades (por exemplo, na questão da precariedade laboral e na questão da negociação colectiva) que revelam diferentes capacidades para perceber o que realmente tem impacte na vida concreta das pessoas.

Por que é que não gostei do debate de ontem? Porque António Seguro conseguiu evitar que se chegasse à discussão das diferenças políticas de substância. Que não são rasgões ideológicos profundos - são ambos do mesmo partido - mas são importantes para perceber o debate que atravessa a social-democracia europeia.
Ainda ninguém se deu ao trabalho de olhar para as Primárias do PS na óptica da crise da esquerda democrática europeia. Seria interessante fazê-lo, porque aí se perceberia que as questões de método são essenciais à compreensão do papel dos democratas hoje. Implícito no refrão de "Mobilizar Portugal" (e explíctio na moção política) está um ponto de método: fazer política com cidadãos participativos, respeitando as instituições, devolvendo democraticidade à democracia, devolvendo a política à comunidade de cidadãos, em vez de encarneirarmos num qualquer pensamento único. Isto é essencial e está no cerne do método político que António Costa tem praticado há muitos anos na vida pública. Esta mensagem tem valor e relevância muito para lá das fronteiras do PS e das fronteiras do país. A estratégia da lama, de que Seguro lançou mão nesta campanha para salvar o lugar a que acha que tem direito, tem impedido que esta análise se faça. O debate de ontem, mais uma vez, não permitiu que se chegasse a este plano da discussão. Por isso não gostei do debate de ontem.

23.9.14

o político sério é o político que não se ri?!




Qual é o político português que assentou toda a sua carreira em dizer que é o mais sério de todos e que ele não é político, políticos são os outros (malandros) ?
Obviamente, Cavaco Silva.
Nem preciso recordar quão ridículo isso é.
Não preciso recordar? Se calhar estou enganado. Se ainda há políticos de esquerda que optam pela cartada de dizer mal dos políticos (por exemplo, deputados quantos menos melhor) e que pretendem ser mais sérios do que os outros... se calhar ainda é preciso recordar onde essa conversa nos pode levar.
Ah, e não pensem que o populismo e a demagogia só fazem mal à direita. Fazem mal a todas as famílias onde entra esse vírus da irresponsabilidade.

22.9.14

Seguro e as inverdades com rabo de fora.




Está a decorrer um jantar de socialistas apoiantes de António José Seguro e, segundo relata em directo um amigo meu que lá está (apoiante de Seguro), o mandatário nacional, Manuel Machado, terá dito há pouco: "O golpe palaciano que Antonio Costa desencadeou no dia a seguir às eleições ... permitiu à direita disfarçar a derrota que sofreu...".
Caramba, ainda não largaram a narrativa de reduzir a magna questão política da alternativa a "um golpe"? Ainda não perceberam que "golpe" seria o que o PS receberia se continuasse a fazer de conta que tudo estava bem? Ainda não entenderam que agora é que a direita está com medo do PS que aí vem?
Faz-me confusão que seja difícil de entender o seguinte: António Costa chegou-se à frente porque muitos socialistas, muitas pessoas dentro e fora do PS, entendiam que o PS como estava não dava a resposta que o país espera. Pode estar certo ou pode estar errado, é legítimo ter opiniões diferentes. O que não é aceitável é confundir essa questão política com um "golpe", muito menos um golpe palaciano. Afinal, o discurso da "traição" e da "deslealdade" continua.

Esta forma de colocar as coisas não é obra dos apoiantes de Seguro. É orientação do próprio secretário-geral do PS. Mas é uma hipocrisia. Uma versão recente dessa hipocrisia tem a seguinte forma: Seguro pergunta a Costa porque não se candidatou no congresso anterior, Seguro pergunta a Costa porque "rasgou o acordo" contido no chamado documento de Coimbra. Ora, a resposta é o próprio comportamento de Seguro: foi ele que desprezou os esforços feitos para alcançar a unidade.

Quando, no princípio de 2013, o descontentamento com a prestação do PS levou António Costa a ponderar candidatar-se a secretário-geral, tudo acabou naquilo que geralmente foi entendido como um acordo para manter as hostes unidas até às próximas eleições legislativas. António Costa, perante os alertas de que uma disputa interna poderia fragilizar eleitoralmente o partido, assumiu o ónus de optar pelo apaziguamento e dar o seu apoio a Seguro. Para se conseguir esse acordo foi preciso negociar, isto é, essa coisa singela de se trocarem propostas à procura de um texto que pudesse ser largamente aceite como base da futura estratégia. Esse processo resultou naquilo que veio a chamar-se “documento de Coimbra”, apresentado numa reunião da Comissão Nacional realizada naquela cidade a 10 de Fevereiro de 2013.

O que se passou, então, foi realmente premonitório. Seguro, em lugar de anunciar ao país o que se tinha realmente passado, valorizando o acordo alcançado entre dirigentes que tinham antes discordado; em lugar de valorizar a negociação e a aproximação de posições, coisa positiva num partido plural; em lugar de dar o devido destaque ao contributo de António Costa para esse acordo, porque Costa foi realmente o apaziguador naquele processo – em vez disso, Seguro veio fazer de conta que tudo aquilo era um processo centrado na sua pessoa, uma espécie de soberano individual que tivera a amabilidade de ouvir uma pluralidade de vozes, de dentro e de fora do PS, e que escrevera por sua alta recreação um texto com as conclusões da sua reflexão magnânima.

Seguro disse mais ou menos isto: Acordo? Isto não resulta de acordo nenhum. Negociação? Não, eu não negociei com ninguém. Eu ouvi várias pessoas, tive conversas sobre a vida do partido e tirei estas conclusões que aqui tenho. O documento é a expressão da minha convicção e do que eu considero melhor para o PS. Ah, sim, também o António Costa deu contributos, pois.

Esta “explicação” tinha, desde logo, um problema: era mentira. Mas, politicamente, este desempenho teria consequências desastrosas na vida política do PS. Porque a direcção do PS continuou a afunilar a sua intervenção focada na meta propagandística de projectar Seguro como um grande líder, que apenas aceitava rodear-se de quem não parecesse fazer-lhe sombra, em manifesto prejuízo de um alargamento das vozes que dessem expressão à pluralidade do partido e provassem ao país que ali havia um núcleo de uma alternativa de governo.

O vídeo que deixo no início denuncia directamente a hipocrisia com que AJS tem tratado deste assunto.

Para apreciarem melhor como AJS, afinal, criou todo este problema com a sua atitude arrogante, deixo-vos um vídeo desse dia 10 de Fevereiro de 2013. Na altura, expressei neste blogue o meu desagrado com esta actuação. Eu tinha razão: esta actuação de António José Seguro prenunciava um estilo de soberano individual cercado de vozes que ele se dispõe a ouvir de modo mais ou menos inorgânico. O problema é que esse estilo talvez seja útil noutro tipo de organizações, mas não num grande e plural partido da esquerda democrática como é o Partido Socialista. Assim, uma “Moção Política Grandes Opções de Governo” apresentada no modo “Eu”, não é afinal tão inesperada como isso. Vinda de quem vem, é um estilo que estava prometido.