29.6.13

dêem mais dois anos a Barroso e ele será tão amado no mundo como Cavaco em Portugal.

10:52


Steve Bell, no The Guardian

Declarações de Durão Barroso:

"Vamos ser muito claros. As soluções para os problemas não estão nestas reuniões do Conselho Europeu e não se deve ter expectativas exageradas em relação ao Conselho Europeu, nem em relação à União Europeia. O essencial da resposta está ao nível nacional."

Segundo o Expresso,
Para Barroso "não se deve pedir ao nível europeu aquilo que o nível europeu não tem meios para dar", sublinhando que as políticas sociais, de emprego, a educação e a legislação laboral são "responsabilidade dos países" e que aquilo que se pode fazer ao nível da União é "encontrar alguns instrumentos complementares".

Quer dizer: as políticas sociais?! Não temos nada a ver com isso! "Coisas" financeiras e afins, sim senhor, aí nós somos os polícias; agora, o social... o social está fora de moda... Já houve tempo em que "a Europa" foi essencial no progresso social, mas isso agora não interessa nada.

Aquelas palavras passa-culpas são declarações do presidente da Comissão Europeia, supostamente aquele órgão da arquitectura institucional da UE que devia promover o interesse comum; precisamente aquilo que, atendendo ao futuro, ultrapassa o interesse específico no momento actual de cada Estado-Membro. Um homem que, depois de tanto se mexer na cadeira, perdeu de facto toda a credibilidade junto dos líderes com mais força na UE e perdeu o genuíno respeito de toda a gente. Não foi capaz de reforçar o papel da Comissão na União (bem pelo contrário, o seu trocatintismo e cobardia descredibilizaram-no), nem foi capaz de reforçar os meios da União para cumprir as suas tarefas (bem pelo contrário) e agora desculpa-se com a falta de meios.

Uma das principais "faltas de meios" da UE é ter um presidente da Comissão que tem uma estratégia para a sua carreira pessoal (e nota-se, basta analisar com algum cuidado a colocação de peões por todo o mundo), mas não tem ideia nenhuma do que deveria o ocupante do seu cargo fazer para melhorar o estado da União. Agora que se soltaram as línguas (apesar da complacência da maioria dos socialistas nas instituições europeias), é apenas uma questão de tempo: dêem mais dois anos a Barroso e ele será tão amado no mundo como Cavaco em Portugal.

28.6.13

eu e as minhas reaccionarices.

11:22

Sobre um assunto que anda por aí a indignar muito boa gente, quero esclarecer o seguinte.

Sempre fui (quer dizer, não me lembrei disto agora no tempo destes moinantes, sempre fui) contra o corte de estradas, linhas de comboio e de outras comunicações, etc. - contra o uso de meios ilegais para protestar. Mesmo quando, em certos casos, possa perceber o desespero das pessoas (e já me aconteceu perceber esse lado subjectivo).

Se se quer fazer uma revolução, desmantelar a legalidade vigente, paralisar o país para deitar a mão às autoridades, instalar outro regime e outra legalidade: pronto, concorde-se ou não, quem o quer fazer que vá por aí. Não aceito é que se confunda isso com as vias legais para manifestar opinião, protesto, desagrado, indignação - porque não falta como protestar, o nosso problema não é esse.

Até poderia acrescentar o problema da eficácia do protesto - e essas "revoluções de pacote ao fim da tarde" só prejudicam a eficácia possível dos protestos suportados em estruturas com alguma representatividade social (como são as centrais sindicais, apesar de tudo). Ainda há, contudo, quem bata palmas a quem, uma vez a seguir a outra, faz o que agrada ao governo, que é dar a ideia que, sempre que há protestos, há tolices.

Até poderia ir buscar exemplos de lutas estapafúrdias, ou mesmo que me repugnam, que recorreram a esses métodos, só para impressionar os que pensam que esses cortes são sempre muito progressistas. Mas nem me vou dar essa desculpa: sou contra a quebra da legalidade por dá cá aquela palha, ainda por cima quando isso se faz às cavalitas de protestos que tentam agregar. E sou contra por princípio. É que com coisas sérias - o protesto, tanto como a legalidade democrática - não se brinca.

Bem sei que os moços do governo são os primeiros a dar o exemplo de falta de respeito pela legalidade, a começar pela lei número um. Só que, precisamente, não aprecio nada que se usem esses mesmos tiques (desrespeitar a legalidade) que estão em moda nos "de cima".

26.6.13

os americanos são óptimos a dar lições.



John Kerry, chefe da diplomacia dos EUA, escolheu um bom cenário para cantar cantigas de amigo acerca do seu grande desejo de que lhe entreguem em bandeja o homem (Edward Snowden) que denunciou mais uma massiva ilegalidade dos poderes do seu país. A Arábia Saudita, como cenário, é um grande sinal da escandalosa falta de coerência dos States: como se pode ir encher a boca de coisas bonitas de braço dado com uma das ditaduras mais fechadas e ferozes que há no mundo? Aliás, os sauditas, comparados com a Coreia do Norte, oferecem uma diferença, que é dinheiro, e pouco mais. Uma vergonha.

24.6.13

por que é que a Europa só agora descobriu o que os portugueses sabiam há tanto tempo?


Que Barroso anda por lá só a tratar do seu pastoreio?


Deixa lá esse cenário reaccionário e lê este: é mais divertido!

23.6.13

a clarividência política do tijolo.

11:00

Leio por aí que João Ribeiro, porta-voz do PS, afirmou na Convenção Nacional Autárquica, o seguinte:
Sei bem que a situação nacional nos concentra no combate à direita ultraliberal que nos governa, mas quero ser franco e entendo que o combate ao PCP é tão ou mais importante do que esse combate à direita, porque é um combate pela liberdade política. Combatemos a direita que ignora direitos constitucionais, mas também combatemos a esquerda que atropela direitos civis e políticos.

Até percebo que João Ribeiro, candidato a presidente de câmara, tenho as suas tácticas locais, que podem passar por sublinhar mais esta ou aquela parte da mensagem global. Mas baralhar tudo e todos, como se o PCP fosse hoje um perigo para a liberdade, afirmando que pode ser mais importante combater o PCP do que combater o governo, parece de uma absoluta falta de entendimento do país e da resposta política de que ele precisa.

Tenho as minhas (duras) críticas ao PCP, como já muitas vezes escrevi. Só que para fazer certas críticas é preciso ter autoridade política para o efeito. E, quanto a atropelamentos de direitos civis e políticos, também mencionados pelo porta-voz do PS, não me esqueço que este mesmo João Ribeiro foi um dos que, na perspectiva de uma candidatura de António Costa a secretário-geral do PS, mais vivamente participaram na diabolização de uma eventual candidatura alternativa, designadamente com inflamadas e despropositadas acusações de deslealdade.
São estas pessoas que, mais fiéis ao dono do que o próprio dono, fazem dos partidos políticos lugares onde se respira mal - e que depois, pretendendo dar lições de democraticidade, mostram que, para lá do seu umbigo (político), têm uma canhestra visão do mundo.