21.12.12

Vertigo e as Investigações Filosóficas.


Fala-se de Vertigo, de Alfred Hitchcock, um filme de 1958:
É tido como uma das obras-primas da cinematografia mundial e, este ano, foi considerado o melhor filme de todos os tempos numa votação da prestigiada "Sight & Sound", a revista mensal do The British Film Institute, mas a Comissão da Classificação de Espectáculos da Secretaria de Estado da Cultura portuguesa acaba de lhe negar o estatuto de Filme de Qualidade, denuncia um comunicado desta sexta-feira da Midas Filmes.

Não acontece só em Portugal, mas em Portugal acontece que há muitos gabinetes com gente fechada lá dentro que só tem uma ocupação: julgarem aquilo que não percebem pela medida do que a sua cabeça entende.
Ainda há pouco, ao almoço, dizia que alguns avaliadores que por aí andam, se lessem desprevenidamente, à época em que foram escritas, as Investigações Filosóficas de Ludwig Wittgenstein, diriam que "aquilo" não é filosofia.

20.12.12

garotadas na cultura.

10:25

Richard Westall, A Espada de Dâmocles (1812)

As reacções à demissão em bloco do conselho de administração da Casa da Música, motivada pelos cortes orçamentais impostos à instituição, vêm de vários quadrantes e são unânimes no receio de que possa vir a ser posto em causa um projecto cuja relevância ninguém questiona.

Esta gente que de momento ocupa o governo do país usa, como martelo-pilão para deitar tudo abaixo, a ideia de que o Estado deve ser abstinente. Mas, entretanto, sempre que pode, usa qualquer pequeno poder estatal a que possa chegar para estragar a obra alheia, para desperdiçar o esforço acumulado e sedimentado pelo tempo e pelo empenho dos outros. Não se trata já apenas de desrespeitar os compromissos de anteriores governos; trata-se de, sem mudar de governo, um qualquer secretário de Estado chegar e atirar às urtigas o que disse há minutos o anterior secretário de Estado do mesmo governo, do mesmo (primeiro-) ministro, com o mesmo programa (ou falta dele). Usam o Estado como o seu brinquedo, os tostões que têm em gaveta como espada da Dâmocles a pesar sobre qualquer coisa que ainda mexa. Fazem tudo para nos convencer dos malefícios do Estado: os malefícios do Estado quando tomam eles conta dos cordelinhos.

19.12.12

ora agora danço eu.

16:28

Nuno Santos, ex-director de informação da RTP, queixou-se de que o Conselho de Administração da RTP lhe teria movido um processo disciplinar com vista ao seu despedimento por causa de declarações por ele prestadas no Parlamento. E depois queixou-se de que o Parlamento não protege os cidadãos que são lá chamados para serem ouvidos. (Já aqui escrevi sobre isso.)

Agora, Nuno Santos (o mesmo?!), depois de declarações dos seus antigos director-adjunto Vítor Gonçalves e subdirector Luís Castro na comissão parlamentar de Ética, diz que vai processar os “autores das difamações produzidas no Parlamento”. Mas, então, Nuno Santos já não está extremamente preocupado com a liberdade de expressão dos depoentes em audições parlamentares? Se ele pode processar A ou B por declarações no Parlamento, por que não há-de a RTP poder fazer o mesmo? Claro, há ainda uma diferença: um processo judicial não será secreto, como parece até agora ser o processo disciplinar movido pela RTP contra Santos. Mas, quanto à possibilidade de perseguir ouvidos no Parlamento, Nuno Santos esqueceu-se depressa das suas próprias dores. Um imbróglio que se adensa.