9.5.12

tudo a ver quem chega primeiro à porta de saída.

E pur si muove.

14:12

A coligação de centro-direita governante na Alemanha adiou as votações do Tratado Orçamental e do Mecanismo de Estabilidade Europeu (MEE) no parlamento federal, que estavam agendadas para 25 de Maio. Pode ficar tudo para depois da cimeira extraordinária de chefes de Estado e de Governo da União Europeia, a 23 de Maio, em Bruxelas, ou mesmo para depois do Conselho Europeu em finais de Junho. Os Social-Democratas e os Verdes, cujo apoio é indispensável para os dois terços que terão de aprovar o Tratado Orçamental, já tinham exigido o adiamento da votação.

a Grécia por um canudo.

11:36

Merkel e seus amigos votaram, e muito, nas eleições gregas. Votaram pela extrema-direita e votaram pela esquerda anti-europeia. É natural que os gregos se marimbem na Europa se os líderes da Europa demonstram desprezo pela Grécia. Barroso fala fala e não diz nada - ou diz sempre o que ouviu algures, mas com uns dias de atraso, sinal de que não está grávido de ideia nenhuma que interesse à União. Falar em nome da Europa como se os gregos nos devessem tudo e nós nada devêssemos aos gregos é convidar a Grécia a votar pelo isolamento. A negociação do nosso futuro comum é uma negociação global e em profundidade - coisa que não existe há muito tempo, porque a Europa está a ser pensada em função das próximas legislativas alemãs - e os aflitos não votam na Germânia.

pequenos sermões.

11:26

É preciso ter a coragem, hoje, de não andar a dizer aquilo que as pessoas, angustiadas, querem ouvir.
É preciso deixar de dizer coisas simples, para não induzir as pessoas a pensar que há soluções simples. Porque, de facto, não há.

8.5.12

e para um homem ser pai?

romper com a troika.

17:13

Soares diz que PS tem de romper com a troika.

A ideia de "romper com a Troika", expressa como ideia de um interruptor, ligado/desligado, agora-sim-agora-já-não, cortar agora e cortar a direito, "romper" - é uma ideia demasiado simplista para o que está em causa.
Há uma distância entre ter engolido as condições enfiadas mais ou menos à força na nossa goela pelos homens do fraque, que deixaram ao país pouca margem para escolher, e ser ideologicamente entusiasta de Troika e mais ainda, como já se identificou publica e expressamente Passos Coelho. Certo, há essa diferença e ela importa. Mas os países não são "peixes binários", nem o vento sopra no modo tudo ou nada. Há uma complexa equação e há uma série de incógnitas em jogo, que envolvem múltiplos actores e múltiplos níveis institucionais. Querer que ignoremos isso e demos passos maiores do que a nossa perna é pura irresponsabilidade. E aqueles que pagariam o preço real da ousadia, nas suas condições de vida, se "rompêssemos" com quem nos empresta o dinheiro assim como quem dá cá aquela palha, merecem mais respeito.
Um federalista como Mário Soares (nisso, sigo-o) não ignora nada disto, nem atira as culpas para o papão da perda de soberania nacional. Mas deveria ter sempre presente que não é simples o trabalho que há a fazer para deslocar as placas tectónicas do pensamento único. As palavras de ordem demasiado simples ficam, em geral, aquém do esforço de pensamento e concertação que precisamos para resolver situações complexas. É que, como me lembrava há poucos minutos, desde Belgrado Zagreb, o meu amigo Z., "os grandes navios viram muito lentamente". E convém não os atirar contra os icebergues.

errado. não é a excepção.

não pagamos.

15:44

Líder da extrema-esquerda na Grécia diz que acordo com a troika é nulo.

«Alexis Tsipras, líder da extrema-esquerda que está a tentar formar um governo de coligação na Grécia, disse hoje que “o veredicto popular anula claramente o acordo de ajuda”.»

Agora é que vamos começar a experimentar se palavras de ordem chegam para governar um país.

Esta é a tragédia da esquerda: os que só pensam em governar segundo "o costume", raramente arriscam tentar concretizar qualquer coisa que nos tire mesmo da irracionalidade dominante (sim, é irracional que haja gente entre nós que passe fome); os que só pensam no que seria bom, sem pensarem como se vai do "agora" para o "diferente", têm ideias bonitas que geralmente nunca passam das palavras e dos corações. São poucos os que tentam a porta estreita entre esses dois abismos.

Haverá alguém na Grécia a tentar a porta estreita?

(Isto, já para não perguntar por outros países.)


Grécia.

11:30

Sem prejuízo do que disse antes sobre Atenas e o resto, vai ser importante saber se todos os partidos que têm muito êxito a estar contra também são depois capazes de fazer as coisas de outra maneira.


7.5.12

devo deduzir daqui que quem se mete com os magistrados leva?


Nem as audições parlamentares escapam, é isso?

Emídio Rangel foi condenado hoje a 300 dias de multa e a 100 mil euros de indemnizações, por dois crimes de ofensa a pessoa colectiva, por ter acusado, no Parlamento, juízes e magistrados do Ministério Público pertencentes aos sindicatos de passarem informação em segredo de justiça aos jornalistas.

Uma acusação absolutamente absurda, a de Rangel: alguém já deu conta de que se passem informações em segredo de justiça para os jornalistas? Mesmo que isso, muito hipoteticamente, se verificasse, seria só em casos muito raros. E, mesmo assim, mais depressa seria o aspirador do pó a passar as informações do que os magistrados.

grande coisa.


Português apresenta projecto de casa que segue o Sol.

Grande coisa. Passos Coelho já tinha antes inventado um governo que segue a Merkel. (Ainda assim, melhor que Durão Barroso, que segue sempre as últimas notícias: agora também já é a favor das políticas para o crescimento, em vez de esperar que ele caia do céu.)

isto quer dizer que a França também tem o seu Miguel Abrantes?


Não em versão blogue, mas em versão vídeo.

Ou será que o Miguel Abrantes afinal era o Sócrates e agora anda para os lados de Paris? Isso explicaria o silêncio do Câmara Corporativa...



(Vídeo roubado à Shyznogud)

Atenas.

11:57

Agora está tudo muito preocupado porque a Grécia está num caos político.
Seria bom terem pensado nisso antes, quando reduziram as opções dos gregos ao tudo ou nada, quando ignoraram as dificuldades específicas da Grécia (por exemplo, ser a fronteira externa mais permeável da União), quando bateram na cabeça dos políticos pró-europeus até eles terem aceite que um bom grego é um grego ajoelhado. Quando a democracia não serve para cidadãos de pleno direito se concertarem acerca do que fazer em conjunto, a democracia deixa de servir para o que quer que seja. Ou, então, os cidadãos deitam a barraca abaixo e, nessa altura, pode ser que os sábios do norte comecem a pensar a sério no assunto.
Entretanto, o mesmo pensamento único que nos trouxe até aqui não desarma. É esse mesmo pensamento único que anda por aí a escrever que espera que Hollande não faça como presidente aquilo que prometeu em campanha. Parece que isso é que seria ser "responsável". O pensamento único é suficientemente quadrado para pensar que o mundo só pode ter uma solução. E, além disso, o pensamento único é suficientemente anti-democrático para defender que os políticos façam depois de eleitos o contrário do que diziam antes. O pensamento único, além de ser uma fraude intelectual, é uma vergonha moral quando chega à apologia da mentira como método geral da governação.

Paris.


Pela primeira vez, a esquerda ganha Paris numa eleição nacional.


normal.

11:00

O Libé de hoje.

Normal. Há gente que toma isto por um insulto. Há pessoas que tomam a sua errada percepção do seu próprio tamanho como grandeza ou sentido de Estado. Mas só gente normal se pode agigantar.
Oxalá seja o caso.



E mais isto:




6.5.12

a Europa que aí vem.

21:10

Do que já se sabe das eleições em França e na Grécia (vitória de Hollande; uma soberana confusão a sul) fica claro que a Europa não vai poder continuar a ser governada a golpes de martelo. Até agora têm imposto a sua vontade aqueles usam a sua força para vergar os demais e que têm do jogo democrático dentro da UE uma concepção muito esquemática. Vai ser preciso aprender a negociar mais abertamente, tendo em conta os eleitorados e não tratando os governos nacionais como filiais de um comando europeu cuja legitimação democrática é percebida como fraca pela generalidade dos cidadãos. A democracia não se esgota nas eleições, uma verdade válida para qualquer comunidade política sofisticada; numa estrutura de governo muito indirecta, como a da UE, perceber isso é ainda mais importante. Pode ser que estes resultados obriguem, com mais ou menos dor, a perceber isso.

França.


Sobre a Grécia, está mais difícil escolher o livro...


duas visões das presidenciais francesas.