29.10.11

Delilah


Há qualquer coisa neste filme que não joga certo. O que será?


26.10.11

o iPad, o iPhone e o iPod como argumentos contra o aborto?


Um argumentos contra a possibilidade legal de interrupção voluntária da gravidez. Sim, não pode ser um argumento contra a IVG, porque ninguém defende a IVG, ninguém deseja a IVG, apenas há quem defenda que, em certas circunstâncias ela deve poder ser decidida por certas pessoas directamente envolvidas na situação concreta. Aquele texto a alinhar o defunto Jobs no debate é, simplesmente, um dos argumentos moralmente mais aberrantes que já me foi dado ler. Será que, para alguns "defensores da vida", o valor de uma vida se pesa pela quantidade de coisas boas que ela nos dá a ver? Será?

25.10.11

o legado.

11:55

Anda por aí um número incontável de comentadores (entre os quais, ex-ministros, futuros ministros, ex-futuros ministros, mas também futuros ex-ministros) que afirmam a pés juntos que a culpa toda do thatcherismo serôdio de Gaspar e Passos é "o legado".
Acho que os entendo. Eles pretendem denunciar a "ideologia" e o caldo social que produziu os fenómenos BPN e BPP, a criatividade financeira que substituiu a economia real, a política-negócio que tudo justifica à "iniciativa".
Só não sei se esses comentadores estão articulados com aqueles outros que falam muito da criminalização da política.

24.10.11

solidariedade social.

a Europa a enfrentar a crise com determinação.




dedicado ao Ministro da Administração Interna.


Miguel Macedo tem uma casa a jeito de morar na área onde nos ministra grandes doses de administração interna, recebe um subsídio que se supunha ser para quem não tem casa na capital, parece que legalmente está tudo muito certo (Miguel Macedo considera-se residente em Braga). Agora, Miguel Macedo renuncia ao subsídio, mas não por lhe parecer imoral estar a recebê-lo. Só o faz por não quer perder nem um minuto com o assunto. Claro, 1400 euros não valem um minuto para tão magna pessoa. Embora valham o ordenado de 2 meses (ou mais) para muita gente.

Dedico ao senhor MAI este excerto do filme "Ludwig van", de Mauricio Kagel. Está em causa um compositor que não era capaz de ouvir a sua própria música. Quase tão mau como um ministro que não parece capaz de ver a sua própria figura.



23.10.11

sangue do meu sangue.

19:49




SANGUE DO MEU SANGUE, de João Canijo.

Ontem fomos ver o filme. A versão longa (não se nota nada que são três horas e qualquer coisa). Não tenho nada de particular para acrescentar ao que por aí se tem dito. A difícil simplicidade aparente com que se mostra como é viver sem intimidade nenhuma: estar constantemente a ouvir os vizinhos; estar sempre uma outra história a correr dentro de casa enquanto trato das voltas do meu próprio drama. A subtileza com que a banda sonora ajuda nesse mostrar. A história geral até pode parece banal (não vou desvendar, para quem não tenha visto - porque tem de ver), mas tem uma volta muito própria dada pela protagonista, que percebe bem que o mundo muda completamente se soubermos certas coisas. É algo que, visto de outra direcção no tempo, se explica por uma frase de Philip Roth em Casei com um comunista: «É óbvio que não deveria constituir uma surpresa por aí além descobrir que a história da nossa vida incluía um acontecimento, algo de importante, que desconhecemos por completo – que a história da nossa vida é em si mesma, e por si mesma, algo a respeito do qual sabemos muito pouco.» E acerca da qual pode ser preferível não saber certas coisas. A volta, na história, é outra face desta questão. Depois, há a brutalidade da vida: cheira-lhe mal, senhora? É que ela é mesmo assim. E há quem se esforce, quem faça por fazer - embora isso não ponha ninguém ao abrigo de nada, claro.
Hoje vimos, em casa, o documentário do processo de chegar ao filme: "Trabalho de actriz, trabalho de actor". Por aqui se percebe, desvendado o método de criação, onde está a grandeza do filme. A grandeza do filme está na direcção de actores. A forma como eles cresceram com a ideia, como se fizeram da família uns dos outros e habitantes daquele mundo, tornando-os gente de dentro, acho que tem de ser entendida como o segredo do realismo estupendo que nos brindam. Nesse sentido, o método de construção da obra, apresentado neste documentário, é que determina a capacidade que houve para cada interveniente compreender carnalmente o que estava ali a fazer.
Pela vossa rica saúde (mental), vão ver.

filósofos que fazem diagnósticos.



(página 113 da brochura "Temporada Gulbenkian de Música 2011/2012")