23.9.11

simplesmente Portugal.




Cyril Pedrosa, francês luso-descendente, lançou este mês em França o álbum "Portugal". Ainda não lhe pus a unha em cima. Mas não perde pela demora.

seria triste se o PM fosse a pé.


Passos viaja em companhia dos EUA e paga para ir em económica
.

A meu ver é perfeitamente (desculpem o extremo insulto, credo!) idiota que se gaste tempo de entrevistas televisivas do PM, páginas de jornais, postas (como esta) na blogosfera - cuidado, qualquer dia sai uma comissão parlamentar de inquérito - a escrutinar em que classe viajam os governantes quando voam em funções, como se isso realmente tivesse alguma coisa a ver com o equilíbrio do orçamento. Parece-me que tem mais a ver com o nosso desequilíbrio emocional como povo, agastado com ninharias, cantando e rindo em grande inconsciência nas coisas importantes e realmente graves. Claro que o primeiro culpado desse chinfrim é precisamente o actual governo, que trouxe esse "tema" para o seu arsenal de cantigas populares, querendo mostrar-se virtuoso mais que qualquer santo. Não deixa de ser triste, mesmo assim, que isto tenha chancela de coisa séria, a ponto de nos ocupar as mentes a pensar e os dedos a dedilhar teclaros. É, pois, melhor que eu também pare por aqui.

estaria Einstein errado?


Uma experiência internacional conduzida no âmbito do CERN parece ter mostrado que os neutrinos podem deslocar-se a uma velocidade superior à da luz, o que contrariaria um dos pilares da física contemporânea, uma "lei da natureza" que se julga (julgava?) bem estabelecida. Ler: Neutrino: a partícula que ousa desafiar a teoria da relatividade.
Como o que interessa à boa ciência não são "notícias espectaculares", a equipa que fez as observações quer que os seus dados sejam analisados criticamente por outras equipas, e que se façam outras experiências. Promove esta tarde um seminário para estimular esse processo e fazer passar a mensagem, podendo os jornalistas colocar questões à distância. O seminário pode ser acompanhado no serviço webcast do CERN, a partir das 15 horas de Lisboa.

galeria de grandes presidentes da comissão europeia.


(Cartoon de Marc S.)

João Penalva, texto e imagem.


João Penalva, O uso da vírgula, 2002

A exposição de João Penalva, "Trabalhos com Texto e Imagem", com curadoria de Isabel Carlos, já só estará patente no Centro de Arte Moderna da FCG até 9 de Outubro. Não há, pois, margem para grandes demoras. A capacidade de João Penalva para, entre texto e imagem, criar narrativas abertas na nossa inteligência e sensibilidade, onde está sempre ainda algum caminho por percorrer, mostra a sua arte de nos provocar a imaginação. De nos abrir. Desde que demos tempo, de preferência a meio de uma tarde de semana com poucos visitantes, e com esse tempo demos uma oportunidade ao nosso tacto interior.

22.9.11

esta página foi deixada propositadamente em branco.

as vidas e as fortunas.

13:27


Passei hoje de manhã por um cartaz do BE com os seguintes dizeres: "As nossas vidas valem mais que as fortunas deles".
Acho que esta mensagem merece uma análise do ponto de vista da relação entre moral e política.
Num plano moral, eu diria simplesmente: "as vidas valem mais que as fortunas". Moralmente, eu não admitiria que a prevalência da vida sobre a fortuna dependesse de estarmos a falar de "nós" ou de "eles". As vidas deles também valem mais que as nossas parcas poupanças, ou não? Qualquer que seja a resposta a esse tipo de questões, entendo que estas são questões morais, que devem aparecer como anteriores às questões políticas que dizem respeito ao "como é que em comunidade lidamos com isso".
A outra parte daquela mensagem de cartaz é uma mensagem estritamente política, na medida em que implica a identificação de um conflito dentro da comunidade (entre "nós" e "eles") e estabelece uma preferência ("nós" somos preferíveis a "eles"). Apesar da identificação dos conflitos de interesses não esgotar o interesse da política, entendo que essa identificação, e a exploração desse conflito, é uma parte legítima da política. "As nossas vidas valem mais que as fortunas deles" é uma forma de lembrar a luta de classes, quer dizer, lembrar que há grupos estruturalmente diferentes na sociedade, que são colocados em posições diferentes de que não se podem libertar por mero exercício de vontade, por ser pesada "a força das coisas". E é também uma forma de apelar à acção dentro dessa lógica de luta de classes. Concorde-se ou não, a abordagem é legítima, o apelo é legítimo. Mas...
...a formulação "As nossas vidas valem mais que as fortunas deles" instrumentaliza um pressuposto moral às mãos de um apelo político. O que outros (certas organizações religiosas, por exemplo, precisamente em torno da "vida") também fazem, com justo desagrado da esquerda. Daí que eu preferisse não ver a esquerda a misturar estes dois planos. Estamos em tempo de tentar encontrar soluções políticas ("como fazemos para sair disto"), em lugar de aproveitar para explorar um qualquer moralismo de conveniência.

miséria moral.

12:13

Uma táctica particularmente manhosa para tentar poupar certas forças e personalidades ao desgaste do efeito Jardim da Madeira, se é que ainda alguém se desgasta por ter compagnons de route encalacrados em altas alhadas, é meter tudo no saco da criminalização da política. Basicamente, o argumento é: se a gestão política de outros governos colocou o país em dificuldades, Jardim não fez mais do que isso. Trocado por miúdos: se querem julgar Jardim, sentem Sócrates no mesmo banco dos réus (um termo que, desaparecido dos tribunais, continua em força na política).
Convém estar bem atento ao significado desta operação. A operação consiste em confundir duas coisas diferentes. Uma coisa é a responsabilidade política: tomar boas ou más decisões, dadas as circunstâncias e o conhecimento que delas se tem ou deve ter, sendo essas decisões mais ou menos transparentes para os cidadãos em geral. Isso deve ser julgado politicamente: debate e decisão eleitoral. Outra coisa bem diferente consiste em violar as regras legais que obrigam quem governa, para isso abusando precisamente da posição de governante e do controlo da administração (e abusando, ainda, de uma "sociedade civil" manietada por décadas de governança pró-ditatorial).
Não estou aqui a defender que Jardim seja levado a tribunal pelo que fez. Para tanto, será preciso saber se o ordenamento jurídico tipifica os seus actos de forma que justifique apresentá-lo à justiça. E convém notar que a responsabilização criminal de um indivíduo não deve servir de fuga às nossas colectivas responsabilidades políticas (ponto em que Daniel Oliveira tem alguma razão). Tribunal à parte, portanto, entendo que, se Jardim fez aquilo que se tem noticiado nos últimos dias, a gravidade da sua actuação é incomparável com eventuais erros políticos na governação (não é apenas mau governo). Toda a gente por essa Europa fora reconhece isso: a primeira das diferenças entre a Grécia e outros aflitos, como Portugal ou a Irlanda, é que apenas no caso da Grécia havia uma responsabilidade dos governantes na deliberada aldrabice na prestação de contas. A gravidade do que agora se passa com a Madeira é, precisamente, que passámos, graças a Jardim, para a categoria dos falsificadores.
Tentar misturar tudo, querer dar a ideia de que está tudo no mesmo plano, alagando tudo na conversa da criminalização da política, é uma das últimas armas da política do ódio em Portugal. Como todas as tentativas de baralhar tudo, colocar tudo no mesmo cesto para que os nossos amigos não fiquem pior no retrato do que os outros, misturando coisas diferentes para relativizar o pior; como todas as tácticas de meter lama na ventoinha para evitar que façamos distinções lúcidas entre responsabilidades diferentes - esta manobra só pode ser qualificada de uma maneira: miséria moral. A destruição da comunidade política torna-se um cenário mais provável quando se passa ao ataque dos fundamentos pré-políticos da nossa pertença a uma comunidade. É a esse nível que a miséria moral desta operação é corrosiva. Deliberadamente?

ciência incerta.



Cientistas propõem robô para transportar tocha olímpica.

Seria muito mais interessante arranjar um robô capaz de se deslocar a certas ilhas atlânticas para fazer a inspecção das contas regionais, poupando humanos verdadeiros a um exercício manifestamente para lá das capacidades da nossa espécie.

21.9.11

a entrevista.


A entrevista televisiva de Passos Coelho, ontem à noite, não foi má. As perguntas que estavam preparadas de antemão faziam sentido. Podiam ter sido feitas outras perguntas de réplica (por exemplo: para "isto" valia a pena ter chumbado o PEC IV?), mas não podemos pedir exageros. As respostas dividem-se em dois capítulos. Primeiro capítulo, o Jardim da Madeira. Aqui, PPC deixou tudo em aberto: escudado na diferença entre o PSD e o Estado, ainda vai pensar melhor como continuar a apoiar Jardim sem que se dê muito por isso. Segundo capítulo, a crise. Aqui, PPC foi muito claro: vamos continuar a navegar à vista e seja o que Deus quiser. Não é tão tolo como possa parecer: ninguém sabe exactamente o que se deveria fazer e o contexto internacional pesa enormemente. E, pelo menos, PPC deixou de fazer de conta que "os outros" não descobrem o milagre por incompetência ou maldade. Que era, aliás, o retrato que ele fazia dos "outros" antes de chegar à realidade. A gravata, a pose, o tom de voz - estavam bem. Quanto aos sapatos, não reparei.


20.9.11

Ana Vidigal - Estilo Queen Anne.

22:48

Sim, é publicidade. Sim, por amizade. À Ana, claro - mas também aos nossos leitores, para que não percam o que é bom.

Inauguração a 21 de Setembro, 22 horas, na Galeria Baginski, Rua Capitão Leitão, 51, Lisboa.

“In America, the Queen Anne style of architecture, furniture and decorative arts was popular in the United States from 1880 to 1910. In American usage "Queen Anne" is loosely used of a wide range of picturesque buildings with "free Renaissance" (non-Gothic Revival) details rather than of a specific formulaic style in its own right.” (Mc Alester, Virginia & Lee, A Field Guide to American Houses, New York, 1984, p. 264)

Eis aqui a folha de sala (pdf).


Entretanto, a programação do “OLD SCHOOL”, de Susana Pomba com vídeos de Ana Vidigal: CINE MAR(A)VIL(H)A, terá apresentação única no mesmo dia às 22h00 na rua paralela à galeria nas instalações do Teatro Praga.


Depois não digam que não avisámos.

enquanto não passamos à independência.

12:06

Ok, estamos todos indignados com a Madeira de Jardim, o abuso de poder e as manigâncias com o nosso dinheiro, mais ainda com as cumplicidades de "cubanos" que lhe aparam o jogo e têm padrões moralistas variáveis consoante as conveniências. Certíssimo. Não obstante, convém não reduzir tudo a isso.
O nosso problema com a Madeira, enquanto comunidade política, é mais profundo: é que consentimos em criar ferrolhos institucionais que nos tolhem. Os jogos políticos, ao longo de muitos anos, foram atirando as regiões autónomas quase para fora do perímetro legal geral da República. Que a comunidade política dos portugueses, no seu todo, só possa agir por iniciativa das regiões autónomas, o que acontece em matérias decisivas, equivale, em casos de crise, a só poder perseguir o criminoso se ele pedir por favor que o prendam. Nos Açores temos tido a sorte de ter presidentes dos governos regionais que são pessoas decentes, como foi João Bosco e como é agora Carlos César. Mas nada garante que seja sempre esse o caso no futuro. A vertigem autonomista criou ilhas políticas onde antes havia arquipélagos geográficos, redundando em mais uma fraqueza do Estado e da democracia.
Cabe dizer, em abono da verdade, e sem perdoar os indesculpáveis silêncios de Cavaco Silva, que o actual PR nem sempre esteve do lado errado da questão autonómica, tendo ele alertado, a certa altura, para os perigos de ficar todo o país nas mãos da iniciativa do interessados em causa própria. É certo que Cavaco peca, frequentemente, por ser mais lesto a dizer as coisas que interessam aos seus companheiros políticos do que a procurar o equilíbrio das soluções: isso tirou-lhe autoridade quando quis fazer voz grossa para os Açores, ao mesmo tempo que comia e calava aos desmandos do Jardim madeirense. De qualquer modo, para termos uma noção mais geral do significado dos últimos episódios da Madeira, convém não apontar os dedos todos só para alguns actores. Convém assumir esta novela como uma falha política da nossa democracia, falha essa que pode alastrar.

19.9.11

Jardim vai candidatar-se.

a nomenclatura laranja pega na bola


Um dia depois de negar a “dívida oculta”, Jardim diz que omitiu 1113 milhões em "legítima defesa" da Madeira.

Cavaco e PGR conheciam "dívidas ocultas" na Madeira.

Entretanto, dando um ar de homem de estalo (perdão, Homem de Estado), Passos Coelho participa esta semana no Conselho de Segurança e Assembleia Geral da ONU (que, convenientemente, se reúnem longe da ilha #%&#$%#$).

O estado a que isto chegou é bem retratado pelo vídeo que se segue... até na desfaçatez com que continuam a chamar engenheiro ao desastrado!


isto quer dizer que o PR foi cúmplice de uma tentativa de ocultação para efeitos eleitorais?

diferentes visões sobre o olhar.



Na legenda da ilustração acima: "The eye and its similarity to a camera." Retirada da mesma fonte da seguinte afirmação: «The human eye is one of the most important military instruments that the armed forces possess.» Escrito por Edwin G. Boring, in “The eye as a military instrument”, capítulo 2 de Psychology for the armed services, Washington, The Infantry Journal Press, 1945, pp. 23-50

Contraposição.

N.R. Hanson, no clássico Patterns of Discovery (1965): «Seeing is an experience. A retinal reaction is only a physical state — a photochemical excitation. Physiologists have not always appreciated the differences between experiences and physical states. People, not their eyes, see. Cameras, and eye-balls, are blind.»

ciência manifesta

10:53

Rui Curado Silva:
Tal como se temia, as medidas de austeridade alastraram à ciência, tendo-se traduzido muito recentemente na diminuição considerável do número de projectos financiados no concurso de 2011 pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia. O caso de sucesso da Finlândia, que reforçou a aposta na ciência aquando da profunda recessão em que o país mergulhou no início dos anos 90 (consultar relatório da União Europeia, "Towards 3%: attainment of the Barcelona target"), não serviu de exemplo para o novo governo. Sem uma estratégia, nem a curto, nem a longo prazo, sem ministério, a ciência portuguesa está neste momento à deriva. Ninguém sabe, ninguém faz a menor ideia do que serão os próximos anos. Perante este cenário...

... continuar a ler aqui.

18.9.11

seguir a pista coimbrã.


Carregar na imagem. (Caramba: com a mãozinha do rato, não com o dedo.)


uma espécie de governo mundial.