17.9.11

para que não digam que não cito Passos Coelho


A declaração citada é de Novembro de 2010, mas certamente que um homem de estalo (perdão, Homem de Estado) não muda de opinião em tão pouco tempo.


(Shyznogud, desculpa o roubo, mas é uma boa síntese de coisas que se andam a passar e acerca das quais não tenho tido tempo para escrever.)

seda






I keep a service bell by my bed for you
let the others do what they do
I will hold on
hold on
hold on

I keep a service bell by my bed for you

16.9.11

adenda a "uma história pouco católica"

12:42

Vou copiar para aqui algo que escrevi num comentário ao meu post anterior, uma história pouco católica. Trata-se, apenas, de uma explicitação desta frase que aparece quase a terminar aquele meu texto: «Espero, com franqueza, que a minha posição sobre qualquer dos tópicos da questão “religião” não mude por causa deste episódio pessoal. Sempre tentei, e quero continuar a tentar, esse mínimo de liberdade que consiste em sermos capazes de pensar no mundo sem darmos demasiada importância às nossas contingências particulares.»

Reza assim:

Desejo que fique claro que eu não mudei de posição relativamente à religião e às igrejas por causa deste assunto. Não me tornei um fanático anti-religioso, que nunca fui. Continuo a pensar que certas abordagens "de esquerda" à religião estão erradas, mormente por descurarem a necessidade de uma compreensão antropológica do sagrado, que não se reduz à política imediata. Continuo a discordar radicalmente de certas orientações actuais da Igreja católica, no que acompanho insignes teólogos que Roma calou, proibiu de ensinar e/ou de publicar. Continuo a aborrecer o laicismo extremista, que tenta reduzir a expressão da religião ao interior de cada um ou ao espaço privado - tal como continuo a abominar o uso político que é feito da religião. Continuo a pensar que o actual estado da Igreja católica não está inscrito na sua essência, tal como os Papas ostensivamente debochados existiram e não fazem parte da essência da Igreja - mas não aceito que me proíbam de criticar isso. Ainda penso que a questão da existência de Deus não é uma questão científica, não é uma questão que possa ser decidida de forma certa por raciocínios filosóficos - por isso não sou ateu. Continuo a pensar que, no mundo concreto em que vivemos, a tolerância religiosa (entre crentes e não crentes, entre crentes de diversas crenças) é importante para a paz e a liberdade, razão pela qual me interesso por questões como o diálogo inter-religioso. Em suma: tudo o que me parecia complexo antes deste caso, continua a parecer-me complexo; não me radicalizei por causa disto, continuo a não ter respostas para tudo - mas tenho uma ideia da história das igrejas cristãs e sei que muito do que está em causa não vem de nenhuma "alta entidade", vem apenas do entendimento que certos homens fazem do papel que lhes cabe. E não prescindo de discutir isso.

15.9.11

uma história pouco católica.

12:17

Hoje vou fazer algo que não me dá nenhum prazer. Contar um episódio tão vergonhoso que preferia deitá-lo para trás das costas. Um episódio no qual estou pessoalmente envolvido. Escrevo porque acho que tenho esse dever. Um dever de cidadania, fazer saber que há coisas que se passam entre nós.

No passado mês de Março tomei conhecimento, por uma lista de filosofia, de um Aviso da Faculdade de Ciências Humanas (FCH), da Universidade Católica Portuguesa (UCP), segundo o qual estava aberto um procedimento para seleccionar um candidato ao preenchimento de uma vaga de leccionação na Licenciatura em Filosofia dessa instituição.

Considerada a precariedade da minha actual actividade de investigador, e depois de informar o coordenador do meu laboratório, apresentei (dentro do prazo, até 2 de Maio) a minha candidatura. O processo constava de uma fase documental, que incluía a programação de uma cadeira do curso, e, chegando lá, de uma entrevista. Fui à entrevista, no início de Junho. Parece que se apresentaram 14 candidatos, 11 dos quais foram entrevistados. Depois de um contacto informal, confirmou-se, por uma carta da FCH datada de 20 Junho, que tinha sido eu o candidato seleccionado. Apesar de prevenido de que teria de esperar o contacto da Reitoria para assinar o contrato, comecei imediatamente a preparar o primeiro semestre, incluindo tomar contacto com a plataforma de blended-learning usada na instituição. Os serviços enviaram-me, também prontamente, o calendário dos dois semestres de 2011/2012 e a distribuição do trabalho docente, onde constava já o rol de disciplinas que me caberia leccionar nesse período.

Cabe aqui acrescentar que, quando me foi comunicada verbalmente a minha contratação, fui informado de que o contrato continha uma cláusula que me obrigava a respeitar a instituição UCP e a instituição Igreja Católica, sem que isso conflituasse de algum modo com a minha liberdade de opinião.

No dia 4 de Julho, recebi um e-mail do coordenador da área de filosofia, informando-me, basicamente, “de que, tendo em conta as restrições orçamentais a que a Universidade se encontra sujeita, não haverá lugar para novas contratações para o ano lectivo 2011-2012, para lá das que resultam de contratos já celebrados com os docentes até esta data. Esta situação, que contraria as expectativas que foram criadas à Área Científica de Filosofia ainda no início deste ano civil, impede, pelo menos para já, a sua [minha] contratação”.

Reagindo imediatamente a esta novidade, usei um canal não institucional para fazer chegar directamente ao Reitor da UCP um pedido de aclaramento da situação. Passadas poucas horas, recebi a resposta: eu não iria ser contratado por ter subscrito um abaixo-assinado “contra a vinda do Papa a Portugal”. Ainda nesse dia, tendo coincidido com o Magnífico Reitor numa recepção diplomática (onde estava como acompanhante), ouvi de viva voz, por sua iniciativa, uma reiteração do motivo (com comentários suplementares que me dispenso de divulgar). Começou aí, também, a operação de justificar que não me tinham mentido anteriormente (horas antes), quando me avançaram motivos orçamentais. Noutra fase das explicações, foi-me dito que um professor da casa tinha preparado um dossiê com textos da minha autoria, dossiê esse que, entregue à Reitoria, tinha ditado o meu afastamento. Talvez não seja necessário, mas lembro que o Aviso do procedimento de selecção não continha nenhuma “cláusula ideológica”.

O que escrevi acima é da ordem da pura factualidade. Em termos de interpretação, deixo o essencial ao leitor – até porque todas as peças do meu processo estão publicadas neste blogue. Foi, aliás, um trabalho “de investigador” sobre o conteúdo deste blogue, ajudado pelo meu perfil no facebook, combinado com uns comentários anónimos aqui neste espaço, que deu à luz o dossiê do pequeno inquisidor. Mas sempre digo o que segue, para os mais recentes por aqui, que não tenham acompanhado as minhas posições em questões de religião.

Tenho criticado, sem dúvida, várias posições e acções da Igreja Católica. (Haverá debaixo do sol alguma coisa que eu não tenha criticado neste blogue?) Não confundo isso com respeito institucional. Eu respeito a universidade que me recebe todos os dias, mas nunca me passaria pela cabeça que alguém levasse ao Reitor, ou ao Director do instituto, um dossiê com escritos meus num blogue para o ajudar a decidir qualquer assunto académico. Nem sonharia que qualquer crítica minha ao governo da nação, ou ao Ministro da Ciência, fosse encarada como desrespeito pelo país, que em última instância é a quem pertence essa universidade pública. Já alguém me disse que eu, que fui um católico activo durante muitos anos, mas há muitos anos no passado, estou enganado acerca da actual Igreja Católica, que está muito mais longe do espírito do Vaticano II do que eu sou capaz de imaginar. Talvez seja isso. Pode até parecer que isto foi ingenuidade minha: se eu critico o catolicismo oficial, como poderia dar aulas na UCP? Não é assim que vejo as coisas: não me candidatei a professor no curso de Teologia, admito que poderiam achar estranho um agnóstico querer ser professor de teologia numa universidade católica. Tenho uma ideia da liberdade de pensamento que pode ser alheia a escrevinhadores de dossiês, mas da qual não abdico. (De passagem: já terão deitado o meu dossiê para o lixo, ou continuo a estar fichado nos serviços da Reitoria?)

Cabe notar que a petição que subscrevi não era contra a vinda do Papa a Portugal, mas sim contra o facto de altos magistrados do Estado português confundirem e misturarem a condição de Chefe de Estado (do Vaticano) com a condição de líder religioso. Invocar essa minha posição para tomar tal decisão equivale a isto: pessoas, actuando (acham elas) na defesa política de um Chefe de Estado estrangeiro, atacam os meus direitos e liberdades como cidadão de Portugal.

De qualquer modo, se o Vaticano, recentemente, chamou o cardeal de Lisboa para lhe puxar as orelhas, por causa de uma entrevista onde uma frase ocasional versava a ordenação de mulheres, provocando um "esclarecimento" escrito do Patriarca, onde este se verga à ortodoxia num acto de "humildade" pública, talvez fosse estultícia da minha parte julgar que poderia ter mais liberdade de pensamento como professor do que aquela de que goza o Magno Chanceler da UCP.

Talvez este episódio até dê gozo a um ou outro opinador que desengrace com a minha falta de paciência para a crítica sistemática e radical a tudo o que seja religião, igreja, Papa, etc. Pode até ser uma espécie de “vingança involuntária” para ilustres comentadores que episodicamente se irritam com a minha visão mitigada do fenómeno religioso. Espero, com franqueza, que a minha posição sobre qualquer dos tópicos da questão “religião” não mude por causa deste episódio pessoal. Sempre tentei, e quero continuar a tentar, esse mínimo de liberdade que consiste em sermos capazes de pensar no mundo sem darmos demasiada importância às nossas contingências particulares.

Julguei que era meu dever de cidadania dar pública notícia deste caso. Para que se saiba o que as coisas são. Está feito.

mudanças na geografia.


Portugal "não é uma ilha", reconheceu ontem o primeiro-ministro
.

Continua a notícia: «Passos Coelho admitiu ver com "preocupação o que se está a passar na Europa", apontando que "isso pode complicar o processo de mudança" que Portugal está a fazer.»

No tempo de Sócrates, Portugal era uma ilha. Uma ilha assimétrica, mesmo assim: tudo o que era mau era culpa exclusivamente nossa (de Sócrates, mais precisamente, porque nenhum outro ser vivo, ou pedra, tinha qualquer responsabilidade por qualquer coisa que se passasse sob o sol da Lusitânia); tudo o que era positivo, pelo contrário, tinha sido oferecido de borla por algum imperador persa ou rei macedónio na sua extrema magnanimidade.
Agora, Portugal já não é uma ilha. Que bom... apesar de, claro, a Madeira continuar em tal peculiar condição ontológica.

14.9.11

estamos a ficar tropicais?


No livro "The Elusive Quest for Growth: Economists' Adventures and Misadventures in the Tropics", de William Easterly, aparece o gráfico abaixo.
A linha mais grossa representa o crescimento per capita nos países em desenvolvimento; a linha mais fina representa os empréstimos do FMI e do Banco Mundial no quadro de programas de ajustamento. A representação das tendências desde a década de 1960 até à década de 1990 mostra que o crescimento caiu a pique quando os emprestadores se puseram em acção com os seus "ajustamentos". Isto, para os "países tropicais". E nós, que também estamos a ser "ajustados", também vamos tropicalizar?


(Clicar na imagem para aumentar. Fui buscar isto ao Hugo.)

Barroso esqueceu-se de consultar Passos Coelho.

13.9.11

rasgar ou não rasgar

19:54

1. Numa coisa a situação que enfrenta o actual governo PSD/CDS é perfeitamente igual à situação que enfrentava o anterior governo do PS: a evolução da situação financeira, económica e social do país não depende exclusivamente da acção do governo. Nem sequer da acção do conjunto dos actores políticos, económicos e sociais portugueses. Nem apenas da acção de todo esse tipo de actores a nível europeu. Assimetricamente: podemos estragar tudo, há muito quem possa tomar decisões capazes de piorar a nossa situação, mas nada garante que, mesmo que façamos tudo o melhor possível, escapamos ilesos desta embrulhada. Pior: é impossível saber, agora, com segurança, quais seriam as coisas mais acertadas que poderíamos fazer nas actuais circunstâncias. Estamos dependentes de muitos actores cegos, que agem em função do que pensam (pelos critérios que aprenderam em teorias económicas muito mais falíveis do que eles julgavam) serem os seus interesses, mas que não fazem a mais pequena ideia do que resultará realmente do agregado de acções de todos eles. Estamos numa versão gigante daquele caso em que a maioria dos depositantes de um banco, levados por um rumor infundado, acorrem massivamente a levantar as suas poupanças e provocam uma tragédia para todos (a falência), tragédia essa que seria perfeitamente evitável se não fossem glutões a tentar defender excessivamente o que pensam ser o seu interesse individual. Essa característica – complexidade impossível de dominar razoavelmente se não forem criados focos de poder que diminuam a incerteza provocada pelo comportamento descoordenado das partes – é um traço essencial da actual situação.

2. A diferença, para pior no caso do actual governo, é que Sócrates tinha consciência de que Portugal só se poderia safar no quadro de uma estratégia europeia de reforço do euro, enquanto Passos Coelho, embalado pelo discurso de oposição que se destinava a chegar ao poder a qualquer preço, continua convencido que nos basta ser bons alunos e que não faz mal alinhar com as alemanhas que pensam que se safam lançando os países periféricos às hienas. Sócrates sabia que tinha de aceitar até certo ponto as exigências da UE e de outras instituições internacionais capazes de nos prejudicar ou de nos financiar, mesmo que essas exigências fossem parte de um ataque errado aos problemas, para não atrair tempestades suplementares sobre o nosso país. Esse desconto de tempo era necessário para tentar criar espaço às forças que tentavam compilar os tijolos de uma resposta europeia mais poderosa. A esquerda da esquerda defendia a estratégia de pôr a boca no trombone, dizer “não pagamos”, sem consciência que isso faria de nós imediatamente o bombo da festa. A direita, no quadro do seu assalto ao poder, fazia de conta que bastava uma injecção de liberalismo para sairmos cantando e rindo da tormenta. Infelizmente, a narrativa da oposição não passou com a chegada ao governo: graças à entrada em cena de académicos altamente competentes em vender ilusões liberais, a ilusão da nossa potência infinita ampliou-se. Se Passos Coelho não tivesse a magnífica companhia do Professor Gaspar, talvez já tivesse feito um esforço para pensar politicamente e tivesse percebido que assim não vamos lá.

3. Tal como as coisas estão, ninguém pode saber o que vai ser o futuro próximo. O risco de passarmos rapidamente a fazer parte de uma zona bastante pobre no contexto dos países desenvolvidos é um risco real. A destruição política da Europa, um longo período de perturbação da economia global, um período longo de salve-se quem puder a começar proximamente, eventualmente o regresso à possibilidade de guerras no nosso continente – tudo isso faz hoje parte de um cenário realista. Talvez seja possível evitar isso, se a Europa mudar radicalmente de atitude. Mudar radicalmente de atitude passa por esquecer imediatamente a ilusão de que as forças do mercado de algum modo resolverão o problema. Foram elas que criaram o problema e não haverá soluções espontâneas. Não queremos acabar com os mercados, mas, no seu conjunto, os mercados não estão a funcionar como parte sã da economia e da sociedade. Os mercados tornaram-se autofágicos e, junto com eles, vão comer-nos a nós todos. A única maneira de diminuir um pouco a balbúrdia e introduzir um pouco mais de coordenação no sistema passa por dar um papel decisivo aos poderes públicos. Se os bancos não têm dinheiro para injectar na economia e as empresas estão a definhar com a caixa seca, terão de ser os poderes públicos a fazer isso, com prioridades que correspondam ao bem comum. Não sei se os Estados nacionais ainda estão em condições de fazer isso. Provavelmente, isso terá de ser feito, com um grau de centralização sem precedentes, pela própria Europa. Mais precisamente, pela Comissão Europeia. Arranjando maneira de rapar o fundo ao tacho e, com o dinheiro que ainda existe, fazer com que a Europa volte a produzir, investindo em actividades criadoras de emprego e riqueza para o bolo de todos.

4. Ao mesmo tempo, os Estados nacionais, designadamente os que estão a aplicar Memorandos de Entendimento, não podem parar de pensar e limitar-se a seguir a cartilha como se o mundo de hoje fosse o mesmo de ontem. Não defendo que Portugal escolha desafiar a comunidade de emprestadores e desfraldar a bandeira do rasganço do Memorando, de ânimo leve. Bem sabemos que não nos convém nada atrair as raivas dos mercados: por muito irracionais que eles sejam, eles podem prejudicar-nos gravemente. Mas, nos bastidores, serenamente, usando as instituições para aquilo que elas devem servir, é preciso começar a pensar que não podemos fazer grandes disparates só porque um belo dia assinámos o Memorando. Por exemplo, para lá das questões ideológicas, parece certo que privatizar, nas actuais condições, o que o Memorando quer que privatizemos, será desbaratar património nacional. Mesmo os que não vêem os riscos dessas privatizações para a nossa capacidade de gerir o nosso país, devem ver que vamos deixar cortar dedos que nos farão falta para tocar viola. E nem é preciso dizer à UE e ao FMI que essas alíneas do Memorando são uma forma de saque insuportável: basta dizer-lhes que, de momento, é mau negócio. Isto quer dizer que devemos afrontar os emprestadores rasgando os nossos compromissos? Não; quer dizer que o mundo mudou muito desde então, e que muita coisa que já era velha ontem – está hoje definitivamente podre e a cheirar mal. E que queremos ocupação mais estimulante do que sermos nós a cavar a nossa própria sepultura.

5. Tudo isto, bem entendido, sem esquecermos que também tivemos culpas na força com que a crise nos apanhou. Tivemos, quer dizer: Estado, bancos, empresas, famílias, pessoas. E que não nos safamos desta sem esforço. Mas que o esforço seja para sair do buraco, não mero remexer na terra para ficarmos ainda mais enterrados.

6. Precisamos de política, precisamos de políticos. Capazes de juntar e de separar. De juntar as forças de todos, de separar as águas.

mecenas

estamos fartos de avisar que as bebidas com gás fazem mal.





[Homens que são como lugares mal situados]

09:52


Um poema, hoje.


Homens que são como lugares mal situados
Homens que são como casas saqueadas
Que são como sítios fora dos mapas
Como pedras fora do chão
Como crianças órfãs
Homens sem fuso horário
Homens agitados sem bússola onde repousem

Homens que são como fronteiras invadidas
Que são como caminhos barricados
Homens que querem passar pelos atalhos sufocados
Homens sulfatados por todos os destinos
Desempregados das suas vidas

Homens que são como a negação das estratégias
Que são como os esconderijos dos contrabandistas
Homens encarcerados abrindo-se com facas

Homens que são como danos irreparáveis
Homens que São sobreviventes vivos
Homens que são como sítios desviados
Do lugar

Daniel Faria, in Homens que são como Lugares mal Situados, Porto, Fundação Manuel Leão, 1998

12.9.11

causas matrimoniais. quantos anjos podem dançar na ponta de um alfinete.




Igreja analisa 'grau' de homossexualidade para anular casamentos.

«A orientação que temos é que deve ser feita uma perícia psiquiátrica» para aferir se se trata «de uma homossexualidade prevalente ou exclusiva, ou algo de acidental», precisa o cónego Joaquim da Assunção Ferreira, que coordenou o VII Encontro Nacional sobre Causas Matrimoniais, que terminou hoje em Fátima.
Joaquim da Assunção Ferreira explica que há uma escala e que os últimos «graus» tornam a pessoa em causa «incapaz de realizar funções conjugais». Em causa estão os «graus» em que as pessoas são «predominantemente homossexuais, os só acidentalmente heterossexuais e os exclusivamente homossexuais».

Medições, portanto.

Nem me atrevo a perguntar pelos instrumentos de medida.

arte na vida.



A ópera "Heart of a Soldier", estreada no sábado passado pela San Francisco Opera, interroga o 11 de Setembro. Carregar na imagem pare ver e ouvir excertos.

(Imagem de Cory Weaver/San Francisco Opera)

coisas que PPC devia lembrar, em lugar de ser lambe-botas de senhora.


Só para arrumar ideias, dado alguns esquecidos que por aí andam, traduzo dois pequenos excertos:
Os países do euro violaram os limites estabelecido pelo Tratado de Maastricht para o défice (3% do PIB) e para a dívida (60%) em 137 ocasiões entre 2000 e 2010, segundo o Eurostat. A Alemanha, país que hoje se erige como paladino da disciplina financeira, e a França, ultrapassaram esses limites 14 vezes cada, enquanto a Espanha e a Irlanda apenas 4 e 5 vezes, respectivamente, e nunca antes da crise recente. Os melhores alunos foram a Finlândia, o Luxemburgo e a Estónia, que sempre cumpriram as regras. (...)
Em 2003, o PEC foi dinamitado quando o chanceler alemão, Gerhard Schroeder, e o presidente francês, Jacques Chirac, fizeram pressão e conseguiram que o Conselho não endossasse as recomendações da Comissão que exigia a esses dois países uma maior redução do défice. A decisão franco-alemão causou danos irreparáveis na credibilidade do controlo financeiro dentro da UE.

Vale a pena ler na íntegra.

Pesquei o link aqui
. Obrigado.


congresso do PS: tarefa incompleta.


O congresso do PS terminou sem verdadeiramente ter realizado uma tarefa indispensável: analisar criticamente a última e recente passagem pelo governo.
Fazer de conta que Sócrates morreu é tolice pura: muito do que vai acontecer nos próximos anos será julgado por comparação com seis anos de governo sob sua liderança.
Esquecer tudo o que o governo de Sócrates fez de bom, é entregar o ouro ao bandido. E, como Assis lembrou, alinhar na história da carochina que a direita vende como "a verdadeira história do lobo mau", só servirá para escamotear as culpas da coligação negativa no caminho por onde aqui chegámos.
Evitar o exercício de identificar os erros, impedirá uma necessária reflexão sobre o papel do PS na esquerda e no país. Se esse exercício não for feito, o PS voltará a cair nos mesmos erros.
Isso seria uma pena: há tantos erros novos para experimentar, que seria bom evitar a pura repetição dos anteriores.

a pesada herança.


Cito:
«Anos a fio, (...) a direita e a esquerda disseram da Parque Escolar o que Mafoma não disse do toucinho. (...) Porém, hoje, o primeiro-ministro que caucionou a fronda, inaugura com pompa e circunstância duas escolas made in Sócrates na região de Viseu. (...) Daqui a pouco, nas televisões, veremos Passos Coelho e o Crato a louvarem-se no empreendimento. A falta de vergonha não tem limites.»

Integral aqui.

esta surdez paga imposto.


Passos Coelho considera que “não houve grandes propostas concretas” no congresso do PS.

Se PPC pensa que se safa fazendo de conta que não ouve o que o PS diz, vai acabar mal. Seguro começou cautelosamente, ainda nem mandou o Memorando de Entendimento às malvas (embora, com o tempo, isso deverá vir a acontecer). Entretanto, Seguro apresentou propostas que poupam o bolso do pequeno contribuinte, garantindo ao mesmo tempo as receitas que o governo quer recolher. Para responder, o governo tem de explicar em que é que falham as propostas do PS. Com esta retórica politiqueira de se fazer de surdo, o PM não vai longe. Demorará Relvas muito tempo a perceber isso?