9.4.11

retocar a história | ou "do rigor jornalístico"


É longa a história do uso político do Photoshop. Alguns, contudo, preferem cortes mais singelos na linha da história. Vejam esta saborosa ilutração publicada pela edição de hoje do Público. Atentem na linha do tempo, por chefes de governo, na zona de baixo. Conseguem lembrar-se do nome do primeiro-ministro de Portugal que aqui foi riscado, com a grande vantagem de ampliar os demais consulados? Com esta "interpretação", Barroso só foi à sua vida depois de 6 (seis!) anos de governo e mesmo Lopes, de cognome O Efémero, terá governado 3 (três) anos! Parabéns ao quotidiano Público, mais uma vez.




cinema, espelho da nossa infantilização colectiva




"Um Compromisso Nacional" (texto e signatários)

17:04

Se gente tão diferente consegue juntar-se para dizer isto, o mínimo que se pode pedir aos agentes da representação democrática - aos agentes do debate público - é que ouçam. E, por hoje, não fazemos mais nenhum comentário.

UM COMPROMISSO NACIONAL

1. Portugal está a viver uma das mais sérias crises da sua história recente. Essa crise tem uma dimensão financeira e económica, que se reflete no défice orçamental, no desequilíbrio externo, no elevado grau de endividamento público e privado e nos baixos índices de competitividade e crescimento da economia, com grave impacto no desemprego, em especial nas gerações mais novas; mas tem igualmente uma dimensão política e social grave, que se exprime numa crescente dificuldade no funcionamento do Estado e do sistema de representação política e em preocupantes sinais de enfraquecimento da coesão da sociedade e das suas expectativas.

2. A crise financeira e económica mundial que se iniciou em 2007,com origem nos Estados Unidos, gerou em 2009 a maior recessão global dos últimos 80 anos e transformou-se, mais tarde, na chamada crise da dívida soberana, que abriu no seio da União Europeia um importante processo de ajustamento político e institucional, afetando de modo especialmente negativo alguns dos Estados membros mais vulneráveis, entre os quais, agora, Portugal.

3. Nesta situação de grande dificuldade, em que persistentes problemas internos foram seriamente agravados por uma conjuntura internacional excecionalmente crítica, os signatários sentem-se no dever de exprimir a sua opinião sobre algumas das condições que consideram indispensáveis para ultrapassar a crise, num momento em que a dificuldade de diálogo entre os dirigentes políticos nacionais e a crescente crispação do debate público, nas vésperas de uma campanha eleitoral, ameaçam minar perigosamente a definição de soluções consistentes para os problemas nacionais.

4. Essas condições envolvem dois compromissos fundamentais:
a) em primeiro lugar, um compromisso entre o Presidente da República, o Governo e os principais partidos, para garantir a capacidade de execução de um plano de ação imediato, que permita assegurar a credibilidade externa e o regular financiamento da economia, evitando perturbações adicionais numa campanha eleitoral que deve contribuir para uma escolha serena, livre e informada; este compromisso imediato deve permitir que o Governo possa assumir plenamente as suas responsabilidades para assegurar o bem público e assumir inadiáveis compromissos externos em nome do Estado.
b) em segundo lugar, um compromisso entre os principais partidos, com o apoio do Presidente da República, no sentido de assegurar que o próximo Governo será suportado por uma maioria inequívoca, indispensável na construção do consenso mínimo para responder à crise sem a perturbação e incerteza de um processo de negociação permanente, como tem acontecido no passado recente; numa perspetiva de curto prazo, esse consenso mínimo deverá formar-se sobre o processo de consolidação orçamental e a trajetória de ajustamento para os próximos três anos prevista na última versão do Programa de Estabilidade e Crescimento; e, numa perspetiva de médio/longo prazo, sobre as seguintes grandes questões nacionais, relacionadas com a adaptação estrutural exigida à economia e à sociedade: a governabilidade, o controlo da dívida externa, a criação de emprego, a melhor distribuição da riqueza, as orientações fundamentais do investimento público, a configuração e sustentabilidade do Estado Social e a organização dos sistemas de Justiça, Educação e Saúde.

5. As próximas eleições gerais exigem um clima de tranquilidade e um nível de informação objetiva sobre a realidade nacional que não estão neste momento asseguradas. A afirmação destes compromissos, a partir de um esforço conjunto dos principais responsáveis políticos, ajudará seguramente a construir uma solução governativa estável, que constitui a primeira premissa para que os Portugueses possam encontrar uma razão de ser nos sacrifícios presentes e encarar com esperança o próximo futuro.


Signatários:
Adriano Moreira
Alexandre Soares dos Santos
Álvaro Siza Vieira
António Barreto
António Gomes de Pinho
António Lobo Antunes
António Lobo Xavier
António Nóvoa
António Ramalho Eanes
António Rendas
António Vitorino
Artur Santos Silva
Belmiro de Azevedo
Boaventura Sousa Santos
Daniel Proença de Carvalho
Diogo Freitas do Amaral
Eduardo Lourenço
Eduardo Souto Moura
Emílio Rui Vilar
Fernando Seabra Santos
Francisco Pinto Balsemão
Isabel Rodrigues Lopes
João Gabriel Silva
João Lobo Antunes
Joaquim Gomes Canotilho
Jorge Sampaio
José Carlos Marques dos Santos
José Carlos Vasconcelos
José Pacheco Pereira
José Pena do Amaral
José Silva Lopes
Júlio Pomar
Júlio Resende
Leonor Beleza
Luís Portel
Manoel de Oliveira
Manuel Braga da Cruz
D. Manuel Clemente
Manuel Sobrinho Simões
Maria de Sousa
Maria Fernanda Mota Pinto
Maria João Rodrigues
Mário Soares
Miguel Veiga
Rui Alarcão
Teresa de Sousa

(fonte)

8.4.11

uma sugestão para o fim de semana


Pelo menos se está perto de Lisboa. Festival Nacional de Robótica.



Tudo se passa no Instituto Superior Técnico, Campus da Alameda. Para assistir às actividades júniores, dirija-se ao Pavilhão de Civil. Para as actividades seniores, e demonstrações, dirija-se ao Pavilhão Centra. Entrada livre para todas as actividades.

Mais informações aqui.

alô, fala da esquerda da esquerda?

14:13

Jerónimo e Louçã vão reunir. Já expliquei antes que julgo tratar-se de uma boa notícia, a prazo, mesmo que seja uma dificuldade eleitoral para o PS neste momento. Mas acrescento que seria importante que desse encontro saísse algo de novo já para o actual momento político, de preparação para negociar a "ajuda externa". Acho que, actualmente, nem a esquerda nem a direita (ponham a fronteira onde quiserem) são capazes de dar respostas suficientes para todos os aspectos do problema. (Expliquei aqui o que penso disso.) A forma como Jorge Bateira coloca a questão é, mais uma vez, parcial - pela simples razão de que está a esquecer uma parte do problema.
O PCP e o BE têm estado entrincheirados na negação: eles não querem a ajuda externa, porque vai agravar disparates que têm estado a ser feitos por todo o lado. Pode alguém dizer que o PS também esteve em negação, mas é injusta essa crítica, na medida em que o governo foi fazendo e propondo aquilo que julgava estar ao alcance do país fazer para evitar a "ajuda", enquanto o PCP e o BE exigiam um mundo completamente diferente como condição das suas políticas. Ora, a política não é o exercício de declarar o que o mundo deveria ser idealmente; a política deve ser o exercício de responder ao mundo que existe, sabendo que não está nas mãos de ninguém mudar tudo radicalmente nem de um momento para o outro. Pois, eu também não queria a "ajuda" externa - mas ainda ninguém da ala negacionista se deu ao trabalho de explicar o que nos aconteceria se as coisas continuassem como estavam a correr nos últimos tempos, muito particularmente depois de a coligação negativa ter dado ao mundo o espectáculo da grande irresponsabilidade de uma crise política no pior momento. Repetir, apenas repetir até à náusea que a ajuda externa tem perigos, é inconsequente. É, aliás, uma forma casmurra de tentar fugir à questão "e agora, o que fazemos".
O que espero da esquerda da esquerda, da reunião de Jerónimo e Louçã, é que digam ao país qualquer coisa que vá além do negacionismo. Espero que coloquem em cima da mesa ideias concretas, realizáveis, acerca de como lidar o melhor possível com a negociação dos empréstimos; como fazer, concretamente, com que a distribuição das dificuldades seja mais justa socialmente; como mobilizar mais efectivamente as pessoas para melhorar a nossa capacidade de resposta, produzindo mais e melhor e não tratando apenas de tentar gozar dos esforços dos outros. O que espero da esquerda da esquerda é que dê caminhos de resposta a este desafio de Álvaro Cunhal, em discurso ao VII Congresso do PCP, Outubro de 1974:
«O atraso de Portugal é grande. A economia é deficitária. Mesmo que se eliminassem todos os lucros da grande burguesia e se procedesse a uma melhor distribuição da riqueza, o produto nacional não asseguraria, ao nível actual, a acumulação necessária para um desenvolvimento rápido e uma vida desafogada para todos os portugueses. Para o melhoramento das condições de vida gerais será necessário aumentar a produção em ritmo acelerado. E isso obrigará não só a investir como a trabalhar mais e melhor.»
Será que Jerónimo e Louçã são capazes de falar ao país de algo que tenha em conta esta necessidade? Seria interessante, pois é inadmissível que, neste momento difícil, uma fatia tão grande da representação política pareça estar posta de lado. Parece estar posta de lado, porque os partidos que se auto-denominam do "arco da governabilidade" parecem convencidos da inexorabilidade do seu exclusivo direito de acesso ao executivo. E parece posta de lado, por outro lado, porque os partidos que se julgam a verdadeira esquerda se dedicam a falar só dos aspectos da situação que lhes interessam. É fácil dizer "não pagamos" (vamos reestruturar a dívida) - mas seria preciso explicar aos cidadãos as consequências que daí adviriam. Ninguém imagina que seria possível lavar as mãos das nossas responsabilidades financeiras e continuar a obter o dinheiro sem o qual não vivemos, porque os credores não são bons samaritanos. E ninguém quis ainda convencer-nos de que podemos de repente passar a viver sem que nos emprestem. Esquecer essa parte do cenário é desonesto e não configura qualquer alternativa política.
É claro que ninguém em seu perfeito juízo julga poder combater um mundo económica e financeiramente globalizado só com as forças de um único país, pequeno como o nosso ainda por cima. Qualquer saída para esta situação só é viável no quadro da UE, onde as ideias "alternativas" são minoritárias e a consciência da gravidade da situação é fraca (todos pensam que o problema é dos outros). Isso coloca outro desafio à esquerda da esquerda: o PCP e o BE têm sido incapazes de produzir um pensamento coerente acerca da nossa pertença à UE. Clamam com voz grossa contra o BCE por não nos ajudar mais eficientemente, contra a Comissão por incapacidade de impulsionar políticas correctas - mas, no fundamental, são dominados por ideias nacionalistas (ou soberanistas, se preferirem). Querer sair de uma situação que só pode ser bem resolvida num quadro de cooperação internacional forte, e ao mesmo tempo estar contra o único quadro de cooperação internacional onde podemos obter algum apoio, a própria UE - é desprovido de qualquer razoabilidade.
Por todas estas razões, já que Jerónimo e Louçã vão reunir, queremos ouvir o que têm para dizer ao país. Acho que todos os partidos, em especial o PS, devem querer ouvir com atenção. Os mesmos jogos do costume agora estão fora de fase. Vamos ver quem compreende isso.

robôs, células e mais coisas que se podem fazer ao fim-de-semana

7.4.11

amanhã estarei entre robôs

canalhices


O senhor da fotografia, de seu nome André Macedo, sempre que aparece na televisão tem ar e pose de quem gastou mais tempo a pentear os cabelos que lhe restam do que a preparar o conteúdo da intervenção. Mas permite-se tecer considerações perfeitamente canalhas, em artigo de opinião no DN, acerca de Sócrates, tirando ilações psiquiátricas do facto de Sócrates preparar em termos de imagem uma comunicação ao país da gravidade da que teve que fazer ontem. Por razões que agora não interessam, tenho resistido muito a comentar o papel comentarístico deste senhor - mas o que é demasiado é demasiado. Estou farto de gente que prega lições acerca do país, criticando os políticos por tudo e mais alguma coisa, mas aproveita todas as oportunidades para acrescentar mais um tijolo ao clima de ódio e de primarismo que tanto mal tem causado ao país nos últimos anos. Não deviam pedir a esta gente que sujasse tanto as mãos para ganhar a vida. Sim: se não fazem isto por necessidade de ganhar a vida, será por quê?

(Toquei este assunto antes, já hoje, de outro ângulo, aqui.)

Adenda.
As canalhices nunca têm "outro lado", são sempre e apenas canalhices. Mas, sobre o "outro lado" do rabisco daquele senhor da fotografia, limito-me a citar:
Esta perspectiva — Sócrates capitulou... — é tanto mais interessante quanto ilustra, de forma muito directa e reveladora, o processo de delirante fulanização com que, em quase todos os espaços dos meios de comunicação (com especial intensidade nas televisões), tem sido tratada a gestão-Sócrates. Há, por certo, diferenças significativas entre os vários meios de comunicação. Em todo o caso, por todos eles perpassa quase sempre uma crença banalmente teológica: se não existir mais nada para descrever ou explicar os nossos problemas, use-se a palavra "sócrates".
Escreveu João Lopes. A ler na íntegra aqui.

paraísos terrestres

Pieter Bruegel, O Velho, O Vinho do Dia de S. Martinho (pormenor)

Na Comissão Europeia, a Direcção Geral para os Assuntos Económicos e Financeiros será o braço armado da ajuda que aí vem. (Coloquem as aspas onde melhor entenderem, façam o favor.) Aí, a Grécia e Portugal estão a cargo da mesma unidade. Deveriam juntar-lhe a Irlanda e chamar-lhe "unidade dos paraísos terrestres, onde os deuses jogam à bisca".


daí lavo as minhas mãos

agora é que vamos conhecer o programa de governo de Passos Coelho

ai Joana, Joana, se até a Senhora vai por esse caminho, isto está mesmo tudo em cacos


Os políticos de hoje têm de atender à comunicação. Todos. Em todas as circunstâncias. As palavras não mudam por causa da imagem, mas esta não pode ser descuidada, sob pena de se sobrepor às próprias palavras. Ignorar isso, ou fazer de conta que se ignora, como se os políticos pudessem ignorar isso, é populismo do mais rasteiro. No dia em que o PM foi forçado a pedir ajuda externa, empurrado pela coligação negativa, uma TV, por lapso ou por maldade, transmitiu uns segundos de Sócrates a preparar-se para uma comunicação ao país. Houve quem pegasse no "assunto" como se estivesse a dizer algo de realmente importante. Como se o normal fosse que Sócrates aparecesse já com a tanga há muito anunciada por Barroso quando PM. Mais um episódio do fluxo do pequeno ódio rasteiro que por aí anda. Coisa que não me estranha em muitos comentadores da praça. Que o tique tenha chegado à Joana, mostra a virulência do desnorte.

desde ontem à noite que vai por aí uma alegria


Sou eu que sou ingénuo. Nunca pensei que "certas vozes" mostrassem tanta alegria com a "ajuda externa". Uma volta pelas "redes sociais" e pela blogosfera dá a ver como já não há (alguma vez houve?) vergonha nenhuma em assumir. Estão todos aos pulos, porque "vergaram o Sócrates". Apenas um exemplo, ainda assim dos mais discretos e com poucas palavras: "simplesmente divinal", dizia ele, citando o José Mário Branco e o FMI. (Agora já tirou o "simplesmente divinal" e colocou uma dedicatória, mas ele sabe e eu sei que o "simplesmente divinal" que lá esteve é muito mais expressivo).

o programa de estabilidade da coligação negativa


Após chumbo do PEC pela coligação negativa Cavaco + Passos Coelho + Louçã + Jerónimo + Portas + a senhora Apolónia:
  • em menos de dez dias os juros da dívida subiram mais do que haviam subido nos três meses anteriores (subiram três pontos e meio);
  • grandes empresas públicas de transporte, que suportam o custo social do mesmo, foram classificadas pelas agências de rating como "lixo";
  • os bancos portugueses ficam praticamente sem acesso a financiamento externo, vêm a sua "reputação" (rating) baixar para níveis assustadores, perdem 500 milhões de capitalização bolsista;
  • o rating da República baixa cinco escalões;
  • do leilão de Março, antes do chumbo do PEC4, para o de ontem, o juro a seis meses subiu de 2.98% para 5.11% (um aumento de cerca de 70%).
Veja o filme em imagens aqui.

Pronto, como prometeu Passos Coelho, já (nos) estão a ir ao pote.
Pronto, aí têm o resultado da rasteira.

6.4.11

coligação negativa apresenta proposta de nova bandeira nacional


Está lá o rouge da esquerda da esquerda e o design da direita chic.
E a "cor de burro quando foge" de PPC.


Decoração de restaurante em Léon.

a coligação negativa impôs o seu programa

21:15

PSD, CDS, PCP e BE empurraram o país para a crise, sabendo que isso nos deixava no olho do furacão. "Os tipos não têm dinheiro, mas também não têm rumo." Aí têm o resultado. Os deputados da coligação negativa, mesmo com o parlamento dissolvido, estão agora a ver o seu programa em plena execução. Embora escondidos atrás do biombo, como lhes convém.

serão fantasmas?


Só nos faltava esta. Será durante a noite?

(recebido por e-mail)

declarações do parceiro de coligação de Passos Coelho

15:09

O director-geral do FMI considera que em Portugal “o problema não é tanto de dívida pública como de financiamento dos bancos e dívida privada”.

Claro, já foi dito muitas vezes. Isso não tem impedido inúmeras vozes de baralhar tudo e tentar apresentar a coisa como se "o Estado" fosse a origem metafísica de todos os males. Quem recusa ver isso é gente que usa a crise como arma dos seus interesses próprios - ou que simplesmente não se conforma com o facto de a realidade que está lá fora nos campos e nas ruas não ser plasticamente moldável aos seus sonhos ideológicos. O problema é que... pagamos todos.

Bagão Félix bet and win


1.

O tempo que Cavaco Silva vai demorar a convencer Bagão Félix a demitir-se do Conselho de Estado será mais ou menos do que o tempo que Cavaco Silva levou a convencer-se a si próprio que devia pedir a Dias Loureiro que se demitisse do Conselho de Estado?

X.

O tempo que Bagão Félix vai demorar a demitir-se do Conselho de Estado é mais ou menos do que o tempo que Cavaco Silva demorou a aceitar a demissão de José Sócrates como primeiro-ministro?

2.

O tempo que Bagão Félix vai levar a desdizer-se desta vez será mais ou menos do que o tempo que levou a desdizer-se neste episódio contado pelo próprio?

ROBOTICA 2011, modalidades: Robot@Factory


Nesta competição procura-se recriar um problema inspirado nos desafios que um robô autónomo terá de enfrentar durante a sua utilização numa fábrica. Um ou mais robôs deverão ser capazes de transportar material entre armazéns e máquinas que operam sobre esse material. Os robôs deverão apresentar um mínimo de capacidades que incluem recolher, transportar e posicionar os materiais, localizar-se e navegar no ambiente fornecido assim como evitar choques com paredes, obstáculos e outros robôs.


(Estamos a introduzir os interessados por temas científicos e tecnológicos ao ROBOTICA 2011, Festival Nacional de Robótica, a decorrer até Domingo no I.S. Técnico, em Lisboa. Daremos reportagem nos próximos dias. Informação de base aqui.)

ROBOTICA 2011, modalidades: FreeBots


Esta prova pretende desafiar a comunidade internacional de I&D a apresentar os resultados dos seus resultados de investigação em Robótica na forma de uma demonstração pública. As demonstrações são classificadas por peritos da área. Os robôs demonstrados devem ser robôs reais (um ou mais), móveis ou não, aéreos, aquáticos ou aéreos.


(Estamos a introduzir os interessados por temas científicos e tecnológicos ao ROBOTICA 2011, Festival Nacional de Robótica, a decorrer até Domingo no I.S. Técnico, em Lisboa. Daremos reportagem nos próximos dias. Informação de base aqui.)

ROBOTICA 2011, modalidades: Liga INFAIMON Futebol Robótico Médio RoboCup


A liga de Futebol Robótico Médio (FRM), Middle Size League (MSL) em inglês, é uma liga oficial do RoboCup. Duas equipas com 5-6 robots completamente autónomos, cujas dimensões vão até 80 cm de altura, 50 cm de diâmetro e 40 Kg de peso, defrontam-se num campo semelhante ao de futebol de 11 humano, mas com um tamanho mais reduzido (18mx12m).


(Estamos a introduzir os interessados por temas científicos e tecnológicos ao ROBOTICA 2011, Festival Nacional de Robótica, a decorrer até Domingo no I.S. Técnico, em Lisboa. Daremos reportagem nos próximos dias. Informação de base aqui.)

ROBOTICA 2011, modalidades: Condução Autónoma


Esta prova representa um desafio técnico no qual um robô móvel e autónomo deve percorrer um percurso ao longo de uma pista fechada, que apresenta semelhanças marcantes com a condução de um veículo automóvel numa estrada convencional.

A pista utilizada tenta reproduzir, em certa medida, um cenário real, embora a competição decorra num ambiente estruturado. A pista, em formato de 8, simula uma estrada com duas vias à qual foram adicionados uma passadeira com um par de painéis semafóricos (um em cada sentido), um túnel, uma zona de obras, um obstáculo e uma área de estacionamento com dois lugares em que um deles está ocupado. A posição do obstáculo na pista, a localização exacta da área de estacionamento e a posição livre nessa área são dados desconhecidos para o robô no início da sua prova.


(Estamos a introduzir os interessados por temas científicos e tecnológicos ao ROBOTICA 2011, Festival Nacional de Robótica, a decorrer até Domingo no I.S. Técnico, em Lisboa. Daremos reportagem nos próximos dias. Informação de base aqui.)

ROBOTICA 2011, modalidades: Futebol Robótico Júnior RoboCup


A prova de Futebol Robótico Júnior baseia-se na utilização de dois robôs autónomos, repletos de sensores e cuja dimensão não pode exceder os 22cm de diâmetro, construídos para jogar futebol. Uma bola emissora de infravermelhos e dois campos com graus de complexidade distintos são os restantes elementos desta competição animada, repleta de estratégias tácticas e golos. O solo dos campos é verde sendo uma das balizas amarela e a outra azul. Na versão mais simples (prova A) não existem linhas laterais nem de baliza podendo jogar-se com as paredes, na segunda versão (prova B) a bola pode sair fora e há lugar a reposições e cantos.

Esta competição apura as equipas portuguesas para a prova RoboCupJunior Soccer.


(Estamos a introduzir os interessados por temas científicos e tecnológicos ao ROBOTICA 2011, Festival Nacional de Robótica, a decorrer até Domingo no I.S. Técnico, em Lisboa. Daremos reportagem nos próximos dias. Informação de base aqui.)

ROBOTICA 2011, modalidades: Dança Júnior RoboCup


A prova de Dança Júnior consiste numa competição dinâmica e interactiva, onde cada equipa programa os respectivos robôs para dançarem ao som da música, seguindo uma coreografia criada pelos elementos das equipas. Trata-se por isso de uma competição capaz de proporcionar bons espectáculos artísticos, avaliados por júris especialistas em Dança e em Robótica.

A prova é composta por um palco plano e uma área de actuação de 24 m2, área essa que não pode ser transposta por nenhum robô em prova. A limitação desse terreno de jogo é feita por uma fita preta e branca. Os robôs podem possuir trajes e o palco pode ser também decorado, ou preparado com outros adereços, para dar ainda mais brilho a esta competição!


(Estamos a introduzir os interessados por temas científicos e tecnológicos ao ROBOTICA 2011, Festival Nacional de Robótica, a decorrer até Domingo no I.S. Técnico, em Lisboa. Daremos reportagem nos próximos dias. Informação de base aqui.)

ROBOTICA 2011, modalidades: Busca e Salvamento Júnior RoboCup


Esta prova consiste na utilização de robôs móveis para identificar vítimas com rapidez e precisão em cenários de catástrofe que são recriados artificialmente. Estes cenários vão aumentando em complexidade desde o seguimento de uma linha contínua numa superfície plana (rescue A), ou entre paredes (rescue B) passando por trajectórias com obstáculos, interrupções de linha e com declives, até chegar a uma zona onde as vítimas são colocadas aleatoriamente em campo aberto.


(Estamos a introduzir os interessados por temas científicos e tecnológicos ao ROBOTICA 2011, Festival Nacional de Robótica, a decorrer até Domingo no I.S. Técnico, em Lisboa. Daremos reportagem nos próximos dias. Informação de base aqui.)

5.4.11

da ficção à realidade

o grão Bagão

hoje esperam por si 1.080.565 ofertas de emprego


O sítio da rede EURES ("O Portal Europeu da Mobilidade Profissional") todos os dias "diz" quantas ofertas de emprego estão activas nesse dia, discriminando o lote por países. Para não sermos metafísicos nem nada, nem usarmos complicadas estatísticas descritivas que uma nova classe de "teóricos sociais de esquina de balcão" considera que "são coisa muito diferente da realidade", limitemo-nos ao preciso dia de hoje, este dia concreto e breve com a data única deste apontamento. Hoje, precisamente hoje, há mais de um milhão de empregos à nossa espera em 30 países europeus (incluindo, portanto, alguns que não pertencem à UE).
Gerações passadas lutaram contra os atavismos, as guerras e os nacionalismos estreitos - também para que as pessoas tivessem maior mobilidade. A malta gosta de ir em Erasmus por aí, ou mesmo apenas em InterRail, praticamente não tendo de mostrar identificação, para tantos países sem sequer precisar de passaporte. Mas brada-se aos céus por haver emigração qualificada quando falta emprego no nosso país. A mobilidade profissional faz (fazia?) parte das utopias concretas, de profunda implicação no alargamento da cidadania, que estavam dentro dos motores mais genuínos da construção europeia. Era uma daquelas dimensões que tocam mesmo na pele das pessoas de carne e osso, da sua liberdade e da ampliação dos seus horizontes. Mas os novos reaccionários, que de repente descobriram o paroquialismo de pacotilha, acham de negrume esses novos horizontes.
Se me lembro bem, era a Ana Vidigal, talvez no Facebook, que reportava uma jovem, na manifestação de 12 de Março, a dar a seguinte explicação para não procurar melhores saídas noutros países: "Acho que os talentos não devem sair do país". Realmente, talentos destes só poderiam vingar escondidos dentro da arca. Fechados a sete chaves, pois claro.


como é que se pode descer para cima da cabeça da estátua de José Estêvão?


Há dias para tudo e o calor que começa a apertar ameaça a clarividência. Pensei que, ao fim de "tantos" anos de democracia parlamentar, já este país saberia, mesmo em ambiente de campanha eleitoral, fazer as suas opções sem alinhar na insanidade dos que acham que vale tudo. Começo, mais uma vez, a duvidar. Para exemplo das coisas bizarras que podem acontecer, passo a citar (pasmem!) o semanário "Sol".

"A Alta Representante da União Europeia para os Negócios Estrangeiros, Catherine Ashton, anunciou hoje a designação da diplomata portuguesa Ana Paula Zacarias para chefiar a delegação da UE em Brasília. Portugal garante assim, através da nomeação da actual representante permanente adjunta de Portugal junto da União Europeia, um dos postos que mais ambicionava no quadro do novo Serviço Europeu de Acção Externa, juntando-se a chefia da embaixada em Brasília à da delegação da UE nos Estados Unidos, liderada por João Vale de Almeida." (Se não tinham ouvido falar disto, confirmem aqui.)

Pronto, já se sabe que a UE é uma selva complicada, que é importante que os países fora do "círculo dos grandes" coloquem algumas bandeirinhas no plano simbólico e não se deixem ficar fora de jogo no plano da representação. Colocar uma diplomata portuguesa a chefiar a delegação da União no Brasil é uma dessas bandeirinhas. Nada de novo, pois não?

Pois sim. Pois há qualquer coisa de novo debaixo do sol. Dirão que não é novo que haja uma rapaziada a fazer listas de "nomeações governamentais", procurando apresentar o funcionamento normal do Estado como uma "roubalheira pegada". Parece que pretendiam, por exemplo, que os concursos públicos fossem deitados para o lixo e os que trabalharam para eles vissem o seu esforço desbaratado só porque o governo estava para cair. (Sim, porque a rapaziada "social-democrata" que faz o trabalho sujo da "campanha limpa" parece nem ser capaz de distinguir a data de publicação em Diário da República das datas pertinentes para saber quando foram praticados os actos substantivos.) Nada disso, afinal, interessa nada: são as mentirolas do costume, repetidamente praticadas por certos sectores. Só que desta vez a tolice tocou muito mais baixo. Vejam bem que não há só gaivotas em terra.

Na tal "lista de nomeações" consta também o acto necessário para que a diplomata portuguesa Ana Paula Zacarias vá mesmo ocupar a chefia da delegação da UE em Brasília.



Está tudo aqui. Não se deixem enganar pelo design estalinista: trata-se mesmo de obra da juventude de Passos Coelho, uma JSD que parece nunca ter chegado a sair do presidente do PSD.

Com campanhas limpas destas, quem precisa de campanhas sujas?

4.4.11

agora vou explicar o que quero dizer com "precisamos de um debate sério"

14:30

Na edição de sexta-feira passada do Expresso da Meia-Noite, na SIC Notícias, havia duas grandes teses em cima da mesa quanto à "ajuda externa". Uma tese dizia: os exemplos conhecidos mostram que, quando acabar a "intervenção", a economia do país não estará melhor, antes pelo contrário, e não teremos resolvido problema nenhum - excepto garantir aos credores que eles não perderão um tostão dos seus investimentos. A outra tese dizia: sem ajuda externa, que nos garantirá dinheiro a um juro menos escandaloso do que aquele que estamos a aceitar "indo ao mercado", nunca mais vamos conseguir pagar a dívida, dado que não crescemos o suficiente para arrumar a casa ao preço que nos cobram presentemente para nos financiarmos.
Essas duas teses, em conjunto, traçam a equação fundamental. Estarão os caros passeantes por este blogue a imaginar que, se conseguíssemos uma resposta que fosse razoável simultaneamente para as suas perspectivas, teríamos uma solução para o problema. Isto é: se estamos fritos sem ajuda externa, e fritos estamos com a ajuda externa nos moldes conhecidos, o que fazemos? Esperava-se (pelo menos eu esperava) que os moderadores garantissem que os defensores de cada uma das teses respondessem à objecção da tese contrária. Mas não. Cada um ignorou olimpicamente o ponto do outro. Não podemos continuar como estamos, sob risco de irmos à falência. E se vier o FMI ou algo por ele (com o mesmo tipo de regras), vamos sobreviver apenas para podermos dar todo o sangue que resta aos credores - e depois da experiência estaremos exangues.
Para avaliar como anda por baixo o debate entre nós basta ver que dois moderadores tão experimentados (Ricardo Costa e Nicolau Santos) deixaram que os debatentes fossem à sua vida sem terem explicado que resposta tinham para as dificuldades sublinhadas pelos outros circunstantes. Cada um contou a sua parte da história - e adiante. E depois berramos que nem uns danados que precisamos de debate a sério. Pois.

mais notícias da direita civilizada

10:10

Como apontámos antes, a "campanha limpa", desta vez, parece ter começado com o apelo à recusa da leitura de jornais que publiquem sondagens cujos resultados não prevejam para o PS menos de 13 votos (um, dois, três, quatro, cinco, seis, sete, oito, nove, dez, onze, doze, treze votos) em todo o continente e ilhas nas próximas legislativas.
Contudo, como todas as "campanhas limpas" ("campanhas limpas" são campanhas de ódio que se destinam a prosseguir os objectivos políticos de qualquer partido que não o PS; as mesmas campanhas, se fossem feitas pelos socialistas, seriam crimes públicos e reiterados ataques à democracia) - dizia: como todas as "campanhas limpas", esta não se fica pelo acto inaugural. Prossegue tentando a golpada de impedir que qualquer ex-membro de um governo do PS envolvido em processo judicial tenha direito a constituir advogado. A golpada-sanção abrange, ainda, qualquer amigo, conhecido, ou mesmo pessoa anónima que alguma se tenha cruzado com tal ser na rua e não lhe tenha cuspido em cima. Claro, querer bloquear o direito a constituir advogado não é coisa que se faça directamente, já que isso poderia ferir os pruridos de (pelo menos) um ou outro causídico de pensamento à direita. Isso faz-se indirectamente, tentando assassinar civicamente quem se atreva a garantir o direito à defesa de algum suspeito socialista. Os métodos fascistas estão em vigor. Digo bem: os métodos fascistas. E não me venham com teorias da treta (nem com dissertações doutorais) acerca do que é ou não é um método fascista: estes métodos são métodos fascistas pela simples razão de serem métodos que a versãozinha portuguesa do fascismo usou entre nós quando teve oportunidade. Refiro-me a esta imundície: aqui, aqui e também (não se espantem) aqui.

3.4.11

é esta a direita civilizada?