15.1.11

"a um metro de distância dos meus sapatos"


Quando Cavaco Silva apoiava a economia portuguesa (Um desfile no Portugal Fashion).




pecado e milagre: pequeno ensaio de teologia agnóstica


Bento XVI aprovou formalmente a validade de um milagre atribuído ao seu antecessor, João Paulo II, abrindo assim o caminho para a sua beatificação, seis anos após a sua morte.

Há um tique que alimento com o fito de incomodar alguns dos meus amigos que se acham mais racionalistas. Consiste em usar categorias extraídas do universo religioso para dizer coisas em que acredito, vestindo essas categorias, afinal, roupas que não são tão inúteis como parecem aos mais duros dos pensadores livres. Exemplifiquemos.
Pecado. Há religiosos de certos credos que pensam o pecado como a quebra de uma proibição divina, fundada menos no seu valor intrínseco do que na autoridade da fonte legislativa (os deuses em causa). Também há religiosos dos mesmos credos que vêem o pecado como algo a admitir, ou mesmo a carecer, de uma elaboração dentro da história e das circunstâncias concretas, sabendo que isso implica que mude a própria noção do que é ou não é pecado. De todos os modos, é muito generalizada a crença de que o pecado é uma categoria sem qualquer préstimo fora das referências religiosas. Vejo a coisa de forma diferente. Concebo como pecados certas acções que, não importa o que diga a lei, desrespeitam a dignidade humana na concretude da pessoa, conhecida ou desconhecida, que anda por este mundo. (Talvez devesse alargar o campo, não me restringindo a pessoas, mas essa é outra questão.) Pecado é atentar contra o outro concreto.
Outro exemplo dessas categorias é o milagre. Os milagres são, ainda para certos religiosos, manifestações divinas irrompendo na ordem natural. Quer dizer: actos específicos de um deus que interrompe propositadamente a ordem natural para obter um desvio específico, particularmente favorável a esta ou aquela pessoa (ou grupo). Sem sair do campo religioso, é possível pensar o milagre de forma menos intervencionista: o milagre pode ser o maravilhoso, resultante de conjugações que não sabemos bem como se produzem, que espantam os humanos por nem sempre o bem resultar dos nossos planos e poder acontecer graças aos efeitos não intencionados da conjunção de boas vontades. Também aqui me atrevo a dar uma interpretação não religiosa do milagre: milagre é o resultado de jogarmos com a natureza das coisas um jogo em que empenhamos menos de conhecimento do que de arrojo. Fazemos coisas cujo poder não conhecemos bem, por razões que assumimos serem boas, mas com um défice de prudência. Podemos, assim, obter um excesso de consequências. Esta concepção de milagre é moralmente neutra: o excesso de consequências pode ser benéfico ou maléfico.
Uma consequência destas minhas concepções "hetero-teológicas" de "pecado" e de "milagre" pode resultar perturbadora: é que, então, um milagre pode ser um pecado. Quer dizer: a "maravilha" que resulta de libertarmos no mundo as consequências do nosso arrojo - por exemplo, largando no mundo poderosas ideias erradas - pode, pelo tal défice de prudência, ser um monstro.
Não sou, de todo, um pregador anti-religioso. Falta-me até a paciência para esse estilo. Mas, à luz das considerações acima acerca de "pecado" e "milagre", pelas quais um milagre pode ser um pecado, tenho de reconhecer que esta afirmação sobre a beatificação de João Paulo II, embora dura, faz sentido e apela à reflexão: Milagre da propagação da SIDA, reconhecido, irá acelerar beatificação de João Paulo II.

14.1.11

eles não fizeram isto, pois não?



O Albergue Espanhol não é um blogue imaginário. Existe mesmo. Mas publicou esta "entrevista" de Paulo Campos, na qualidade de secretário de estádio adjunto:


Entretanto, sabe-se lá por quê, esqueceram-se de lembrar que tinham cortado o cabeçalho da coluna, que é este:

Depois de o João Magalhães ter completado o boneco, fazem de conta que era tudo humor

Se eu fosse humorista detestaria que me confundissem com aldrabices.
Como leitor de blogues detesto que me sirvam aldrabices.
Mas há gostos para tudo.

Post Scriptum: Falo do blogue como autor da "brincadeira", em vez de a tomar como acção individual de um dos seus autores, porque a caixa de comentários mostra que o autor da proeza foi socorrido pela solidariedade de outros membros relevantes do albergue.

perguntas com respostas


Que está em causa nos estatutos dos magistrados judiciais e do Ministério Público?

A Vaca De Fogo (Madredeus)

À porta daquela igreja
Vai um grande corropio
Às voltas de uma coisa velha
Reina grande confusão
(...)
Soltaram uma vaca em chamas
Com um homem a guiar
(...)
São voltas
Ai amor são voltas
São as voltas
São as voltas da maralha
Ai são voltas
Ai amor são voltas
São as voltas da canalha
(...)
À porta daquela igreja
Vive o ser tradicional
Às voltas de uma coisa velha
E não muda a condição


lisboa ontem à noite


A caminho de ir ouvir o som que fazem os braços de Esa-Pekka Salonen quando se agitam frente a uma orquestra, tive visões assim.





andam bandos à solta

09:49

Cerca de 400 populares de Cantanhede dão as mãos para apoiar Renato Seabra.


Todas as pessoas, por mais hediondo que seja o crime que possam ter cometido, merecem ser apoiadas. Apoiadas na reconstrução de si mesmas, na compreensão do mal que fizeram, na colocação das pedras de um novo caminho e das traves de uma nova habitação.
Mas estas manifestações não são para apoiar pessoa nenhuma. Estas manifestações apoiam o crime propriamente dito, na medida em que fazem parte de uma movimentação para desculpar o acto homicida e torturador. Ir para a rua tentar legitimar um crime hediondo é em si mesmo um crime hediondo. Que já toleremos isto é um sinal de podridão colectiva.

inovações jornalísticas


O Público não pára de nos surpreender. Agora com um novo método de dar destaque a notícias no seu sítio na web: repetir. Uma notícia repetida muitas vezes transforma-se num facto, será?


13.1.11

ai, isto não dá votos


Dizem-me que isto não dá votos. E que a esquerda não deve ser invejosa ou mesquinha.
Que estas coisas não rendem votos, concordo. Mas não se pode andar no mundo só para ganhar votos. Uma república que pactua com a indecência é uma república onde não vale a pena ser cidadão.
E não percebo o que é que isto tem a ver com inveja. O direito de propriedade é respeitado, mas tem regras. O homem não sabe da papelada? A casa foi adquirida por troca com um construtor civil e não se sabe bem como foi? Há off-shores metidas no assunto? Ai, agora, querer saber se o PR está metido numa "aldeia" destas é questão de inveja, ainda por cima quando ele tem a mania que é mais sério do que toda a gente?!
Acho que o pragmatismo eleitoral tem limites. Querer calar isto por que não dá votos - parece-me demais.

reconhecem a música mas não estão a perceber a letra?

o mísero professor

Público inventa nova designação para o governo da república


O Público aconchega a sua manchete de hoje assim: "Marketing e BCE salvam leilão da dívida".
Portanto, há um agente identificado: o BCE.
O outro fenómeno é difuso: "marketing". O que será isso? Estarão a falar das agências de marketing? Mas como se meteram elas nisto?
A coisa explica-se depressa, com o texto que segue: "Compras do Banco Central Europeu e movimentações do Governo garantem colocação de 1249 milhões de dívida".
Está a coisa esclarecida: falava-se de movimentações do Governo. Afinal parece que o Governo se mexe. Ao contrário das declarações de Cavaco, que fala de "o que o Governo diz que está a fazer". "Diz que".
O título, então, deveria ser: "Governo e BCE salvam leilão da dívida".
Mas isso é coisa que eles não podem confessar.
Que o Governo esteja a trabalhar para enfrentar a crise é coisa que "eles" querem esconder. Especialmente quando a oposição de direita, agora abertamente liderada por Cavaco, espera que os mercados nos castiguem o suficiente para lhes facilitar o acesso ao poder que não são capazes de conquistar por mérito próprio.




a crise, Juno e a nuvem


Afirmações claras precisam-se. Como esta:
« (...) esta crise financeira da zona euro resulta única e exclusivamente de decisões políticas tomadas pelo Partido dos Pacóvios Europeus (PPE) que no presente controla a esmagadora maioria dos governos europeus, o Parlamento Europeu e a Comissão Europeia.»
Quer saber por quê? João Pinto e Castro explica.

12.1.11

miguel de vasconcelos: as notícias de que foi defenestrado em 1640 são manifestamente exageradas


Teresa Caeiro na CNBC, apresentada como deputada social-democrata, num dia crucial para a economia portuguesa, bem cedo pela manhã (ainda o sol mal raiava), a falar para os mercados. A mensagem, em grandes linhas, é esta: temos um governo absolutamente incapaz de fazer face à situação, um governo que só faz asneiras; Portugal está enterrado até ao pescoço; esperem mais uns poucos meses que vamos dar-vos a crise política que temeis.
Miguel de Vasconcelos vive.

(O vídeo começa com uns segundos de publicidade, mas vale a pena esperar pela peça, onde Miguel de Vasconcelos aparece passado um minuto. A peça é do dia 10.)


(agradeço ao Miguel a ligação)

uma barba por uma causa

o cravo e a ferradura


Cavaco dá informações em directo sobre leilão da dívida.

Cavaco diz que "as coisas não estão a correr mal neste momento", mas acrescenta que é preciso saber "de onde veio a procura".

Até vamos fazer de conta que não percebemos que Cavaco aproveita todas as ocasiões para minar a resistência da República. Parece que, desta feita, vai sugerindo aos jornalistas, como quem não quer a coisa, que investiguem se não são países suspeitos a aliviar a pressão sobre Portugal: vejam lá "de onde veio a procura". Mas posso estar enganado.
Por isso pergunto outra coisa: Cavaco investe alguma parte das suas poupanças em obrigações do tesouro da República de que é presidente? Talvez fosse uma boa propaganda para Portugal, mesmo que a taxa de juro ainda não esteja ao seu nível de exigência.


é possível que no leilão de hoje as taxas não atinjam os valores esperados por CS

o aprendiz de Passos Coelho

10:08
Steven Meisel, Human robots

Um PR em exercício, quando se lança à campanha pela reeleição nunca é um candidato igual aos outros. Tem uma vantagem: notoriedade, que não precisa de conquistar na campanha, acrescendo que muitos o vêem com os olhos de quem prefere o conhecido ao desconhecido. Tem uma desvantagem: o candidato não pode deixar de ser presidente durante a campanha, a manobra eleitoral não pode ser ocasião para alienar as condições de exercício da magistratura. Na verdade, quando esta cautela é satisfeita, ela torna-se numa vantagem, na medida em que os demais candidatos também prestam uma indifarçável vénia ao presidente que habita o candidato.
Cavaco Silva, a demonstrar desde há muito por que é o pior PR desta democracia constitucional, mudou tudo isso: a manobra politiqueira, que fez e promoveu durante o primeiro mandato tão sub-repticiamente, passou agora à luz do dia. Embalado pelas dificuldades do governo, dificuldades que qualquer governo teria nas actuais circunstâncias, o candidato-presidente estrutura a sua campanha numa clara oposição ao governo. Nem se coíbe de criticar em campanha os actos de governo de que foi politicamente co-responsável enquanto presidente. Nesse sentido, Cavaco Silva é agora um aprendiz de Passos Coelho: no salão compromete-se nas políticas e no rumo, na praça arenga contra as mesmas políticas e o mesmo rumo.
Cavaco aplica agora ao país a receita que desde sempre aplicou aos seus correlegionários: a duplicidade. Aprendiz por aprendiz, mais valia seguir Maquiavel do que Passos Coelho. Só que, para o homem que não sabia quantos cantos tem Os Lusíadas, Maquiavel tem a desvantagem de não aparecer na televisão.

Cavaco Silva aumenta as críticas e desafia Governo a explicar medidas de austeridade.

doenças do pensamento


Uma sociedade onde os cães raivosos andam pelas nossas ruas e entram nas nossas salas vestindo fato e gravata - e escrevendo e publicando estas coisas - já deixou de ser uma sociedade civilizada. Mesmo - ou especialmente - quando usam inchar o peito à menção da civilização ocidental.



(via João Magalhães, a quem roubei a imagem)

11.1.11

é preciso manter os nervos sob controlo

17:37

(título alternativo: post aberto ao excelente Eduardo Pitta por ocasião de uma discordância)

Eduardo Pitta é dos bloggers portugueses que respeito sem dúvida, mesmo na discordância. Esse respeito deve-se à sua escrita escorreita (isto é uma questão de forma, mas interessa muito à higiene mental), tanto como à sua independência e frontalidade (questões de carácter, que hoje moram no lado decisivo da cidadania e da política).
Isto serve de introdução a uma radical discordância com este post de Eduardo Pitta.
Se é que estamos a falar disto, claro: Teodora Cardoso defende pedido de ajuda ao FMI.
Pela simples razão de que Teodora Cardoso não é menos livre a pensar do que Eduardo Pitta, nem menos desassombrada, nem menos rigorosa. E porque precisamos muitíssimo de preservar a capacidade de discutir sem preconceitos e sem anátemas os assuntos públicos. Especialmente os complicados. Pelo que precisamos em grau extremo guardar as pedras para outra altura - sem, de modo algum, deixarmos de opinar em liberdade.
Achei importante dizer-lhe isto, caro Eduardo.

um político que se revela

10:08

A possibilidade de Portugal pedir ajuda internacional face à pressão dos mercados sobre a dívida soberana tem dois aspectos.
Tem um aspecto técnico: financeiramente, o dinheiro emprestado pelo Fundo Europeu de Estabilização e pelo FMI pode ter um preço mais baixo do que o preço que estamos a pagar no mercado. Se esse preço é demasiado alto em termos das condições impostas para a ajuda, é uma questão a ver: também não vamos passar bem se continuarmos a ser asfixiados por taxas de juro desproporcionadas. Financeira e economicamente a ajuda internacional pode até ser o cenário menos mau.
O busílis está em que essa possibilidade tem também um aspecto simbólico. Ironicamente, toda a gente clama por um mecanismo europeu capaz de socorrer os países atacados pelos especuladores - mas todos fogem como o diabo da cruz desta versão ad hoc desse mecanismo. É que, tal como as coisas têm sido feitas, o cenário é montado para apresentar os ajudados como falhados. Há razões para isso: são os países apanhados com fraquezas à mostra que mais facilmente são atacados pelos lobos. Só que isso mostra a fragilidade europeia: enquanto nos EUA as transferências orçamentais entre o nível estadual e o nível federal são um mecanismo normal de defesa do conjunto, na Europa isso funciona como uma tragédia grega. Esse aspecto simbólico é politicamente da maior importância.
É por isso especialmente grave o actual conluio entre Cavaco Silva e Passos Coelho. A distribuição de tarefas é a seguinte: Passos Coelho afia as facas na praça pública, só lhe faltando mandar telegramas ao FMI dando a localização das portas por onde deverão entrar os batedores para os exércitos invasores, prometendo desde já que abrirá o regaço para acolher o poder. Cavaco Silva optimiza a estratégia, fazendo o papel do cínico: "eles dizem que estão a tentar, deixem-nos tentar, não digam nada, deixem-nos estrebuchar até ao fim, para que não possam acusar-me de conluio e me deixem as mão livres para dar a machadada após as presidenciais".
Nada de surpreendente. Cavaco Silva, na verdade, sempre foi um homem de partido. Só que disfarça quando acha que não é o momento de colher os despojos da batalha. Se for hora de salvar a sua própria pele, até é capaz de vender os companheiros (como se viu na última campanha das legislativas). Já quando os céus prometem recompensas ele apresta-se a colher os louros. É essa hora que ele pensa ter chegado. A estratégia da hipocrisia, linha de continuidade de toda uma vida política, atinge o topo.

10.1.11

vira minhoto

postal aos derrotistas



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o que quer dizer "mentir" ?

10:29

O que é mentir?
Bastará não dizer a verdade para estar a mentir?
A ocultação pode ser pelo silêncio, pela passiva, escapando nesse caso à classificação como mentira?
Será preciso ter conhecimento de que não se está a dizer a verdade para se poder dizer que há mentira? Nesse caso, um ignorante não mente. Mas não é assim tão simples, já que um ignorante pode ser sabedor de que não tem base para dizer o que está a dizer, mesmo sem conhecer a verdade, e nesse caso talvez se possa dizer que está a mentir. Contudo, medir o tamanho da ignorância pode ser necessário para ajuizar do tamanho da mentira.
Pode ser que só estejamos a mentir se estivermos a faltar à verdade a quem tenha direito a ela. O meu patrão não tem direito a saber da minha vida amorosa, pelo que, se ele pergunta, eu tenho direito a esquivar-me à intromissão pela falta à verdade - mas isso não é mentira, porque estou a negar a verdade a quem não tem direito a ela.
Na apreciação do que é uma mentira pode, portanto, ter de incluir-se um conjunto de considerações mais vastas do que a "mera" adequação entre a realidade e a palavra.
Se um magistrado da república portuguesa diz que nunca teve acções do BPN, quando teve acções da SLN, detentora do BPN, está substancialmente a mentir, já que não é acreditável que seja tão ignorante que não conheça a relação entre as duas entidades. E está a mentir por estar a faltar à verdade a quem tem direito a essa verdade, porque um magistrado da república portuguesa deve essa verdade aos cidadãos.
Se um magistrado da república portuguesa faz ficção sobre a forma como o governo britânico lidou com os problemas dos seus bancos, com o objectivo explícito de enlamear o governo português na comparação, está a mentir no aspecto da adequação da palavra à realidade. Também está a mentir no aspecto da sua responsabilidade perante os cidadãos quando se pronuncia sobre assuntos de interesse público. Poderá ser absolvido de mais uma mentira pelo aspecto conhecimento do caso - quer dizer, será que não estava a mentir simplesmente por estar a falar do que não sabia? Não, nem por aí pode ser absolvido, já que tinha o dever de não falar sem saber. E tinha o dever de saber.
A ética e a política não têm de andar desavindas. Andam desavindas quando os moralistas de serviço não passam de túmulos caiados de branco.

condolências

9.1.11

mensagens cifradas


These New Puritans, "We Want War"


o número e a razão


Só para ilustrar o que eu queria dizer em momentos anteriores quando insistia em que uma grande manifestação pode ser uma demonstração de força sem ser uma demonstração de razão.
Com uma dedicatória especial aos que por isso me chamavam arrogante.


o Estado Social segundo Cavaco Silva

12:41

Abordado por uma mulher que se queixou de não ter dinheiro para alimentar o filho, Cavaco Silva recomendou-lhe que procurasse "uma instituição de solidariedade que não seja do Estado". Foi ontem, 8 de Janeiro de 2011. Para registo. De quando um homem, inebriado com o cheiro da sua invencibilidade, perde todo o respeito pelo Estado de que quer ser presidente. Depois de ter chegado a este ponto, Portugal tem de nascer outra vez.