30.7.10

aquilo que se espera de um candidato a PM é...

uma pergunta a revolucionários que talvez por aí andem

12:55

(imagem desviada do bolas e letras)

Face à verdadeira subversão do Estado de Direito que representa toda a novela Freeport, que nasceu de uma conspiração entre políticos, polícias e jornalistas (como foi provado em tribunal) e que assim continuou (como Paula Lourenço ontem documentou largamente em entrevistas à SIC Notícias) há uma pergunta que me baila na cabeça. É uma pergunta que faço enquanto membro da grande e difusa família mundial de socialistas, social-democratas e trabalhistas. É uma pergunta dirigida à esquerda da esquerda deste país, mormente ao PCP e ao BE. E a pergunta é: continuais a ser revolucionários, e portanto a valorar positivamente tudo o que contribua para a degradação do Estado de Direito e assim aplanar o caminho da revolução, incluindo esta brutal manipulação da justiça que cada vez é mais evidente que é a razão do  caso Freeport - ou tendes algum tipo de verdadeira oposição ideológica ou política a estes processos e estais a ponderar a forma de dardes o vosso contributo para bloquear este golpe estado em curso?

ao cuidado dos senhores procuradores que gramam corin tellado


Pena não haver por aí o vídeo completo da entrevista. A doutora não tem mesmo papas na língua. E acho que também alguns assistentes no processo que escrevem como jornalistas ainda vão encontrar com que se coçar.
(Obrigado à Shyznogud por ter ouvido o meu apelo implícito.)






Outro excerto.(Agora obrigado ao Nuno.)




problemas que são sérios para outros países mas que entre nós não interessam nada comparados com as novelas de procuradores que gostavam de escrever corin tellados

11:13

O ministro alemão da Economia, Rainer Brüderl, defendeu a necessidade de facilitar a contratação de trabalhadores estrangeiros qualificados e até pensa num incentivo em dinheiro para os atrair. Numa entrevista ao diário Handelsblatt, diz o ministro Liberal: "O tema da atratividade da Alemanha para trabalhadores estrangeiros qualificados está no topo das minhas prioridades"; "quero um plano para os trazer para a Alemanha." Este plano pode incluir a redução do limiar de rendimento abaixo do qual os estrangeiros não podem vir trabalhar na Alemanha, acrescentou. A escassez de trabalhadores qualificados é uma preocupação real para a economia alemã, agravada pela baixa taxa de natalidade. A consultora McKinsey estima que a Alemanha terá em 2020 um défice de 2 milhões de trabalhadores qualificados.
Nós, por cá, temos mais em que pensar. 2020 vem muito longe: já estaremos demasiado carecas para nos interessar aparecer nos jornais. É o que parecem pensar alguns. "Parecem pensar".


uma experiência deveras elucidativa

08:56

29.7.10

comunicado do PSD, lido por Miguel Relvas, sobre a PT , a Vivo, a Oi e o capitalismo




sem papas na língua

22:58

A advogada Paula Lourenço, que defende os acusados de extorsão no caso Freeport, acaba de dar uma longa entrevista à SIC Notícias (Edição da Noite do jornal), na qual, desassombradamente, esclarece os distraídos acerca do que tem sido esse processo: um antro de conspiração política, de falta de profissionalismo, de falta de respeito de supostos agentes de justiça pela própria justiça. Começo agora a tentar encontrar o vídeo respectivo, cuja divulgação aqui seria um verdadeiro serviço público.

jornalismo das berças


Um jornalista que escreve isto que aqui se lê só pode ter chegado das berças, directamente de secretário da redacção de um jornal paroquial qualquer, na própria véspera. E assim se explica o seu espanto com o mundo.

(A culpa de eu andar a ler estas tolices é do João Magalhães.)

anti-ciclone


Daniel Oliveira escreve no Arrastão:
Alguma coisa está errada. Ou o primeiro-ministro fez o que os agentes de justiça andaram a soprar aos jornais mas o Ministério Público foi incompetente para o levar a julgamento, e alguém te de responder por isso. Ou o primeiro-ministro não estava envolvido em nada e alguém na justiça usou a sua função para combate político, e alguém tem de responder por isso.
Se for o primeiro caso, é grave. Se for o segundo, é gravíssimo. Não há cidadãos de primeira e de segunda. Mas há responsabilidade. Pôr a política nacional a ferro e fogo para depois apresentar uma mão cheia de nada é inaceitável.
Integral aqui.

(Entretanto, na caixa de comentários (as caixas de comentários são a verdade da blogosfera), alguém escreve sobre aquele post: "E ontem tudo o que era xuxalista andava a mandar foguetes. Saíram todos da toca, parecia que tinham ganho o campeonato do mundo." O tótó pensa que os socialistas estão na clandestinidade, é? Desengane-se.)

os capitalistas é que sabem - e o PCP não lhes fica atrás


Quando, há três anos, Belmiro de Azevedo fez a OPA à PT, disse que ia vender a Vivo à Telefónica. Por 2 mil milhões de euros. Agora foi por 7,5 milhões. (Ler Ferreira Fernandes, a quem cheguei via Miguel Abrantes.)

O tiro rombo do capitalista-mor não é, mesmo assim, muito mais - nem muito menos - clarividente do que o rumo do PCP. O PCP não vê diferença nenhuma na nova situação. 350 milhões não são nada para o PCP. Uma posição noutra empresa brasileira, onde a PT espera dar o litro do seu sabor de implantar novas tecnologias, também não interessa nada ao PCP. Estará Belmiro prestes a aderir ao PCP - ou o PCP prestes a aderir ao Belmiro?

Para que não digam que estou a caricaturar a posição do PCP, aqui fica:




serviço combinado com a CP


Francisco Clamote, no Terra dos Espantos:
Se, ao fim de seis anos, que tantos durou a investigação, os procuradores responsáveis pela instrução do processo Freeport (Paes de Faria e Vítor Magalhães) acharam por bem referir, no despacho que encerrou a instrução, que havia interesse em ouvir José Sócrates, e que a diligência que só não foi realizada por falta de tempo, uma conclusão se impõe: estes procuradores não se importam de passar por idiotas. Digo "passar por", porque, em boa verdade, o que eles escrevem é pura idiotice, mas eles idiotas não são. Pelo contrário, vendo o seguimento dado pelo "Público" ao assunto, tudo indica que estamos perante um serviço combinado para que a campanha caluniosa não chegue aos "finalmente".
Na íntegra: Os "idiotas" de serviço.

A hipótese não estranharia, pensando em outras coisas que se têm visto: há pessoas, dentro do aparelho judicial, que escrevem certas coisas nas suas papeladas muito oficiais, por muito tolas que pareçam, com um único fito: serem citadas por certos "jornalistas". Quizás, quizás, quizás.

quizás quizás quizás




seis anos não chegaram?

10:11

Freeport: Procuradores quiseram ouvir Sócrates mas não tiveram tempo.

O processo Freeport já teve utilidade para duas eleições legislativas. Utilidade, quer dizer: motivo para tentar obter trunfos eleitorais contra o odiado Sócrates de Portugal. Ao fim de seis anos, bem espremido, o processo não produziu nada que servisse para sujar Sócrates. Salvo, claro, a contínua sugestão disto e daquilo pelos emporcalhadores de serviço. Agora, parece que há uns tipos que lamentam não ter tido tempo para perguntar umas coisas a Sócrates. Há sempre uns tipos que engendrariam qualquer desculpa para dirigir a palavra a Angelina Jolie, outros já ficariam contentes por poder fazer umas perguntas a Sócrates. São gostos.
Pena é que o inefável Cerejo, que não quer nem por nada deixar secar a teta, consiga fazer uma peça "jornalística" daquele tamanho sem nunca se lembrar da pergunta óbvia: então e seis anos não chegaram?

para memória futura


Ainda sobre o Freeport, Miguel Abrantes:
Ao longo dos anos em que o processo se arrastou até ao fim do inquérito, a boataria, a intriga e a calúnia alimentaram várias campanhas eleitorais e serviram de arma de arremesso a políticos menos escrupulosos. Na origem de tudo isto, esteve até uma conspiração — devidamente documentada por uma sentença condenatória — que envolveu investigadores e políticos.
Seria bom que parássemos um pouco para pensar e extraíssemos as necessárias ilações de tudo o que se passou. Não podemos defender o Estado de direito em part-time. Não podemos defender a legalidade só quando nos convém e instrumentalizar o processo judicial para atingir adversários políticos. Aqueles que o fizerem hoje podem arrepender-se amanhã, vítimas da sua obra de aprendizes de feiticeiro.
Talvez fosse útil que os encenadores da Face Oculta aproveitassem esta lição para arrepiar caminho. A tentativa ignóbil de tresler as leis, inventando um atentado contra o Estado de direito a cargo do primeiro-ministro, talvez tenha um pouco mais de sofisticação nos meios, mas é ainda mais patética nos resultados do que a triste conspiraçãozinha com que tentaram atingir José Sócrates no caso Freeport.
Integral aqui.

sacudir a miseravelmente a água do capote

09:16

Ler o João Galamba:
Salvo honrosas excepções, o grosso do jornalismo português mostrou, mais uma vez, que não tem pingo de vergonha e decidiu assobiar para o lado no 'caso Freeport', descartando qualquer responsabilidade pela tempestade de calúnia e difamação mediática a que sujeitou José Sócrates durante os últimos anos. 'A culpa é da justiça'; 'a montanha pariu um rato'; ou, num editorial do Público (sem link) que é um verdadeiro case-study sobre a(ir)responsabilidade do jornalismo português, 'a justiça investiga mal um caso que vendeu na praça pública como escaldante para depois concluir que nada de relevante acontecera...culpar os media é um exercício fácil. É inegável que houve excessos, mas também é inegável que houve fontes'. Ou seja, os media rejeitam toda e qualquer responsabilidade associada ao poder que exercem e assumem-se como vítimas inocentes de uma justiça disfuncional.
Aqui, na integral do post, veja as contas feitas em detalhe.

Abortou mais um golpe de Estado


Só para citar Tomás Vasques:
A investigação ao licenciamento de um empreendimento comercial, em Alcochete – o caso Freeport –, em 2001, manteve um primeiro-ministro debaixo de fogo cerrado durante 6 anos. (...)
É à luz do que agora foi concluído pelo Ministério Público que se deve fazer um exercício indispensável, a bem da saúde democrática do regime: projectar o «filme» ao contrário, de trás para a frente. Percorrer, um a um, todos os textos de opinião, em jornais, revistas e blogues; revisitar os Jornais de Sexta-feira, de Manuela Moura Guedes; desenterrar o defunto Independente durante a campanha eleitoral de 2005; até chegarmos à origem do processo: a denúncia «anónima» feita por gente ligada a partidos políticos.
Integral: Abortou mais um golpe de Estado.

os conselheiros do candidado a príncipe


António Nogueira Leite, que, dizem, Pedro Passos Coelho ouve, parece ter coisas profundas a dizer ao ouvido do candidato a primeiro-ministro. E, dado que PPC deve estar escaldado de ser apanhado a dizer coisas que se revelam tontarias prejudiciais, ANL passou a louvar os seus conselhos em citações apropriadamente referenciadas. Pena (para PPC) é que ANL aproveite depois os mesmos materiais para fazer postas na blogosfera. Um bonito exemplo é este.

28.7.10

fiz minha casa no teu cangote


Céu canta. Fica de olho nessa menina.

Entretanto, no que toca à letra, cujo primeiro verso vai como título desta posta, a principal dificuldade para um não brasileiro será com o sentido de "cangote". Pode sempre ficar-se por esta definiçãozinha anatómica. Para ir mais longe: num desses fóruns que existem por aí na rede, alguém discutia como traduzir essa letra para inglês. Um propunha traduzir "fiz minha casa no teu cangote" por algo como "I built my house on the back of your neck/shoulders", outro respondendo assim: "Besides its straightforward anatomic meaning, this word bears a sensuous connotation associated with the fact that it is a zone of the body especially sensitive to sexual stimulation. I don't think you'll find an English word for that. On the other hand, I have a correction as far as anatomy is concerned. The choice that you made (back of the neck) is more apt to translate the word nuca than cangote. Cangote, actually, is the side of the neck, beneath the ear." Já perceberam que Céu não se propõe simplesmente pôr-lhe a canga, não é?  



levantem-se os acusados


Acusados de quê?! De usarem a perseguição pessoal e política, disfarçada de justiça popular, para venderem "notícias" e/ou ganharem eleições, não por mérito próprio, mas por via de intoxicação.
Quer conhecer a lista parcial do que isso foi durante estes anos? Tem aqui uma amostra.





27.7.10

outras europas

a Turquia é o algodão da UE


Cameron faz defesa apaixonada da adesão da Turquia à UE.

MNE alemão entende que a Turquia não está pronta para aderir à UE.

O assunto da hipotética e sempre adiada adesão da Turquia à UE ganha em ser visto à luz da visão que os "grandes" têm do que deve ser "esta" Europa. É a questão de saber se a UE deve ou não ter unidade política e rumo estratégico enquanto actor na cena mundial.
A França quer que a UE tenha uma visão estratégica para o mundo - na medida em que acha que a sua (francesíssima) visão do mundo é a única razoável para a Europa e poderá ser assimilada pelos seus pares, tornando-se europeia a visão francesa.
A Alemanha acha tolice que a UE perca tempo a gerar internamente uma visão estratégica própria, quando seria muito mais fácil simplesmente adoptar a visão germânica já bem definida e pronta a consumir.
O Reino Unido prefere que a UE não tenha de todo nem unidade política nem visão estratégica, para que a política internacional do colosso infantil seja mais facilmente manobrável a partir de Londres e Londres possa prosseguir os seus interesses no mundo sem grande empecilho.

(Ah, finalmente, a Comissão Europeia. No actual estado de coisas, a Comissão pensa que a Europa ter uma visão do mundo é Barroso poder sentar-me à mesa dos grandes nas cimeiras internacionais.)

São estas reflexões que alimento quando parece discutir-se (ainda e ainda) o que fazer com a Turquia relativamente a deixá-la ou não entrar na UE.


afinal não é a esquerda europeia que é anti-americana, como a direita gostava de dizer na era G.W. Bush


O subsecretário do Tesouro americano, Lael Brainard, num discurso no Peterson Institute for International Economics, um think tank de Washington, opinou que não devemos ser demasiado lestos a fazer marcha à ré em termos de estímulos à economia, já que a recuperação à escala global ainda precisa de apoio. "O ritmo da estratégia de retirada tem de ser cuidadosamente calibrado. Temos que ter cuidado para não ter uma retirada acelerada demais." (aqui o discurso integral)
Para seguirmos a manobra habitual dos "pró-americanos de conveniência", deveríamos agora "denunciar" o anti-americanismo da senhora Merkel, do senhor Barroso e respectivos amigos (e amigos da receita de apertar o cinto até matar o doente). Para eles verem o valor de tal "argumento".

a Turquia na visão britânica

Jarŋŋa - Äno jiedna