18.9.09

anjo e espada / mata e morre / como a palavra dada



Paula Rego, O Anjo


No dia da inauguração da Casa das Histórias, em Cascais, fico satisfeito por nem sempre deixarmos morrer os artistas para os honrarmos. E fico contente por passar a ter mais facilidade em satisfazer o meu gosto pela obra de Paula Rego.
É que ela vê a maldade do mundo com os olhos de uma criança que dificilmente enganamos. E pinta isso, com dureza bela. Mesmo quando indigesta.
Esse olhar de perspicácia sabedora faz muita falta no mundo de hoje.

A equação

16:48


Perdoem a repetição. Mas, perante tudo o que se está a passar, com o completo desnorte de gente que tinha a obrigação de respeitar o país, começa a ser evidente que, para não sairmos das próximas eleições como um país adiado, é "a equação" que tem de ser resolvida.




Diário Económico de 15/09/2009, aqui

estou a ser perseguido



Acho que estou a ser perseguido. Vinha ali a subir a rua e vinham dois tractores atrás de mim. Vinham claramente no meu alcanço.

Oh, desculpem. Não eram dois tractores. Eram dois detractores. Vinham a comentar a minha mochila antracite.

Deixem lá. Pelo menos as minhas paranóias não são paranóias presidenciais. Sorte a vossa.


Belmiro, isto não é a Madeira



Belmiro de Azevedo recomenda ao PÚBLICO que não se deixe assustar por governantes.
Lê-se no jornal de Belmiro:
«O empresário Belmiro de Azevedo recomendou hoje à equipa do diário PÚBLICO, do Grupo Sonae, "que não se deixe assustar por opiniões um bocado desastradas de alguns governantes que querem mandar no Público sem pôr lá dinheiro nenhum". "Não me importo nada que eles mandem, mas comprem o jornal", afirmou o presidente não executivo da Sonae, à margem da inauguração do parque de negócios das empresas do grupo na Maia.»

Leram bem aquela parte «alguns governantes que querem mandar no Público sem pôr lá dinheiro nenhum»?
Isto quer dizer que as tolices do senhor Fernandes têm sido encomendadas por Belmiro?


por que é que alguns não gostam de estatísticas


a mais pura das verdades, claro

a confissão de Cavaco?



Lê-se no Público:
«Segundo a edição de hoje do “Diário de Notícias”, o assessor do Presidente da República Fernando Lima terá sido a fonte do PÚBLICO nas notícias em que se afirmava que Cavaco Silva suspeitava estar a ser espiado pelo Governo liderado por José Sócrates.
Sob a insistência dos jornalistas, Cavaco Silva recusou-se a entrar na “luta político-partidária”. “O Presidente da República não se deixa atrair para lutas político-partidárias. Portanto, façam aquilo que fizerem, nunca me trarão para essa área”, comentou.»


Quer isto dizer que Cavaco confessa que a inventona das escutas era uma questão de luta partidária? Então por que não matou logo o assunto, dizendo que era isso e não uma questão de Estado?


temos PR?

dignidade de Estado, por favor



José Sócrates diz que Presidente da República está "acima da disputa eleitoral".

José Sócrates é um estadista. Até engole sapos para tentar que se mantenha o decoro no topo da hierarquia. Mas parece que talvez nem todos que o deviam ser - o são efectivamente.
Se no essencial os factos relatados hoje pelo Diário de Notícias são verdadeiros, então, das duas uma: ou Cavaco Silva despede Fernando Lima; ou Cavaco Silva se despede a si próprio. É a dignidade do Estado que o exige. "Isto" (Portugal) não é uma república das bananas.


querem saber por que é isto uma grossa mentira?

Ana Vidigal ilustra a coligação proposta por Louçã

Coligação? Gato Fedorento? Bloco de Esquerda? Gato de Esquerda? Bloco Fedorento?


Ana Vidigal, no SIMplex

é verdade: o ridículo pode eliminar líderes políticos



Cartoon de Marc S.

agricultura: por que há-de interessar-nos?

10:23


É simples: para perceber o mundo.

6. É que há quem não goste que o Estado se proteja de abusos alheios. Quando o actual governo entrou em funções, os serviços do Ministério da Agricultura estavam impedidos de receber directamente dos agricultores as respectivas candidaturas aos apoios. Essas candidaturas tinham obrigatoriamente de ser canalizadas pelas grandes confederações agrícolas. E cada candidatura assim canalizada rendia directamente 17 euros a uma confederação. Dezassete euros por papel! Cara franquia! E entravam por ano cerca de 300.000 dessas candidaturas. É fazer as contas, como dizia o outro! Além disso, as confederações “delegavam” nas suas associações o trabalho prático de apoiar a elaboração das candidaturas, o que algumas faziam com grande sentido da responsabilidade – enquanto outras cobravam grossas percentagens sobre os montantes recebidos pelos destinatários das ajudas (em alguns casos da ordem dos 20%). Isto significava, por exemplo, que a Companhia das Lezírias, tutelada pelo Estado, não podia apresentar candidaturas nos serviços do Ministério da Agricultura, tendo de o fazer através da AJAP (Associação dos Jovens Agricultores de Portugal, juventude da CAP), para quem assim escorria uma fatia que de outro modo nunca entraria nos respectivos cofres. Este governo tornou voluntário o recurso às confederações para entregar as candidaturas (não o eliminou) e reduziu inicialmente o custo por candidatura de 17 para 4 euros. Subiu entretanto e já está nos 7 euros. Mas longe dos 17 euros em 2005. Percebe-se quem não gostou disto! E percebe-se como toda esta máquina se mobiliza para fazer campanha contra o Ministro da Agricultura…
Mas é preciso ir mais fundo para compreender tudo isto. Porquê esta guerra sem quartel ao Ministério da Agricultura? Vejamos outros elementos de explicação.


O texto completo está aqui.

a inventona das escutas ao PR

10:06

Clicar na imagem para ir para a notícia.


Se no essencial os factos relatados hoje pelo Diário de Notícias são verdadeiros, então, das duas uma: ou Cavaco Silva despede Fernando Lima; ou Cavaco Silva se despede a si próprio. É a dignidade do Estado que o exige. "Isto" (Portugal) não é uma república das bananas.


Nota de rodapé: Procuro no Público alguma evidência de darem a cara pela honra do convento e não encontro nada. Excepto, claro, o Provedor do Leitor que já tinha tomado o assunto em mãos.
Outros jornais portaram-se melhor, tendo na altura exigido que o PR desse esclarecimentos.

Agricultura: perceber uma campanha

01:46

Alguma explicação há-de haver para a santa aliança contra o Ministro da Agricultura deste governo, envolvendo o CDS/PP, poderosas confederações de agricultores, um assessor do PR que ataca o Ministro nos jornais, comentadores apressados que lêem muitos livros por noite, …

Tentaremos aqui uma compreensão da dimensão e da virulência da campanha que promove essa santa aliança. Não podemos fazê-lo em poucas linhas, Caro Leitor: espera-o um texto longo. Mas não desista já. É que esta “história” é muito útil para compreender o que realmente significam certos posicionamentos políticos, mesmo quando apresentados com grande candura e com certas palavras de tom romântico como “lavoura”.


Isto é só a introdução. O texto está mesmo aqui. Por que me interesso por agricultura? Por detestar campanhas tipo gato escondido com rabo de fora.

17.9.09

integral do manifesto sobre política de saúde

Louçã nos Gato Fedorento



Louçã, em humor, parece mais estalinista do que trotskista. É o que deduzo de ter ido para os Gato Fedorento tentar refazer o debate que perdeu com José Sócrates.

BE quer fazer destas eleições uma prova de vida da “força da esquerda”. «Louçã não se deixou atrapalhar. Nem mesmo quando RAP questionou o “coordenador” bloquista sobre uma eventual coligação com o PS. “A única coligação possível é com os Gato, que são imbatíveis naquilo que fazem”, respondeu.»
Eh pá: Bloco de Esquerda coligado com Gato Fedorento? Isso dá... Bloco Fedorento?!?!

anda estranha, esta esquerda da esquerda

Garantir um futuro para todos - Manifesto sobre política de saúde

21:03


Foi hoje divulgado um "Manifesto sobre política de saúde a propósito das eleições legislativas 2009", intitulado Garantir um futuro para todos. São seus subscritores: Adalberto Campos Fernandes, Álvaro Beleza, Bernardo Vilas-Boas, Constantino Sakellarides, Henrique de Barros, Isabel Monteiro Grillo, Vítor Ramos.

É um documento que coloca questões da maior importância, que não podem deixar de estar sob discussão numa campanha eleitoral séria. Isso justifica que o indiquemos aos nossos leitores. De momento, só conheço um sítio onde ele esteja disponível em linha. É no SIMplex. Clicar aqui leva lá.

[É que, desculpem-se o desabafo, isto é muito mais importante do que sondagens.]

o nosso dever



PS seis pontos à frente do PSD. Sondagem da Universidade Católica.

É notório que este blogue optou por apoiar um partido nesta campanha. O PS. Contudo, esse apoio não é clubístico. Não é como apoiar uma equipa de futebol. Não é querer ganhar a qualquer preço. É, antes, um empenhamento no debate cívico que uma campanha deve ser. Nesse sentido, de facto desvalorizo as sondagens. O que importa, mesmo, por agora, é que se faça a discussão que tem de ser feita. Cada um com os seus meios. Votos e resultados - isso é depois.


por que é que alguns não gostam de estatísticas


Sondagem da Universidade Católica. PS 6 pontos à frente do PSD.


Quanto a votos, não me interessam muito as sondagens. Interessa-me mesmo é o que os portugueses disserem no dia certo.
Já quanto à campanha, interessa-me que se não perca só em "casos". Que permita que se saiba o que se fez, o que se não fez, o que se quer fazer. É isso que interessa a alguns evitar. Et pour cause.



manifesto sobre política de saúde

Foi assim anunciado. Será hoje apresentado. Estejamos atentos.

Garantir um futuro para todos - a propósito das eleições legislativas 2009

A Saúde é um bem precioso, a realização do nosso potencial de bem-estar é uma expectativa legítima, e o acesso de todos a serviços de saúde de qualidade é um desígnio civilizacional de primeira grandeza.

No entanto, de tantas vezes repetidas, estas podem parecer palavras vãs, se as políticas de saúde que se esboçam nos programas eleitorais não ajudarem os cidadãos a entenderem os caminhos que vão das ideias às realizações concretas.
Porque não assumir transparentemente que os projectos programáticos à disposição dos eleitores contêm de facto duas opções alternativas para a Saúde em Portugal?

O que está verdadeiramente em causa é (1) aceitar o desafio de modernizar o SNS ou (2) assumir abertamente perante os portugueses uma alternativa explícita ao SNS.

Na medida em que estas alternativas não forem claramente assumidas perante os cidadãos estes não podem verdadeiramente escolher em consciência – e este é um dos problemas que enfrentamos nas eleições do próximo dia 27 de Setembro
E no entanto, essas alternativas, que por uma ou outra razão, não se expõem abertamente, podem facilmente descodificar-se da análise dos programas expostos:

- Cuidados de saúde, vistos como um bem como outro qualquer num mercado como outro qualquer, em que o Estado se assume essencialmente como entidade financiadora, passando consequentemente, os serviços públicos na Saúde ter um papel progressivamente residual;
- A Saúde, abordada nas suas múltiplas dimensões, centrada num SNS descentralizado, e próximo das necessidades e escolhas das pessoas, complementado e cooperando com um sector social e privado dinâmico e moderno.

Neste sentido, os subscritores deste Manifesto entenderam ser útil intervir, para estímulo do debate público, livre e participado. Esta é uma contribuição para que as diferentes opções políticas se exprimam com clareza e objectividade, favorecendo as escolhas dos cidadãos baseadas no conhecimento das diferentes propostas.

O Manifesto sobre Política de Saúde será apresentado, publicamente, no próximo dia 17 de Setembro de 2009, pelas 18,00 horas no Espaço do Alto (Avenida Avelino Teixeira da Mota, no Clube de Golfe da Bela Vista, Olaias, Lisboa).

Adalberto Campos Fernandes
Álvaro Beleza
Bernardo Vilas-Boas
Constantino Sakellarides
Henrique de Barros
Isabel Monteiro Grillo
Vítor Ramos



É urgente falar de coisas sérias. E acabar com tanta hipocrisia.

desemprego

vamos falar de coisas sérias

uma coisa distingue o PSD

Uma coisa está a distinguir o PSD de todos os demais "grandes" partidos nesta campanha: o esforço para que não se fale nada de programas e de quem tem capacidade para os cumprir. Às velhas calúnias juntam-se os novos insultos (agora é o espanholismo) para tentar encobrir o que interessa.

Líder da JSD atira licenciatura de Sócrates para a campanha eleitoral.

O dia em que o PS não escreveu (todo) o guião de campanha.

Entretanto, há quase-reflexões com um toque literário que valem a pena. Clicar na imagem abaixo para descobrir uma dessas.

Clicar na imagem para ir à fonte e ler/ver/ouvir.

16.9.09

com a "verdade" me enganas

está tudo doido ?!?!

alguns gatos são fedorentos, outros são outras coisas (*)



Temos aqui umas sugestões aos Gato Fedorento para quando (hoje) esmiuçarem Paulo Portas. Essas sugestões são resultantes dos melhores métodos de investigação em história-contemporânea-recente-ainda-quentinha. (O método, claro, consiste em usar as pistas dos amigos, companheiros e camaradas.)

Primeiro objecto de investigação: desdobramento de personalidade em poucos anos e devido a uma mudança de ocupação. Hoje (ou foi já ontem?) Paulo Portas apelou a que votem nele se acham que poderia ser bom PM, mesmo que não gostem do seu partido. Dizia ele: "esqueçam a sigla e pensem no país". Ora, este PP já jurou a pés juntos que nunca tal desejo lhe passaria pela cabeça. Mas isso foi quando fazia "caças ao homem" a partir do semanário "Independente". Isso pode ser ilustrado pelo vídeo que segue.





Viram com atenção? Então devem ter apanhado o segundo objecto de investigação: como é que Santana Lopes, quando fazia de PM, teve a ideia de pregar a PP a partida de o fazer ser Ministro do Mar sem ele (ele, PP) desconfiar sequer! Ouviram com atenção Zita Seabra a lançar a hipótese de PP vir a ser Ministro do Mar? E ouviram o mesmo PP a desdenhar? Ora, aí está...

Como fazem jeito os auxiliares de memória...

[(*)A menção aos Gato Fedorento é apenas uma homenagem ao seu humor. E à arte com que JS e MFL se deixaram "esmiuçar". Humor dos Gatos que, além do mais, contrasta com os métodos arruaceiros de outros, para quem a diferença entre uma tourada e uma campanha eleitoral não existe. Por serem - esses outros - incapazes de perceber que uma campanha eleitoral é um exercício central numa democracia. E como tal deve ser respeitado.]

certo?


Cavaco: determinação de Durão Barroso garante empenho para responder às expectativas europeias.

Certo? Não. Errado. A determinação de correr para o abismo não leva... muito alto. Barroso, para ser o presidente da Comissão que a UE precisa, terá de fazer tudo diferente do que fez no primeiro mandato. Em vez de andar só a medir com régua e esquadro quais as iniciativas que não beliscam os interesses doa grandes, para passar sempre pelo meio das pingas de chuva, tem de pensar no "interesse comum" europeu, essa coisa que quase desapareceu do calão comunitário. E tem de ser capaz de pensar a sério nas causas e nas consequências da crise que atravessamos. Domínio onde, até aqui, foi demasiado mole. Mas, enfim, temos o que a maioria dos eleitores europeus votou.

porque é que alguns não gostam de estatísticas


Barroso reeleito presidente da Comissão



Steve Bell, no The Guardian

Durão Barroso reeleito presidente da Comissão Europeia por maioria absoluta.
Barroso na presidência da Comissão Europeia mais cinco anos.


Os leitores deste blogue facilmente se apercebem de que não sou admirador de Barroso. Contudo, nesta corrida para a presidência da Comissão Europeia não apareceu nenhuma alternativa que pudesse ser considerada melhor solução do que esta continuidade. Portanto, ser português não tem de ser defeito.
Vamos a ver se agora, com este problemazinho resolvido, Barroso não se vira depressa demais para a política interna portuguesa...


a mania das grandezas




Assim é "impossível ficar esclarecido" e votar. Dizem os pequenos partidos.
O MMS, pelo seu lado, optou por entregar ao Supremo Tribunal Administrativo uma providência cautelar de suspensão das legislativas.

Vejo aqui três questões.
Primeira, um enfoque excessivo no circo mediático tem efeitos perversos na percepção do que não é "grande". É um facto, que se lamenta.
Segunda, que isso faz parte da historicidade do processo. A evolução do BE nos últimos anos mostra que "a caixa não está fechada". É possível penetrar no sistema, mas com trabalho e persistência. O MMS queria o "cheguei, vi e venci" - mas isso mostra mais do seu próprio carácter do que outra coisa.
Terceira, que o gesto do MMS é mais um exemplar da crescente tendência para "remeter tudo para a justiça", quer dizer, para os tribunais. «O dirigente do Movimento Mérito e Sociedade (MMS) Raul Esteves acredita que os meios de comunicação social acorreriam em força se alguém do seu partido "se pendurasse no 4.º andar de um edifício".» Em vez disso - metem uma providência cautelar para suspender as legislativas. O que parece equivaler à tal manobra de circo. Mas a justiça serve para isso?!
Estes, a meu ver, já não precisam de explicar mais nada. Já percebemos que ser "novo" não é necessariamente ser melhor que os outros.

15.9.09

depois da asfixia democrática, o cerco?



Sociais-democratas querem furar “cerco” dos socialistas sobre TGV e mudar de agulha para “emergência social”.

MFL inventou o tema do TGV (e de outros grandes investimentos, que entretanto deixaram de ser tratados como polémicos) para inventar alguma demarcação com o governo, na falta de trabalho de casa para apresentar verdadeiras alternativas. Quer dizer: na falta de propostas concretas que dêem uma ideia de para que querem o governo. Nessa senda meteu-se pela ideia peregrina da falta de portuguesismo de Sócrates e do PS, embalada pelo anti-UE Pacheco Pereira. Parece que perceberam que isso era um disparate. E que mais vale discutir coisas sérias. Só posso aplaudir.
Não venham é, como de costume, fazer-se de vítimas. Quando eles é que se meteram de corpo inteiro nessa onda de disparate.

Mas, claro, se continuarem a dar ouvidos a Pacheco Pereira, que não consegue entender uma campanha eleitoral como algo mais elevado do que um combate de boxe, ou uma tourada - pelo menos quando ele está metido -, essa orientação para a seriedade será difícil. O homem acusa Sócrates de fazer apenas "propaganda pelo país". «“Estamos em crise, numa crise profunda (…) podia-se prever que no meio dessa crise o governo se dedicasse a governar. Há quantos meses não temos governo ?». Quereria, certamente, que o líder do PS não fizesse campanha... Onde chega a vontade de mostrar serviço aos companheiros... sem qualquer noção do respeito pelos mecanismos próprios da democracia. Eleições, campanhas, essas coisas...

dissertar sobre o país...

a luz sinistra que JPP vê...



Pacheco vê “luz sinistra” no PS e desafia Sócrates a defender os “interesses portugueses”.

A luz sinistra que JPP vê, nós sabemos qual é. JPP sempre achou que "Europa, só a mínima". O governo do PS, e o próprio PS como partido europeísta, que acredita que o interesse de Portugal é estar no cerne da construção europeia, mete medo a JPP.
Isso não espanta.
O que espanta é que seja o eurocéptico JPP a moldar o discurso da candidata a PM, MFL.
Se é que, vindo dali, ainda alguma coisa espanta.





«Ao ex-autarca de Lisboa, hoje cabeça-de-lista do PS em Faro [João Soares], Pacheco Pereira disse ser “vergonhoso” usar o facto de Ferreira Leite ter trabalhado para o Santander para a atacar politicamente.»
Típico: inversão das situações. Bate e esconde a mão. E depois faz queixinhas. O ponto é que quem acusou de falta de portuguesismo, e de ponta-de-lança de interesses espanhóis, foi MFL. Lembrar o episódio Santander é apenas exibir a falta de senso da acusação. O resto são piruetas.

todas as coisas são negociáveis

sítios de que nunca saí



Domingos Lopes deixa PCP com críticas.

«O PCP ainda não condenou a invasão da Checoslováquia e elogia a Coreia do Norte e a China, lembra, no momento da saída, o ex-membro do Comité Central que militava há 40 anos.»

Nunca saí do PCP. Talvez por a Primavera de Praga ter sido antes de eu ter idade para ter aderido. Ou por a Hungria de 1956 ter sido antes de eu nascer.
Mas ainda há gente que continua a reflectir nesse ponto. Nunca terão ouvido falar em processamento em tempo real? Ou ainda serão da primeira geração da Inteligência Artificial?

Aditamento:

Jerónimo de Sousa desvaloriza saída de Domingos Lopes do PCP:
"Sai um, entram mil".

Quem é que dizia que as pessoas não são números?

o teu olhar / a mesma pedra / ensina a ver




João Cutileiro, A fonte do Ingres (pormenor)
(Foto e manipulação digital de Porfírio Silva)

já não se fazem padeiras como antigamente



Portugal perde mais fundos do que a Espanha se cancelar o TGV. (Público)
«Portugal perde mais fundos europeus do que a Espanha, caso decida cancelar ou suspender a construção da rede alta velocidade. A possibilidade de as decisões portuguesas poderem estar a ser condicionadas pelas opções espanholas, um argumento introduzido por Manuela Ferreira Leite no debate de sábado com José Sócrates, esbarra nesta certeza e ainda numa outra: em termos de fundos europeus, Portugal apenas pode influenciar o financiamento das ligações transfronteiriças. Que representam uma pequena parcela dos enormes recursos financeiros que as redes do TGV em Portugal e Espanha vão consumir.»


Possível adiamento do TGV surpreende Comissão Europeia. (Diário Económico)


a equação




Diário Económico de hoje, aqui

14.9.09

certificações




Pela pena da Ana Paula, autora do Catharsis, fomos certificados com o selo "Seu blogue é viciante!". Ficamos uma bocadinho (só?!) espantados, mas agradecemos e damos sequência às obrigações assim adquiridas.

Em primeiro lugar, temos de assumir três compromisso para o futuro. Ficam estes:
1. Escrever menos aqui no blogue.
2. Dar mais atenção às rubricas que têm andado "esquecidas".
3. Não seguir os compromissos mais à risca do que o necessário.


Em segundo lugar, devemos nomear dez outros blogues viciantes. Nomeio os seguintes:


BE desqualifica profissão de professor


Leio Rui Pena Pires, no Canhoto, e deixo aqui um excerto:

2. No programa eleitoral do BE procurei mas não encontrei a contestação da fractura dos professores universitários em três categorias ou, usando a linguagem do BE, da fractura entre professores de primeira, segunda e terceira. Pelo contrário, encontrei uma defesa explícita dessa hierarquização no quadro da crítica do BE ao estatuto da carreira docente no ensino politécnico. Citando: “o Bloco de Esquerda rejeita a proposta governamental de Estatuto do Politécnico e exige a equiparação com as universidades, do ponto de vista dos percursos e dos processos de qualificação do pessoal docente”.

3. Para esta dualidade de critérios só encontro duas explicações plausíveis. A primeira, será uma desvalorização, pelo BE, da profissão de professor não universitário. Recusando atribuir-lhe o estatuto de qualificação que reconhece à carreira de professor universitário, o BE trata a profissão docente no ensino básico e secundário como uma ocupação indiferenciada, e portanto não hierarquizável. Em rigor, o BE opera assim uma deslocação do seu critério de professores de “primeira” e de “segunda” para a oposição entre professores universitários e “profissionais da educação” (do básico e secundário). O elitismo implícito só supreenderá quem não tiver dado a devida atenção a outras propostas do BE.

4. A segunda explicação baseia-se no pressuposto de que o Partido dos professores catedráticos Francisco Louçã e Fernando Rosas sabe ser demagógico qualificar a hierarquização das carreira docentes como fractura entre professores de primeira e de segunda (e de terceira).


Apontamento completo aqui.

independência económica

20:21


O discurso de Manuela Ferreira sobre a "independência económica de Portugal" fecha o círculo da coligação negativa: aproxima-se do discurso tradicional do PCP, e dos fantasmas do BE, sobre os malefícios da nossa pertença à União Europeia e da concomitante integração económica. (Isso não é significativamente alterado pelo facto de o próprio PCP já não morrer por esse drama.)

É isto coisa para temer realmente, significando uma mudança pensada do PSD face à Europa? Não acho. É apenas mais uma irresponsabilidade do vale-tudo. Um oportunismo político. Demagogia, como vem sendo costume daquele lado. Evoca, de qualquer modo, o ressuscitar de um traço profundo do imaginário salazarista: "orgulhosamente sós".

[Produto SIMplex]

Sócrates lembra Ferreira Leite que “estamos integrados na Europa”.


Corpos racionais mastigam-se melhor.


Visto o corpo pelo olhar da racionalidade, por que razão não há-de ele ser susceptível de partição, de decomposição em partes - talvez segundo um critério funcional, segundo a razão de ser de cada um dos seus subsistemas? Tal como num computador podemos, por exemplo, separar os dispositivos de comunicação com o exterior (teclado e monitor, nomeadamente) da unidade central de processamento e da memória - porque não haveremos de poder desconstruir o corpo, cada peça para seu lado, segundo o uso padrão que lhe conferimos? Quem diz desmontar, diz re-montar; partir/compor; descontruir/reconstruir. Isto se, como foi dito, virmos o corpo pelo lado da racionalidade. Porque não haveremos de fazer humanos segundo a receita de Cindy Sherman? Chegará essa receita a ser um algoritmo? Ou haverá qualquer coisa que falha numa leitura do corpo que vai só pela racionalidade, mesmo que ela seja tecnologicamente dotada?




Cindy Sherman, Untitled # 250



(Cindy Sherman nasceu em New Jersey em 1954. Foi antes de qualquer outra coisa fotógrafa. Em muitas das suas obras ela é o seu próprio modelo. "Ela", quer dizer, transfigurada de muitas maneiras. Nos anos '90 do século passado fez uma série de "bonecas": entre elas a que se vê acima.)

por que é que alguns não gostam de estatísticas

governo da verdade verdadinha

13.9.09

o sr. Fernandes merecia uma estátua. mas onde? onde?



Lembram-se daquela "notícia" da suposta espionagem da Presidência que teria sido feita pelo Governo? E do papel que o Público teve no assunto?
Para ajuizar das coisas "sãs" que certos órgãos de comunicação social andam a fazer, vale a pena ler o que apurou o Provedor do Leitor, uma instância do próprio jornal, que publica no próprio jornal, neste domingo. Está, na íntegra, aqui: Subitamente neste Verão. O Provedor promete voltar ao assunto no próximo domingo.
Deixamos, entretanto, alguns excertos.

Este caso não só se reveste de enormes implicações, por estar em causa a relação entre dois órgãos de soberania, como suscita diversas questões relacionadas com a prática jornalística, o que levou o provedor a aprofundar a sua investigação muito para lá da queixa do adjunto governamental, abrangendo todo o procedimento do PÚBLICO no processo.

(…)

Salvo melhor prova, tudo não passa de um indício, sim, mas de paranóia, oriunda do Palácio de Belém. Só que tal manifestação é em si já notícia, porque revela a intenção deliberada de alguém próximo do PR minar a relação institucional (ou a "cooperação estratégica") com o Governo.

(…)

Pelo que o provedor percebeu, só há uma fonte, que é sempre o mesmo colaborador presidencial que tomou a iniciativa de falar ao PÚBLICO em 2008, mas este milagre da multiplicação das fontes é uma velha pecha do jornalismo político português e não vale a pena perder agora mais tempo com ela.

(…)

Solicitados pelo provedor a explicar por que razão os dados recolhidos há ano e meio por T.N. [Tolentino de Nóbrega], e que de algum modo contrariavam a versão do assessor de Belém, não entraram na notícia sobre o "espião" de S. Bento, nem J.M.F. [José Manuel Fernandes] nem L.A. [Luciano Alvarez] responderam (S.J.A. [São José Almeida] disse que a parte sobre R.P.F. não foi da sua responsabilidade, mas sim de L.A.).

Como o leitor já terá intuído chegado a este ponto, estamos perante um caso que se reveste de grande complexidade e gravidade, pelo que ao provedor não é possível esgotar a sua análise numa única crónica. Voltaremos ao assunto no próximo domingo.


Esperamos, francamente, que muitos dos "casos" que por aí andam sejam, mais cedo do que tarde, devidamente esclarecidos. Ou, como vai tornar-se popular dizer dentro de poucos dias, sejam devidamente esmiuçados.