11.9.09

lamentável



Mário Lino desafia Louçã a identificar obras com grandes derrapagens
.

«O ministro das Obras Públicas, Mário Lino, considerou hoje "injustificadas" e "atrasadas" as críticas do líder do Bloco de Esquerda a propósito das derrapagens nas obras públicas.»

«"O Código dos Contratos Públicos tem limitações aos trabalhos a mais muito grandes e obriga que os concursos só se possam lançar com projectos já aprovados", adiantou o ministro, acrescentando que se trata de "critérios para diminuir as hipóteses de haver prolongamentos de prazos e aumentos de dinheiro".»

«O ministro das Obras Públicas desafiou Louçã a dizer quais as obras lançadas por este Governo que estão com grandes derrapagens.»

É lamentável que exijam ao líder do BE que ele instancie as suas críticas. Assim ainda acabam com o brilho da respectiva retórica...

pelo contrário

Petrus Hispanus Lectures





11 de Setembro, de 1973



Nesse dia, estava eu nas profundezas da Venezuela. Numa cidade chamada San Fernando de Apure. Ainda me lembro bem de alguns "democratas" que ficaram muito contentes com o golpe. Alguns deixaram uma herança: uns cínicos que para aí andam a fazer de conta que só a esquerda tem contas a ajustar com a história.





notícias da coligação negativa

grelha de partida

10.9.09

o filósofo Cronenberg

exposição de Nim Castanheira








Exposição de Nim Castanheira, de 19.SET a 26.OUT
na Sociedade Portuguesa de Oftalmologia
Campo Pequeno, 2 - 13º, Lisboa
de Segunda a Sexta, das 14:00 às 18:00

Conferência de Abertura, pela mesma Nim (Teresa) Castanheira
"Cores e Sons: a Pintura e a Música da Idade Média ao Barroco"
19 de Setembro às 17:00, mesmo local


notícias da coligação negativa



Os debates televisivos entre líderes de partidos que se apresentam a estas eleições legislativas estão a apresentar, no seu conjunto, para lá de cada "ocorrência", um padrão. A evidência da coligação negativa. Como? Mostrando que as "divergências de fundo" entre os partidos da oposição são apenas o palco retórico para o verdadeiro combate. E o verdadeiro combate é contra o PS e José Sócrates. Qualquer indignação profunda, qualquer convicção enraizada, mesmo qualquer luta de classes - é, afinal, uma questão de politesse . Desde que o interlocutor do momento alinhe no fundamental: queira, também ele, derrubar Sócrates. Verdadeiro punch só se procura ter face a face com Sócrates.

Debate centrado na economia espelha os mundos paralelos do PSD e do PCP.

Jerónimo-Manuela. Separar águas entre a direita e a esquerda marxista.

campanhas negras

Barroso, Comissão, UE

9.9.09

o rapto de europa?

23:04
Steve Bell, no The Guardian


A quem serve que nesta campanha eleitoral quase não se ouça falar de Europa? Os jornais portugueses parecem pouco interessados nas negociações pesadas que estão a correr entre as principais famílias políticas da UE acerca, nomeadamente, das políticas da próxima Comissão Europeia. Ou do papel que o seu presidente nelas tenha. E até se esse presidente será, afinal, Barroso - ou não.
Perante essa falta de informação da (pelo menos alguma da) imprensa portuguesa, vamos lendo o que se escreve lá fora. Por exemplo no EUobserver.com, notícia com o título: Socialists in disarray over Barroso.

Aperitivo:
Poul Nyrup Rasmussen, the head of the umbrella European Socialist Party, said the group had no choice but to go for "either abstention or a no vote."
He criticised Mr Barroso for not committing to "a new employment initiative" or to "reforming the workers directive", a controversial law governing the rights of workers abroad.
"On the financial market, he [Mr Barroso] said some general things but he didn't assure us that he is ready to close the loopholes in his directive on hedgefunds and private equity," Poul Nyrup Rasmussen added.

Não seria importante que isto se falasse por cá?

alerta vermelho, do João Coisas

prazeres parentais



Sim, alguma explicação (que não justificação) havia de ter para comparecer na Festa do Avante! no passado domingo. Ela aqui está.








pornografia e livres philosophiques

11:14
(imagem daqui)

«Robert Darnton chamou a atenção para o corpo rico da literatura do século XVIII que jogou com um pau de dois bicos e desafiou os limites da filosofia e da pornografia. Como ambas foram banidas pelos censores, ambas foram abordadas no vasto mercado de livros ilegais como “livros filosóficos”. (…) Podem imaginar-se as razões mais cínicas para misturar filosofia e pornografia: enquanto um filósofo sem interesse podia desejar vender o seu materialismo palavroso, um pornógrafo manhoso, para fugir ao censor, ocultava as obscenidades entre textos que poucos tinham a paciência de ler até ao fim. (…) Darnton mostra (…) que “o jornalismo de escândalos, o comentário social, as polémicas políticas, o anticlericalismo obsceno, as fantasias utópicas, as especulações teóricas e a pornografia crua – tudo coabitava de forma promíscua sob o mesmo rótulo, livres philosophiques

Susan Neiman, Evil in Modern Thought, 2002 (trad. portuguesa na Gradiva)


Louçã tem feito nas últimas semanas o que constitui o ataque mais cerrado das últimas décadas, vindo de qualquer força política das actualmente em liça, de esquerda ou de direita, ao PS. Deu múltiplas entrevistas e definiu implicitamente o objectivo de desmembrar o PS, para “baralhar e voltar a dar”, tudo embrulhado na sua aspiração de liderança como candidato a primeiro-ministro. O frentismo, misturado com populismo, é o cimento dessa ofensiva: é o que fica à vista na insistência de que o BE não é bem um partido, mas mais um movimento de tipo novo. Piscando o olho, até, ao sentimento anti-partidos.

Ontem, no debate com Sócrates, Louçã teve a ideia (correcta) de que seria contraproducente mostrar essa face de inimigo assanhado do PS ali à frente de toda a gente. E tentou inicialmente moderar ligeiramente o seu discurso. Mas essa postura a-fazer-de-moderado era postiça e não durou.

Primeiro, Louçã prosseguiu a sua tentativa de se mostrar como paladino das novas aventuras à esquerda. Esqueceu-se, contudo, de que algumas das suas ideias, em vez de novas e inovadoras, são velhas demais para esquecermos a sua história. Sou dos que admitem que as nacionalizações podem ser necessárias e úteis e que o Estado não deve em princípio prescindir dessa possibilidade. Mas não é preciso ter memória de elefante para saber que o controlo generalizado da economia (e da sociedade) pelo Estado é um caminho que provou não ser menos problemático que a mão invisível. Louçã fala muito da história recente mas parece ter perdido os primeiros volumes da série. Mostrou, assim, arrogância política – porque imaginou que, invocada a ideologia, as suas propostas não teriam que passar o crivo da análise pragmática e concreta.

Segundo, Louçã continuou a sua cruzada moral. Tentou, de novo, encostar o PS à imagem de um bando de vendilhões do templo que trocam o interesse público pelos favores aos amigos e respectivas empresas. Claro, na base desse raciocínio está a ideia profunda e subliminar de que as empresas são pecaminosas e que “os negócios” e o lucro são coisa do diabo. Desta vez, para isso, foi buscar mais um “caso”. Uma adjudicação inexistente. Mas que Louçã insistia que sim, que estava consumada. Mais uma vez, a chave é a mesma: Louçã, na sua arrogância, achava que a palavra dele contra a de Sócrates tem de ser fatal a Sócrates. Uma mera afirmação de Louçã seria suficiente para desmentir Sócrates, porque – como outras vezes FL fizera antes – o pressuposto era que JS mente sistematicamente. Também nesse ponto este debate foi paradigmático dos últimos anos: o veríssimo Louçã mentia, o seu suspeito do costume falava verdade.

Tudo isto para dizer o quê? Para dizer que não desprezo o contributo do BE para um debate à esquerda. Que acharia um erro monumental se o PS não procurasse compreender, por exemplo, o contributo crítico do que tenho chamado “esquerda académica”, que está a ajudar a falsificar os dogmas neoclássicos em economia e a contrariar os paladinos da mercantilização da sociedade. Para dizer que precisamente os socialistas são aqueles que estão em condições de dar bom uso a essa reflexão, levando-a ao governo do país.

Mas tudo isto também para dizer que o facto de certos dirigentes da “esquerda da esquerda” serem intelectual e politicamente arrogantes – não nos deve convencer de que a arrogância seja uma virtude da esquerda. Bem pelo contrário. Temos é que nos livrar das amálgamas entre arrogância (moral e ideológica) e políticas de esquerda. Por serem ilegítimas essas amálgamas. E porque elas só podem abrir a porta ao regresso do neo-cavaquismo: por causa do carácter essencialmente arrogante do próprio cavaquismo, que assim encontra uma (inesperada?) bênção à esquerda.

E isto também, claro, para não reeditarmos, ao estilo do século XVIII, a amálgama entre livres philosophiques e pornografia.

[Produto SIMplex]

Louçã nos "blogues em papel"




Hoje no Público. Clicar na imagem para ver tudo.

8.9.09

o regresso da fera

ainda há humor que resista?




Produto João Coisas, SIMplex


a pulhice



Novas provas: Freeport: polícia inglesa confirma pagamento de “luvas”.


Quer mesmo saber por que é que esta "notícia" do Público é uma pulhice, mais uma no estilo do senhor Fernandes?

Por isto: o Público vai ao Correio da Manhã buscar uma notícia, que não é o que parece, e omite apenas isto, que está no original : “Já sobre José Sócrates ou familiares seus não foram recolhidos movimentos suspeitos.”


Above all, avoid cynicism

putativo futuro ministro das línguas estrangeiras para iniciados






avaliação, professores, educação



Relatório da OCDE com dados de 2007. As diferenças entre Portugal e os outros países, no relato do Público: Professores trabalham mais; Falta avaliação dos docentes; Três em cada dez desiste no superior; Compensa fazer o superior.

Quanto à avaliação:
Em 2007/2008, quase metade dos professores portugueses respondeu que, em cinco anos, a sua escola nunca tinha feito auto-avaliação. Um número significativo de países da OCDE, com a Itália, Espanha e Portugal à cabeça, têm estruturas de avaliação fracas, tanto para as escolas como para os professores. Na altura, por cá, metade dos professores afirmavam que nem auto-avaliação, nem avaliação externa.

No entanto, a avaliação pode ter um papel fundamental na melhoria da escola e o que é certo é que os professores gostam de ser reconhecidos. No estudo Talis, a sigla para Teaching and Learning International Survey, sobre as condições de trabalho dos professores, citado no relatório Education at a Glance, a maioria dos docentes avaliados consideram justo esse procedimento e que tem um impacto positivo na sua satisfação laboral. Por cá, 42 por cento dos professores dizem que a avaliação não mudou nada na sua satisfação laboral, mas 38 por cento dizem que melhorou ligeiramente e só dez respondem que melhorou muito.

Em termos gerais, 61 por cento dos professores dos 23 países da OCDE que participam neste estudo consideram que avaliação foi um impulso para o seu desenvolvimento profissional; sete em cada dez docentes portugueses têm esta mesma opinião. Também os italianos estão igualmente satisfeitos, o que leva a OCDE a concluir que “é um sinal claro para os políticos que a avaliação pode melhorar a qualidade de vida laboral”.


Ler mais aqui. E aqui.

Esta mensagem vai destruir-se em oito horas



No Diário Económico:
Um novo programa promete destruir toda a informação pessoal que o utilizador queira sem hipótese de recuperação. Uma garantia de privacidade que se pode transformar numa dor de cabeça para a investigação criminal.

Isto é parecido com o programa do PSD... Não na parte da investigação criminal. Mas na parte das oito horas: tempo de ler, arregalar os olhos e abrir a boca de espanto, admitir que aquilo pode acontecer a um partido que já foi uma referência. E pronto: acabou-se.

o que as Manuelas não querem



Diário Económico, aqui:
Os números divulgados hoje pelo INE confirmam que a economia portuguesa saiu da recessão entre Abril e Junho, tal como tinha sido avançado no mês passado.

Isto é o que as Manuelas não querem que seja falado.

[Não estou a conseguir encontrar esta notícia no Público.]

liberdade de expressão


Daniel Proença de Carvalho, Liberdade/dignidade, no Diário Económico:

Quando Sá Carneiro foi cobardemente vilipendiado pelo jornal "Diário", do Partido Comunista, não me recordo de o Partido Socialista ou o CDS terem alinhado, por acção ou omissão, nessa campanha, nem vi alguém acusá-lo de por em causa a liberdade de imprensa quando perseguiu criminalmente nos tribunais os responsáveis pela calúnia. Quando Leonor Beleza foi vilmente perseguida com acusações absurdas, vi levantar-se a voz do socialista Mário Soares e do democrata cristão Freitas do Amaral contra essa perseguição. Quando Roberto Carneiro (que foi ministro pelo CDS) foi acusado pelo MP, sem ponta de fundamento, não só nenhum político do PS ou do PSD se aproveitou dessa injustiça, como os seus líderes se solidarizaram com a vítima do justicialismo que o acusou.

No actual momento, decretou-se um requiem pelos valores da pessoa no altar da liberdade de expressão.


Texto completo aqui.

Escola pública, o separar das águas


Mariana Vieira da Silva, Escola pública, o separar das águas, no Diário Económico de hoje: «O debate sobre a política educativa faz-se, à esquerda, em torno da defesa da escola pública e da igualdade no acesso à educação.». Aqui.
Ler quem sabe do que fala.

uma experiência histórica?



Louçã: “A esquerda precisa de uma força para ter maioria e essa força não é o PS”.

«O Bloco de Esquerda não será governo sozinho. Mas o líder bloquista recusa nomear com quem fará alianças. Para já, exclui o PS da “maioria de esquerda”.»

Não sei qual de dois traços de Louçã é mais digno de nota agora que ele já se imagina primeiro-ministro.
Será o irrealismo? Sim, porque querer que destas eleições saia uma maioria de esquerda sem o PS...
Será a arrogância? Sim, porque dizer aos socialistas que eles não são esquerda... Quem lhe dá esse direito? O que o autoriza a querer ser jogador e árbitro ao mesmo tempo? Por que razão se arroga o papel de guarda da ortodoxia, da norma, da definição do que é ser de esquerda?

É tempo de avisar aqueles que esperavam que o BE ajudasse a renovar a esquerda: este homem vai desperdiçar os votos do Bloco em nome da sua ambição. Ele pode querer ficar na história como o primeiro líder trotskista deste mundo (e de qualquer outro) a ser primeiro-ministro. Mas uma "experiência histórica" desse calibre só interessa a meia dúzia de iniciados. E a nossa vida concreta interessa a todos nós.

7.9.09

Esquerda Moderníssima

23:42

Reproduz-se de seguida um texto que João Galamba publicou no blogue SIMplex no já longínquo dia 4 de Agosto p.p. - por ser ainda e sempre muito conveniente pensar no que aí se diz.


"O governo do PS foi um dos fiéis seguidores da ideologia neoliberal que promove um Estado minimalista. No momento da crise, no entanto, predominou a nacionalização do prejuízo. O capital quer a receita de sempre: espoliação do Estado e esmagamento dos direitos dos mais desprotegidos. Chega a hora de o governo prestar contas pelo aumento do desemprego e da precariedade, pela redução dos salários e pensões, por um código do trabalho que aprofundou o retrocesso civilizacional iniciado por Bagão Félix, pelas privatizações, pelas desigualdades sociais e pela degradação dos serviços públicos. Passados quatro anos de governação, temos um país mais desigual e socialmente mais inseguro, onde o medo impera em muitas empresas e serviços" (Programa do Bloco de Esquerda para as legislativas, pp. 11)


1. Aumento do desemprego: Apesar da modernização do país, o PS não fez nada para reduzir o desemprego. A crise financeira também é irrelevante. A culpa é toda do PS. Se o bloco estivesse no governo não haveria desemprego e a economia estaria a crescer ao nível da China;

2. Precariedade: Não chega penalizar fiscalmente o recurso a recibos verdes. Não chega combater os falsos recibos verdes. Se o bloco estivesse no governo os recibos verdes. seriam proibidos. A precariedade seria ilegalizada. Se o desemprego disparasse, a culpa seria obviamente dos patrões;

3. Redução dos salários: Esta é uma acusação a priori: enquanto o PS estiver no governo, os salários descem, por definição. A luta de classes é uma necessidade lógica. e a redução dos salários é um axioma Não interessa que o PS tenha aumentado o salário mínimo para 450 euros. Ou melhor, temos de ignorar este facto, caso contrário deixamos de poder acusar o PS de ser um dos mais fíeis seguidores do neoliberalismo. Se o Bloco estivesse no governo, os salários seriam iguais aos da Suécia;

4-Redução das pensões: A reforma da segurança social era totalmente desnecessária, pois a história da sua ruptura financeira é uma mentira inventada pelo PS e pela direita neoliberal. Que a reforma feita por Vieira da Silva tenha sido amplamente elogiada, só mostra como os neoliberais estão em todo o lado. Se o Bloco estivesse no governo, não só não teria feito qualquer reforma, como teria aumentado a pensão mínima para 500 euros, ou até um pouco mais — tanto quanto necessário;

5. O código do trabalho que é um retrocesso civilizacional. Não interessa a criação da licença parental. Nem interessa que o PS tenha optado por flexibilizar o tempo de trabalho em vez de liberalizar os despedimentos. Para o Bloco, o éden laboral era aquele que existia em 1975. Desde então, tem sido sempre a retroceder. Qualquer tipo de flexibilização, é neoliberalismo — e o neoliberalismo é pecado. Se o BE estivesse no governo, não só proibiria os despedimentos, como tornaria a admissão de trabalhadores numa obrigação legal. Como o Bloco não é um partido revolucionário, a criação da sua Utopia depende de um simples acto administrativo. Tivessem eles o poder e tudo se resolvia num ápice;

6. Privatizações. São sempre erradas. Se o Bloco estivesse no governo, nacionalizava a Galp e a EDP. Não interessa que o PS tenha nacionalizado a COSEC. Como o PS não nacionalizaou aquilo que o BE acha que deve ser nacionalizado, é neoliberal;

7-Desigualdades: Isto é mais um chavão do que uma crítica empiricamente fundamentada. Todos os dados disponíveis mostram que a desigualdade efectivamente diminuiu durante o governo PS, e tal deveu-se uma aposta em políticas sociais, como o complemento social para idosos, o aumento do salário mínimo e o reforço da acção social escolar. Se o Bloco estivesse no governo o importante não era tomar medidas cujos resultados se traduzissem numa redução desigualdades. O importante seria Acabar com as Desigualdades, que é algo inteiramente distinto dos gradualismos e das prudências burguesas do PS.

8-Degradação dos serviços públicos: Não interessa que o PS tenha procurado salvar o SNS, Não interessa que tenha substituido os Hospitais SA. pelos EPE. Não interessa a aposta no reforço do SNS, com a reforma dos cuidados primários e a criação da Rede Nacional de Cuidados Continuados. Como o PS fechou maternidades, é neoliberal. Se o Bloco estivesse no governo havia maternidades em cada casa e um hospital em cada aldeia, vila e cidade de Portugal.

O diagnóstico do Bloco à governação PS não decorre de qualquer leitura da realidade. O bloco prefere inventar a sua própria realidade, e o retrato do PS é sobretudo uma forma a priori que o Bloco usa para desqualificar os seus adversários. Ou seja, como Bloco é contra o neoliberalismo, e como o PS não embarca na irresponsabilidade, no populismo, na demagogia e no radicalismo do Bloco, o PS é necessariamente neoliberal. Em política não há compromissos.

João Galamba, Esquerda Moderníssima, in SIMplex

verdade verdadinha


Segundo o jornal i:
A questão do uso de um carro oficial do Governo Regional nas deslocações da líder do PSD, denunciado pelo PND/Madeira, acabou por marcar a visita de Ferreira Leite à Madeira, que começou o dia garantindo que não há no arquipélago, liderado há 40 anos por Alberto João Jardim, qualquer espécie de asfixia democrática.
Pelo menos em dois momentos, Manuela Ferreira Leite apanhou uma “boleia” no carro oficial do Governo de Alberto João Jardim, o que causou a indignação do PND/Madeira.

“Era o que faltava eu, agora, não poder convidar para o meu carro quem me apetecesse”, declarou Alberto João Jardim quando confrontado com as críticas de que a líder nacional do PSD teria utilizado na sua deslocação à região viaturas oficiais em campanha eleitoral.

Em jeito de balanço da visita que disse “correspondeu às expectativas”, Manuela Ferreira Leite declarou: “vim à Madeira numa acção de campanha, que decorreu no Funchal, mas entendi ser simpático e instrutivo ver não apenas o que se passa no Funchal, pelo que achei muito útil aproveitar o convite de Alberto João Jardim para vir verificar as acções que estão a ser feitas em prol das populações”.

“O que neste período e noutros locais se trata de campanha eleitoral, aqui substituímos a campanha eleitoral por uma visita de trabalho e observação”, precisou o governante madeirense, justificando o facto de Manuela Ferreira Leite ter sido uma mera espectadora nos actos oficiais.


Está aqui.

a senhora é surda? e o PR também?



Jardim insulta os “medíocres” que se preocupam por Ferreira Leite ter usado carro do Estado em campanha.
Segundo o Público:

Questionado sobre o assunto, o presidente do Governo Regional começou por afirmar: “Só os medíocres é que estão preocupados com essa história.” Depois, face à insistência dos jornalistas acrescentou: “Fuck them’ [eles que se fodam]."






Ficamos à espera de conhecer mais um detalhe da vibrante personalidade de Manuela Ferreira Leite: acobardar-se-á perante este comportamento? Continuará a incensar Jardim como modelo de governo do PSD?

Também vamos querer ouvir o Presidente Cavaco, que só vê e só ouve o que lhe apetece. Continuará muito falador acerca de certos casos e muito cego, surdo e mudo para outros?

pandemia



Cartoon de Marc S. (Clicar amplia)


registo



Ferreira Leite usa carro do Estado em campanha eleitoral na Madeira.


Escreve ainda o Povo Livre (perdão, o Público):

«Manuela Ferreira Leite usou hoje um carro do Governo Regional da Madeira, pertença do Estado Português, para fazer campanha eleitoral no Funchal. A líder do PSD fez várias deslocações na viatura oficial, ao lado de Alberto João Jardim, numa visita à ilha que foi sempre apresentada com uma acção da campanha eleitoral do PSD.»


asfixia democrática

saudinha

recortes, again


A memória é uma coisa muito útil.

«Pacheco Pereira zeloso como sempre do mito do cavaquismo, decidiu mudar as regras de circulação dos jornalistas no Parlamento para os impedir de recolherem imagens e declarações. O homem que veio da extrema-esquerda limitou efectivamente a liberdade de circulação nos corredores parlamentares. Era uma maçada incomodar os deputados e ministros da maioria. E uma maçada maior ter as declarações das oposições no prime time televisivo.

Os jornalistas responderam com um black out informativo à AR. Vendo as suas liberdades limitadas, recusaram-se a divulgar notícias parlamentares. Como forma de protesto contra a mordaça que Pacheco lhes impunha.»


Excerto de Quem desafia as liberdades fundamentais? (I) - Quando Pacheco Pereira e o PSD quiseram controlar os jornalistas parlamentares, in SIMplex


recortes



Leituras recomendadas para quem não se baste com rodapés.

«Como sabem os que não são pulhas, as declarações de Sócrates contra a TVI foram uma resposta em nome da honra pessoal, não um ataque à liberdade de expressão. A liberdade de expressão é uma coisa, e as calúnias e a difamação são outra. Quem não entender a diferença que ponha o dedo no ar para anotarmos quem são e onde estão. Acontece que a honra pessoal se pode confundir com os legítimos interesses de um partido, de um Governo e de um País. Ora, o que é notável neste caso TVI é que os ataques começaram em finais de 2008 e continuaram em crescendo até à interrupção do programa para férias, em 2009. Em nenhuma circunstância a TVI esteve impedida de anunciar que Sócrates se alimenta de sangue humano e tem um plano para matar o Papa. Fizeram tudo o que lhes deu na gana, e, sem disso terem intenção, comprovaram que a liberdade de expressão é uma das características principais da actual governação que ora finda. Pois, apesar das extraordinárias adversidades da campanha de assassinato de carácter, não se detectou nenhum revanchismo do poder político. Quando se aponta a recusa de Sócrates, e alguns outros ministros, a ir à TVI, está a dizer-se isto mesmo: vejam, estão amuados!»

excerto de O reino da estupidez, in Aspirina B