23.5.09

Offenbach am Main (relatório em progresso)


História da tecnologia, robots. Na Escola de Design.

afinal é possível


Eu não vejo a TVI, em particular evito o principal telejornal. Não é por nada, nem chega a ser pelo que lá se diz: é apenas porque ver certas coisas dá-me pesadelos de noite. Mas valeu a pena acorrer a uma chamada de atenção da Visão em linha. Marinho Pinto mostrou que afinal é possível uma "figura pública" não se vergar aos ditames do jornalismo propagandístico, ao espalhafato - e dar troco. O homem até pode ser truculento, mas seria bom que outros o seguissem neste ponto e não se acobardassem face à palhaçada televisiva de linchamento dos que se atravessam no caminho do monstro. Do monstro mediático, claro.
O vídeo fica para re-visões sempre que a raiva pelo circo me assaltar e pedir curativo.




[Actualização] Acrescento a versão longa:




Parece que MMG comentou posteriormente: «Foi a primeira vez que um convidado perdeu o controlo.» Acho que ela queria dizer «Foi a primeira vez que um convidado me fugiu ao controlo.» Venham mais!

22.5.09

depois disto, sobre o Meno





Não, não em Francoforte. Mesmo ao lado. Offenbach. Afinal, não assim tão longe como isso. Longe era no tempo de partir "a salto".

20.5.09

Rembrandt actualizado



Rembrandt, A Lição de Anatomia do Dr. Tulp, 1632




Uma lição de anatomia actualizada, Freaking News


ou então


Eurojust fora das investigações do Freeport .


«A decisão vem na sequência das denúncias de pressões alegadamente feitas por Lopes da Mota, que preside ao organismo.»
Ou vem na sequência da partidarização galopante da questão, já denunciada por Cavaco, e que corre o risco de dar mais fumo à oposição para tapar aquilo que ela não quer que se veja - a saber, que nada de substantivo corrobora as suspeições montadas em torno de Sócrates?


jornalismo de gazeta escolar


PS e PSD mudam lei do Segredo de Estado.


«Mais uma lei de Bloco Central», escreve o Público. Dadas as polémicas recentes sobre essa putativa solução para um governo maioritário de mais de um partido na próxima legislatura, esta forma de escrever é um piscar de olho ao disparate. Ignora-se que a maioria constitucional que, há muitos anos, torna possível este regime, com os seus defeitos e as suas virtudes, tem contado, e tem de contar, com os 2/3 que fazem o PS e o PSD? E que isso inclui um certo número de "matérias sensíveis" para as quais outros partidos, designadamente a esquerda-da-esquerda-da-esquerda, nunca estão disponíveis? Confundir isso com uma solução de governo qualquer, no caso o "bloco central", é jornalismo de gazeta escolar. O que, metendo o Público, pode passar por uma ofensa aos jornais escolares.
Prefeririam a impossibilidade de qualquer maioria qualificada para assuntos de "tipo" constitucional?


faces do proteccionismo

19.5.09

passeando nas paisagens de lisboa como um juiz no tribunal

(Foto de Porfírio Silva. Clicável.)

Será mais fácil uma pessoa preparar-se para enfrentar a sua própria miséria ou preparar-se para fazer face à miséria dos outros? À miséria moral, dizemos. É mais fácil lidar com os nossos "crimes", sobreviver-lhes, ou lidar com os crimes dos outros? Será mais difícil perdoar os outros ou perdoar-nos a nós? Como se sente o padre no confessionário? Pecador? Como se sente o juiz no tribunal? Como se carregam os pecados do mundo, quando já ninguém acredita que haja pecados, quando tantos pensam que culpados são os que se deixam apanhar?
Há máquinas nos céus de Lisboa. Presas ao chão. Porque nem todas as máquinas voam. E que voassem: nem todas as palavras têm força para curar, para devolver a alma.
Há paisagens em Lisboa. Presas ao chão. Presas aos crimes da humanidade. Lado a lado com "o progresso".

um pouco de seriedade, custará muito?


PS inviabiliza ida do presidente do Instituto do Emprego à Assembleia da República .


O PS inviabilizou a ida do Presidente do IEFP ao Parlamento - por estar, hoje mesmo, nesse mesmo Parlamento, o Ministro e os Secretários de Estado politicamente responsáveis por tudo. Estando lá os responsáveis máximos, não se chamam os executantes.
Entretanto, suponho que para satisfação da oposição, o ministro Vieira da Silva, na Comissão Parlamentar, explicou tudo muito bem explicadinho, mostrando que houve um mero problema informático, que tipo de problema foi, que foi corrigido em 24 horas, que os números avançados por ele e pelo IEFP eram perfeitamente exactos - e que todas as suspeições sucessivamente avançadas pela oposição eram ignorância (se não eram má-fé).
Não me surpreende: Vieira da Silva é um dos ministros mais bem preparados, mais fortes tecnicamente e mais seguros politicamente deste governo. O que não é coisa pouca.
Os excitados com a perspectiva de mais um escândalo parece que podem meter a viola no saco. Os títulos inflamados, escritos por gente mal informada, são mais palha do mesmo saco.

só neste país...


Presidente do Parlamento britânico apresentou a demissão.


Não estou a ouvir aquelas vozes que costumam bradar "isto só neste país"... Aquelas vozes que louvam a maturidade da democracia britânica... (Mas sou capaz de estar a ouvir os pensamentos daqueles que julga[va]m possível fazer lançar lama sobre toda a gente - menos sobre si próprios.)

contra os robots da república, marchar marchar


Cavaco diz que instituições até agora funcionaram no caso Lopes da Mota.


«O Presidente da República considera que as instituições até agora funcionaram no caso de Lopes da Mota, mas escusa-se a comentar a sua manutenção em funções porque a questão já foi transformada em combate político-partidário.»

Numa coisa sou capaz de estar de acordo com Cavaco: não parece saudável que tudo no país seja reduzido ao combate político, muito menos que tudo seja reconduzido à guerra entre partidos.
O totalitarismo da política (que consiste em pretender que toda a gente esteja sempre a pensar em termos de "bem da nação", qualquer que seja o assunto) e o totalitarismo da partidarização (que está sempre a tentar ler qualquer passo ou qualquer bocejo como sinal de inclinação partidária) - são doenças da democracia. Porque esgotam os recursos colectivos, em vez de os empregar no que é mais importante. Porque cansam as pessoas, que não são robots da república.
(Confesso que estou um bocadinho farto desta "tensão pré-revolucionária" alimentada pelo plano de assalto geral e por todas as vias ao quartel-general.)

multiplicação dos pães




Paulo Rangel: "O PSD está à esquerda do Partido Popular Europeu (PPE), mas eu estou à direita do PSD".


«Eu sou do partido X. Logo, os que simpatizam com o partido X devem votar em mim.
O partido X está à esquerda da sua família política europeia. Logo, os que queiram votar à esquerda da família política europeia do partido X - devem votar no partido X.
Eu estou à direita do partido X. Logo, os que queiram votar à direita do partido X devem votar em mim (quer dizer, no partido X).
Em resumo: quer sejam mesmo do "tipo partido X", quer estejam à sua esquerda, quer ainda estejam à sua direita, devem todos votar no partido X. Portanto, em mim.»
Melhor que o milagre da multiplicação dos pães.

(De passagem, repito o que já aqui disse antes: eu também sou federalista e acho bem que Rangel se confesse. Convém é que alguém lhe explique quais as razões pelas quais os federalistas deixaram em geral de falar nesses termos. É que ele, falando assim, parece mostrar que está uns anos atrasado no debate e nos conceitos. Naturalmente, as sabatinas de última hora não podem cobrir tudo.)

Suu Kyi, 63 anos, Nobel da Paz, Birmânia


17.5.09

são rosas, senhor


Perla Krauze, De lo precario a lo permanente, 1999

(Fotografado na Arte Lisboa 2006. Clicar amplia.)


urtigas




PS acusa partidos de “pressão ilegítima” ao chamarem Lopes da Mota ao Parlamento.


Não aceito de forma irrestrita o argumento de que o Parlamento não pode interessar-se por protagonistas que estejam a prestar contas à justiça. Apesar de isso poder suscitar problemas importantes ao nível das garantias dos demandados (posso ser obrigado a ir ao Parlamento auto-incriminar-me ou dar trunfos aos que me investigam?), os representantes do povo não podem ser bloqueados na sua função - desde que se distingam bem as áreas que cabem a cada um. O Parlamento, a meu ver que não sou especialista destas coisas, deve concentrar-se nas questões políticas e não as misturar com as investigações a correr noutras instâncias com diferente legitimidade. Neste caso, o que pode interessar ao Parlamento que não dependa do processo disciplinar que está a correr? Suspeito que, para alguns partidos, estamos em tempo de "vale tudo" (incluindo arrancar olhos) - para potenciar de qualquer modo o score eleitoral. O estado do Estado? Às urtigas.