18.4.09

coisas de todos os dias


Parque Eduardo VII, Lisboa, Abril de 2009. Foto de Porfírio Silva.
(Clicar amplia.)

Cavaco, o ET


Cavaco duro como nunca para Governo e empresários .


Cavaco nunca foi PM deste país durante uma década, nunca presidiu a um dos períodos mais longos de promoção do novo-riquismo exibicionista, nunca teve uma política de gastar os fundos comunitários a preservar o que era fraco em vez de estimular a sua substituição pelo que fosse forte, inovador e competitivo. Cavaco, o ET, bolsa para cima de toda a gente como se tivesse chegado agora do espaço exterior.
(Nota: aquele termo "bolsa", ali acima, é do verbo "bolsar", que remete para aquele fenómeno de os bebés deitarem uns restos de leite fora depois da biberão. Não tem nada a ver com a bolsa das acções, porque esse seria outro assunto.)

diário do planeta MEO (nova actualização)


Tenho andado a relatar as minhas aventuras com o serviço MEO. Já postei sobre isso aqui e aqui. Hoje há novos desenvolvimentos.
Basicamente, o que temos é o seguinte. Na quinta-feira "santa", 9 de Abril, cerca das 13H, comuniquei à assistência técnica do MEO que estava sem nenhum "ramo" do serviço. As prometidas 24 a 48 horas para tentar resolver o problema evaporaram-se sem que nada de real acontecesse, apesar da simpatia da maior parte dos meus interlocutores ao telefone nos vários contactos. Uns tantos dias depois (dia 14 de Abril ao início da tarde) tive ao telefone pela primeira vez um técnico que parecia estar a querer fazer qualquer coisa pelo problema. Marcámos intervenção local para hoje às 10 horas.
Hoje, sábado (depois de ter viajado de Lisboa e chagado a horas do encontro), quando entrei no local por volta das 10 horas , o serviço de TV e Net estava restabelecido. Parece que foi resolvido remotamente, na central, (como em muitos casos), por iniciativa do técnico que entretanto me contactara. Quer dizer que se alguém tivesse pegado no assunto em devido tempo, eu poderia ter tido tudo isso no fim de semana de Páscoa. Assim, estive às escuras. Mesmo assim, continuo sem telefone fixo, num sítio onde a rede móvel da PT é quase inexistente.
Entretanto, hoje, uma hora e tal depois da hora do agendamento, nada acontecia. Telefonei, não sabiam de nada mas iam passar a mensagem aos serviços técnicos. Que pouco depois me contactaram: tinham tido de "fechar" a avaria aquando da intervenção anterior (na terça-feira) e tinham estado à espera que a supervisão "abrisse" nova avaria, para poderem vir atender-me. Vieram. Faltava o telefone, portanto. Não era nada dentro de minha casa. Era lá fora, nos cabos da rua, mas a empresa que estava a dar assistência não tem equipas de "urgência" nesse "sector", portanto não intervém ao fim de semana, mas talvez a própria PT ainda resolva isso antes de segunda-feira. De qualquer modo, já não estou preso em casa porque tudo vai passar-se lá fora, na rua, o que é agradável.
Fico à espera de voltar a ter o MEO a funcionar em pleno. Mas ninguém me vai fazeer descontos pelo tempo de interrupção do serviço.
Entretanto, continuo a fazer a experiência de empresas para quem o cliente tem uma existência relativa. Há que deixar o cliente o mais possível entretido com "telefonistas" simpáticas e palavras mansas, mesmo que entretanto a maquininha de resolver os reais problemas não se mova mais depressa do que os antigos comboios do Vale do Vouga. E com tanto esforço de fumo e faúlhas como essa velha glória do nosso atraso. Só que desta vez em roupagens tecnológicas. PT, empresa soviética?
A seguir a tudo isto estar resolvido, vou começar à procura do livro de reclamações...

a corrupção da luta contra a corrupção


Enriquecimento ilícito: BE rejeita lei que obrigue prevaricador a repartir bens com o Estado.

Numa coisa o BE tem razão: numa matéria que ataca os fundamentos do Estado democrático e da decência pública, como é o caso da corrupção, não pode haver tibieza, nem contemplações, nem meias palavras e meias acções. Já outros o disseram há muito, também dentro do PS, mas não foram suficientemente escutados, no que constituiu claramente um erro de apreciação política desta direcção do PS.
Contudo, noutra coisa o BE e Louçã não têm razão: nos assuntos da seriedade deste não se pode ceder à tentação da superioridade moral, assumindo a postura de consciência de tudo e de todos e, mais grave, tentando usar essa postura moral para impedir a serena apreciação das soluções possíveis. Dar uma solução ao problema da corrupção não é apenas uma questão de vontade, é uma questão de inteligência: encontrar as formas de fazer. Sem atropelar os direitos e liberdades, sem estender a mão dos poderes mais do que o necessário, sem meter tudo no mesmo saco, percebendo exactamente quais os mecanismos que estão em causa. Só assim se pode, ao mesmo tempo que se preserva a legitimidade da acção, conseguir um grau de eficácia compensador na caça aos prevaricadores. E isso só se pode conseguir contando com os contributos de todas as forças políticas interessadas em enfrentar o problema. Sem a demagogia de que só nós somos honestos, só nós sabemos o que fazer. Alargando a frente anti-corrupção e não a rebaixando a uma mera luta imediata por mais uns votos. Sem o espectáculo da rectidão, da certeza dos iluminados, dos justiceiros de capa e espada - sem as taras da "moral revolucionária". Tudo coisas que parecem continuar a impedir Louçã de distinguir o essencial do acessório, na arrogância dos que anunciam que não vieram ao mundo para negociar.

17.4.09

paisagens



Foto vinda daqui, especificamente. Mas vale a pena visitar todo o jardim.
(Clicar amplia.)
Cuidado, contudo, com a aparente candura.
Saludos, V.!


a produzir o homem novo



(Popular Science, Janeiro de 1964)

profecias e milagres


Obama espera resposta cubana às medidas anunciadas para aliviar embargo.

Ora aí está. Se pensavam que havia um guichet na Casa Branca para pedir todos os milagres imagináveis a Obama, desenganem-se. Mesmo que seja profeta, os profetas não fazem milagres: falam de caminhos possíveis. Caminhos esses que têm de se trilhados se queremos que levem a algum lado.
Isto é: não basta esperar e receber. É preciso corresponder. Fazer qualquer coisa que alimente o caminhar. Obama, aliás, já começou a fazer perceber isso também à Europa. Ainda bem.


decoro


Vasco Pulido Valente, na sua coluna de hoje no Público, zurze na escolha do cabeça de lista do PSD para as eleições para o Parlamento Europeu. A sua prosa contém elementos interessantes. Por exemplo, quando identifica a falta de genuíno interesse da "elite" pela política como marca do conservadorismo dessa mesma "elite" à portuguesa. Quanto ao resto, é um poço de lamúrias pela pobreza das figuras que o PSD actualmente apresenta, e uma queixa pública contra os que, existindo e podendo fazer melhor por esse partido, se encolhem. Escreve, a fechar: "o que havia de melhor preferiu o seu cantinho e o seu emprego, para gozar descansadamente a vida, longe dos torpes sarilhos da política".
Ocorre-me, apenas, perguntar duas coisas.
Primeiro: não será que VPV, com a sua contribuição para um estilo de intervenção pública ao jeito de inquisidor-mor, faz parte dos "sarilhos da política" que desencorajam alguns a sujeitar-se a esse exercício, por não se acharem dispostos a aturar todos os palpites dos treinadores de bancada?
Segundo: VPV, ex-secretário de estado e ex-deputado, com obra tão relevante que todos nos lembramos bem do que por lá fez, a merecer estátua e a caucionar a sua constante demolição do desempenho dos políticos actuais, por qual razão VPV não dá um passo em frente, mostrando pela prática como entende distinguir-se dos que "preferem o seu cantinho e o seu emprego"?
Haja decoro.

otorrinolaringologista



otorrinolaringologia,
s. f.
Parte da Medicina que se ocupa dos ouvidos, garganta e nariz.

otorrinolaringologista,
adj. 2 gén. s. 2 gén.
Que ou pessoa que se ocupa da otorrinolaringologia.

Pareceu-me ouvir, no noticiário da TSF à meia-noite, o novo presidente do Sindicato dos Magistrados do Ministério Público a declarar que não tinha dito que houve pressões sobre magistrados no caso Freeport. Mas eu devia estar com sono a essa hora, não devo ter percebido bem. E o jornalista que estava a entrevistar o senhor também devia estar com sono, porque reagiu como se não estivesse a acreditar no que estava a ouvir. Andamos todos a precisar de ir ao médico. Otorrinolaringologista, provavelmente.


16.4.09

susan boyle



Que encanto particular podemos encontrar nesta mulher?
Clique sobre a imagem e veja com os seus próprios olhos e ouça com os seus próprios ouvidos. É, de momento, um conto de fadas contemporâneo. E, quando se tornar mentira, será um mito urbano.

Pensando na Charlotte von Redlich


Aqui há já mais de cinco anos, num outro blogue que na altura editava, e arrastado por outro assunto, publiquei um texto de memória, memória de uma pessoa que estimara e que nos deixara uns anos antes. Hoje, foi com emoção que recebi uma mensagem de um velho amigo da Charlotte, que descobriu, numa busca na net, por via desse meu singelo apontamento, onde está ela agora. Por homenagem à amizade, inclusivé aquela que perdura para lá das separações forçadas, e aos sentimentos que a internet pode, apesar de tudo, ajudar a viver, republico esta homenagem pessoal. Fazendo a Charlotte viver uma e outra vez para além do seu passamento.

Na minha anterior entrada intitulada Política, Ciência, Linguagem (e Memórias), era feita uma referência específica ao papel desempenhado pela delegação da Suécia numa determinada negociação comunitária tendo Bruxelas por palco. A minha amiga Charlotte von Redlich era nessa altura a chefe da delegação sueca. Um ano depois da negociação mencionada naquela entrada, cabia à Charlotte presidir ao grupo de trabalho (durante o primeiro semestre de 2001). Mas a Charlotte entretanto contraiu uma "doença prolongada". Mesmo assim, não abandonou o seu posto. A partir de certa altura presidia às reuniões com uns tubinhos de plástico que lhe entravam pelo nariz, vindos de um dispensador de morfina que carregava consigo à cintura. Nessa altura, o seu brilho intelectual já não era o mesmo, mas a sua gentileza continuava intacta. E a sua coragem aparecia com uma nitidez que não esperávamos. No intervalo entre duas reuniões, faleceu. Foi por ela que, pela primeira e última vez, chorei abertamente numa reunião do Comité dos Representantes Permanentes, sentado à mesa das negociações ao lado da Representante Permanente Adjunta portuguesa, que eu assessorava num certo ponto da ordem do dia. Nessa ocasião escrevi o seguinte texto.

À Charlotte von Redlich.

De nada me vale agora / ter aqui à mão o teu número de telefone, telecópia, endereço electrónico, / @ ministry_of_foreign_affairs_dot_se / porque não me irás responder / nem ninguém aceitará dizer-me que vens mais tarde ou talvez amanhã / e não sei como procurar outros caminhos para te falar. / Vieste do largo país antigo império do norte, / como eu venho do pequeno país antigo império do sul, / mas pela tua humanidade podias ter vindo de qualquer canto do mundo / por onde andaste / e espero que de algum modo ainda andes. / Cruzaste-te aqui / connosco / onde nos deste batalha / e rias-te de gozo quando fazias uma pergunta difícil / que sabias que nos ia atrapalhar, / mas antecipávamos que apenas lançavas os dados de rir-te com gosto / quando nos desembaraçássemos para te dar a resposta apropriada, / porque nitidamente para ti não haveria mundo / sem perguntas a fazer e respostas a procurar além das palavras / num perpétuo partir de novo. / Não nascemos na tua terra grande / onde podias às vezes ver o sol da meia-noite / e às vezes ver um dia todo breu, / e não somos, por isso, naturalmente dos teus, / mas estamos em crer que se nos esforçarmos para o merecer / poderás tu ser dos nossos, / porque aquela história de ser património da humanidade / certamente não vale apenas para pedras bonitas e antigas / e para nomes que vêm nos jornais de todas as capitais, / mas mais justamente ainda há-de valer para os nobres de todos os dias. / Andamos aqui entre ondas e vagas quotidianas / e paramos tão pouco para olhar nos olhos dos outros / e um dia reparamos que ainda não conhecíamos os traços dos rostos vizinhos: / confessa que partiste agora para nos avisar disso, enquanto é tempo. / Oro para que continues a olhar pela nossa humanidade / e se multipliquem as pessoas luminosas, o teu legado. / Não partas, Charlotte. / Pelo menos não partas hoje, / que ainda temos coisas a aprender contigo.

Porfírio Silva, Bruxelas, 29/03/2001

toca a rangel os dentes


Rangel sugere frente-a-frente Vital-Sócrates para decidir posição do PS sobre Durão Barroso.

Há pessoas (e partidos?) que suportam muito mal a liberdade de opinião. Normalmente, esses toleram mal esse fenómeno dentro das suas próprias paredes. Rangel, e o PSD neste caso, suportam mal a liberdade de opinião mesmo no espaço de outros partidos. É triste de ver.
Já agora, fica este apontamento: no caso (improvável) de os socialistas se tornarem, a nível europeu, o maior grupo do próximo Parlamento Europeu, o que Vital afirmou como sua opinião pessoal acerca de Durão terá, como nesse caso se veria, muitas virtualidades. Será por se dar conta disso que Rangel está a tentar atemorizar o PS com isto?

15.4.09

teoria e prática do vampirismo


Carvalho da Silva diz que música dos Xutos adequa-se à mensagem que emerge das manifestações.

«Está no sangue» de certos «camaradas», mesmo que sejam Doutores por extenso e tudo. Ler a cultura pela cartilha do "realismo socialista" à moda soviética: um quadro serve ou não a luta de classes, uma canção serve ou não serve para fazer oposição. Pensar a liberdade de criação artística para lá do imediato oportunismo, tá keto ó mau, issé k não. Insisto no que disse há umas horas.

o que os Xutos realmente pensam de Sócrates

profecias


Há um “risco de politização da justiça” diz novo presidente do sindicato dos Magistrados do MP.


E se eu começar a atirar os pratos ao chão e gritar "há o risco de ficarmos com a louça toda partida" - isso é o quê?

(É claro que o Público escreve que o tal senhor «denunciou publicamente, há duas semanas, a existência de pressões sobre os magistrados que investigam o chamado “caso Freeport”», assumindo o pressuposto de que as pressões existem, sem qualquer cautela do tipo "alegadamente" - porque, claro, para o Público a realidade é aquilo que os seus responsáveis ouviram uma nuvem dizer na Cova da Iria. Mas isso, da parte do Público, já não espanta.)

acobertar


Quando o grande intelectual que edita o blogue Abrupto dá publicidade a uma carta de um leitor que acha que o primeiro-ministro não trabalha porque passa a vida em "eventos", dando como exemplo uma semana em que num dia esteve numa escola e noutro dia esteve numa farmácia e num tribunal, acrescentando «em cinco dias úteis, dois foram passados em acções mediáticas» - estamos conversados acerca do calibre da personagem. Podia ao menos ser um pouco didáctico e explicar certos factos básicos da vida ao seu leitor, para não dar a ideia de ser tão primário e mal informado como o dito. Ou tudo o que vem à rede é peixe quando se trata de venerar o/a chefe?

verdades e mentiras muito europeias


Rangel responde a Vital e insiste nas contradições com PS sobre Durão.


Quando no PS não se notam públicas divergências, é porque o PS vive na paz dos cemitérios (unanimismo, medo, etc. e tal). Quando no PS há diferentes pontos de vista sobre uma questão, e eles se assumem, a isso chama-se contradições. Em que ficamos? Em nada, é só palha para quem a come.
Rangel devia responder a uma questão: se a candidatura de Durão é nacional (e o que é nacional é bom), por que razão Durão foi apresentado como candidato a presidente da Comissão Europeia por um partido, o Partido Popular Europeu? Se o PSD queria que Durão fosse o candidato português, por qual razão não o aconselhou a não se deixar atrelar a um partido específico?
Além do mais, o sr. Durão e os seus amigos do PSD são, nesta matéria, muito hipócritas. Quando publicamente faziam de conta que, em nome de Portugal, apoiavam António Vitorino para presidente da Comissão, andavam a manobrar partidária e secretamente para que Barroso lhe tomasse a vez. Trocar um português por outro português, apenas por razões partidárias. E contra os compromissos políticos públicos do governo português. Isto foi o que se passou na anterior ronda. E agora cantam de galo e querem dar lições a toda a gente - como se já estivesse esquecido, por eles e nós, a sua jogatina de há tão poucos anos.


vital asneira


Vital Moreira considera comentário de Paulo Rangel uma "excitação juvenil" .


Sou, regra geral, apreciador de Vital Moreira. Quer pela consistência da argumentação política (mesmo quando não concordo), quer pela capacidade para ver para lá da espuma dos dias e dos biombos dos interesses aparentes. Por isso mesmo, não compreendo a necessidade deste tipo de linguagem agora usada: não seria possível, mesmo tendo razão, atacar o seu recém-aparecido adversário sem palavreado de mau gosto? Quando até pessoas do nível de Vital descem a este linguajar, percebemos quão podre está a política deste país. Chiça!

sem eira nem beira, aos xutos e pontapés



Canção dos Xutos e Pontapés está a ser transformada em manifesto contra Sócrates.

"Sem Eira nem Beira", uma música do novo álbum dos Xutos & Pontapés está a ser lida por certos meios como um manifesto anti-Sócrates. Fontes da banda já vieram dizer que "nem por isso". Esta agitação com este assunto não me parece um facto menor. Parece-me até bastante revelador da mentalidade que se instalou numa nova classe de manipuladores das mentes. Sinto, pois, a obrigação de me declarar:
primeiro, que a canção em causa é evidentemente de protesto social, de denúncia de uma série de fenómenos que desagradam a toda a gente bem formada, e que o "apelo" ao "senhor engenheiro", contido no refrão, aponta para o governo como alvo da contestação - como teria de ser, porque uma canção não é um tratado de sociologia com subtilezas, é uma canção que tem de colocar as coisas na sua forma mais mobilizadora e entendível;
segundo, que muita da boa música que se tem feito, em Portugal e no mundo, há muitos anos, é precisamente de protesto e de denúncia social, e os Xutos têm entrado mais do que uma vez por aí - e ainda bem que tudo isso é assim;
terceiro, que a suposta tentativa, por parte de apoiantes do governo (nas câmaras, por exemplo) de calar este tipo de intervenção artístico-social, seria uma acção ridícula, mesmo que essa tentativa passasse "apenas" por tentar ignorar a banda na contratação para concertos;
quarto, que a tentativa de canalizar partidariamente (contra o PS, neste caso) esta canção de conteúdo social, transformando-a numa "peça de oposição", seria igualmente ridícula, por ser tão redutora como a acção "castigadora";
quinto, só mentes pequeninas, que não vêem para lá da sua esquina de pequenos ódios, é que se atrevem a tentar manipular a bendita liberdade dos artistas para fins directamente eleitoralistas, confundindo os planos - e, desse modo, mostrando que o seu afã propagandístico é menos subtil do que o do próprio António Ferro.
Pobre país onde tudo é reduzido a um único ponto, uma única questão, uma única vendetta para todos os grupos de rancores.



Anda tudo do avesso
Nesta rua que atravesso
Dão milhões a quem os tem
Aos outros um passou - bem

Não consigo perceber
Quem é que nos quer tramar
Enganar
Despedir
E ainda se ficam a rir

Eu quero acreditar
Que esta merda vai mudar
E espero vir a ter
Uma vida bem melhor

Mas se eu nada fizer
Isto nunca vai mudar
Conseguir
Encontrar
Mais força para lutar...

(Refrão)
Senhor engenheiro
Dê-me um pouco de atenção
Há dez anos que estou preso
Há trinta que sou ladrão
Não tenho eira nem beira
Mas ainda consigo ver
Quem anda na roubalheira
E quem me anda a comer

É difícil ser honesto
É difícil de engolir
Quem não tem nada vai preso
Quem tem muito fica a rir

Ainda espero ver alguém
Assumir que já andou
A roubar
A enganar
o povo que acreditou

Conseguir encontrar mais força para lutar
Mais força para lutar
Conseguir encontrar mais força para lutar
Mais força para lutar...

(Refrão)
Senhor engenheiro
Dê-me um pouco de atenção
Há dez anos que estou preso
Há trinta que sou ladrão
Não tenho eira nem beira
Mas ainda consigo ver
Quem anda na roubalheira
E quem me anda a foder

Há dez anos que estou preso
Há trinta que sou ladrão
Mas eu sou um homem honesto
Só errei na profissão



14.4.09

planeta MEO (actualização)


Como é bom viver no planeta MEO já expliquei aqui.
Agora, mais de 120 horas depois de ter comunicado a avaria que me deixou no planeta Meo, fui contactado pelos serviços técnicos para marcar uma observação ao doente. Como não posso passar a semana num local de férias e fins de semana, a visita do médico tem de esperar. Quando tiver a dita de ver o doutor entrar pela porta dentro, talvez para curar o doente, terão passado mais de 200 horas desde a participação da avaria. E feliz serei se a saga ficar por aí.

decotes, saias mini e lingerie preta no atendimento ao público

Apelo à Convergência de Esquerda nas eleições para Lisboa

12:35



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E não há conflito de interesses. Mas há interesse, isso há.

jardins metafísicos



Quioto, Novembro de 2005. Foto de Porfírio Silva.



O livro O Japão é Um Lugar Estranho, de Peter Carey, deve ser aconselhado a todos os apreciadores de Banda Desenhada que encaram essa prática como uma forma de cultura. Servindo como uma espécie de pré-introdução a formas japonesas que podem comparar-se à nossa BD, funciona também como entrada às complicações que a BD pode criar (e resolver?) na convivência entre gerações, especialmente nos ramos masculinos. E mais não digo, remetendo para a leitura.
(Entretanto, podem acompanhar a leitura com uma visita aos Jardins Metafísicos.)

13.4.09

vai uma "cuba libre"


Obama põe fim às restrições de viagens e ao envio de dinheiro para Cuba.


Não sou apreciador do regime cubano. Mas acho que, se percebermos minimamente como funcionam as pessoas concretas, entenderemos que esta orientação dos EUA face à ilha poderá dar mais frutos (a prazo) do que a "pureza ideológica" do passado. Estranho, aliás, é que os presidentes americanos tenham tido tanta dificuldade em perceber porque é que o capitalismo funciona. (Isto não é excesso de optimismo: é convicção de que devagar se vai ao longe.)

planeta MEO



Há uma explicação simples para ter desaparecido daqui nos último dias: estive no planeta MEO.
O serviço MEO é óptimo. Tenho, no sítio onde costumo refugiar-me para fim de semana, parte das férias, e certos períodos de trabalho concentrado-acelerado, o serviço triplo: televisão, telefone, internet. Tudo de qualidade... quando funciona. Quando avaria, é o diabo: é só conversa fiada das meninas que dão a voz à empresa, é só empurrar para a frente com a barriga mas sem que as mãozinhas cheguem a dar andamento a nada. Há vários dias. De uma comunicação de avaria feita ao princípio da tarde de quinta-feira, dizem-me hoje que ainda não foi passada aos serviços técnicos. Do serviço comercial, por outro lado, não são capazes de responder a uma pergunta simples: "qual é o vosso compromisso em termos de quanto tempo demoram, após a comunicação de uma avaria, a colocar os serviços técnicos a tentar repor o serviço?"
Certas empresas, por razões históricas mais ou menos conhecidas, têm um estilo soviético de relacionamento com o cliente. E continuam a ter, mesmo depois de deixarem oficialmente de ter a protecção do soviete supremo. Neste país, isso paga. Isso e outras espertezas saloias toleradas ao espírito "liberal-soviético", que junta todas as taras dos vários mundos possíveis.
Como voltei a casa, voltei a estar em linha.
Mas os camaradas do MEO vão certamente encarregar-se de vos poupar à minha escrita, na primeira oportunidade!