3.4.09

um sistema político entre outros possíveis



(Clicar amplia. Cartoon de Marc S.)


o desespero chega tarde?


Manuela Ferreira Leite diz que "Sócrates está a ultrapassar os limites da seriedade na política".


MFL acusa JS de mentir por lembrar as propostas do PSD em matéria de privatização parcial da Segurança Social. MFL, a propósito da nomeação de um corrupto condenado para gestor de uma empresa intermunicipal, nomeação que teve a intervenção de autarcas do PS e do PSD, critica o PS e diz que o PSD não tem nada a ver com isso. Que MFL não tinha qualquer ideia para o país, já se sabia. Que MFL é capaz da mais pura desonestidade para tentar esconder isso, começa a tornar-se patente. Que MFL, pensando que assim engana o país, mostra falta de inteligência, talvez até ela venha a compreender. De qualquer modo, MFL revelou-se muito melhor que Santana Lopes num objectivo que parece, agora, uni-los: tentar tornar o país ingovernável. Para isso serve a sua "credibilidade".

2.4.09

G20 e tal



Estou com os críticos que profetizam que nada de realmente novo resultará da cimeira, por nela apenas estar gente que quer remendar o sistema para salvar o sistema. Claro, as revoluções não são decididas por aqueles que seriam apeados pela própria revolução.
Por outro lado, não espero nada da generalidade dos críticos da esquerda académica, e estou certo de que eles não nos levarão mais longe do que os grandes das nações. Pela simples razão de que, também eles, estão a defender os seus privilégios. Os privilégios de uma intelectualidade que visiona outro mundo, mas com os pés bem metidos nas pantufas deste que temos.
Os verdadeiros revolucionários não vão aos manuais de ideologia ver se descobrem quem são os explorados. Vão às terras onde vivem compreender quem detém os privilégios e quem deles está afastado. E uma certa esquerda académica tem uma noção bastante curiosa de "privilégios". Por exemplo, custa-lhe a ver que a posse de um lugar num qualquer sector do aparelho do Estado, quando essa posse não dependa do real contributo dado pelo agente para a comunidade, mas apenas da anterior "aquisição" desse lugar - essa posse pode ser um privilégio. Pelo menos relativo. Ainda por exemplo, custa-lhe muitas vezes a ver que os sistemas de reformas e pensões não podem ser pensados apenas na óptica dos que se preparam para receber (os mais velhos), sob pena de fazermos com que a prazo esses sistemas não tenham resposta para os mais novos (porque pode já ter secado a fonte quando chegar a vez deles). E como não vêem isso continuam a demagogia das reivindicações assentes no princípio cosmológico de que o dinheiro cai do céu. Quando não cai, imagine-se. Ora, hoje em dia, uma parte importante da esquerda académica está enredada nas cegueiras desses novos privilégios, por táctica política as mais das vezes.
Entretanto, os verdadeiros deserdados do mundo são outros e andam por outras guerras. Guerras que não interessam muito a uma certa esquerda académica. Por exemplo, o micro-crédito, que tanta importância prática tem para tantos dos verdadeiramente pobres nos países realmente pobres, não parece ser um tema de grande interesse para muita dessa esquerda: talvez por crédito cheirar a "banco" e "banco" cheirar a capitalismo e isso não colar bem com o discurso primário anti-bancos. E lembramo-nos também de outros temas da "velha esquerda", que não parecem nada convenientes para a nova vaga: cooperativismo, autogestão, ... Porquê: porque a ideia que têm é que dá pouco resultado tentar recrutar "revolucionários" na base da ideia quase religiosa da "entrega ao outro".
A esquerda académica não fará a revolução de pantufas, certamente. Uma outra questão será: farão a revolução os que partem vidraças e se exibem destruindo mobiliário bancário em manifestações mediáticas?

[Líderes mundiais já estão reunidos no Excel Centre para a cimeira do G20.]

1.4.09

G20 é da mesma família da G3?

pérolas de feira


O Público tem hoje este título na primeira página: «PGR questiona ex-membro do governo de Guterres sobre pressões no caso Freeport».
Espero, para os próximos dias, títulos do género «Polícia nascido às 13:23 do dia x do y de 1975 na Maternidade Alfredo da Costa interrogado em tribunal», «Homem vestindo camisola interior às riscas verdes e brancas horizontais atropelado mortalmente no IC19», «Professor universitário que na sua juventude costumava consumir cálices de vinho do Porto num bar do Bairro Alto lança livro de contos fantásticos», «Mulher que usa soutiens 32 copa B promovida a directora de marketing do Banco Tal». Em qualquer desses casos ninguém se preocupará com a relevância dos detalhes para a substância da notícia, porque todos estarão convencidos de que o Público simplesmente aprecia rechear as notícias com detalhes irrelevantes.
Ou, em vez disso, trata-se de o Público apresentar sistematicamente o mundo como uma universal tramóia dos socialistas contra tudo o que existe de decente, sendo "decente" equivalente a "ao gosto do sr. Fernandes"?

fair play



Na I Liga romena de futebol, um jogador esclarece o árbitro: o que se passou não justifica a grande penalidade que está a assinalar... contra eles!

31.3.09

um alegado país


Procurador investiga alegadas pressões do director do Eurojust no caso Freeport.


Enquanto é relativamente simples provar a veracidade de uma proposição particular afirmativa, como "Alguns, pelo menos um, dos cabelos na tua cabeça são pretos", desde que ela seja verdadeira, porque basta encontrar um desses cabelos pretos - é, pelo contrário, virtualmente impossível provar a veracidade de uma proposição universal negativa, como "Nenhum grão de areia é exactamente redondo", mesmo que ela seja rigorosamente verdadeira, porque para fornecer essa prova seria necessário inspeccionar todos os grãos de areia e, para cada um deles, mostrar não ser ele redondo.
É nesta assimetria lógica que jogam os caluniadores de figuras públicas - figuras que, numa terra de invejosos, como é a nossa, ardem como palha no Verão. Desde que eu alegue que comprei o teu inimigo, está visto e provado em todos os priorados do mundo que o teu inimigo foi comprado. Ele terá de provar a sua inocência, mesmo que isso seja praticamente impossível, como mostra a pura lógica. Por ter de provar que nenhuma das moedas existentes à face da terra passou alguma vez ilegitimamente pelo seu bolso. E, em acrescento, se alguém exigir que as alegações postas a público sejam fundamentadas por quem de direito, diremos, para não esmorecer a campanha, que estão a pressionar as autoridades. Alegadamente, claro. E, para, aos olhos de alguns, dar credibilidade à acusação, basta poder dizer que o acusado passou, em algum momento da sua vida, ao alcance do cheiro do perfume de algum antigo governante socialista. Porque, claro, quem os cheira não é boa gente.
Isto é o paraíso dos imbecis: porque para discutir estes temas basta ter cursado o ensino pré-primário, mesmo que se escreva nos jornais, fale na TV, ou se edite um blogue. Se o debate fosse outro, por exemplo como se há-de governar o país nestes tempos de crise de paradigma, já se notaria mais facilmente como é esquelética a estrutura intelectual dos debatedores. Assim, deste modo, por esta arte, podemos viver, antes, num alegado país, e fazer de conta que temos realmente uma pátria.


kraftwerk, machina speculatrix

lamentações de jeremias


Santos Silva desafia presidente do SMMP a esclarecer pressões sobre magistrados.

Pobres magistrados. Não os deixam trabalhar em paz. Ainda só começaram há menos de meia dúzia de anos a andar às voltas com um processo que serve tão bem para manter sob pressão o líder de um partido e de um governo - e agora querem que se despachem. Caramba, é de mais. Uma investigaçãozinha destas tem de dar para manter sob pressão pelo menos duas eleições legislativas. Não se pode pressionar os magistrados para que acabem com um clima de pressão completamente artificial, não se pode, não se pode, isto faz tão bem à espinha dos grupos à espera de vingança. Caso contrário, não haverá centrais de contra-informação que cheguem para dar aviamento às necessidades do calendário em matéria de conspiração. E ninguém compreende isso? Agora querem que os magistrados se despachem? Deviam ter um pouco mais de calma e esperar pelo menos mais uns meses, por dar tanto jeito ter qualquer coisinha para manter sob suspeita o primeiro-ministro. É que, não sendo isso, quem se pode encarregar de o atacar, se a oposição política é só retórica?

concurso de fotografia


Clicar na foto para aceder ao regulamento do concurso.

por muito que custe a alguns demagogos (também os há na esquerda)...

cortar a relva de papo para o ar? (crónicas de gente da casa)

29.3.09

fcg



(Foto de Porfírio Silva. Clicar amplia)