7.2.09

o algodão não mente


Sobre o caso Freeport, escrevi aqui a 29 de Janeiro: «Depois do que a imprensa publicou, não vejo alternativas: de algum modo, Sócrates devia possibilitar o escrutínio das suas contas para matar a suspeição Freeport. (...) Se se encontrar lá o dinheiro sujo, o homem tem de ir embora. Se não se encontrar, outros terão de extrair as consequências.»
Eu alinhava, portanto, no pressuposto de que havia mesmo dinheiro cuja falta, suspeita, carecia de ser explicada.
A Visão desta semana informa:
«Desde que o caso Freeport (...) voltou a ocupar o topo da actualidade (...) muitas foram as informações díspares e desencontradas que vieram a lume. Uma, porém, foi sempre assinalada como sendo à prova de bala: a de que a investigação do SFO [Serious Fraud Office] teria sido iniciada depois de, em 2007, o grupo Carlyle ter detectado, ao comprar o outlet, um buraco nas contas do Freeport PLC. (...) Mas o certo é que até esta alegação pode estar comprometida, já que um porta-voz autorizado do grupo Carlyle afirmou ao jornal britânico Daily Mail que uma "investigação técnica independente" das contas do grupo não encontrou qualquer indício das alegações de suborno e corrupção. (...) [Afirmou ACV] porta-voz do grupo em Portugal: "As nossas contas foram auditadas e nelas não se encontrou nenhum money missing [dinheiro em falta] nem nenhum black hole [buraco negro] (...).»

Afinal, se calhar até a pista do "procurem o dinheiro" passa de (mais uma) falsa existência...

Freeport: Notícias envolvendo magistrados permitem "clima perverso de suspeições institucionais"

economia de planeamento central estatal?


Freeport: Falta esclarecer as razões que motivaram a aprovação do Governo, diz Joanaz de Mello.

No meu entendimento, as leis de protecção ambiental são aplicadas para evitar que se desequilibre seriamente a relação sustentável entre os humanos e o resto da natureza. E essa aplicação faz-se dando aos poderes competentes o dever de impedir que se concretizem projectos que firam, nos termos da lei, esse equilíbrio.
Como se faz isso? Se alguém, legitimamente, quer construir algo, as "autoridades ambientais" julgam se, à luz da lei, deve ser autorizado ou não. Ou sim, mas com condições.
Agora, a ideia de que as "autoridades ambientais" é que têm de querer que algo se construa, é inverter completamente os papéis. Eu comprei um terreno, quero fazer qualquer coisa de útil (para mim, para a minha terra, para o emprego, para a economia, ...) com ele, e apresento o projecto de acordo com a lei. Tenho de esperar que o Ministro queira, deseje, adore, aprecie, ame o meu projecto? Ou apenas esse tal Ministro tem de garantir que a lei se aplique de forma razoável, mesmo que não morra de amores pela minha iniciativa?
Uma certa espécie de ambientalistas continua a sonhar com a possibilidade de serem os novos polícias da sociedade. Um Grande Irmão com droit de regard sobre este mundo e o outro. Uma espécie de economia de planificação central segundo as preferências dos ambientalistas organizados. E os "promotores privados" (diabolizados de novo) teriam talvez de dirigir-se antes de mais ao Ministro da pasta a saber do seu interesse por esta ou aquela iniciativa? Ou teriam antes de mais de pedir audiências aos dirigentes das associações ambientalistas, transformadas em Comité Central do politicamente correcto?
É segundo estas linhas que prossegue a grande operação de inversão do ónus da prova no caso Freeport. Com alguns "intelectuais" e "ambientalistas" a colaborar na manobra, só porque isso reforça o politicamente correcto ambientalês.

6.2.09

o medo, os socialistas - e ainda os falsificadores


Anda por aí um grande alarido porque Edmundo Pedro, fundador do PS, falou na existência de medo nesse partido. E um coro enorme de falsificadores tratou logo de colocar na boca de Edmundo Pedro aquilo que ele não disse. (Sei bem o que Edmundo Pedro, e os demais, disseram nessa ocasião: por acaso até fui eu que moderei o debate que motivou todo esse escarcéu.) Mas esses falsificadores podem saber, se o quiserem saber, que são falsificadores - porque Edmundo Pedro teve a oportunidade de plasmar nas páginas de um jornal (o Público de hoje) o seu ponto de vista - desta vez não censurado, porque ele tinha sido censurado por aqueles que descontextualizaram e truncaram a sua intervenção.
Afirma Edmundo Pedro (p. 8 do Público de hoje, repito para os que nunca encontram aquilo que não lhes interessa):
«As minhas afirmações foram descontextualizadas e isso deixa-me indignado. Uma frase dessas dá a ideia de que é um partido do medo e o PS é um partido de homens e mulheres livres. Mas é verdade que houve casos isolados de pessoas, sobretudo ligadas às autarquias, que me disseram estar com a moção [que subscreve] mas não a assinavam porque devido à sua posição tinham algum receio. Isto não quer dizer que o receio seja difundido pela direcção, nunca vi sinal nenhum disso. E não se pode generalizar: é um velho reflexo da sociedade portuguesa, não é do PS. As pessoas têm muitas vezes alguma dificuldade e receio em tomar posições ou ser frontais.»
E ainda:
«É verdade que o partido não é hoje o que era há 30 anos, quando era um partido de militância e causas. Há uma desertificação ideológica, mas isso acontece com todos. Há muita gente que vai para os partidos só com a intenção de subir, de se aproveitar, de ter um lugar. Nos partidos à direita do PS, é até mais evidente.»

Pode gostar-se ou não das declarações deste ou daquele senhor-camarada-ministro. Há coisas que não vão com o meu modo de ser. Não gosto de discussões centradas em refrões de feira. (Nem do sempre pronto a baralhar sem dar nada de novo, de seu nome Lello.) Mas não não acredito que um partido democrático possa viver com medos das discordâncias (grandes ou pequenas) no seu seio. E acho risível que haja jornalistas que desconhecem o facto de um grande partido democrático não ser propriamente um coro de freiras. Talvez por certos directores de jornais ainda serem demasiado marxistas-leninistas-qualquercoisistas é que alguma imprensa "de referência" vê telenovelas onde apenas há... vida. Ainda. Malgré tout.


chamem a dona amélia


Miguel Portas: PSD tem tantas hipóteses de governar como o Bloco de Esquerda.

Segundo um dos principais dirigentes do BE, o PSD não pode ganhar as eleições. O próprio BE também não. Suponho que isso queira dizer que... ninguém pode ganhar as eleições. Excepto, talvez, o PS. Mas o BE deve rejeitar qualquer coligação de esquerda para formar governo. E, a bem da coerência, devia abominar que o PS fizesse acordos com a direita: ou o BE quer, anseia, pede uma governo mais à direita do que o PS? Ou o BE quer simplesmente que não haja governo? É o supremo delírio da esquerda que se quer irrelevante. Que não se acha sequer com a responsabilidade de fingir que quer assumir responsabilidades.
(Claro que o BE apenas quer dizer aos eleitores de esquerda que não precisam de votar PS para evitar a vitória do PSD. Mas, para isso, tem de mostrar que se sente bem... apenas a dizer mal. O que, aliás, sendo o desporto nacional, deve render.)


compostagem (tudo para salvar o planeta)



Tudo para salvar o planeta.
(Clicar amplia. Cartoon de Marc S.)

5.2.09

começar mal o dia


A ver um suposto imigrante indocumentado ser detectado por viajar de autocarro sem título de transporte válido. Com todo o oceano de coisas que isso pode significar. Ou não.

2.2.09

voluntariado ?!?!?!?!


Educação: Ministério quer recrutar professores reformados para trabalho voluntário nas escolas.


«O Ministério da Educação (ME) pretende recrutar professores reformados para, em regime de voluntariado, colaborarem no apoio aos alunos nas salas de estudo, em projectos escolares ou no funcionamento das bibliotecas, entre outras actividades.»

Já vai, por essa blogosfera fora, um enorme coro de indignação por causa da proposta do voluntariado. Muitos escrevem como se fosse um enorme insulto e desconsideração.
Será possível que gente tão educada desconheça a realidade do voluntariado em inúmeros sectores da sociedade portuguesa, e até mais em outros países mais desenvolvidos (e por isso mesmo)? Que desconheçam o valor e o significado dessa prática, e quão importante ela é para a realização pessoal de tanta gente, especialmente dos mais qualificados? Tanta ignorância e primarismo até faz pena.

afinal no PS também falam destas coisas?


A Relevância da Esquerda num Mundo de Desafios
(título de um debate entre as moções globais ao Congresso do PS
organizado pelo Clube de Reflexão Política "A Linha")

(Clicar para ampliar)

1.2.09

o homem novo e a moral revolucionária


Freeport: Jerónimo quer que Cavaco descodifique expressão “assunto de Estado”.


O PCP hesita entre a sua velha "moral comunista" e associar-se ao linchamento de Sócrates. Parece ponderar os ganhos de fazer de conta que não percebe que não é a justiça que está em questão, mas a manipulação dessa mesma justiça. Se calhar Jerónimo já se esqueceu de como deu mau resultado aquela jogada "de esquerda" que, aqui há uns anos atrás, tentou entalar Sá Carneiro por ele ter uma relação extra-marital (viver com Snu sem ser casado com ela) sendo católico. Enfim, sinal dos tempos.

educação, uma avaliação (again)


Está no site da OCDE: o tal relatório sobre avaliação de políticas de valorização do Ensino Básico em Portugal, que parecia ser da OCDE, mas não era da OCDE, e que por isso foi tratado por muitos como se fosse uma folha de couve escrita pela Lurdinhas às escondidas, é na realidade um relatório que a OCDE diz que foi feito segundo uma abordagem similar à que a própria OCDE usa nas suas avaliações das políticas de educação ("the authors used an approach similar to that used by the OECD in assessing education policies over a number of years", lê-se no tal site).

Deborah Roseveare, Chefe da Divisão das Políticas de Educação e Formação, Direcção para a Educação da OCDE, escreve no Prefácio ao Relatório:
«Portugal pôs em prática, desde 2005, um conjunto ambicioso de medidas para melhorar as condições de ensino e aprendizagem nos primeiros quatro anos de escolaridade obrigatória, que correspondem ao primeiro ciclo do ensino básico. Estas reformas têm sido abrangentes e a forma como têm sido planeadas tem posto em evidência aquilo que constitui boas práticas noutros países e as lições aprendidas noutros lugares. Contudo, foram cuidadosamente adaptadas ao contexto português, para responder às prioridades e aos desafios próprios do país.»

São uns vendidos, estes tipos da OCDE. Foram de certeza todos nomeados pela Maria de Lurdes. Os comentadores portugueses é que os topam...

(Em homenagem ao JMD e ao seu COGIR.)

jóias raras: portugueses de topo



Gestor judicial da Qimonda encontra-se amanhã com ministro da Economia.

A crise avança. E pergunta-se "o que fazer". Enfim: perguntam-se, alguns. Outros preferem entreter-nos/se com outras coisas.

Assim na "Europa".

Enquanto a França esteve a presidir ao Conselho Europeu, a actividade febril de Sarkozy fazia com que desse a ideia de que a UE se estava a mexer. Até o presidente da Comissão Europeia, o português José Manuel, parecia andar a fazer qualquer coisa para que a Europa enfrentasse a crise. Mas se calhar estava só a tentar não ficar de fora da fotografia. Agora, com os checos mais a tentarem entender-se uns aos outros do que a tentarem presidir ao que quer que seja na UE, nota-se muito mais o vazio. Barroso parece estar apenas interessado na renovação do seu mandato - muito mais interessado nisso do que em saber o que pode fazer de útil com esse mandato. E isso começa a notar-se. E a Europa aqui tão perto.

Paris s'inquiète de la fragilité de la zone euro.

Spéculations à Bruxelles autour de José Manuel Barroso.


Não, os media não têm culpa nenhuma...