26.9.08

os ricos que paguem a crise


Ainda não há compromisso político para atacar a crise em Wall Street.


«Privatizar os lucros, mas socializar os prejuízos: esta tem sido a regra, em quase todo o mundo, quando se assiste a ciclos de expansão rápida do sistema financeiro, seguidos de quedas abruptas e perdas quase incontroláveis. Um estudo publicado este mês pelo Fundo Monetário Internacional revela que, em média, nas mais de cem crises bancárias detectadas durante as últimas três décadas, o custo suportado pelos contribuintes para estabilizar e evitar as falências foi de 13,3 por cento do PIB dos respectivos países. E em algumas economias o valor atingido chegou mesmo a superar os 50 por cento.»
(do suplemento Economia do Público de hoje, página 5)

Bancos centrais da Europa e EUA injectam mais dinheiro nos mercados.


Vivamente aconselho: ler quem deve ser lido, nesta matéria em que é essencial escutar quem sabe do que está a falar: LADRÕES DE BICICLETAS.

piscadela de olho ao pessoal da Inteligência Artificial

09:00


A quem estaria o Matthijs a explicar a ideia do mundo dos blocos?
(clicar para ampliar)

25.9.08

há azar?

noite dos investigadores


Amanhã, numa tenda montada nas traseiras do Centro Cultural de Belém, a partir das 14 horas e até à uma da manhã, decorre a "Noite dos Investigadores". Trata-se de uma actividade de divulgação da ciência a decorrer simultâneamente em vários pontos de todos os países da União Europeia. Aí estarão a decorrer experiências científicas, exposições e outras acções de contacto com a ciência e com os cientistas. Também há actividades a decorrer em outros pontos da cidade e em outros pontos do país - e em mais 200 cidades europeias.
Nós estaremos lá com uma pequena experiência de robótica... mas isso depois contamos.

Mais informações, disponibilizadas pela própria organização, clicando aqui.


Desenho anatômico de útero com feto feito entre
1510 e 1512 por Leonardo da Vinci (1452-1519)

um PSD ganhador


Novo Estatuto Político-Administrativo dos Açores aprovado por unanimidade. PSD vota a favor mas considera que contém inconstitucionalidades e anuncia que vai pedir a fiscalização sucessiva da constitucionalidade do diploma.


Ainda dizem que o PSD de Ferreira Leite não se esforça para ganhar eleições. Claro que esforça: vota a favor mas despoleta os mecanismos que permitam uma eventual declaração de inconstitucionalidade. Jogar em dois carrinhos ao mesmo tempo não é sinal de esforço para ganhar eleições?

estados baralhados da américa


Não me parece justo que se brinque com a capacidade política de Sarah Palin como candidata a vice-presidente dos EUA. Ela disse logo numa das suas primeiras intervenções que não era uma política, apesar de ser governadora de um estado e muitas outras coisas. Mas isso não é qualquer estupidez dela. O seu candidato a presidente, John McCain, é que dá o tom. Como se vê agora: a ideia de "suspender a campanha" para ir dar uma mãozinha ao ainda Presidente no assunto do plano de emergência para salvar o sistema financeiro - nem o nosso inefável Pedro Santana Lopes se lembraria de uma popularice tão ordinária.
A tentação é sempre a mesma: eu não faço política, eu trabalho pelos interesses da nação, só me rebaixo a fazer política quando os outros me obrigam, campanhas eleitorais são um mal necessário que se "suspendem" logo que possível. A hipocrisia em estado puro. E a completa falta de lógica: em tempo de campanha, tudo o que se faz é campanha. "Suspender a campanha" é acreditar que o seu eleitorado potencial é suficientemente burro para não compreender isso.
Haverá alguma garantia de que depois deste Bush não virá nada pior?



(Clicar para aumentar. Cartoon de Marc S.)

grafitos de braga





(Fotos de Porfírio Silva. Braga, Setembro de 2008.)

24.9.08

os apóstolos do costume


Pascal Lamy (OMC): proteccionismo não é resposta para a crise financeira.


Os do costume o que querem é evitar que alguém pare para pensar. Divisão social do trabalho: enquanto os especuladores que meteram a pata na poça estão a digerir o que os Estados gastaram a salvá-los, outros tratam de evitar que alguém consiga mudar alguma coisa. Mas seria bom dedicar mais algum tempo a explicar a relação entre "abertura dos mercados a toda a força" e "desregulação com consequências à vista". Não é que eu seja proteccionista, mas o abuso continuado de slogans simplistas pode causar desinteria.

como (não) se faz um santo (nos altares)

espelho meu


Confrontos entre grupos de jovens originaram cena de justiça popular em Alhos Vedros.


Claro, tirando os mais desavergonhados, todos vão lamentar mais esta explosão de justiça popular.
Mas essa imensa maioria vai continuar a babar-se com fugas ao segredo de justiça sobre X ou Y que está mesmo mesmo quase a ser constituído arguido, sobre Z ou W que não foi condenado só porque "os poderosos safam-se sempre" e contudo no entanto mesmo assim de qualquer modo há-de ser sempre culpado aos nossos olhos omnividentes que estão bem abertos, sobre sicrano e beltrano que foi destruído pelo circo mediático e pela indústria do jornal em papel higiénico mas é bem feito porque são todos iguais.
É assim articulado o populismo banal que comemos todos os dias, por exemplo nas caixas de comentários de jornais respeitáveis, como o Público, que evitam filtrar essas porcarias populistas para não perder leitores - esquecendo que assim passam a mensagem de que essa justiça popular é louvável a ponto de poder constar no sítio de jornais de referência na rede. Cúmplices, pois.
Mas, em Alhos Vedros, aí é que não. Não abusemos, caramba. Em Alhos Vedros, não!

angariadores


Cavaco angaria apoios para candidatura de Portugal ao Conselho de Segurança da ONU.


E Sócrates angaria vendedores de petróleo que aceitem troca por bicicletas de Sangalhos. Afinal, sempre é verdade que a infraestrutura económica determina a superestrutura política...

Ou então: a nova economia globalizada está cada vez mais parecida com o mercado medieval... o que sempre alimenta a esperança de que se possa voltar a um tempo sem moeda, permitindo extirpar o cancro financeiro.

23.9.08

meu querido portugal


Governo em peso nas cerimónias de entrega dos primeiros Magalhães a crianças do 1º ciclo.


Portugal vai ser pioneiro a nível mundial no aproveitamento da energia das ondas.


Há sempre críticos para tudo. "Computador português? Isso é fácil e não é todo feito cá." "Energia das ondas? Se calhar foi o ministro que descobriu o processo, não?!" Claro, se a economia americana espirra, a culpa é do governo português. Mas, se a economia portuguesa é empurrada, literalmente empurrada, para ir mudando pouco a pouco o seu padrão de especialização no mercado internacional, é obra e graça do Espírito Santo. Semear a descrença e o negativismo é o método dos que alguma coisa têm a ganhar com o baixar de braços. Esses conhecem o país e sabem que estão melhor servidos enquanto a sua "luminância intelectual" continuar a parecer grande apenas à custa de umas quantas atoardas.

22.9.08

BD, história, política


Não é novidade, porque andava há vários anos a sair, mas agora aparece toda uma época reunida num único volume. Falamos da banda desenhada MARZI, escrita por Marzena Sowa e desenhada por Sylvain Savoia.
Marzena Sowa volta à pele da infância e conta como uma rapariguinha via a Polónia dos anos 80 do séculos passado, com o comunismo e as suas peripécias, a oposição do sindicato Solidariedade ao regime, e mil e uma coisas que só uma criança vê.



Capa do volume que reúne os anos 1984-1987. A seguir, duas pranchas do mesmo álbum. (Todas as imagens deste post podem ser ampliadas: clicando sobre elas.)





Este álbum, saído este mês neste formato em francês, reúne três álbuns.
O primeiro, intitulado Petite carpe, introduz Marzi, rapariguinha polaca de 7 anos nacida em 1979, que observa o quotidiano e nos dá a ver certas coisas que podem parecer estranhas. «Antes, havia árvores, paisagens selvagens onde o homem não intervinha. Estaline decidiu "corrigir" esse espaço. E agora, em vez de árvores, há casas de cimento por todo o lado. Estaline mandou construir uma fábrica, graças à qual muitas pessoas encontraram trabalho, entre elas o meu pai.»
A seguir, duas pranchas do que foi o primeiro álbum.




O segundo álbum, intitulado Sur la terre comme au ciel, leva Marzi mais e mais para dentro das complicações da vida: desde o estado de guerra declarado para tentar salvar o regime, até ao encontro com concepções religiosas com as quais é difícil de lidar - "pecado", por exemplo.
A seguir, capa e duas pranchas do que foi o segundo volume.







O terceiro álbum, intitulado Rezystor, leva Marzi para novas descobertas, que felizmente outras crianças nunca chegaram a fazer: racionamento alimentar, por exemplo. Mas isso, enquanto política, não é o mais importante na vida de qualquer rapariguinha. Mais premente será, por exemplo, o cãozinho novo. Contudo, a Polónia real não era só essas doçuras de criança. O título do álbum, que em polaco quer dizer "resistência", no sentido de resistência eléctrica, uma pequena peça, era o sinal de reconhecimento mútuo usado pelos operários que clandestinamente se opunham ao regime comunista. Guardavam a resistência no fundo dos seus bolsos para se poderem identificar como resistentes, como membros da resistência.
A seguir, capa e pranchas do que foi o terceiro álbum.







E agora temos isto tudo junto, num único volume. Continuam a sair mais álbuns, mas já está prometido, para daqui a um ano (Setembro de 2009), um volume com o período 1987-1989. Para já, vamos lendo este.

Ver as caras: abaixo, à esquerda, Marzena Sowa. À direita, Sylvain Savoia.



Tudo isto constitui um convite: vamos ler. BD é cultura.

(Os meus agradecimentos à amorosa senhora que me ofereceu o álbum.)