13.9.08

uma prenda...

... para os que odeiam as campanhas anti-tabágicas.


Modern Mechanix, Novembro de 1931

12.9.08

um político entre políticos



Cavaco Silva: "Posso vetar politicamente o Estatuto dos Açores depois de corrigido das inconstitucionalidades".


PSD/Açores mantém posição sobre alterações ao Estatuto Político-Administrativo da região. José Manuel Bolieiro (PSD/Açores) adiantou, ainda, que o "PSD não comenta o sentido de oportunidade de entrevistas", a menos de dois meses das eleições regionais de 19 de Outubro.


CDS-Açores: Cavaco Silva está a servir de "catalisador para os centralistas".


Açores: PS garante que alterações que introduziu respeitam as competências do Presidente da República.



Será desta que Cavaco percebe que é um político como muitos outros? Ou ele já sabe disso há muito tempo mas disfarça bem?

(Isto não quer dizer que ele não possa ter razão. Como muitos outros políticos têm também muitas vezes razão. Só acho interessante que o homem desta feita aceite "misturar-se" com uma "classe" a que, pertencendo, gosta de fazer de conta que mantém à distância. Até já confessa que conversou com dirigentes partidários, vejam lá: e eu a pensar que ele só conversava com anjos.)

política de todos os dias


Cavaco Silva: "Posso vetar politicamente o Estatuto dos Açores depois de corrigido das inconstitucionalidades".


Cavaco Silva, que sempre pensou existir por direito próprio num plano supra-político, numa extra-territorialidade quase-angelical, plano no qual só ele caberia e onde não poriam os pés "os políticos", impuros e descartáveis - está cada vez mais enredado na política de todos os dias. E já a sua proverbial "candura do Pulo do Lobo" começa a estalar: já não lhe chega fazer de conta que não viu, não ouviu, não disse nada. Sigo com curiosidade, expectativa mesmo, esta história de descida aos infernos...

nova arte chinesa



A propósito de uma visita, em férias, a uma exposição de que aqui falaremos um destes dias, damos uma olhadela a um trabalho de um duo de artistas chineses dos nossos dias. "Dos nossos dias" por serem de agora. "Dos nossos dias" por dizerem coisas que podemos ouvir com os nossos próprios interesses e não "para saber o que andam os chineses a fazer".




Sun Yuan e Peng Yu, Old Persons Home, 2007.
Treze esculturas em tamanho natural, movendo-se em cadeiras de rodas eléctricas com dinâmica autónoma.


"Gente" com ar de ter sido importante, lembrando figuras políticas de topo a nível internacional, vagueando impotentes em cadeira de rodas num asilo de velhos. Abaixo, detalhes de uma das realizações da obra. (São mesmo estátuas nas cadeiras de rodas...)




Uma nova conferência de Yalta?



Um intervalo de uma cimeira da ONU?



Participantes de um Conselho Europeu?



Uma diligência diplomática?




Os efeitos colaterais do esforço de governar?



Caídos da cadeira a quem também ninguém disse nada?



As mãos que mexem os cordelinhos?



Ou as mãos mexidas pelos cordelinhos?



O sono dos justos?



Ou o sono que a justiça impôs?



E assim vai o mundo.




Ou será só ficção? Será só arte?

11.9.08

e o alberto joão...

a principal causa do déficit demográfico na europa

a tragédia dos comuns e os ladrões de bicicletas


Podemos tentar furar a barreira ideológica dominante? Podemos tentar pensar?
Podemos.
José M. Castro Caldas ajuda. Mais uma vez. Por exemplo, na blogosfera. Por exemplo, nestas duas postas:
A Tragédia dos Comuns.

A Tragédia dos Comuns II.

Mesmo sem estarmos sempre de acordo com as conclusões que se tiram, é preciso estar atentos ao Ladrões de Bicicletas. A casa daqueles escritos. Que se recomenda.

10.9.08

bolsas para alunos do 1º ciclo de Bolonha no ISR


Encontra-se aberto concurso para atribuição de 4 Bolsas de Integração na Investigação (BII), no âmbito dos projectos de investigação SocRob – Soccer Robots / Society of Robots e Institutional Robotics do Instituto de Sistemas e Robótica.
Pode candidatar-se quem frequente um curso de 1º ciclo do ensino superior (Bolonha) em áreas próximas dos requisitos do projecto (não necessariamente alunos do Técnico).

Por específico interesse da minha parte divulgo aqui a descrição de uma das bolsas:

Bolsa 4: Robótica Institucionalista e Interacção Social entre Agentes Encorpados (incluindo Humanos e Robots)
Projecto: Robótica Institucionalista
Orientador: Porfírio Silva
No quadro da investigação sobre modalidades de interacção social entre agentes de diferentes espécies (incluindo a interacção natural entre múltiplos humanos e múltiplos robots), pretende-se realizar uma série de experiências num mundo virtual densamente povoado que não seja globalmente controlado pelos autores da experiência (provavelmente, o Second Life). Será necessário programar diferentes tipos de agentes (incluindo robots humanóides e não humanóides) para serem inseridos no mundo virtual, aí realizarem determinadas experiências de interacção com objectos e avatares (controlados directamente por humanos) e registarem dados relevantes para análise. O objectivo é testar formas de um agente artificial determinar, a partir de informação inicial escassa, que comportamentos sociais são incentivados, permitidos, tolerados ou proibidos numa dada "sociedade artificial". A programação dos agentes a inserir no mundo artificial será o principal trabalho a realizar.

Data limite para candidaturas: 15 de Setembro de 2008.

Para consultar uma transcrição do edital clicar aqui.

qualificados e desqualificados: empregos neste jardim à beira-mar plantado

bloco central

a carta da imperatriz

ensaios quase estatísticos (2)

09:00

Este é outro dos trabalhos de Chris Jordan, da série Running the Numbers, An American Self-Portrait. Título: Prison Uniforms, 2007. Dimensões: 3m x 7m em seis painéis. Que mancha enorme é esta?



Vejamos um zoom parcial.



O que aqui temos: uniformes prisionais dobradinhos. São 2,3 milhões: o número de americanos que se encontravam na prisão em 2005...



Mais obras de Chris Jordan em http://www.chrisjordan.com/.

9.9.08

ensaios quase estatísticos

09:44

Se o mundo não lhe faz impressão, pode clivar nas fotos para ver os detalhes...

Este é um dos trabalhos de Chris Jordan, da série Running the Numbers, que se pretende An American Self-Portrait. Título: Constitution, 2008. Dimensões: 2,5m x 7,5 m em cinco painéis. Podemos ler as palavras iniciais da Constituição americana.



Mas vejamos como se forma esta imagem. Zoom parcial. Há aqui qualquer coisa nos detalhes.



Vejamos mais de perto.



O que mostra em detalhe o fundo de uma constituição de liberdade? Uma possibilidade política. São 83.000 fotografias de prisioneiros de Abu Ghraib, o número de pessoas colocadas em instalações de detenção sem julgamento ou outro processo legal "normal" durante a "guerra ao terror" promovida pela Administração Bush.


8.9.08

aquele querido mês de agosto


De Miguel Gomes, Aquele Querido Mês de Agosto tem sido bem recebido como filme "português" (mostraria o "Portugal profundo" com emigrantes e tudo) e tem sido largamente comentado como uma inteligente mistura de documentário e ficção.

Fomos ver e gostámos. Mas queria fazer uma apreciação "formal" sobre "Aquele Querido Mês de Agosto", por ele me fazer lembrar filmes cuja dinâmica central é uma mudança "de clima" que resulta quase imperceptível pela sua longa preparação mas brutal pelos seus efeitos. Exemplo: o "Sol Enganador", de Nikita Mikhalkov (1994), onde se começa numa atmosfera de exuberante alegria campestre, onde os homens são fortes e as mulheres são belas e os campos são invencíveis e o sol inesgotável - para pouco a pouco se revelar que as famílias mais bonitas podem esconder o longo tentáculo do ditador estaliniano e o corropio de desgraças que por essa via bate à porta. O filme gasta a sua longa duração a tornar-nos distraídos para o perigo - para, quando esse perigo se apresenta, nos ensinar a lição de que não devemos ser demasiado tocados pela felicidade, sob pena de nos tornarmos ingénuos, distraídos, facilmente comestíveis, presas cândidas.

Mas o que é que isto tem a ver com o filme em apreço?

"Aquele Querido Mês de Agosto" tem sido lido como uma mistura inteligente de documentário e ficção. Certo. Mas isso não chega.

Parece-nos que, mais do que isso, a passagem do "documentário" para a ficção serve como plataforma de outra passagem: a passagem de um clima de "Verão festivo e inconsequente" para um clima de potencial "tragédia familiar-amorosa". E não estou propriamente a falar dos amores adolescentes, porque esses só deixam dores instrutivas.
O ponto chave da ameaça dessa mudança de clima acontece quando os cantadores que preparam a "festa dos colhões" visitam a casa de Tânia e do seu pai. No cantar ao desafio que aí acontece, o cantador que actua pelos visitantes coloca explicitamente a acusação de incesto entre pai e filha, poucos minutos depois de esse pai ter dado mostrar de ciúme possessivo direccionado para essa filha. O cantador que defende a honra da casa continua num tom elevado - e, nesse ponto, pode esperar-se que o filme vai virar completamente de rumo e tornar-se numa história pesada. A realização não vai por aí e a tensão é expulsa um pouco a pontapé (como o cantador que levara o desafio demasiado longe). Contudo, do ponto de vista formal, fica afirmada a possibilidade de umas férias descontraídas e "juvenis" esconderem uma densidade trágica relativamente credível. E talvez tão documental como as cantigas pimba que muitos têm visto como o lado "documentário" deste filme.

Note-se bem que não pretendo que isto seja uma leitura "objectiva" do filme...