19.4.08

Visitantes



(Museu de Pera, Istambul, Março de 2008, Fotos de Porfírio Silva)

outro Pulo do Lobo?


Cavaco Silva: "Não falei com uma única pessoa sobre a crise no PSD".

Mas o Senhor Presidente não dissera antes que tinha opinião sobre a situação no PSD mas só a transmitia em público?
Será que temos agora mais uma versão do cinismo "estive no Pulo do Lobo e portanto não sei de nada"?
Ou muito me engano ou esta crise do PSD ajudará a compreender melhor, para quem não viu os sinais no passado, que tipo de político é Cavaco Silva.

PSD abdicou das directas...

18.4.08

o PSD e as lágrimas de crocodilo

parece que Portugal voltou a ser apetecível para governar

a dama de ferro à portuguesa

política de alianças


Crise social-democrata: Ferreira Leite disponível para candidatura de união no PSD .

Se o PSD encontrar um rumo credível, está definido o tema central do próximo congresso do PS: política de alianças.
Sim, porque uma maioria absoluta do PS, mesmo que tudo lhe corra bem, só é possível com o PSD abaixo dos mínimos. Basta fazer as contas ao método de apuramento votos/deputados nas eleições legislativas.
E já é tempo da democracia amadurecer ao ponto de não serem apenas os governos monocolores a conseguir alguma estabilidade e rumo constante. Os partidos que aspiram a governar devem aprender a negociar uns com os outros, tornando-se capazes de definir programas de governo que combinem várias aspirações.
Como fazem outros países, que concentram grande parte do seu esforço político em "montar" legislaturas coerentes a partir de resultados eleitorais complexos.

17.4.08

manifestar é preciso


(Resistance Training, de James C. Christensen)

Milhares de trabalhadores desfilam até ao Parlamento para dar "aviso geral" ao Governo.

Eu até acho que as manifestações podem ser um instrumento útil para mostrar certas disposições. Só espero, sinceramente, que os sindicatos sejam tão hábeis a negociar como a organizar manifestações. O que eu desejaria mesmo era vê-los tirar da cartola propostas novas que fizessem com que a competitividade económica crescente, por um lado, e os direitos dos trabalhadores mais protegidos, por outro, se tornassem mais claramente duas faces da mesma moeda. Em vez de continuarem a ser vistos como opostos.

Público enviesa


A propósito da assinatura do acordo entre Ministério da Educação e sindicatos, escreve o Público que "por agora, a ficha de auto-avaliação, a assiduidade, o cumprimento do serviço distribuído e a participação em acções de formação contínua são os únicos critérios a aplicar aos cerca de sete mil professores que até ao final do ano lectivo têm de estar avaliados".

O Público tem obrigação de saber que é enganador falar de "apenas" ou "os únicos" quatro critérios, porque a ficha de auto-avaliação, só por si, integra mais de uma dezena de critérios. Isto tem um nome: enviesamento da informação. Com um sentido determinado: dar a ideia de que o ME reduziu a avaliação a quase-nada para salvar a face.
Curiosamente, uma táctica de comunicação que coincide com uma ideia dos sindicatos para optimizar as suas "relações públicas" após o acordo. Ou "entendimento", como eles preferem dizer. Mas essa forma de falar fere o dever de apresentar um informação escorreita aos seus leitores.

qualificar os partidos

11:00
James Christensen, The Listener


[A propósito da situação no PSD: Aguiar Branco disponível para afastar Menezes e defrontar Sócrates. Mas o recado não vai só para , claro.]


A vida política portuguesa, como a de muitas outras democracias representativas, funciona mas tem debilidades estruturais sérias. Em minha opinião, essas debilidades estruturais explicam-se por um traço comum a muitos outros domínios da vida pública naciona: as instituições são fracas.


O que quero dizer com isto é que há, por todo o lado na nossa vida pública, instituições que deveriam cumprir certos e determinados papéis mas não têm os meios necessários, ou estão mal organizadas para o que deveriam, ou passam o tempo a cumprir tarefas menores em lugar de se concentrarem na sua missão central.

Um exemplo: quando um professor universitário passa grande parte dos seus dias em tarefas burocrático-organizativas, porque elas são necessárias às suas iniciativas fora-da-rotina e não há ninguém que as possa executar com fiabilidade, está a gastar tempo pago a "x à peça" numa tarefa que devia ser executada por alguém pago a "x/3 à peça". Esse é um sinal, mesquinho mas muito concreto, de fraqueza das instituições. Como demasiados polícias a preencher papéis. Ou autoridades inspectivas a fazer cumprir regulamentações obsoletas ou descabelhadas, que deveriam ser poupadas a montante por boa legislação em vez de legislação "por atacado".


Ora, a debilidade das instituições, sinal de um sociedade mal organizada, neste caso acompanhada por um Estado fraco que parece que ninguém quer que funcione, essa debilidade das instituições é muito visível também nos partidos políticos.


Só isto: para um partido fazer boa oposição, responsável e sã para o país, precisa de boa informação. Para poder concentrar-se nos assuntos importantes, em vez de se entreter com tolices baratas que chamam a atenção da comunicação social mas nada interessam ao futuro. Para um partido fazer boas propostas, tem de ter quem estude alternativas, quem alimente o debate, quem analise. Para um partido poder fazer promessas realistas em campanha eleitoral, e poder depois cumprir essas promessas sem prejudicar o país, precisa de meios para se preparar, para consultar os melhores, para estar informado do que se passa cá e do que se passa no mundo. E os partidos não devem estar dependentes dos seus amigos espalhados na administração para aceder a essa informação e a esses estudos. Mas, em Portugal, esse exercício é muito débil, inexistente quase.


Assim, se é preciso investir na qualidade da democracia portuguesa, é preciso investir na qualidade dos partidos como instituições capazes de criar alternativas de governação. A minha proposta é simples - e nem sequer é original (imita o modelo alemão). O Estado deve financiar, fortemente e sem dependência de calendários eleitorais, a criação e manutenção de um conjunto de fundações. Essas fundações teriam obrigatoriamente como objecto o estudo dos temas de política geral e das principais políticas públicas pertinentes para a governação. Seria apoiada uma fundação ligada a cada uma das principais correntes de opinião partidária representativas em Portugal (PS, PSD, PCP, CDS, BE). O partido do governo (no momento) teria também a sua, para não depender da espreitadela aos dossiers governamentais para se ilustrar. E todos os partidos da oposição teriam os meios para falar melhor, com mais credibilidade, dos verdadeiros problemas. Quanto mais não seja para não terem de "inventar" temas de oposição.


Aos muitos que clamariam contra "mais dinheiro para os partidos", nem chego a tentar responder. Não percebem o preço da barbárie.

Avisem os faroleiros


Façam o favor de prestar atenção ao blogue Enxuto, que acaba de nascer e que, se não me engano muito, dirá algo relevante sobre o domínio que se propõe lavrar.

Oferece-nos como programa:
«Este blogue destina-se a tratar assuntos relacionados com a língua portuguesa. Para além de ligações a outros blogues e páginas idênticas, pretendemos fazer aqui campanhas mensais para melhorar a qualidade do português e promover debates sobre questões de actualidade. A partir de hoje lançarei o primeiro debate e darei início à campanha do mês de Maio

Não vou aqui explicar o que me leva a ter confiança (mais do que esperança) no que será este blogue, dentro do que se propõe fazer. Mas, por uma vez, podem confiar na minha palavra.

lixo



De acordo com a Folha de S. Paulo (15-04-08), imagens de Agência Espacial Europeia mostram lixo espacial na órbita da Terra.
Que bom que não fizeram muito zoom sobre nós.
(Cada um tome o "nós" na acepção que lhe parecer mais apropriada.)

a vida não cabe na lei, embora as leis tenham de existir


A lei do divórcio foi [ontem] aprovada pela esquerda parlamentar e os votos contra do PSD e do CDS-PP. O diploma teve o voto contra da deputada do PS Matilde Sousa Franco, a abstenção da deputada Teresa Venda e mereceu o voto favorável de sete deputados do PSD e a abstenção de 11, entre os quais Pedro Duarte, da direcção da bancada e Jorge Neto.

Seria bom para o sistema político que acontecesse mais vezes haver divergências públicas claras, levadas até ao fim (até ao voto), dentro dos grupos parlamentares. A ver se se percebia melhor que os deputados, apesar de alinhados em partidos (como deve ser, acho eu), mantinham uma saudável tradução da diversidade que atravessa a sociedade e que não pode ser reduzida ao "ser do partido X" ou "ser do partido Y". Porque a vida é muito mais complicada. E mais rica. E ainda bem.

rotunda da boavista

16.4.08

truques orientais


Paquistão: percurso da chama olímpica limitado a estádio de Islamabad .

Boa ideia. Podia mesmo fazer-se os jogos olímpicos nos hotéis de alojamento dos atletas. Por enquanto, na China. Mas, se a coisa se complicar, cada um a partir do seu próprio país.
Outras formas de aplicar a mesma boa ideia: em vez de ir de carro para o emprego, ir de roda. Em vez de comer o rebuçado, comer o embrulho. Em vez de ir à praia, lavar a cara.
Ou: em vez de ter um governo, ter uma comissão de gestão. Que é o que muitos queriam que o actual governo fosse.

a ASAE das condições de trabalho


Número de acidentes mortais no trabalho ascende a 29 desde Janeiro, informa o inspector-geral do Trabalho.

Porque é que não dão meios e orientações à Inspecção de Trabalho para que passe a ser tão interveniente como a ASAE?
É que, tirando aqueles que acham que cada indivíduo deve ter a "liberdade de cair abaixo do andaime que lhe apetecer", os demais já estamos fartos de um país em que o respeito pela segurança dos trabalhadores está, em certos sectores, ao nível do terceiro-mundo.

teoria da conspiração em versão "bonecada"

votar suja os dedos



Sim. Meter palavras nesse caldeirão que é a democracia, particularmente quando não se vai na corrente da opinião à boleia do vento, mancha a imagem de candura que alguns preferiam ter.
Mas... é a vida, como dizia o outro.
E devemos orgulhar-nos disso.
Se for preciso, levantando o dedo sujo de votar.

do COGIR ao paradoxo de Monty Hall


O COGIR faz anos.

Faz 2 anos. E lembra-se disso. Confesso que sempre achei engraçado que haja blogueiros que se lembrem dessas coisas. Aliás, até há um blogue que lembra os aniversários dos outros blogues.
Aproveito para sublinhar uma das postas recentes do COGIR. Por revelar algo contra-intuitivo acerca de circunstâncias que podem ser do quotidiano. O Paradoxo de Monty Hall. Sigam o link da Wikipédia e verão como a coisa tem que se lhe diga.

PSL e a vitória de Berlusconi

Autoeuropa

eles têm razão


Para incentivar alunos a participar na vida das escolas:
Associações de estudantes do Básico e Secundário promovem Semana pela Democracia
.

Aqueles que ajudaram a matar o associativismo estudantil, tirando-lhe poder de intervenção sobre questões educativas dentro das escolas e no país, roubando-lhes representatividade a troco de uns trocos para fazer entretenimento, esses são também grandes responsáveis pela degradação das escolas.
As associações de estudantes foram escolas de cidadania para muitos. Mas o poder político míope não descansou enquanto não as infantilizou, "enquadrando-as" como associações recreativas e prestadoras de serviços (do tipo festas da cerveja e serviço de fotocópias). E isso paga-se caro, como sempre se paga caro o défice de participação cidadã.
E as culpas têm muitos consortes: o PS, o PSD e o CDS, visando tapar o caldeirão da contestação; as várias "esquerdas do PS" desejosas de correias de transmissão, manipulando o que devia ser livre.

É, aliás, em parte, também a história da gestão democrática das escolas. Mas essa é outra guerra.

chamem-lhe novo contrato social, se quiserem


O Banco de Portugal avisa que crise orçamental não foi ultrapassada.

É por isso mesmo que é perigoso andar o governo a dar a ideia de que chegámos (outra vez) ao oásis.
O que seria preciso: ser claro acerca dos esforços que ainda estão por fazer; identificar o que isso custa a cada um (cada grupo); precisar o que ganharemos com isso, o país e as pessoas; avançar na base de uma justa distribuição do esforço e de equidade na distribuição dos resultados.
Disso tudo, o que está a ser esquecido?

(Caso contrário, isto pode dar para o torto: Portugueses já estão a pagar taxas de juro mais altas e a situação pode agravar-se. E depois não digam que é sempre o mexilhão que tem a culpa.)

a cegueira pode curar-se com algum pensamento


Clínicas privadas acusadas de discriminar utentes do SNS .

Ainda há quem não perceba por que razão o Estado não pode demitir-se e deixar tudo por conta dos privados. Ainda há quem pense que o Estado só deve ficar com as "funções de soberania", o que, para alguns, seria encarregá-lo apenas daquelas coisas que são necessárias à protecção da propriedade privada e dos contratos. Ainda há quem pense que tudo pode ser negócio. E só negócio.
Quem assim pensa são os cegos.
Perdoem-me os invisuais, se os ofendi.

o skate papal

o fellatio de Marilyn

eu também

15.4.08

De la fe en el mercado a la fe en el Estado

«Incluso los neoliberales más radicales suplican ahora el intervencionismo del Estado en economía y mendigan las donaciones de los contribuyentes. Eso sí, cuando había beneficios, los consideraban diabólicos», escreve Ulrich Beck no El País.

feito na School of the Art Institute of Chicago

Este já era nosso conhecido, não era?




Mas este menos, certamente:



(Clicar, amplia.)

não se brinca com coisas sérias

já não era sem tempo

quem procura o confronto?

a educação da democracia

Ana Benavente, ex-secretária de Estado da Educação do PS, acusa sindicatos de cederem a chantagem sobre a avaliação dos professores. Compreendo: todos aqueles que, no passado, tiveram responsabilidades na Educação (incluindo alguns que estão no actual governo) e "deixaram andar" sem mexer em coisas essenciais, como a avaliação, são capazes de estar incomodados com a coragem da actual Ministra. Alguns engolem, outros preferem evitar que se faça agora o que não souberam, ou não tiveram por bem, fazer no seu tempo.
Entretanto, Fenprof admite não assinar o entendimento com o governo, se não for essa a vontade da maioria. Quer dizer: parece que os problemas da "democracia representativa" não tocam só o poder político propriamente dito. Também tocam os "representantes dos trabalhadores" que se guiam por uma agenda político-partidária, e por umas contas de merceeiro acerca de ganhos e perdas, em vez de pensarem no futuro dos seus representados.
O Marcelo Caetano, lembram-se?, também pensava que, desse no que desse, o regime havia de aguentar. Mas não aguentou. Alguns, hoje em dia, parecem pensar que este regime também há-de aguentar todas as malfeitorias. Mas isso não é certo. Todos os regimes políticos podem morrer. Principalmente se os seus agentes forem deste calibre de responsabilidade.

tinha era obrigação de se dar ao respeito

Tinha era obrigação de se dar ao respeito, em vez de assobiar para o ar. Ou, o que dá o mesmo, meter toda a gente no mesmo saco. É que os que são insultados e discriminados todos os dias pelo ditador não podem ser confundidos com o próprio ditador. Falar simplesmente de "conflitos artificiais" para referir a situação é recusar falar verdade, é esconder-se. E não se espera de certos responsáveis institucionais que se limitem a baixar a cabeça para evitar que a realidade lhes toque. Especialmente quando se encontram no olho do dragão.

se deixar a Europa como deixou Portugal...

nem é preciso chegar ao governo para começar a afiar o lápis azul

14.4.08

a pirâmide deve ser revista

o acordo: acordar ou adormecer?

Ainda o acordo entre o Ministério da Educação e sindicatos sobre a avaliação de docentes:
Quer dizer: variados partidos, que antes reclamavam o diálogo entre as partes, agora dizem que o resultado do diálogo é a derrota de uma dessas partes. A capacidade desses partidos para apresentar uma concepção alternativa (mais construtiva) de diálogo social revela-se nula. Apesar de, nessa frente, até haver espaço para explicar ao governo algumas coisas que este parece não ter compreendido. (Explicar, por exemplo, que a posição dos sindicatos não se traduz automaticamente na posição dos professores.)
Quanto aos que apoiam sem reservas a "nova atitude" do governo (por exemplo os meus amigos que se espantaram por eu não mostrar entusiasmo pelo acordo acima mencionado), sempre lhes deixo a pergunta: dada a actual posição "dialogante" do governo, como é que o PS se vai apresentar às próximas eleições?
Vai pretender que já se fizeram todos os sacrifícios que havia a fazer para relançar o país, enganando o povo acerca da necessidade de fazer mais e novos esforços para nos modernizarmos, e assim abandonando o impulso reformista?
Ou vai "prometer" que, passadas as eleições, voltamos à estratégia do duche escocês, com três anos de gelo seguidos de um ano de águas mornas?
Ou será que alguém fantasia que esta estratégia de "doce após o amargo" pode deixar de ser explicada ao eleitorado?

um reino de cobardes

Cavaco Silva rompe com a tradição ao não ter sessão solene no Parlamento da Madeira. “Eu acho bem não haver uma sessão solene, acho que era dar uma péssima imagem da Madeira mostrar o bando de loucos que está dentro da Assembleia Legislativa”, justificou Jardim no sábado.

Num país que se preze (que se prezasse) os cobardes que, por cá, justificam e acomodam o ditador, seriam banidos pelo desprezo público. Mas não, eles não só sobrevivem como continuam a candidatar-se e a ser eleitos.

13.4.08

aprisionar os contribuintes


Ficamos, por vezes, espantados com coisas a que não estamos habituados. Mas, pensando bem, se calhar temos de alinhar as nossas percepções gerais com o seguinte critério: deve ser mais fortemente perseguido aquilo que mais fortemente prejudica a comunidade. E, aí,muitos casos mudam de figura.
É que os crimes não são como os pecados: os pecados (para certos entendimentos religiosos) dizem respeito à obediência a uma entidade imutável, enquanto os crimes dizem respeito à sociedade. E esta muda, pela nossa acção e pela dos outros. E, também por nossa acção, certos incumprimentos, que até podem ter sido veniais no passado, tornaram-se capitais. Por demasiado praticados avolumaram-se em grande prejuízo para a comunidade.
É esse o ponto onde as nossas antigas percepções se calhar devem mudar. E onde se calhar teremos de reconhecer que o choque que certas medidas nos causam mostra, melhor do que nada, que os antigos procedimentos e compadecimentos talvez tenham de ser revistos.