29.2.08

Grafitos de Ljubljana (9)

espero que Garcia Pereira conheça os riscos decorrentes da teoria dos vasos comunicantes

Ouço que "Paulo Portas escolhe Garcia Pereira para o defender no caso contra ministro da Agricultura".
No momento em que isto começa, Garcia Pereira vale mais do que o seu partido (o MRPP). Enquanto Paulo Portas vale menos do que o CDS/PP. Encontram-se agora os dois a desencaminhar uma discussão política para a barra do tribunal. Só espero que Garcia Pereira, que como advogado precisar da ganhar a vida, não veja o seu saldo gastar-se aparecendo ao lado de um senhor que gosta de chamar nomes a toda a gente mas gosta pouco que lhe paguem na mesma moeda.

28.2.08

27.2.08

Persépolis

Já antes aqui falámos disto (PERSEPOLIS, da BD ao cinema).
Agora é só para lembrar: não se pode perder este filme, monumento de sensibilidade, cultura... e inspiração BD. É que o preto-e-branco fica mesmo bem ao povo persa...

porque parece inesgotável a capacidade de sujar o que deve ser nobre?

Dos jornais: «A mais recente troca de acusações nas eleições do Partido Democrata norte-americano partiu de Barack Obama, que acusou a candidatura de Clinton de ter posto a circular uma fotografia do senador vestido com roupa tradicional dos muçulmanos da Somália, tirada numa visita ao Quénia em 2006.»

26.2.08

a (des)crença como método

«[Em Development as Freedom, Amartya Sen] faz a importante observação de que não é necessário ganhar uma eleição para atingir os objectivos políticos. Mesmo em democracias pouco sólidas, aquilo em que os líderes acreditam, relativamente às crenças que prevalecem nos seus países, influencia o que eles consideram as suas opções realistas, pelo que a manutenção da crença é um objectivo político importante por direito próprio.» Evocando o grande pensador Sen, assim lembra Daniel Dennett, in Quebrar o Feitiço - A Religião como Fenómeno Natural, Esfera do Caos (p.170).
Exacto.
Manter a crença pode ser um objectivo político. E semear a descrença também. Pelas mesmas razões: porque pode favorecer ou impedir a prossecução de políticas.
Entretanto, vale a pena perguntar: que custos tem para a democracia lutar por (ou contra) objectivos políticos pelo método de semear a descrença? Não seria mais positivo confrontar propostas, projectos, ideias para resolver os problemas? Porque será que o actual método de oposição em Portugal passa principalmente por semear a descrença, e até o descrédito de tudo o que possa cheirar a poder?
O problema do método de semear a descrença é que ele, se for ganhador, não mata apenas a possibilidade de concretizar esta política. Mata a própria política como exercício de escolha. Porque a descrença acaba por tomar como objecto a própria democracia.

25.2.08

polémica científica sobre o ponto G

Segundo Marc S., o cartoonista secreto que aqui seguimos.

(Clicar para aumentar.)



[Se nunca ouviu falar no ponto G, trate-se de um mito ou de uma realidade, comece a remediar lendo aqui.]

e que tal meter Durão no avião?

Que os portugueses tenham ficado satisfeitos com a ida de Durão Barroso para presidente da Comissão Europeia, compreende-se. Por um lado, conseguiam assim livrar-se de um mau primeiro-ministro, o que representava um alívio nacional. (E, como bónus, mostrava-se que, por muito mal que estejamos, podemos sempre ir para pior.) Por outro lado, podiam esperar que o homem, em Bruxelas, vigiado por maior número de olhos habituados a escrutinar governantes, não teria tanto espaço para fazer disparates como o que dispunha neste jardim à beira-mar plantado onde são tão escassos os meios para a soberania do povo pesar mais do que o aparato do poder.
Que, agora, o governo português se ponha do lado errado da história, contra o estado de direito e em desrespeito pelos direitos humanos, principalmente para salvar a pele política do mesmo Durão Barroso, isso já é tolice redonda. O caso dos voos da CIA, e parece que também dos navios, que terão usado o território de países democráticos para cometer ilegalidades violadoras dos direitos humanos, para alimentar à margem da lei o inferno de Guantanamo, deveria provavelmente levar ao despedimento sumário de Barroso.
Mas este continua, e cada vez mais arrogante, escorado provavelmente na estranha cumplicidade dos socialistas portugueses. Apesar dos esforços de Ana Gomes, a conspiração para esconder a verdade parece continuar. Para quem conhece alguma história das capelinhas do PS português, esta complacência com o disparate americano, mesmo contra as exigências da decência, faz lembrar que o "gamismo" (a corrente admirativa do actual presidente do Parlamento) não morreu e continua com mão forte sobre a política externa do país.
Pode ser que, à custa de tanto tentar proteger o vilão, o próprio Sócrates venha a ser chamuscado pela "mentira de Estado". Quanto mais não seja porque, mais tarde ou mais cedo, virá dos próprios EUA a luz sobre o que realmente se passou. Graças aquelas virtudes da democracia americana que alguns dizem admirar mas parecem não compreender. A virtude que consiste em acabar quase sempre por contar o que os mandantes do momento queriam ilegitimamente esconder.
E, nessa altura, não nos peçam para chorar pelos que tenham de pagar a conta da sua própria mentira.