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13/04/10

a fotografia fantástica de Li Wei na Beijing Time

09:08


Continuando as nossas visitas à exposição Beijing Time. (*)


Li Wei, Love meets 22m, Beijing 2008



Li Wei, Liwei falls to 2007.12.27, Beijing 2007



Li Wei, Live at the high place 1, - Beijing 2007

(*) A exposição já encerrou, note-se...

28/03/10

La Douleur, de Duras

17:49

La Douleur, sobre textos de Marguerite Duras, encenado por Patrice Chéreau em colaboração com o coreógrafo Thierry Thieû Niang, com Dominique Blanc a dar voz e olhos e corpo e movimento e lágrimas e desespero e esperança e outra vez desespero e a calma às vezes e outras vezes a desistência e sempre a dor sempre a dor - a dar tudo isso a Duras pela via do texto dela. Teatro, no quadro da Semana da Francofonia 2010, em Madrid. Uma importação da produção para o Théâtre des Amandiers, de Nanterre, em 2008. No Teatro de La Abadia.
O tema da espera. Neste caso, uma mulher que espera. A circunstância concreta aqui é a guerra, o campo de concentração de onde a mulher espera que o marido regresse. Como se pode regressar de um campo de concentração, um "daqueles" campos de concentração. Mas há tantas outras esperas inúteis. Inúteis? Quão útil pode ser a inutilidade? Neste mundo onde se descarta facilmente, tudo é inútil. E tudo se julga por uma função de utilidade esperada. Utilitarismos de todos os feitios. Nem que seja para combater esse mundo, há inutilidades que valem a pena. Se as fizermos valer a pena.
A espera aqui é concreta: é Duras que espera pelo marido, naquele tempo em que a maioria estava contente pela recente libertação de Paris, alguns já tinham recebido de braços abertos os seus sobreviventes, alguns já sabiam que os seus tinham morrido nos campos - e outros estavam na incerteza. Como Duras. E é a história dessa espera, e de como foi possível afinal salvar Robert Antelme do campo e da burocracia da guerra e da paz que por pouco não o deixavam lá morrer. E como foi receber o marido em estado vegetal e tornar a fazê-lo homem. Num mundo que, em tais circunstâncias, fica ao mesmo tempo tão pequeno e tão fundo. Tão pequeno por serem tão poucas e tão perto as coisas que interessam. Tão fundo por estarmos tão próximos do nada e da possibilidade de tudo voltar a ser possível. A dor. A realidade concreta da dor. Ali em cima de um palco, quase sem adereços, onde só está uma mulher só, essa Dominique Blanc que se entrega toda a encher o palco de gente pela sua voz e o seu gesto, fazendo-nos ver e sentir tanto movimento, tanto sentimento, uma intelectual a pensar de forma monstruosamente poderosa no meio da dor.
O encenador disse: "Duras não nos poupa detalhes, Blanc não nos poupa matizes." E cada variação da alma da personagem assim exposta é um corte na nossa pele. E na nossa alma. (Já me esquecia: isso não existe.)


La Douleur [présentation]

07/03/10

investigar es invertir en futuro

00:19

Hoje (ontem, 6), em Madrid, uma manifestação de investigadores contra a precariedade. Organizada pela "Plataforma por la Investigación".
Eu não fui à manifestação: cruzei-me com ela perto da Porta do Sol. De tantas manifestações, esses eventos começam a ser um cartaz turístico quase tão popular como a estátua do urso.
O ponto: os bolseiros não são estudantes, são trabalhadores, têm direito a uma carreira. Muitos bolseiros sustentam instituições às quais não têm de facto qualquer ligação sólida.

O argumento: investigação e desenvolvimento vão de par e essa ligação deve ser o cerne de uma estratégia política. Os manifestantes querem um Pacto de Estado para a Ciência e a Investigação. E entendem que a política para a ciência é pouco científica. (Mas teria de ser? Uma "política científica" soa-me estranho.)

Sem dúvida que este debate também existe em Portugal. Dizia-me um Professor universitário, com quem fui almoçar a seguir, que se calhar, para o país que temos, os "precários" não estão a medir bem o passo das suas exigências. É claro que é estranho que as bolsas estejam a desvalorizar há tantos anos, pelo menos há uns oito anos sem actualização.

E, como sempre, há quem leve a retórica longe demais: "democracia precária", por causa da "precariedade" dos investigadores? Não sei, não sei. Nenhuma "classe" deve confundir os seus interesses, por muito legítimos que sejam, com "o espírito da nação". Um certo folclore, também: coisa que conhecemos de outros lados.

29/12/09

pintores das pinturas dos outros

13:03

O que pinta quem pinta pela pintura do outro?


O homem que queria levar a sua versão de Filipe IV como caçador do Museu do Prado, por não se contentar com o facto de só Diego Velázquez ter tido (1633) direito a tentar o seu retrato. (Foto de Porfírio Silva, Dezembro de 2009)