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30/06/15

Passos Coelho, O Impreparado (ou O Esquecido).


O que tem dado algum alívio a países como Portugal tem sido a intervenção do Banco Central Europeu, que acalma os mercados e alivia os juros.

Vale a pena lembrar que Passos Coelho já foi clara e explicitamente contra essa acção do BCE. Por radicalismo ideológico.

Quando, passados uns anos, percebeu que a sua posição era simplesmente uma traição aos interesses nacionais, deitou mão à sua arma do costume: mentir. No habitual modo bailinho: Passos aplaude decisão do BCE de comprar dívida, mas já foi contra. Embora agora diga que nunca foi contra. Mas já foi contra. E agora aplaude. E diz que nunca foi contra. Mas foi.

Ora, lembremos lá alguns aspectos dessas mentirolas.






Mas, afinal, isto tem uma explicação.




20/02/15

deixo à vossa consideração.


Retrato de uma Europa possível se deixarmos andar.



Sun Yuan e Peng Yu, Old Persons Home, 2007.
Treze esculturas em tamanho natural, movendo-se em cadeiras de rodas eléctricas com dinâmica autónoma.

15/02/15

07/11/14

O testamento político de Barroso.

O grande Estaline

As obras teóricas do grande Estaline são contribuições valiosas. Por elas estudaram e estudam o marxismo-leninismo milhões de operários em todo o Mundo. Com elas o Partido Comunista da China e o Partido do Trabalho da Albânia educaram os seus quadros, com elas formaram milhares de bolcheviques na União Soviética. (...)
O camarada Estaline está demasiado vivo nos corações de todos os explorados e oprimidos do mundo inteiro para que oportunista algum o possa fazer esquecer. A vida, a obra, a actividade do grande Estaline pertencem aos Comunistas de todo o mundo e não apenas aos soviéticos, pertencem à classe operária e não apenas ao povo da URSS.
Na pátria do Socialismo, a União Soviética, o Socialismo vencerá, uma nova revolução surgirá tarde ou cedo. Os autênticos comunistas soviéticos já se organizaram e, juntamente com a classe operária e o povo da URSS, erguerão bem alto a bandeira vermelha de Estaline, instaurando de novo o poder proletário. Força alguma o poderá evitar.
QUE VIVA ESTALINE!

(Este artigo foi assinado pelo camarada Abel, no "Luta Popular" de Setembro de 1975. O camarada Abel era, à época, José Manuel Durão Barroso, militante do MRPP). 

08/10/14

Afinal o "arco da governação" é...


Afinal o "arco da governação" é uma task force para organizar a abertura do ano lectivo, coisa que se revela muitas vezes necessária quando a direita governa - já que os respecivos ministros não são capazes.



05/10/14

quem é esse qualquer coisa Costa?


Clicar para aumentar. (Sim, porque a resposta à pergunta pode ser uma questão de visão.)


(roubado ao Rui Bebiano)

24/09/14

as vistas curtas da hipocrisia dos políticos "sérios".


Ana Gomes é deputada europeia eleita nas listas do PS.
Nas últimas eleições para o Parlamento Europeu, Ana Gomes não deu nenhum sinal entendível de estar agastada com as escolhas do secretário-geral, António José Seguro, relacionadas com essa candidatura e eleição.
Por escolha de Seguro, António Vitorino foi mandatário nacional da candidatura às europeias.
Repito: não vi Ana Gomes fugir horrorizada dessa candidatura, que tinha em Vitorino o seu principal representante legal.
Passado pouco tempo, Ana Gomes, em nome da campanha tresloucada de Seguro contra os bandidos socialistas, parece ter descoberto qualquer coisa em António Vitorino que ainda há poucos meses ela ignorava. Essa descoberta aconteceu logo após Vitorino declarar o seu apoio a Costa. Uma coincidência temporal dos diabos.
Será isso?
Ou será apenas hipocrisia política?
Alguém explica à senhora deputada que "isto" não é o velho MRPP?


23/09/14

o político sério é o político que não se ri?!




Qual é o político português que assentou toda a sua carreira em dizer que é o mais sério de todos e que ele não é político, políticos são os outros (malandros) ?
Obviamente, Cavaco Silva.
Nem preciso recordar quão ridículo isso é.
Não preciso recordar? Se calhar estou enganado. Se ainda há políticos de esquerda que optam pela cartada de dizer mal dos políticos (por exemplo, deputados quantos menos melhor) e que pretendem ser mais sérios do que os outros... se calhar ainda é preciso recordar onde essa conversa nos pode levar.
Ah, e não pensem que o populismo e a demagogia só fazem mal à direita. Fazem mal a todas as famílias onde entra esse vírus da irresponsabilidade.

05/08/14

breve.


Para que conste: para efeitos de compreensão da sociedade, tendo a desconfiar de predicações grupais do tipo "os banqueiros são X", "os políticos são Y", "os judeus são Z". Essa amálgama impede que se distingam os honestos dos desonestos, os competentes dos incompetentes, os lobos dos cordeiros. E, em geral, tais amálgamas servem para esconder defeitos da organização política - de que todos somos mais ou menos co-responsáveis - atrás do biombo dos pecados pessoais.

11/06/14

Portugal deve ser o único país onde existe um mercado negro de livros de poesia.


E isso não me parece nada poético.

Porque quando a feira do mundo chega à poesia, a poesia saiu, calada, do mundo.

06/06/14

conselhos seguros.


Se vires o país a arder, vai dar uma volta até ao fim de Setembro.


(imagem de Ed Linfoot)


31/05/14

política nacional.


Este é o meu comentário às notícias que me chegam hoje sobre política nacional.


(Ilustração de Ed Linfoot.)

27/05/14

aquilo de que o PS não precisa.



A Google renovou o seu logotipo. As mudanças estão expostas na imagem acima.
Não percebem? Passamos a explicar:
(1) o segundo 'g' foi desviado um pixel para a direita;
(2) o 'l' desloca-se um pixel para baixo e um pixel para a direita.

À atenção do PS. Com votos de felicidades.

(fonte)


19/05/14

Cristóvão Colombo e Jean-Claude Juncker.


Jean-Claude Juncker, candidato do PPE a presidente da Comissão Europeia, estando em Portugal com os seus correligionártios do PSD e CDS, terá querido fazer umas graças (as campanhas parece que pedem graças) e terá escolhido adoptar circunstancialmente a teoria (que outros levam a sério) segundo a qual Cristóvão Colombo era, afinal, português.
A "teoria" teria a seguinte explicação: Colombo "partia nunca sabendo para onde ia e, quando chegava, nunca sabia onde estava". Enfim, se era para os portugueses acharem piada, deixo a intérpretes mais doutos do que eu a explicação do motivo para se pensar que nós devamos gostar que nos tratem assim. Mas, enfim, haverá quem ache que, se votamos nestes partidos que nos governam, deve ser por gostarmos que nos tratem assim.
Entretanto, mais interessante, Juncker continua a sua teoria dizendo, ainda na chacota com Colombo, que "era o contribuinte que pagava a viagem”.
Pois, se a malta que, tirando a tropa, a polícia, os tribunais e pouco mais, diz mal de qualquer acção do Estado, estivesse lá para decidir, não tinha havido descobertas para ninguém - porque nada teria começado sem o Estado e não seriam os privados a meter-se por sua conta e risco no arranque dos descobrimentos. Como ainda acontece hoje em dia. E como alguns continuam a querer esquecer.
Mas, enfim, Colombo ainda nos lembramos dele - e é pouco provável que daqui a outro tanto tempo ainda alguém se lembre do próximo presidente da Comissão Europeia. Seja Juncker ou outro - e eu até não regateio alguma simpatia por Juncker, embora me pareça mau para a Europa e para Portugal que os seus amigos vençam as eleições europeias.
Às vezes as graças eleitorais até merecem mais reflexão do que pretendiam os seus autores.


09/05/14

revolucionários, radicais e assim.


Para decidirmos se gostamos ou não de revolucionários é preciso saber que não há só revolucionários de uma cor. Há revolucionários de esquerda, há revolucionários de direita. Até há revolucionários religiosos.

Acontece a algumas pessoas pensarem que gostam de revolucionários por só se darem conta da existência de uma cor de revolucionários. Por exemplo, há pessoas que admiram Che Guevara sabendo bem quem foi Che Guevara e o que fez. Mas também há pessoas que admiram Che Guevara porque sabem pouco de algumas coisas que ele fez. Na verdade, algumas pessoas, se pensassem que alguém lhes poderia fazer o que Che Guevara fez a algumas pessoas, deixariam logo de gostar de Che Guevara.

A maior parte das pessoas de esquerda que admiram os revolucionários de forma simples, desconhecem os perigos dos revolucionários de direita. Ou melhor, desconhecem que há radicais de direita que são tão revolucionários como os seus comparsas de esquerda. E vice-versa, para a direita.

Uma das coisas interessantes, por assim dizer, com aspas, no actual estado do país, é que temos um governo radical de um certo tipo de direita (que, tradicionalmente, seria abominado por certa outra direita, por exemplo, pela democracia cristã) e só agora é que algumas pessoas estão a descobrir que não há só radicais de esquerda - também há, afinal, radicais de direita! Radicais no pensamento e nos métodos. E, vejam lá, têm pouso e sede no governo.

Os revolucionários, ou radicais, têm sempre admiradores. Gente que é capaz de descrever o mais insensível dos "chefes" como uma cândida branca flor. Para conhecerem uma dessas afinidades electivas, leiam o texto que vos deixo em "link": Obrigatório ler.

06/05/14

um sinal positivo de Bruxelas.


Bruxelas percebeu finalmente a natureza termonuclear da situação que se vive em Portugal.
Pelo menos podemos ter essa esperança, lendo a nota de imprensa que anuncia a nova chefe da representação da Comissão Europeia em Portugal:
"Desde novembro de 2011, Maria d'Aires Soares desempenhou, como funcionária da Comissão destacada no interesse do serviço, a função de Chefe do Departamento Finanças e Orçamento no ITER (Reator Termonuclear Experimental Internacional) em Cadarache, França."

Na realidade, Portugal está a passar por uma experência termonuclear de grosso calibre.

24/04/14

por favor, não queiram convencer-me que é hoje que vão fazer a revolução.



Kostis Velonis, Life without Tragedy, 2011
(fotografado na exposição No country for young men, BOZAR, Bruxelas)


Agora, de repente, anda por aí muita gente a fazer de conta que vai praticar a revolução hoje à noite ou amanhã de manhã.

Andaram quarenta anos a votar em quem se vê, a fazer pela vidinha (porque é preciso comprar vestidos novos e calçado novo e camisas novas e actualizar muito os computadores e os telemóveis); andaram quarenta anos a detestar as pessoas que faziam diferente, a ignorar olimpicamente os associativos, os cooperativistas, os malucos da autogestão, a dizer mal dos sindicatos e a desculpar tudo aos patrões e à gente séria que trabalha e não quer perder tempo com políticas; andaram quarenta anos a dizer mal das greves, que causam transtornos às pessoas, sem pensar que também são pessoas os que fazem greves; andaram quarenta anos a desconfiar da cultura, e do dinheiro que se gasta com a cultura, e com os preguiçosos que pensam em cultura; andaram quarenta anos a pensar que a democracia é uma coisa de renovar os votos de submissão de tanto em tanto tempo e que fora disso a política é para os políticos; andaram quarenta anos a deixar que alguém faça ou a preferir que ninguém faça grande coisa; quarenta anos a fazer o jogo da roupa suja dos pequenos escândalos, sem notar que esse fumo encobre as verdadeiras desigualdades; quarenta anos a tratar como causas menores a igualdade de género (de preferência desdenhando do "feminismo"), os direitos das minorias, os estrangeiros explorados, os que de algum modo são diferentes, como se só importasse a sobrevivência do dia presente - e agora querem fazer a revolução numa passeata.

Caramba, a revolução é voltar a ter um dia de festa e a seguir voltar contente para casa com mais três euros por mês no salário mínimo? A revolução é viver desconfiado de qualquer um que tenha uma bicicleta, se eu ando a pé, como se o ideal fosse sermos todos pobres? A revolução é clamar contra os miseráveis, que são tratados como ladrões porque recebem do Estado meia dúzia de tostões a título de uma qualquer prestação? A revolução é esta inveja generalizada, em que somos pasto para os que governam dividindo, "para reinar"?

Façam-me um favor, aqueles que sempre esperaram que os de cima ganhassem juízo, em vez de tratarem de meter as mãos na massa, façam-me o favor de não pensarem que vão fazer a revolução num dia de sol com nuvens de manhã, entre os alfarrabistas da rua anchieta e a fnac do chiado, a dizer piadas ao coelho que chegou lá com os votos de quem, dos tártaros da Crimeia?

Estou grato ao 25 de Abril, estou triste com este país 40 anos depois - mas não foram os deuses que nos tramaram. Quem nos tramou foi o "pragmatismo" reinante, a gente bem ordenada e que não quer perder tempo com políticas, que só se dá conta do mundo quando o estrume lhe chega à porta de casa, mesmo que esse estrume já tivesse atolado muita gente há muito tempo.

Quem nos tramou foi a indiferença. E a indiferença não se resolve com emoções de um dia. Ou de uma semana que seja.

Demitimo-nos e agora estamos tristes.
Temos direito a estar tristes.
Não façamos é de conta que vamos resolver o problema numa noitada de quinta para sexta-feira, numa comemoração qualquer.

Não vamos fazer revolução nenhuma. Vamos comemorar uma, já não é mau. Mas é apenas isso.