22/01/17

o novo fascismo europeu une-se. E nós?



Uma espécie de cimeira dos novos fascistas europeus reuniu-se ontem em Koblenz, Alemanha. Marine Le Pen (Frente Nacional, França), Frauke Petry (Alternativa para a Alemanha), Geert Wilders (Partido para a Liberdade, Holanda), Matteo Salvinin (Liga do Norte, Itália), Harald Vilimsky (Áustria), festejando Trump e falando para uma plateia de umas centenas (menos do que o milhar de polícias a tomar conta da ocorrência), insistindo nas palavras "nação", "patriotismo", "controlo de fronteiras", "identidade nacional" e "defesa dos povos". Está em marcha uma grande ofensiva.

À esquerda temos de colocar-nos questões. (Há democratas na direita, claro que sim, e espero que também se façam perguntas relevantes acerca disto tudo. Mas, estando eu à esquerda, tenho as minhas próprias questões.) À esquerda, o que vamos fazer? Vamos também fechar-nos em nacionalismos - ou vamos ser capazes de renovar as melhores tradições do nosso internacionalismo? Vamos fechar-nos em sectarismos de grupo - ou vamos ser capazes de construir convergências mais amplas e mais fortes, sem perder a força da diversidade?

O novo fascismo europeu une-se. E nós? Perdemo-nos no acessório ou agarramos o essencial?


22 de Janeiro de 2017

5 comentários:

Jaime Santos disse...

Olhando para as posições passadas do PCP+PEV que é um Partido soberanista anti-UE e para o BE, cuja retórica parece ser cada vez mais anti-europeia, por contraste com o europeísmo (envolto é certo em pessimismo face à realidade presente) do PS, não estou otimista. Aliás, tenho algumas dúvidas se todos os militantes desses Partidos (PCP+PEV e BE) consideram a derrota da Extrema-Direita europeia como algo de positivo, já que o apego dos Portugueses à UE e ao Euro exclui outra via para o fim da nossa pertença à UE que não seja uma desagregação dessa UE vinda de fora. Mas, pelo menos a Esquerda portuguesa não dá o triste espetáculo vindo de França, em que a desunião das forças mais progressistas e a profusão de candidatos à Esquerda e ao Centro parecem abrir a porta a uma segunda volta Fillon versus Le Pen, que a candidata da FN pode ganhar. A Esquerda Francesa deve ser mesmo a mais burra do mundo... E isto quando os votos centristas e de Esquerda perfazem pelo menos uns 40 e tal por cento, a acreditar nas sondagens...

Porfirio Silva disse...

Jaime, deixando de lado tudo o resto,a suposição de que à esquerda alguém prefira as vitórias da extrema-direita... parece-me uma suposição grotesca. A meu ver, isso desqualifica globalmente esse comentário. É pena.

Jaime Santos disse...

O seu camarada Vital Moreira chamou a atenção que existiam pessoas na área do PCP que prefeririam a vitória de Trump, por isso a hipótese não me parece assim tão grotesca. Afinal, quem são os amigos de Trump na Europa? Veja aqui: https://causa-nossa.blogspot.pt/2016/11/comunistas-por-trump.html.

Porfirio Silva disse...

Até sou amigo de Vital Moreira, por quem tenho imensa consideração. Mas ele não é meu camarada (acho que é independente) e não julgo que ele seja um oráculo que me faça aceitar como bom tudo o que ele diga. Até costumo divergir bastante dos juízos dele.

Jaime Santos disse...

Peço desculpa, não sabia que Moreira não era militante do PS. Claro que ele não é nenhum oráculo e se o Porfírio quer continuar a considerar a minha hipótese como grotesca, está no seu direito. Mas aí deve questionar-se por que é que uma pessoa por quem tem consideração a subscreve (concorde ou não com ele). E, já agora, convinha lembrar que infelizmente há precedentes para essa (suposta) atitude. Como bem lembrava o Rui Tavares no artigo do Público que eu postei e relativamente ao qual o Porfírio me criticou, nos anos 30, a Esquerda da Esquerda não se levantou para defender a Democracia Liberal, com os resultados que se conhecem. Eu percebo que para quem trabalha para uma convergência à Esquerda seja dolorosa a lembrança de tais factos, que só atrapalha os entendimentos do dia-a-dia. Mas se há coisa que o PS (o Partido da Liberdade e da Democracia) tem que fazer é confrontar os seus parceiros com as suas responsabilidades relativamente à História e à sua obrigação de não cometerem os mesmos erros, em vez de endeusarem as lutas passadas. A este respeito, foi particularmente patético ver Francisco Louçã incapaz de admitir que Fidel Castro, com todas as suas qualidades e coragem física, era sobretudo um ditador e foi mais patético ainda ver Jerónimo de Sousa dizer a respeito de Soares que a versão da História que o PCP defende é afinal outra (http://expresso.sapo.pt/politica/2017-01-09-Jeronimo-diz-que-Soares-escreveu-a-historia-mas-o-PCP-mantem-a-sua-propria-versao). A convergência das Esquerdas, para valer a pena, tem que se fazer em torno dos valores certos, em particular a defesa intransigente do Pluralismo Democrático. E isto porque a discussão em torno da UE já não é apenas sobre o fim ou a transformação da União, é sobre a preservação da Europa como espaço de Liberdade e Democracia...