09/10/15

Está-me a parecer que há partidos que estão a levar a sério as palavras do Presidente...



No dia 6 de Outubro, o Presidente da República disse ao País o que entendia sobre o pós-legislativas de 4 de Outubro. O excerto seguinte da sua comunicação deve merecer uns minutos do nosso tempo:

Por isso, é fundamental que, tendo os portugueses feito as suas escolhas nas eleições de domingo, seja agora formado um governo estável e duradouro.
Como acontece em todas as democracias europeias, cabe aos partidos políticos que elegeram deputados à Assembleia da República revelar abertura para um compromisso que, com sentido de responsabilidade, assegure uma solução governativa consistente.
Que fique claro: nos termos da Constituição, o Presidente da República não pode substituir-se aos partidos no processo de formação do governo e eu não o farei.
Recordo que, até ao mês de abril do próximo ano, o Presidente da República não dispõe da faculdade de dissolver o Parlamento, devendo entretanto entrar em funções o novo Governo e ser aprovado o Orçamento de Estado para 2016, instrumento decisivo para a estabilidade financeira do País.
Portugal necessita, neste momento da nossa história, de um governo com solidez e estabilidade. Este é o tempo do compromisso. O País tem à sua frente um novo ciclo político, em que a cultura do diálogo e da negociação deve estar sempre presente.
Confio que as forças partidárias vão colocar em primeiro lugar o superior interesse de Portugal.

Até estou de acordo.

Não estou de acordo que só tenha consultado o presidente do seu próprio partido para verificar as condições de governabilidade.

Não estou de acordo que (numa parte que não citei) tenha feito exigências políticas que não lhe competem determinar.

Mas estou de acordo que é necessário um governo estável e duradouro. (Já o PSD parece que não está de acordo, uma vez que o dirigente do PSD José Matos Correia quer ver a Direita no governo, mas não quer ver o PS no governo com a Direita...)

Estou de acordo que este é o tempo do compromisso.

Está-me a parecer que há partidos que estão a levar a sério as palavras do Presidente, mas que não são os partidos com que o Presidente estava a contar...

1 comentário:

Margarida Félix disse...

Sempre acreditei no eleitorado português, tem sabido fazer as suas escolhas, ainda que por vezes o faça com recurso ao ditado, escrevendo direito por linhas tortas.
Como é óbvio muitas vezes tenho discordado do resultado da maioria, mas a democracia tem destas coisas.
O resultado das eleições de dia 4 de outubro não me parece um mero acaso, mas a consequência de alguns fatores que foram "fermentando" na sociedade portuguesa nestes 4 anos e qualquer coisa:
Descontentamento; cautela ( como usa dizer o povo " não pôs os ovos todos no mesmo cesto"); esperança e vontade de ensaiar algo de novo de forma prudente.
E para isso não deu a vitória à PàF, como se quer fazer crer, colocou o PS no centro da situação, sabendo que em muitos outros momento difíceis da vida deste país foi o PS que lá esteve, que resolveu.
E não esqueçamos, mesmo ainda na JS, o António Costa esteve lá sempre.