29/04/15

o rinoceronte e o Professor Louçã.


Tive oportunidade, em anos anteriores, de deixar aqui ou ali um desabafo acerca de um senhor Fernandes, então director de um quotidiano, que, quando não gostava de alguém por razões políticas, atacava essa pessoa desqualificando-a no seu ofício. Por exemplo, se não gostava da política de uma realizadora de cinema, tratava-a como pseudorealizadora ou punha "realizadora" entre aspas. Já não me lembro como era exactamente a técnica de desqualificação, mas o esquema era esse.
O grande Francisco Louçã, afinal, também gosta de despachar os argumentos de que não gosta com truques de desqualificação pessoal. Tocou-me a mim, agora, vejam lá. Explico.
O João Rodrigues escreveu um post, que considero arrogante, acerca do relatório dos economistas ao PS (Passos de Costa).
Eu entrei na conversa, criticando o que considero ser a arrogância daquele texto e dizendo por quê (A arrogância da esquerda será melhor que a estupidez da direita? ou, pequeno tratado sobre a cagufa em política).
Louçã, talvez para mostrar que ainda lhe cabe distribuir amêndoas e vergastadas pelo povo, entra no modo senhor Fernandes e escreve, no fim de um texto que ele deve considerar a súmula das súmulas sobre o assunto: «Os dirigentes do PS limitaram-se ou a entrevistas com um argumento envergonhado – Vieira da Silva explica que não é tão mau como parece e que sair do euro seria pior – ou ao silêncio, raramente interrompido pelos ecos do que alguns terão dito numa reunião recente. Ou, no melhor dos casos, refugiaram-se num trauliteirismo pouco filosófico, como foi o caso de Porfírio Silva, jovem estrela socialista que escreve “um pequeno tratado sobre a cagufa em política”, sendo “cagufa” o atrevimento de não se apoiar a proposta do seu partido.»
Como é evidente, chamar jovem a um tipo da minha idade não é um elogio. Chamar-me estrela deve ser para lembrar que, sendo eu um desconhecido, devia ser mais prudente e não querer meter o bedelho entre as vozes dos doutores (especialmente sendo "jovem", será?). Quanto a ser trauliteiro o meu texto, torna-se evidente que FL se acha o distribuidor certo desse qualificativo, porque outro observador perceberia facilmente que a minha crítica a João Rodrigues é muito menos violenta do que o texto que eu próprio critico. Mas o verdadeiro ponto de FL é qualificar de "pouco filosófico" o meu post - e, aí, a técnica de desqualificação é a mesma do senhor Fernandes. Sim, porque, tanto em FL como no senhor Fernandes, essa técnica só serve para mostrar as garras sem o trabalho de responder aos argumentos. Porque, e isso é evidente, a picadazinha de Louçã não constitui argumento nenhum, enquanto o meu texto, concorde-se ou não, contém argumentos.
A diferença relevante aqui é que aos meus argumentos pode responder-se racionalmente. Politicamente. E isso apenas me interessa sublinhar, por agora. Porque, realmente, ainda julgo preferir que nos concentremos nas ideias e no seu debate, (como julgo ter feito no meu texto).

3 comentários:

Anónimo disse...

Loução em modo "doutorices"...

Anónimo disse...

Será você o ser humano mais chato e convencido do Universo? Estou em crer que sim. De vez em quando venho aqui, só para pasmar com a importância que você se dá, e com o quanto maçadora e irrelevante pode ser a sua prosa.

F.P.

Porfirio Silva disse...

Ena ena, um anónimo com iniciais que se acha o grande avaliador da prosa alheia - mas que acha que os outros é que se dão importância.