06/02/15

deliberar.



Para usar uma expressão de Varoufakis que ressoa muito a coisas que digo há muito cá no meu modesto canto: a Europa chegou a um ponto em que precisamos de radicais moderados. Radicais, no sentido de irmos à raiz dos problemas, em vez de adiarmos e agravarmos a situação com disfarces e paliativos. Moderados, no sentido de sermos capazes de construir compromissos realistas que tenham em conta a diversidade de interesses nacionais existentes na UE.

O que se está a passar com a Grécia mostra que vale a pena estudar os problemas em profundidade, ter objectivos claros e ser flexível na procura de uma solução. Como o secretártio-geral do PS tem andado a dizer há meses, a 28 não se pode garantir qual será o desenho exacto de uma solução no seio da União Europeia. O que temos é de saber o que queremos e lutar pelos nossos interesses. Mas é preciso flexibilidade para trabalhar com as diferentes componentes da equação.

Não é só a direita austeritária e dogmática que tem a aprender com este processo. À esquerda também há lições a tirar. Se fosse o PS em Portugal a fazer o que o Syriza está a fazer, há uma certa esquerda por cá que já estaria a acusar os socialistas de cedências. É que estar disposto a assumir responsabilidades governativas exige que consideremos mais opções do que faríamos se quiséssemos apenas ser oposição. Que haja gente de esquerda a bater palmas à capacidade negocial do governo grego e, ao mesmo tempo, continue no seu discurso de "tudo ou nada" - é bem a prova de que seria útil que também a esquerda, designadamente a "esquerda da esquerda", aceitasse pensar em conjunto e não se ficasse pelas proclamações revolucionárias para mero uso retórico.


(Imagem by Gouwenaar (Own work) [CC0], via Wikimedia Commons)

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