14/06/14

ganhar o país na secretaria não é ganhar o país.


A parte estatutária do processo político actualmente a correr no PS merece uma interrogação: será que António José Seguro passou os três anos de auto-inflingida anulação a magicar umas regras internas que, em vez de se destinarem a tornar o PS mais ágil e mais lúcido a responder às necessidades do país, se destinariam a proteger a direcção do juízo dos próprios militantes do partido?
É que certas disposições estatutárias podem acabar por revelar-se impróprias para fazer face a circunstâncias imprevistas (não há juristas perfeitos), mas isso pode reconhecer-se e corrigir-se, desde que todos estejam focados nas responsabilidades de um grande partido democrático face ao país. Coisa diferente é perceber-se, pelo andar da carruagem, que os estatutos foram imaginados propositadamente para serem uma espécie de fosso dos jacarés entre o mundo e o quartel-general do dignitário em exercício.
É que, quando se pensa nisto a par com a ideia de reduzir o número de deputados (cujo único efeito notável seria tentar eliminar a diversidade parlamentar à esquerda), teme-se que haja uma linha de rumo cuja essência é tentar ganhar qualquer batalha política na secretaria. E esse temor é um temor pela qualidade da democracia.

5 comentários:

Jaime Santos disse...

Se a possibilidade de um congresso eletivo não existe e as primárias forem declaradas ilegais, como muito provavelmente são, resta às distritais convocarem um congresso para alterar os estatutos, instituindo as primárias. Será que AJS se vai recusar a isso, depois de ter mudado de posição e as ter proposto? Isso exporia o seu absoluto taticismo. Mas o que isto mostra é que os Estatutos estão de tal forma blindados que uma Maioria de Militantes ou dos seus Representantes não pode, pelos vistos, censurar a Direcção Política... Não parece haver dúvidas, há uma espécie de Sidonismo instituído no PS... Mas isso, infelizmente, não é de hoje e não começou com AJS...

Porfirio Silva disse...

O problema não é se "isto" começou agora. O problema é se "isto" pode acabar com o PS, tal como o conhecemos.

Jaime Santos disse...

Se o PS acabar entregue a pessoas como Álvaro Beleza (vide o meu comentário sobre a sua entrevista ao i e sobre os seus comentários infames sobre Mário Soares), então eu, se fosse o Porfírio, consideraria entregar o meu cartão partidário. Agora eu, que sou independente, nunca mais darei o meu voto ao PS nessas circunstâncias... E como eu, estarão, penso, muitos. Isso significa entregar o poder à Direita por mais 4 anos? Paciência, antes seja ela a fazer o mal... E nada diz que o Livre não possa substituir o PS... O Syriza também substituiu o PASOK, não foi? Seguro que se cuide, que Rui Tavares pode bem tornar-se o Tsipras português...

Porfirio Silva disse...

Jaime, a pior coisa que pode acontecer aos partidos é julgarem que são donos do "seu" eleitorado. O caso do PASOK deve dar que pensar. Pelo meu lado, trabalho para que isso não aconteça...

Faro Algarve disse...

Concordo.